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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

domingo, 24 de outubro de 2010

Querido diário


Querido diário...

Você lembra daquela garotinha que ainda ontem tinha sonhos? Sim, garotinha. Sim, tinha sonhos. Ela imaginava-se linda, em um jardim florido, um dia ensolarado e flores brancas por toda a parte. Um vestido simples, enfeite no cabelo. Sorrisos, raios de sol. Ela imaginava a publicação de seu primeiro livro. Sua formatura. Seu casamento. O nascimento de seu primeiro filho.
Querido diário, onde estão meus sonhos?
Ter-se-á sido-me roubado o direito de ser feliz?
Oh, não! Na lei dos homens nada diz com referência a tal direito. Então não o tenho??
Querido diário, não sonho mais com a publicação de um livro, nem estudar e ser uma... publicitária? Jornalista? Advogada? Não sei. Estava num mar de ilusões e meus sonhos morreram afogados. Não consigo, simplesmente, ter qualquer motivação para viver. Olhar o horizonte. Que horizonte? O sol não voltou a nascer para mim.
Querido diário, meu travesseiro tem sido o único amigo fiel, a enxugar as lágrimas noites seguidas. Para com meu ursinho fui ingrata, mandei-o embora, então fiquei órfã.
Querido diário, todas as noites quando eu fecho os olhos eu não desejo mais acordar. Um anjo triste pousa ao meu lado e segura a minha mão, e, acredite, ele até tenta ser legal comigo:
- Menina inteligente, por que choras?
- Menina escritora, por que sofres?
Oh, anjo triste! Essa inteligência é vista desde os quatro anos, quando sozinha, aprendi a ler. Oh, anjo triste! Dê-me outro rótulo. A menina inteligente quer sentir-se bonita, embora já tenha ganho concursos de rainha na escola. A menina inteligente quer percebam ser ela uma pessoa sensível, que gosta de pássaros, de músicas tristes, de animais. A menina escritora é também filha, irmã, amiga, prima. Que papéis difíceis, oh Deus!! A menina gênio também quer sentir-se amada, quer amar, quer ver a vida de frente, quer seus sonhos de volta. Será possível ser um ser humano quantas vezes condenado pelo seu erro? A própria prisão de sua consciência não lhe bastará?
O que se ama, perde. Mas, não se perde o que não se tem.
Foi apenas um sonho bonito, menina inteligente. Sonho! Essa utopia que perdeu-se em suas desilusões. Você errou, menina gênio. Pague o preço. Você falhou, garota escritora. Assuma, assine. O passado jamais volta. Aquele dia de sol, vestido branco e flores ficou como uma lembrança bonita, ou um "sonho" fugidio. Seu maior erro não foi acreditar nas pessoas. Foi acreditar no amor.

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