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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Amor venal e amor espiritual

O que lhe atrai nela? As covinhas e aquele jeito de olhar? Ou será que a sua barriga chapada é que não sai da sua cabeça? Pegar na mão dele, sentir o roçar dos lábios? Há coisa melhor que isso? Mas, o que você sabe sobre ela? Além de que detesta lasanha e entende tudo de cinema?
Em muitos casais, a falta de afinidade é visível. Não são raros casos em que as pessoas passam anos juntas para perceberem que são duas desconhecidas. Não existe nada mais em comum que contas e alguns anos nas costas, e levam-se tempos para perceber isso. A cegueira mútua da paixão ou o simples desejo de que exista algo que não existe, faz com que as pessoas enxerguem as coisas com essa viseira. Por mais que se faça, só vemos aquilo que queremos ver.
Sintonia, empatia e afinidade, ao contrário do que muitos pensam, não são algo que vêm com o tempo. O que vem aos poucos é respeito, carinho, mas a sintonia exige uma predisposição de alma. Não podemos nos forçar a ser algo que não somos, pois além da nossa vontade de agradar ao outro, existe algo maior, que independe de nós. A ligação espiritual ocorre quando já vivemos, em outras vidas, relações de afeto profundo com o outro, e trazemos intactas em nossa memória integral as impressões desse sentimento. Não é algo construído do dia para a noite, implica dois espíritos que já passaram por diversas experiências de dor e alegria lado a lado. Isso explica as simpatias e desafetos gratuitos, por exemplo. Quando há amor espiritual, não são necessárias palavras, presença, contato físico (embora este não seja dispensável) – muitas vezes, a comunicação se dá até por pensamento. Geralmente, são aqueles amores recíprocos e inexplicáveis, arrebatadores e intensos que, antes das paixões mundanas, têm suas raízes em alicerces mais sólidos, portanto, mais verdadeiros.
Não significa que as paixões que levam em conta apenas atração física não possam sobreviver. Conforme o nível de desenvolvimento de cada um, esse, inclusive, pode se fazer o mais adequado. Porém, bonitinho, qualquer um pode ser, ter conteúdo é para poucos. E o amor espiritual supõe alguma maturidade e certo grau de adiantamento, não só para ser reconhecido, mas principalmente, vivido. Esse é um dos fatores que nos faz observar tantos desencontros, resistências e sofrimentos em assuntos do coração. Por essa razão, em que um ser está mais aprimorado que o outro, existem amores que não são para a Terra.


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