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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Descascando o orkut



Ao invés de “Quem sou eu” deveria haver a questão: “Como me sinto hoje”, uma vez que esse espaço tornou-se a maneira anônima mais célebre de fingir pra si mesmo que alguém se importa. Todo mundo é feliz e tem uma vida perfeita no orkut. E os depoimentos não desmentem: todo mundo presta! Pessoas que se conheceram ontem, falam umas das outras como velhos conhecidos. Todo mundo é amado, querido, amigo e conhece a felicidade... Pessoas que passavam se batendo por você, lhe adicionam e mandam testemonials profundos (detalhe: copiados) com a frase “Te amo muitooo”. Mais banal que ‘te amo’, só as fotografias. Uma vez, fotografar era algo especial, de ocasião. Será que aquelas pessoas que tem 3000 fotos no álbum acreditam mesmo que alguém vai olhar uma por uma??
E a frescura de encher de cadeados? Agora, até os recados são sigilosos. Isso é ridículo! Quem quer privacidade, que vá escrever um diário, que é muito mais sincero. Pelo menos não ia ser falso consigo mesmo [sic].
A justificativa que todo mundo dá é a de reencontrar amigos de escola, parentes, participar de comunidades. Mas, na boa, para amigos que valem a pena realmente, há outras formas de manter contato, como telefone, e-mail (uma ferramenta maravilhosa e tão ignorada; é secreto, ninguém sabe o que você recebe ou envia), visitas, torpedos. Sim, pois se são amigos, você não vai ficar fazendo um joguinho de falsidade em um site que todos podem ver, dizendo que são inseparáveis, que sem eles não vive, mas sequer tirando o telefone do gancho para saber como estão. De hipocrisia, basta! Parente? Não se escolhe, é carma, não entendo pra que querer manter contato com esse tipinho de gente? Já não basta o embuste das reuniões familiares?
Tem pessoas que vivem mais em orkut que em sua realidade, cuidando da vida alheia, deixando que cuidem da sua. Não possuem orkut, o orkut as possui.
E é tão lamentável que essa moçada que diz que ama como diz que pega, jamais tenha dito “Eu te amo” sequer aos seus pais...
Ao invés de “site de relacionamentos”, pessoalmente noto, trata-se de uma ferramenta para destruir relacionamentos... O que não falta é gentinha fútil, medíocre, atacando a namorada do cara que está a fim, bisbilhotando vida do ficante, amigo, vizinho... É impossível não despertar ciúme ou raiva de coisas que, outrora, jamais chegariam a perturbar uma relação; tudo é tão exposto, tão acessível; as pessoas insistem em provar a não-sei-quem que aquilo é real, mesmo só acontecendo na cabeça delas. Você nunca sabe se o que lê é legítimo, se é mútuo, se é apenas devaneio de quem está enviando... E, por que, diabos, o seu namorado ACEITA as falas doces e vadias daquelas amiguinhas dele... As pessoas simplesmente não se importam com os sentimentos das outras e nem respeitam a si mesmas, falando de coisas profundas de forma superficial, fingindo a si que ilusões são fatos... Num dia se ama um, no outro, se ama outro, tudo assim, caindo depressa demais no esquecimento, banal, virando com rapidez as páginas, “aproveitando” tudo o que pode... O ser humano é mesmo um bicho irracional e doente, como o turco afrescalhado que inventou essa porcaria.

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