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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Dissensões sobre o casamento

Eu não quero me casar. Não pretendo meter-me em uma conveniência social que fatalmente se desgasta com o tempo, desculpar-me com os filhos e seguir na vida severina fingindo que estou feliz. Pois, na minha visão, é isso que o casamento é: uma sinistra brincadeira social com fantoches conscientes e leis que a protegem. Um contrato de algemas, uma promessa de mentira.
Não acho que o amor seja uma prisão, mas a maneira como o vivemos, sim. O casamento deve ser uma fusão de almas, uma união de espíritos. O que é verdadeiro não se anula pela experiência, mas se afirma sempre mais. Não é necessário passar papel em cartório nem gravar nomes em um anel para jurar amor eterno. E alguém aí manda no coração? Se algo faz temer que mais tarde lamente essa união, certamente esse amor não passa de uma ilusão.
“Ele me usou.”
Só se pode usar alguém que se permita ser usado. Em uma relação, há interesses mútuos, e cada qual tira proveito daquilo que mais lhe convém. Quando a relação é de amor, o proveito que ambos retiram é o mais sublime e gratificante possível. Não há cobranças, nem queixumes, nem orgulho, nem posse, só felicidade e prazer. Mas quando a ligação é por atração física e pelo sexo, não há nada além disso que possa preencher os seus corações, e toda relação desse feitio tende a se esgotar quando se esgotam as novidades do sexo. É preciso estar consciente dos riscos e saber perder. Quando se ama de verdade, deixa-se partir se a pessoa escolhe ficar com outra. Mas, se você se sente ferido em seu orgulho, é porque perder alguém representa muito mais do que a perda do “amante”, representa, sobretudo, a perda de um poder que você julgava absoluto. Só que não há poderes absolutos, principalmente sobre as coisas do coração. Se não podemos mandar em nossos próprios corações, que dirá naqueles que não nos pertencem. Ninguém pode determinar, a si próprio ou a outrem, de quem vai gostar e por quanto tempo. Por isso, contratos são falhos. Exclusividade não existe. É egoísmo manter ao seu lado alguém que não te ama por um papel assinado ou por um filho, ou qualquer outra mentira com a qual se justifique. É falta de honestidade consigo mesmo. E o mesmo vale para trair. Se está procurando fora, é porque “dentro” se esgotou; há algo errado, essa ilusão que chamava de amor já capengou há muito tempo. Tenha a decência de ser franco e terminar uma coisa para oficialmente começar outra.
Por que as pessoas se casam?
Na Terra, são muito poucas as uniões de amor verdadeiro.


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