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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O Natal me deixa triste


Quando chega o mês de dezembro, com suas luzes e sons, as cidades se enfeitam e esperam com ansiedade pelo Natal. As vitrines berram de felicidade, os supermercados bombam e, vendo tanto consumo, consumo e consumo até parece que a vida é apenas isso. Os comerciais de cerveja, margarina, doces, frios - todos encontram espaço; -  a publicidade parece encontrar de tudo para anunciar: pastas de dente de Natal, árvore que fala, descongelante de ave. Porém, não sei se é só comigo que isso acontece, mas sempre que chega o fim do ano, sou acometida de uma profunda melancolia, uma dor na alma mesmo... As pessoas à minha volta expressam alegria, planejam para onde ir, os comes e bebes, brincadeiras de amigo oculto; as empresas perdem um pouco o seu ritmo afoito pela corrida capitalista; há alguma paz reinante, certa compreensão em enfrentar filas, o trânsito complicado, os erros dos outros. Eu, no entanto, recolho-me ao meu mundinho, pouco sorrio, fico triste. Às vezes, me indago o porquê dessa atitude. É como se, dentro de mim, as coisas começassem a se preparar para um recomeço que, na verdade, não é um recomeço. Meu coração lembra e sepulta os momentos tristes; tenta consertar-se das dores sem conserto; remenda-se na esperança de um amanhã, sem que as feridas passadas tenham deixado de sangrar.
Enquanto os outros montam árvores com felicidade, colocam enfeites, fazem listas de presentes, cada pinheiro iluminado para mim é uma oração. Uma oração de que, dessa vez, não haja tantos remendos a ser feitos; não haja tantos presentes sem dono, recusados mesmo quando dados com o sentimento mais caro e profundo. Ouço músicas tristes, abraço meu travesseiro, faço compras para suprir o vazio; finjo que esqueci, que gostei dos meus presentes, que tanto faz para onde ir. Alheia a tudo, fico observando os sorrisos, procurando neles um resquício de verdade ou de ilusão, sem saber bem o que vou achar.
Claro que, ao mesmo tempo, tenho satisfação em acompanhar todos os preparativos, pois um lado de mim ama e espera o Natal com o brilho dos olhos de uma criança; é um lado que ainda não perdeu aquele frio na barriga cada vez que a meia-noite se anuncia, relatando o que deveria ser uma festa de integração pelo Jesus menino, e não pelos presentes mais caros, pelo carro do ano ou o peru mais dourado. É bonito quando você vai ao shopping e tudo está enfeitado; a decoração em tons de prata e as casas com milhares de luzinhas a piscar, indiferentes ao âmago de cada um. As pessoas, atarantadas, com sacolas e mais sacolas, felizes por conseguirem algum desconto, na tentativa de agradar a todos com o presente que pediram; aquele ar satisfeito com o que levam.
E, quando chega a véspera, a família reunida em torno da mesa, o lar cheio de luz, crianças a correr, casa enfeitada, árvore piscando com presentes colocados ao seu lado. A ceia, a festa, as saudações, o chocolate, abraços, beijos, desejos proclamados...
Mas, a minha tristeza interior faz parte de tudo isso. Me acompanha aonde quer que vá, com quem quer que esteja. É algo muito meu, mas que envolve todos. Todos que eu não pude fazer feliz; todos que não podem estar comigo; todos que não têm uma ceia como a minha, todas as pessoas que, de maneira direta ou indireta, fizeram parte do meu ano e, por alguma razão, não posso abraçar. Todos por quem não posso fazer nada para dar um Natal feliz, todos que não têm sequer sua família nesse dia; todos, todos... E os que estão nos hospitais, asilos, orfanatos...  E aí está o motivo de minha tristeza... Pois, enquanto brilham lâmpadas nas árvores de alguns, em milhares de lugares no mundo o que brilham são os olhos dos que são esquecidos, vertendo lágrimas de agonia e esperança por dias melhores.
Eu tentarei realizar alguma coisa por alguém, colocando um sorriso no seu rosto sofrido e, quem sabe, no meu coração também.
E então, finalmente, com mais verdade possa dizer, a todos vocês:

Feliz natal!


2 comentários :

Rafael disse...

Oi, gostaria de comentar seu texto.
msn. rafael19.91@hotmail.com

Phoenix disse...

Já adicionei você, tá ;)

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