About my Blog

Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Almas gêmeas


Renúncia

Por que tanto amor?
Perguntei nesta manhã à natureza
Que amanheceu coberta de tristeza,
Vertendo lágrimas de uma dor quase incontida...

De onde vem tanta dor?
Ela me respondeu num sussurro entristecido:
- Vem de longe, de um mundo atrás já vivido
E que ousaste buscar nesta vida...

Mas que estranho amor é este, sem fim?
Perguntei à tarde silente e serena
Que morria no fim do céu, lânguida e amena,
Matizando de vermelho o horizonte.

Desde quando habita em mim?
- Desde o primeiro entardecer no mundo
Quando juntos, em êxtase profundo,
Dois corações se separaram num instante...

E por que a tudo resiste?
Indaguei da noite resplendente
Que derramava seu luar resplandecente
Sobre minh’alma presa em desventura.

De onde vem esta saudade triste?
Disse-me a noite de prata engalanada:
- Almas gêmeas que se perdem na estrada,
Ficam escravas deste amor triste e profundo.
Pra se encontrarem um dia novamente,
Hão que nascer e renascer diuturnamente
Com muita renúncia no mundo!
Nelson de Medeiros

Nos situamos num degrau de entendimento no qual ainda nos é penoso compreender com acerto todas as minúcias da “química” energética responsável pela existência do fenômeno amoroso, legítimo no caso de almas gêmeas. O fato é que, durante o trajeto de todos nos difíceis caminhos das existências, ele ocorre, mais dia menos dia, para nos comprovar que a bondade divina reserva a realização de nossos mais lindos sonhos no campo da afetividade.
No princípio do encontro das chamadas “almas gêmeas”, a importância espiritual de que se reverte a atração irresistível entre ambas fica praticamente oclusa, confundindo-se, por vezes, com a variedade imensa de gêneros de trocas emocionais que todos elegem e levam a efeito na Terra. O característico que distingue esse tipo de encontro em qualquer tempo, no entanto, é clássico: a força da união, da tremenda empatia, do amor que comungam, a despeito das adversidades do caminho, é tamanha que sobrepuja tudo e todos, e vence, e os arrasta a uma estranha necessidade mútua, determinando que como precisem imperiosamente da presença do outro, como de misterioso “alimento luminoso” para a alma. Apenas que os “métodos” inicialmente usados para saciarem essa “necessidade” são compreensivelmente inadequados, requerendo importante reajuste, para que se consiga vivenciar um tipo tão sublime de amor em harmonia com todos os demais seres. Em nunca podendo abandonar um ao outro, vinculados por poderosa energia amorosa na identidade plena de seus espíritos, precisam aprender a substituir, com o correr das vivências o exclusivismo próprio de todo sentimento afetivo necessitado de burilamento, entendendo que podem estabelecer e comungar um autêntico “matrimônio espiritual”, não esquecendo, no entanto, do dever de amor que todos devemos desenvolver e prestar uns aos outros.


“... a alma, antes de voltar à Terra, bebe da água do esquecimento, porém, o reencontro de almas que já se amaram anula, por breves momentos, esse efeito; o amor de ‘almas gêmeas’ não morre jamais, acompanhando o infinito ciclo das reencarnações.”
Pitágoras

Após cada existência, é dado um passo no caminho da perfeição e, cada vez menos ligados à matéria, sua afeição é mais viva, pelo fato mesmo de ser mais depurada, não perturbada mais pelo egoísmo, nem pelas nuvens das paixões. Porque, dadas as condições limitadas da longínqua história evolutiva humana no orbe, é natural que mergulhados nas restrições rudes de entendimento inerentes aos seres em cada época, tal ordem de fatores os arrastasse aos naturais atritos, mal entendidos, ressentimentos e desentendimentos de toda ordem. Após conquista sobre tais dissensões, eles podem, pois assim, percorrer um número ilimitado de existências corporais sem que nenhum prejuízo afete sua mútua afeição.
Não poderia dizer quais as implicações mais elevadas de ser almas irmãs. Mas, enquanto estiver separado da sua, você está inquieto. Não importa quais sejam as circunstâncias, não importa quão belo seja o ambiente em que está. Resta apenas amar, aceitando e respeitando todos os limites que a vida impôs, por agora, pois sabemos que as almas que se identificam na harmonia e nas qualidades mais sublimes do verdadeiro amor, hão de se unir um dia, depois de cumprirem sua jornada de aperfeiçoamento e evolução, para juntas caminharem lado a lado com muito amor, no mesmo ideal e para um mundo feliz de verdade.
Os afetos verdadeiros são tudo o que fica. Onde quer que estejamos; e o fato de a existência nos situar em lugares diversos daqueles aos quais estamos acostumados não os rouba de nós, mas nos abre chances sempre renovadas de ganharmos e reencontrarmos outros. Lindos momentos estão reservados para o sossego do seu coração, só que acontecerão no instante mais adequado, quando tudo vier concorrer a favor para todos os envolvidos. Você confia nisso, não confia?

2 comentários :

Chico2010 disse...

Sensacional teu blog!!! Confesso que fiquei de boca aberta com os tópicos que consegui ler, em especial este! Vc escreve muito bem, pois consegue transparecer sentimentos de uma forma delicada e bela!!! Parabéns!!

Kelly Phoenix disse...

Obrigada, Chico ;D

Postar um comentário