About my Blog

Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Feliz Natal



 Na casinha caiada o silêncio era profundo. Os vizinhos que costumavam reunir-se no pátio para tagarelar durante as festas, passavam agora pé ante pé na porta do padeiro. A filha mais velha levava roupas e tapetes para lavar no fundo do quintal, a fim de que o barulho não incomodasse o irmãozinho doente.
Era 24 de dezembro.
Muitas amigas da mãe apareciam como que de surpresa, enfiavam a cabeça no vão da porta e perguntavam como ia o menino. Todas recebiam a mesma resposta:
- Mal. Muito mal.
Traziam uma coisa ou outra para o Natal vindouro; alimentos, presentinhos, enfeites para a árvore, pulseirinhas benzidas.
- Trouxe um panetone do bom para a senhora.
- Se não a aborrece, tenho aqui chocolates para o menino.
A senhora franzina que abria a porta com os olhos rasos d’água agradecia as gentilezas, embora as aproveitasse muito pouco. Erick não comia nada havia dois dias; ainda na véspera fizera-se luta interminável fazê-lo tomar um pouquinho só de leite.
O triste jogadorzinho indefeso estava muito distante do alegre goleiro de outrora. Logo ele, tão excelente na defesa de seu amado time, agora estava mais magro, tinha os cabelos dantes dourados e compridos curtinhos e falhos, o rosto chupado. O ataque fora cruel. Mas não estava pálido. Justamente a vermelhidão de suas faces era o que havia de grave em seu estado. A febre vinha em sinal do fogo que o abrasava por dentro desde o começo da aplasia.
- Está dormindo? – o padeiro dirigiu-se à esposa num sussurro. Ela apenas anuiu a cabeça em confirmação. O estado do menino era tal que nem se podia saber mais se dormia ou não.
Ouviu-se um modesto bater na porta e, à soleira, ao reconhecer o amigo do filho, um sorriso triste alumiou o rosto da mulher. Vítor entrou.
- Como ele está?
- Muito mal.
- Muito mal?
Sem esperar confirmação, Vítor entrou no quarto ligeiro, seguido da mãe do amigo. Agora eram três a se debruçarem sobre a cama sem nada dizer. E enquanto permaneciam nessa imobilidade, o doente, como se lhes sentisse os olhares, abriu vagarosamente os olhos. Fitou primeiro o pai, em seguida a mãe com uma tristeza sem fim. E depois, sorriu ao ver Vítor e lhe disse numa voz fraca, mal perceptível:
- Você veio!!
- Vim – o amigo aproximou-se mais da cama.
- Vai ficar?
- Vou.
- Até eu morrer?
A isto, Vítor não sabia o que responder. Sorriu para o amigo e depois, como quem pede conselho, virou-se procurando os olhos da mãe do amiguinho. Esta, porém, já estava de costas voltadas a enxugar os olhos no avental.
- Está falando besteira – ralhou com carinho o pai.
Todavia, Erick não ligou atenção às suas palavras. Esboçando um movimento de cabeça em direção a ele, disse ao amigo:
- Não percebem.
- COMO NÃO? Sabem mais que você! – Vítor não agüentou mais.
O enfermo mexeu-se, ergueu-se a custo, apoiado no travesseiro, e sentou-se na cama. Não suportou o auxílio que lhe queriam dar, e com o dedinho magro em riste disse com gravidade:
- Você acredita no que falam? Ficam tentando suavizar. Mas, eu sei que vou morrer.
- Não é verdade.
- Disse que não é verdade?
- Disse.
- Então eu sou um mentiroso? – perguntou ofendido.
Procuraram tranqüilizá-lo, pois ninguém o acusava de mentira. Mas, desta vez ele estava intransigente, zangado, por não lhe darem crédito.
A irmã apareceu na porta, foi até o mano e beijou-lhe o rosto quente. Avisou aos pais que o médico chegara.
Todos o cumprimentaram com respeito. Era um senhor grisalho prematuramente, de ar muito sério e levemente carrancudo. Sem dizer palavra, encaminhou-se diretamente para a cama do doente; pegou a mão do menino. Depois, apalpou-lhe a fronte, auscultou-o. A mãe não conteve a pergunta:
-... Será que piorou?
- Não.
Mas pronunciou a negativa de um modo estranho, sem encarar sequer a interlocutora. O pai, prestativo, foi acompanhá-lo até a saída e, quando estavam na cozinha o facultativo fez um aceno com os olhos para indicar que fechasse a porta.
- Senhor Dias, vou lhe falar com toda franqueza. O menino não irá até o Natal. Talvez nem chegue à noite. Deus os abençoe. Voltarei em uma hora.
O padeiro nem ouvia. Continuava olhando diante de si para o chão, o nada, o vazio. Voltou ao quarto cambaleando e, embora os olhares desesperados, não lhe arrancaram mais uma palavra.
No rosto do menino apareceu uma alegria fugidia. Chamou Vítor, que se aproximou mais.
- Sente-se na beira de minha cama. Não tem medo?
- Por que haveria de ter?
- Talvez tenha medo que eu morra enquanto estiver sentado na cama. Fique tranqüilo: eu alerto se sentir que morro.
Vítor sentou-se na beira da cama.
- Então, que é que você deseja?
- Diga-me – perguntou-lhe o loirinho, abraçando-lhe o pescoço e inclinando-se sobre ele como para cochichar-lhe ao ouvido um grande segredo – que fim levou nosso amistoso de Natal?
- Vencemos.
- E depois?
- Admitiram que o nosso time era bem melhor.
-... Não é verdade... Você está me dizendo isso apenas pra me consolar, porque estou doente.
- Não senhor. Estou dizendo por que é verdade.
- Pois bem, lutei por nosso time, lutei por eles como pelos outros, bem sei que não lutei por mim mesmo, pois nunca mais jogarei um amistoso de Natal...
Calou-se. Ficou matutando sobre este terrível pensamento: nunca mais jogaria um amistoso de Natal. Nunca mais jogaria. Nunca mais teria Natal. Era uma criança. Deixaria de bom grado tudo neste mundo se pudesse ter outros amistosos de Natal. E – o que nunca lhe ocorrera durante todo o curso do câncer que consumia pouco a pouco seu corpinho - esse pensamento fez-lhe verter em abundantes lágrimas. O que o fazia chorar não era a tristeza, não era a dor, mas sim uma cólera impotente contra algo de poderoso que não o deixaria tornar mais uma vez a jogar em seu time, a passear pelos bazares do bairro a escolher o presente do amigo oculto, comer a cesta de chocolates que o pai ganhava na padaria no Natal. E os amigos vieram também às lembranças. O campinho de futebol, os amistosos de fim de ano, a chaminezinha da fábrica de doces que arfava alegre e cuspia para o lindo céu azul as nuvenzinhas brancas, que se dissolviam num instante.
Com as faces coradas, os olhos brilhantes, exclamou:
- Quero sair!
Como ninguém lhe respondesse ao grito, repetiu em voz mais exigente:
- Quero sair!
- Está certo, você sairá na semana que vem, quando estiver curado – Vítor mentiu, mais para si mesmo, quase tomado pelas lágrimas, embalado nos mesmos pensamentos que banharam o rosto do amigo.
- Não! Quero sair agora mesmo, imediatamente! Ajudem-me a vestir!
Procurou debaixo do travesseiro a touquinha vermelha de Papai Noel e colocou-a na cabeça.
- Vistam-me!
- Quando você estiver curado, Erick – respondeu-lhe o pai com indisfarçável tristeza.
- NUNCA ESTAREI CURADO! Todos vocês estão mentindo. Sei muito bem que vou morrer e quero dar uma volta uma vez mais, no campinho de jogar bola. Quero ver as árvores de Natal!
- É impossível, Erick...
- Faz mau tempo...
E repetiram a palavra triste, sem coragem de olhá-lo nos olhos inteligentes:
- Quando você estiver curado...
Mas tudo os desmentia. Falavam em mau tempo e o sol penetrava quente e brilhante pela janela do quarto, convidando o menino a tomar seu lugar no gol da várzea sofrida. Junto com os raios de sol, também brilhavam as luzinhas pisca-pisca em uma ou outra casa da vizinhança. Era como se o dia gritasse: É véspera de Natal!!!
O goleirinho reunira as forças e pusera-se de pé na cama, a camisa de dormir a cair-lhe aos tornozelos. Gritou com todas as forças que seus pulmões frágeis podiam suportar:
- FELIZ NATAAAALLLLL!!!!!!!
Depois, sentou-se no leito e, calado, fitou o cobertor.
- Está cansado? – Vítor perguntou-lhe baixinho.
Não respondeu. O amigo o agasalhou, a mãe ajeitou-lhe o travesseiro debaixo da cabeça e orientou que descansasse.
Erick fitou Vítor, mas pelo seu olhar notava-se que não o via. Disse-lhe com ar atônito:
- Papai Noel...
- Não, não – disse o amigo em voz abafada, - não sou Papai Noel... Não me reconhece? Sou o capitão do Santa Claus, seu amigo Vítor.
O doente apenas repetiu com voz exausta, sem entender:
- Sou o capitão do Santa Claus... Seu amigo... Vítor.
Fez-se longo silêncio. O menino fechou os olhos e soltou um grande suspiro, como se todas as dores de todos os meninos tristes se lhe tivessem condensado na alma.
- Veja... Ele não respira...
E no outro silêncio abafado que sucedeu, o pai foi o primeiro que pôs-se a soluçar baixinho. A mãe abraçava e beijava o filhinho morto; a irmã ajoelhou-se ao pé da cama e enterrou o rosto no travesseiro, entrando a soluçar também. O time do pequeno Erick chegou para comemorar com ele a vitória do amistoso, justo quando jazia na cama alvo como as paredes, olhinhos fechados, num silêncio eterno. Os anjos do mesmo Natal que tanto amava tinham vindo buscar-lhe para jogar no time do Céu, aquele lugar cujo esplendor deslumbrante só é visto pelos que foram como Erick.
Vítor permanecia no meio do quarto, cabisbaixo. Alguns momentos antes, sentado à beira da cama, mal podia conter o choro e agora verificava com espanto que as lágrimas não lhe chegavam aos olhos. Olhou em redor, com a sensação de um vazio imenso. Aproximou-se da cama na ponta dos pés e, silenciosamente, deitou um último olhar sobre o amigo que partia, sussurrando:
- Feliz Natal.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Ação, reação, destino. Os nossos caminhos

Tudo no universo responde exatamente mediante o que damos importância ou não, e por esse motivo somos responsáveis por nosso próprio destino.
Escolhemos os nossos caminhos e de acordo com eles a vida nos responderá.
Quando algo precisa acontecer, está maduro o suficiente, ninguém conseguirá deter. Acontece apesar de nós, através de nós ou até sem nossa intervenção.
Cada um de nós tem um destino próprio, intransferível, para cumprir no mundo, determinado por forças superiores da vida. Ninguém pode evitar que ele se cumpra. Ninguém consegue manipular a vida, ela sempre é mais forte.
As coisas acontecem como devem acontecer. Não adianta tentarmos impor a nossa vontade porque, muitas vezes, o que nos está destinado não é o que queremos. Nem sempre aquilo que desejamos é o melhor para nós ou é o que merecemos. O que a vida não dá, não é adquirido por direito. Escolhemos o nosso destino, mas podemos modificá-lo à medida que vamos tomando consciência de nossas atitudes. Não precisamos sofrer. Revoltar-se é um desrespeito ao livre-arbítrio do próximo.
Você não está pagando por nada, nem entenda as suas atitudes como maldade. Você está apenas tentando equilibrar a balança da sua vida, para que os atos do passado e as conseqüências do presente gerem uma harmonia para o futuro. Ninguém age sozinho, e as vidas de todos estão entrelaçadas, pois é próprio do ser humano interagir com seus semelhantes. Sem a convivência com o próximo, as experiências cairiam no vazio, porque ninguém aprende dando e recebendo só de si para si.
Não entenda a lei de causa e efeito como um instrumento de vingança ou de castigo. A lei de causa e efeito vem para nos mostrar que podemos, através da experiência, aprender com nossos próprios erros. Vivenciamos a mesma história, atravessamos semelhantes processos de desenvolvimento e escolhemos o final. Trata-se de uma reação da vida às nossas próprias atitudes, com caráter pedagógico e elucidativo, uma arma para o nosso crescimento. Somos os únicos responsáveis por tudo aquilo que nos acontece, e não há nada na vida que fique sem resposta. Todos recebemos da vida aquilo que um dia lhe tiramos. O que nos acontece é conseqüência do desequilíbrio que nós mesmos causamos em nossas vidas. Não há nada para se perdoar. Todos nós temos algo de que nos arrepender. Mas, o arrependimento não deve vir com o peso da culpa, e sim com a leveza da compreensão e da reforma interior. Não somos culpados, somos responsáveis. A culpa enfraquece, a responsabilidade ensina.
A lei de ação e reação mostra que só pode ser assassinado quem é assassinável. Ou seja, alguém que já assassinou ou que atraiu tal fato para si, por culpa, remorso ou alguma outra razão. As pessoas só podem ser assaltadas se forem “assaltáveis”. Não podemos ser subtraídos se não subtraímos nada de ninguém. Cada um paga na exata medida em que deve, nem um ceitil a mais. Ninguém precisa errar, muito menos sofrer. Se você consegue compreender a razão de seus atos, não precisa padecer. Quanto a “pagar”, essa é uma compreensão errada das verdades divinas. Ninguém deve nada a ninguém, a não ser a si mesmo. QUEM FAZ, PARA SI FAZ. Tudo o que fazemos, seja de bom ou de ruim, fazemos para nós e por nós mesmos. Não é só porque você matou que vai precisar morrer. Vai morrer se quiser. Mas, se conseguir entender porque matou, libertando-se da culpa e se perdoando, não vai precisar ser assassinado por ninguém. Ao contrário, vai buscar caminhos mais úteis, salvando vidas, por exemplo, devolvendo ao mundo aquilo que ajudou a tomar. Só escolhe sofrer quem ainda não aprendeu que as transformações também podem operar-se pela via do amor.
Nenhuma experiência se perde na vida. Nada do que nos acontece é em vão. Contudo, há certas coisas que não precisam ser necessariamente do jeito mais difícil.  Se há consciência e propósito firme de reparação e crescimento, o caminho a ser escolhido pode ser o mais fácil. O resultado é o mesmo, embora o tempo possa variar. Às vezes, o caminho mais fácil é o mais longo, mas também pode ser que não seja. Tudo vai depender da forma como você vai atravessá-lo e compreender as experiências que vão surgir. A vida ensina e molda as pessoas na hora certa. O Universo é benfeitor e sempre caminha a favor de todos.    

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Mesmo escondido no passado
Algo tem que permanecer
De alguém que quer ser lembrado
E se nega deixar conhecer.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Alguma coisa me diz que viver um amor na maturidade não tem a mesma fantasia que vivê-lo na juventude
Que realizar um sonho antigo não tem o mesmo brilho que teria quando era recente
Que o que se ganha em segurança se perde em magia




Como um milagre ele surgiu
E começou vida dentro de mim
E eu consigo senti-lo como uma recordação
De muito tempo atrás...

Saudade do tempo


Que primeiro beijo era especial...
Que qualquer beijo era especial, porque era esperado, aguardado, sonhado...
Que pegar na mão deixava a menina vermelha e o menino encabulado...
Que ser chamada para sair era um sonho realizado...
Que se comia brigadeiro de colher sem se importar tanto com a balança...
Que amigos eram só amigos, e não classificações sociais (“de festas”, “de segredos”, “de farras”...)
Que “ficar” significava estar junto, querer estar junto, e não um beijo anônimo de dois minutos...
Que brincar era com amigos, e não frente à tela de um computador...
Que música era uma melodia que te fazia pensar ou, no mínimo, sentir, e não um conjunto de sons ou ruídos “cantados” por qualquer um...
Que se esperava um telefonema ou uma batida no portão, não uma janela subir no MSN...
Que a pessoa da turma que tinha transado que era a exceção, não a virgem...
Que as coisas podiam ser ditas profundamente em uma carta, não por e-mail...
As fotografias eram ansiosamente esperadas para ser vistas, e muitas vezes, as pessoas saíam feias! (Pasmem...!) E até de quando um filme queimava, deixando apenas na memória a satisfação do momento...
Do tempo em que se falava inglês por prazer...
Que férias eram eventos...
Que artistas eram talentos, e não tendências...
Que os jovens queriam mudar o mundo...
Do tempo que não existe mais.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Nada é por acaso


Você acredita mesmo que algo é por acaso? Que não subiu naquele ônibus que bateu; que saiu da calçada no exato instante que um veículo perdeu o controle; que deixou de ir por um caminho e encontrou um velho amigo, por outro... por acaso?
Acasos, coincidências, detalhes; seja lá o nome que você der, está se iludindo. Não há coincidências, tudo o que acontece no mundo obedece a uma ordem predeterminada. Não existe sorte nem azar. O que existe é a vida trabalhando para o nosso melhor. Nada na vida acontece por sorte ou acaso, grave isso. Não há elos presos aleatoriamente na corrente. Cada um está unido àquele que tem que ser o seu próximo e sucede ao que, necessariamente, há de ser o seu antecessor. Nada está fora de lugar ou foi colocado ali por acaso ou coincidência.
E o que é a sorte, afinal? A sorte vem do merecimento, mas com ausência dessa compreensão. É um acontecimento inexplicável que, aparentemente, é obra do acaso, mas que, na realidade, é fruto de toda uma movimentação espiritual. E por isso surpreende. Porque o fato não é esperado, embora desejado e merecido. Desejar basta quando é o momento certo de receber. Portanto, uma coincidência não é obra do acaso, é uma programação do destino. Cada acontecimento é programado, todos os destinos estão entrelaçados, de forma que a sucessão de fatos, acasos e coincidências nada mais é do que a sabedoria divina agindo nas vidas de todas as pessoas.
Ninguém experimenta situações difíceis fortuitamente, e se você hoje está tendo esse tipo de experiência, não foi porque o acaso o elegeu. Foi porque você mesmo escolheu, e se escolheu foi porque julgou necessário para o seu crescimento, como forma de compreender a impropriedade de certas atitudes que tomou no passado. NADA ACONTECE POR ACASO. Coincidências obedecem a uma programação preestabelecida, à qual não temos acesso. Saiba que tudo de que precisa virá a você na perfeita sequência tempo-espaço.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sabia tudo aos 16

Aos 16 anos eu era a pessoa mais sábia do mundo. Do meu mundo.
Sabia, por exemplo, que sofreria o resto dos meus dias pelo meu grande amor. Ele era o homem da minha vida, oh! Eu o amava. (Hoje, sequer sei o que é o amor!).
Eu sabia que seria eternamente jovem, bonita e auto-confiante. Que teria meus pais para sempre (aliás, para sempre e nunca eram sentenças proféticas para tudo); que a minha melhor amiga era simplesmente a minha melhor amiga (eterna), e que não ter uma roupa nova pra festa podia ser um grande problema.
Eu sabia que seria a garota mais feliz do mundo se ele olhasse pra mim; que a semana ia ser o máximo porque ia passar Stand by me na Sessão da Tarde e sabia que minha avó era imortal. Em qualquer momento da minha vida eu poderia chegar à sua casinha de madeira e pedir que me fizesse os bolinhos fritos saborosos, que ela me estaria à disposição.
Aos 16, eu sabia que o tempo passava muito devagar. E, às vezes, eu torcia para que passasse mais depressa, porque eu sabia que aos 18 eu poderia dirigir e morar sozinha. Mas, tinha dias que eu não queria crescer...
Tinha dias que eu sabia que algo em mim estava se perdendo, que estava escoando por entre meus dedos, mas eu não podia saber o que era... Às vezes, eu sabia que embora quisesse ser igual, eu não era, e que me assemelhava mais a uma jovem de 84 anos que a uma idosa de 16.
Hoje eu sei que nada sabia; que escrevo esse texto pensando muito mais nos meus colegas aos 16 do que em mim mesma nessa mesma época.
Eu só sei que aos 16 eu era a pessoa mais sábia do mundo, só isso... Pena que eu perdi essa proeza...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Na ansiedade...

O que faz com que erremos é a nossa pretensão de ser perfeitos. Cada passo tem que que ser dado de uma vez. A calma é fruto do auto-conhecimento. Quanto mais profundo o mergulho dentro de si mesmo, menor a necessidade de “parecer” ao externo.
É inútil buscar causas externas quando as conseqüências agem diretamente sobre nós. Se geramos as conseqüências, geramos as causas. Para cada ação há uma reação e tudo o que você fizer agora, irá ficar marcado para o resto de sua vida.
Não existe o que chamamos de fracasso. Através de nossos erros aprendemos a fazer o que é certo. Nunca olhe em direção ao passado para lhe dizer como será o futuro. Você não é a mesma pessoa que era na época, e essa não é a mesma situação. O futuro é apenas um sistema de probabilidades. Tudo é agora.
E outra, muitas vezes, as lições mais importantes surgem dos tempos mais difíceis. Todos nós sofremos muito para entender que nada é para sempre, que a vida pode a qualquer momento modificar todas as situações ao nosso redor sem que possamos prever.
A vida é professora generosa para quem deseja aprender, mas precisamos reconhecer os erros para transformá-los em acertos.