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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

domingo, 24 de outubro de 2010

Reflexões


Horário vago, nada para fazer. Após resolver meus pepinos tão pequeno-gigantes de semi-adulta universitária, in-dependente, resolvida, e reconhecidamente consciente de que eles são um nada diante da grandeza do mundo... Eu sento no banco da praça para pensar na minha parte para mudá-lo...
Havia apenas alguns minutos desde que estava passando por uma avenida movimentada, a cabeça longe como de costume, em meus conflitos existenciais, quando uma vozinha infantil me despertou:
- Moça, quer uma rosa?
Olho e dou com um garotinho lindo, do tamanho do meu sobrinho - no máximo seus cinco anos - o pai barrigudo estrebuchado no chão com um pano estendido ao lado coberto de bengues e flores para vender.
- Hã... Obrigada... - movida pela surpresa de um golpe tão baixo, não quis encarar o menininho. Minha vontade foi dar-lhe o amor ausente, e talvez, mostrar a ele que o mundo pode não ser tão hostil. Como eu mesma acabei sendo...
Mais alguns passos e outra cena chocante: eu não sei como é em outras cidades, mas Caxias do Sul é cheia de índios. Não que não sejamos civilizados, hehe. São índios mesmo, seus descendentes, que fazem do centro um lugar de culto à pedincha. E um dos herdeiros dessa cultura indígena que já foi mais respeitada, estava a remexer no lixo de um carroção bem maior que ele... Em seus dois anos e pouco de vida, aquele bebê não sabia que despertava uma garota para a realidade do seu mundo...
Mais algumas quadras, e estaco olhar o vitrinário de uma loja. Ao lado, sentados no fio da vitrine vizinha, dois meninos estão sentadinhos aos risos, as gostosas gargalhadas de criança... Eles têm copos do Mc Donald's, latas de coca-cola e cachorros-quentes nas mãos.
- Tia...
Embora não tenha cara de tia, o hábito de ser chamada de tia, não goste mesmo de ser chamada de tia e não seja chamada de tia nem pelo meu sobrinho de quatro anos, atendi com olhar complacente aqueles meus dois irmãozinhos.
- Oi?!
Não importava o que eles pedissem, eu estava rendida. Porém, me surpreendendo, um sorriso banguela lindo, o garoto de seis anos estendeu-me uma das latas de refrigerante e pediu:
- Por favor, abre pra mim?
- Claro.
E eles comentaram o tamanho das minhas unhas. E ri com eles. E senti não sei explicar o quê.
- Bom apetite.
Bom apetite. Agradeceram com sorrisos e assim saí da vida deles. Assim, já querendo ficar...
E enquanto escrevo sentada no banco da praça, mais dois pequenos vêm pedir minha esmola, minha ajuda, meu dinheiro... Ou apenas meu olhar?
Em minhas reflexões, nem quis me lançar a perguntas hipócritas de "Cadê os governantes?", "Cadê as autoridades?"... Bem sei que eles muito pouco fazem com os impostos que eu e você pagamos para eles. Só despertou em mim aquela velha vontade jovem de mudar o mundo... Utopia? Talvez. Mas, a minha parte não ficará por fazer. E a sua?

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