About my Blog

Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 31 de dezembro de 2011

16 coisas para fazer em 2012


1-      Ir a uma praia que nunca fui
2-      Criar uma planta
3-      Tomar um banho de chuva
4-      Fazer uma boa ação a alguém
5-      Ouvir mais que falar
6-      Viver uma louca paixão
7-      Escrever cartas
8-      Comer Ferrero Rocher
9-      Me presentear com um ovo de Páscoa gigante (da Cacau Show!)
10-  Correr kart
11-  Mandar (e receber) flores
12-  Pintar uma tela
13-  Cozinhar para amigos
14-  Conhecer um templo budista
15-  Viver um grande amor
16-  Andar de Jet ski.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Perdida em mim mesma


... Muitas vezes, as reflexões me apanham nas horas mais inusitadas e me impedem de registrá-las.
31/12/10

... Só que hoje só posso sentir... Palavras são insuficientes. Sinto e percebo coisas sobre as quais não sei escrever...
31/12/10

Os sentimentos traduzo em música e poesia; os acontecimentos marcantes já não me vejo em condições de descrever. Não com a fidelidade de fatos e emoções. Aprendi a gravar na memória somente o que me é especial.
05/01/11

Às vezes, sinto que me chutaram do céu ou qualquer que seja o local onde estava antes. Um bico na bunda e um recado:
- Te vira!
15/01/11

Já sentiu ódio de alguém na mesma medida que acreditava amá-lo?
28/01/11

Me sinto em uma gaiola muito suja, exposta em um lugar de onde posso ver o céu e sonho com ele, mas não tenho a menor noção de como atingi-lo. Ou, se um dia, eu vou... Tudo como outros pássaros no céu que contemplo e jamais poderei alcançar...
12/03/11

Eu só queria entender...
Queria entender porque o dia está tão lindo e eu não posso estar com você. O céu está azul, a grama está verde, a luz está vívida e há borboletas e pássaros por toda parte; há algum ruído de grilos e é nesses dias que a solidão mais me dói. Dói não saber porque (não) aconteceu; se um dia saberei, se em algum momento poderei olhar nos seus olhos e entender. Li tantos livros, vi tantos filmes, mas nada me respondeu...
19/03/11

A solidão ou as dúvidas existenciais que se acumulam como as células de um câncer têm me feito escrever mais. E venho hoje justamente para avalanchá-las, sem a intenção real de obter qualquer resposta, porque realmente não sei se existe uma...
30/04/11

É impossível registrar com perfeição todos os pensamentos que nos acometem, são “espíritos livres”, tão rápidos e fugidios que, muitas vezes, antes de nos apropriarmos ou de entendê-los adequadamente já se foram sem deixar nenhum vestígio.
30/04/11

É como se alguma coisa me prendesse a essa cidade. Sinto que meu destino não é aqui. Mas, é como se atas e colas me segurassem nesse lugar que não sinto meu...
21/05/11

Todo esse papo de auto-ajuda é como pedir para um doente que se contorce de dor mentalizar que não dói...
07/06/11

Sei que sou muito mais rica que muita gente cheia da grana por aí. Mas, às vezes eu me esqueço... E me esqueço que sou donzela guerreira... Que nada para mim nunca veio fácil... E não seria agora que iria mudar...
09/07/11

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011


O que é teu, sempre foi teu.

O que é pra ser teu, é teu desde o começo.

Há coisas tuas nas mãos de outros, por agora. Serena e confia.

Aquilo que se perdeu, não era teu.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Não és o meu Romeu


Tenho essa mania metódica de “conceituar” sentimentos, mas na verdade é uma tentativa desesperada de entender a força e intensidade deles por certas pessoas; de tentar compreender porque nos é negado esse poder de escolher quem devemos ou não amar... Poder que não é decidido pelos laços de sangue, nem pela distância nem por nada nesse mundo; poder que não se dobra a obstáculos nem se curva a todas as vicissitudes, o incrível poder do amor...
De todo modo, eu acho o magnetismo de gostar de alguém tão bonito... De pensar em alguém ao dormir e ao acordar, as borboletas no estômago, sabe, todas essas coisas... Mas é muito mais bonito quando não se vive sozinho... Ninguém pode ser feliz só na idealização... E eu também oro por você, aprendi a gostar de ti, a te aceitar sem condição e és mesmo um dos meus amigos mais leais em muitos aspectos. Aprendi a aceitar teus defeitos, a te ajudar a sorrir quando querias chorar, te ensinei a fazer poesia e aprendi contigo a desfazer estereótipos; a ver qualidades nas pessoas diferentes de mim, a ter outro prisma pra tanta coisa... Mas, não aprendi a te amar mais do que a um irmão, um bom amigo; não aprendi a sonhar contigo nas minhas noites mais tempestuosas nem nas de festa... E se te digo todas essas coisas que te parecerão por agora tristes, é justamente para não acender em ti uma chama que não tenho a intenção de acalentar... E enquanto as palavras correm céleres pelo teclado penso em infortúnios se as deleto ou se aperto na tecla “send”; se te deixo claro tudo isso ou apenas as mantenho como uma certeza firme em meu coração, acenando para ti com canções falsas de esperança...

Sei que não me pedes nada em troca... Acredito, porque é o que me dizes... Mas, será que quando tu veres o brilho do amor em meus olhos incendiar por outra pessoa, vais entender de alma leve? Será que ao me ver beijar aquele que é minha vida, vai compreendê-lo e também amá-lo? E ao ver meu ventre inchado esperando o fruto desse amor, não sentirás raiva dele e desejarás seu inferno...? E terás prontamente estas respostas enquanto te formulo tais questões por agora? Em sua hipótese?

Confessas-me que me vê qual tua namorada em deleites de amor, mas é outro que vejo como meu namorado, ainda que ora esse espaço esteja vazio e eu não pense em ninguém; é a forma desse outro que eu vejo comigo... E ainda que estejamos ambos perdidos e iludidos em nossos vislumbres, no hoje é apenas isso que temos... Nenhuma promessa...

À minha maneira, escrevi a ti feito Julieta, mesmo sabendo que não és o meu Romeu...

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Não era amor



Amor NÃO É pura fixação, puro apego, paixão desenfreada sem o mínimo de equilíbrio emocional. Não confunda apego, dependência e carência afetiva com amor. Embora o mundo tenha evoluído em várias áreas, ainda somos analfabetos no quesito amor. Muitas pessoas têm uma vida afetiva tosca, pobre, cheia de problemas. Adolescentes aprendem a “pegar sem se apegar”, construindo uma vida de miséria emocional. Poucos são os que se sentem felizes, de fato, ao lado daquele (a) que afirmam amar. Muitas pessoas são dependentes emocionais. Elas acreditam que aquele que escolheram para amar será a sua tábua de salvação. Entregam o seu poder, a sua vontade ao outro. Muitos não têm nem dignidade. Preferem viver de migalhas afetivas e sofrer a largar a outra pessoa para ser feliz.
Não era amor, era EGOÍSMO. Se não podia libertar o ser amado, mesmo que fosse para ele (a) ser feliz ao lado de outra pessoa.
Não era amor, era PAIXÃO. Se percebeu o ridículo de seus atos apaixonados quando a ilusão projetiva desapareceu e só admirava no outro aquilo que recalcava em si.
Não era amor, era APEGO. Se esperava do outro exatamente aquilo que não se dava, sem jamais admitir isso para si mesmo.
Não era amor, era DEPENDÊNCIA. Se se anulou completamente em nome deste sentimento e acabou abandonado (a). Se investiu tudo no outro, acreditando que seria correspondido e acabou apenas reclamando do egoísmo alheio.
Não era amor, era IDEALIZAÇÃO. Se sonhou com um amor perfeito e pretendeu encaixar o ser amado nesse modelo, acabando por descobrir que cada um é como é e não temos o poder de mudar a ninguém.
Não era amor, era POSSE. Se o ciúme tomava conta do dia-a-dia, impedindo de ver o afeto que lhe dedicava, só fazendo ver as atenções que seu namorado (a) dispensava às outras pessoas caras na vida dele (a).
E, afinal, amar é reconhecer que nossas almas, são, na verdade, uma só. 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Longa espera



Uma verdade que só saberia quando estivesse exatamente assim, ao lado dele. Deitados, frente a frente, com os braços para cima. Observando seus olhos, seu nariz, a boca... Sem nenhuma cobrança, nem do outro, nem de si mesma. Lindos, jovens, despreocupados. Independente da idade ou de tudo que tivessem vivido até ali. Relaxados a ponto de sentir o mundo em suas mãos e entender toda a leveza dessa sensação. Conjugada na ternura de uma longa espera.
E, de braços pro alto, observando seus olhos, nariz e boca... Seu queixo másculo, a docilidade em sua expressão, ela então saberia aquela verdade. Aquela verdade que, no íntimo, sempre soube. Mesmo ao longo daquela longa espera...

domingo, 18 de dezembro de 2011


Ah, se soubéssemos de quantas “últimas vezes

 a vida é feita...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Alma Gêmea - (Emmanuel)


Alma gêmea da minhalma
Flor de luz da minha vida,
Sublime estrela caída
Das belezas da amplidão!...

Quando eu errava no mundo
Triste e só, no meu caminho,
Chegaste, devagarinho,
E encheste-me o coração.

Vinhas na bênção dos deuses,
Na divina claridade,
Tecer-me a felicidade,
Em sorrisos de esplendor!...

És meu tesouro infinito,
Juro-te eterna aliança,
Porque eu sou tua esperança,
Como és todo o meu amor!

Alma gêmea da minhalma,
Se eu te perder algum dia,
Serei a escura agonia
Da saudade nos seus véus...

Se um dia me abandonares,
Luz terna dos meus amores,
Hei de esperar-te entre as flores
Da claridade dos céus...

Poema do romance "Há 2000 anos", de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Conveniências...


Ai, ai, refletindo sobre isso, você diz que o problema aperta quando precisa ficar muito tempo sem ver pessoas, amigos e colegas... Ain, mas será mesmo? Será que quando está com eles a sua solidão não está apenas enrustida? Disfarçada? Mas, lá no fundo, você continua sentindo falta do que acha que vai te fazer feliz? Um relacionamento. É verdade que quando nos apaixonamos, os dias se tornam muito mais coloridos, mas será que relacionamento é tudo isso mesmo? Eu vejo os casais lado a lado, entediados já da presença um do outro; vejo as pessoas se suportando, vejo garotas que precisam de auto-afirmação de “Meu namorado” pra lá e pra cá, mas não sinto a energia do amor as envolverem, nem aquele brilho tão lindo nos olhos e acho que sequer sentem aquele frio gostoso na barriga... E, às vezes, eu acho que acho de mais, porém continuo achando... A maioria dos relacionamentos são farsas, então você não precisa de um relacionamento; precisa se apaixonar enlouquecedoramente, precisa sentir teu coração bater por aquela guria; precisa simplesmente confiar que ela é um amor de verdade... Sim, acho que viajei na utopia, mas precisava te dizer que, muitas vezes, ter um relacionamento não vai servir pra aplacar a solidão. No começo é assim mesmo, tudo lindo e cor-de-rosa, mas na maioria das vezes, as pessoas mantêm um relacionamento apenas por conveniência. A conveniência de ter alguém pra ajudar a pagar as contas. A conveniência de usar uma aliança no dedo. Conveniência de colocar uma foto do casal como papel de parede do telefone. Conveniências...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Serenamente


Encara serenamente todos os desafios que te se apresentem
Serenamente a oportunidade perdida
Serenamente o riso e a lágrima
Serenamente a despedida

Encara serenamente o reencontro marcante
A saudade cortante que te faz chorar
Encara serenamente a privação e a miséria
A frustração e a desdita
E a bendita revelia das ondas do teu mar...

Serenamente o filho que parte
Serenamente alguém que chega
Serenamente o tempo que passa
Serenamente o martírio e a dor
Encara serenamente cada pequena coisa
Cada hora do teu dia
Serenamente, com fé e amor.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Não tenho pai


Você me pede para eu escrever sobre meu pai. Acho que nunca me considerei uma pessoa com pai. Pode ser mágoa ou indiferença, não sei...
De pequena, tenho muito poucas lembranças. Ele separou-se da minha mãe quando eu tinha 4 anos, depois o vi anualmente até os 8 e depois, voltei a vê-lo em 2009. E as atitudes dele de lá para cá, creio, me magoaram bem mais do que os anos de silêncio. Não sei se é porque aquele silêncio gravou-se em minha memória como uma esperança, uma projeção de que as coisas fossem diferentes... Nos filmes, o pai desaparecido é sempre milionário ou espião secreto ou qualquer coisa que fascina... E eu acho que não foi o fato de ele não ser o Bill Gates ou o James Bond que me machucou, mas pura e simplesmente porque eu e meus irmãos passamos tantas dificuldades por tanto tempo enquanto ele seguia levando as filhas que teve depois para a praia todos os anos, e dando-lhes luxos e agrados e mimos e seguiu dando-lhes mais mesmo depois de voltar a nos ver... Sempre ficou claro quem eram as filhas dele, entende... Eu não tive pai em nenhum momento importante da minha vida, eu entregava o cartãozinho que eu fazia na escola para a minha mãe; eu corri riscos bem contundentes, tudo porque eu não tinha pai... Meu irmão precisou trabalhar desde os 7 anos e eu fui uma adolescente totalmente estranha; ia pra escola sempre com as mesmas roupas e cadernos baratos, não tínhamos condições de comprar coisas melhores e também nunca tive um pai para me apanhar no fim das aulas em um dia de chuva... Mas, sabe, eu acho que muito poucas vezes eu senti a falta dele. De verdade. Eu me lembro de ter sentido sua falta uma vez na quinta série, quando li um poema de uma escritora que não lembro o nome e que dizia coisas assim:

Mal a luz do sol irradia
E você, carinhoso, me diz: Bom dia!
E afaga meus cabelos
E me pergunta sorrindo:
Teve lindos sonhos, princesa?
Mantendo a chama sempre acesa...

E no final do poema ela diz que era tudo um sonho. Porque ela não tinha pai. E eu me lembro que aquele poema calou muito fundo em mim.
Outra vez que eu lembro de ter desejado um pai foi quando fiz quinze anos e desejei uma festa que minha mãe não pôde me dar. Eu sabia que merecia a festa, mas também sabia que não precisava dela para me sentir especial. De todo modo, foi um sonho de menina que eu não pude realizar.
Eu nunca quis ser uma garota mimada. Eu acho ridículo essas pessoas que ganham tudo, e no fundo eu tenho pena delas, porque nunca saberão o valor e o sentimento de possuir uma conquista! E eu percebo que, embora tenha passado tantas dificuldades, no fundo fui (sou) mais rica que muita filhinha de papai por aí. Só que eu não posso dizer que passei por tudo isso incólume. Ninguém gosta de ser preterida. Quando paro pra pensar com profundidade por todo trabalho que passou minha mãe, vejo o quanto ela foi guerreira para não sucumbir ao sustentar três crianças pequenas em uma sociedade preconceituosa e cheia de perigos. Vejo quão gigantes nós somos, com os valores que temos, com o pouco que tínhamos. Na segunda série, quando fui escolhida a rainha da classe, minha mãe precisou ajustar um antigo vestido dela para que eu desfilasse. Comprou um lindo e delicado sapatinho de verniz e ajeitou meus cabelos, que eram lustrosos e domáveis: pronto, aquela era a garotinha que desfilaria na escola. Cresci em um sistema onde sabia o preço de tudo e o valor de muita coisa. E até hoje eu acho que sou privilegiada, pois consigo encontrar beleza em coisas tão singelas onde tanta gente só vê pobreza, ou pior, nada vê.
Por essas e outras, eu não sei se tive pai. Nos primeiros anos, houve um homem em minha vida, mas não tinha discernimento para ajuizar se isso era bom ou ruim. Nos anos de sonho e de aventura, eu estava sozinha na floresta, ninguém me pegou pela mão. E eu não sei se isso é bom ou ruim. Eu só sei que hoje, aquela garotinha ainda está aqui. Ela vive em mim, como toda criança, órfã ou não, que já fomos, vive em nós. E por vezes ela precisa de muito pouco para se mostrar apavorada por estar indefesa; outras horas, porém, ela é a mulher mais linda e mais segura que alguém jamais conheceu. E é isso. A minha fragilidade fez a minha força. Não tive pai, não sei o que é ter um, não descobrirei nessa vida. Hoje em dia o homem que me colocou no mundo me liga de vez em quando, dá alguns pequenos agrados, troca algumas palavras de comiseração. E só. As filhas dele continuam sendo quem foram. Eu continuo sendo a garotinha sem pai. E não sei se isso é bom ou ruim...

domingo, 27 de novembro de 2011

Quem é você?


Quem é você que vem me visitar
Vejo sua cidade e não vejo você
A peculiaridade me mostra o lugar
Mas é o seu rosto que quero conhecer.

Penso se algo faz você pensar
Coisas que escrevo calam em seu ser?
De vez em quando quer me confrontar
Ou, de verdade, você nem me lê?

Quem é você que a identidade repete
Nem me imagina tão curiosa assim
Em uma bandeira pela internet
Faz ecoar sua visita em mim.

Existe alguém de Atlanta, na Geórgia
Já houve alguém de Mountain View também

Quem é você que nunca me diz nada
Mas que eu sei que volta e meia vem?

sábado, 26 de novembro de 2011

Imagine


Imagine o dia em que vais poder sorrir livre, pulando poças d’água e trocando de guarda-chuva com um ilustre desconhecido.
Imagine sair carregado de compras de um supermercado e receber uma carona de um anônimo feliz, sem que um nem que outro tenha medo do encontro.
Imagine a repórter em horário nobre na televisão, dizendo “Te amo, mãe” na emissora mais assistida do país.
Imagine pessoas se abraçando nas ruas como se fosse ano novo, sem ligar para a cor da pele ou as roupas que o outro está vestido.
Imagine o dia em que alguém abrirá mão de um chamado “bem de valor” em prol de você.
Imagine o dia que o amor sussurrar e ainda assim soar mais alto que os gritos estridentes do dinheiro.
Que os médicos tratarão seres humanos, não órgãos doentes.
Imagine um mundo sem governos. Onde não existam mais embaixadas, nem armas, nem diplomatas, nem militares. Sem vistos, sem fronteiras, sem barreiras, sem muros ou guardas. A diplomacia viverá em cada um.
Imagine que as pessoas não serão avaliadas pelas ditas posses nem pela aparência, mas pelo caráter reto, o amor e a plenitude, que vão muito além de casas, carros e um par de olhos azuis.
Imagine que o único idioma é o amor.
Imagine que todos os pássaros voam livres... Que violência é uma lenda em extinção... Que o Natal é a comemoração do nascimento de Jesus e que quem tem mais é considerado por moral...
Imagine crianças brincando de roda, judias e palestinas...
Imagine que um apelido carinhoso vale mais que um sobrenome...
Imagine que todos têm o que comer...
Imagine...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A decisão de cortar relações


Logo que conhecemos alguém, essa pessoa torna-se uma descoberta e, aos nossos olhos, encobre vários pequenos defeitos, mascarando comportamentos, características e reações que fatalmente se revelarão um dia. Embalados na mesma energia, buscando satisfazer, causar boa impressão e agradar, por vezes, acabamos também sufocando em nós as verdadeiras emoções, alguns valores e crenças; hesitamos em mostrar o quanto algo nos desagrada ou como pouco a pouco, aquilo que a outra pessoa “se tornou” passou a nos incomodar. Não percebemos que, na verdade, aquele amigo ou colega sempre foi aquilo desde o começo, mas a máscara social, a convivência superficial ou ainda a cegueira do princípio de relação nos fez vê-lo diferente ou alimentar outras expectativas quase impossíveis de serem percebidas à primeira vista. Ninguém muda em pouco tempo, mas esse chamado pouco tempo para mudança acaba sendo muito para que alguém se revele tal qual é, e é em uma dessas que você percebe como aquela pessoa está tão longe de tudo que você acreditava que ela fosse, e tão distante de tudo aquilo que você também acreditava ser...
Todas as opiniões que temos sobre nós mesmos são virtuais, pois ora podemos nos ver com olhar excessivamente condescendente, ora muito rigoroso, e nem um nem outro correspondem à verdade acerca de quem somos. Tanto podemos nos projetar como melhores como infinitamente menores que outros, e nenhum desses vieses é correto, pois embora com discrepâncias, absolutamente todos os seres humanos existem em qualidades e defeitos.
Por vezes, porém, os defeitos de determinada criatura confrontam diretamente o que acreditamos ter por qualidade e extrapolam todos os limites da tolerância. Nesse caso, chega o momento de cada um seguir seu caminho e é esta uma hora complicada, pois muita gente não sabe se priorizar, colocando somente o outro em um hall de importância ou prefere dar desculpas a si mesmo de que a outra pessoa vai mudar, ser melhor, compreendê-la, que é apenas uma fase; quando nada disso jamais irá retroceder. O outro começou a mostrar quem ele é e, embora a intimidade o tenha desvendado a você, quando o lado negativo vem à tona, esse é um processo sem volta. Trata-se de comportamento comum tanto em amizades quanto relacionamentos de cunho amoroso ou profissional. As pessoas se relacionam sem se conhecer verdadeiramente, passam anos com estranhos e pensam que o outro mudou quando ele se mostra realmente. Insistem em uma relação que não vai dar certo; em uma criatura que não vai mudar por ela. A maioria de nós é estritamente cega com relação aos próprios defeitos, tendendo a encarar de maneira destrutiva e inimistosa qualquer crítica ao seu jeito de ser. Todos possuem um auto-conceito de tempos fixado, muito pouco revisado e facilmente ferível, onde o mais comum é a defesa irracional e a interpretação de acusa. Diálogos pacifistas ficam no plano dos sonhos, mas mesmo que resolvessem, um relacionamento, seja ele qual for, morre quando morre o respeito, e não se trata apenas do respeito entendido pela polidez. É o respeito que se lê nos olhos, nos gestos. É o respeito aos gostos, aos costumes do outro. É o respeito que vai além da hipocrisia, do verniz social. Respeito por quem o outro é, pela história dele.
Se chega uma hora em que o respeito morre, é preciso coragem para dar fim a uma relação, não importa como ela era vista até então. É preciso coragem para erguer a cabeça e amar a si próprio o bastante a ponto de se colocar em primeiro lugar. E priorizar-se não é ser egoísta, ao contrário do que muita gente pensa. Para amar além de você, o amor precisa começar em você. Deixar que outrens abusem do que pensa, escarneçam do que acredita, debochem aquele que é, é permitir que o outro triunfe no que ele tem de mais podre, que é a falta de deferência e valorização do ser humano como um todo. A decisão de cortar relações, independente do tempo que se estabeleçam e da ordem que derivem, é dolorosa, porém necessária, até mesmo para deixar que novas pessoas venham; abrir o olhar para outros, permitir-se. Um relacionamento pode resistir por anos, pode resistir à distância, à falta de contato físico, mas ele dura muito pouco quando exposto à prova do desamor, da indiferença, do egoísmo, da arrogância. Quando o ego prevalece sobre uma relação, então ela está impedida de crescer, e só o que sobra são os escombros daquilo que um dia te fez sorrir. O encontro de almas harmônicas se torna em competição vulgar, ofensa a princípios morais ou ego-idolatria, e consequentemente, afronta à inteligência dos mais sensíveis se faz mais mal do que bem se encontrar. Se há mais inveja que contemplação no olhar; se picuinhas pessoais são maiores que o todo, então está na hora de cortar relações...
Pode ser difícil no começo. O feedback vai rarear, você não vai mais atender o telefone. Você sabe que a conversa seria infrutífera, não quer parecer covarde, mas vai largar tudo aos poucos. Ou, vai preferir servir pratos limpos, colocar os pingos nos is, agir como adulto maduro que é. Não importa. O que importa é respeitar sua dignidade, mergulhar no mais puro do seu ser, manter-se íntegro e singular. Natural é poder ser você mesmo, sabendo que não está machucando ninguém e que, principalmente, está afagando a si mesmo.
Simples assim. Quando cortar relações é inevitável, que o façamos como o procedimento físico de corte de um cordão umbilical: suavemente, mas de um só golpe, de maneira a não ferir nem o bebê nem a mãe.
Seu amor próprio agradece. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Conhecimentos Descartáveis


“-... a ciência humana é bem limitada, e quando eu lhe tiver ensinado matemática, física, história e as três ou quatro línguas vivas que eu falo, você saberá o que eu sei; ora, toda essa ciência, eu terei dois anos de trabalho a vertê-la do meu espírito para o seu.
- Dois anos! – disse Dantès – você acha que eu poderia aprender todas essas coisas em dois anos?
- Em sua aplicação, não; em seus princípios, sim; aprender não é saber; existem sabedores e sábios: é a memória que faz uns, a filosofia faz os outros.
- Mas não se pode aprender a filosofia?
- A filosofia não se aprende, a filosofia é a reunião das ciências adquiridas ao gênio que as aplica; a filosofia é a nuvem resplandecente sobre a qual Cristo pôs o pé, para subir de volta aos céus.”
(DUMAS, Alexandre. O conde de Monte Cristo. Vol. 1. Ed Juruá, 2001. p.172)


Os anos de escola e educação institucional me ensinaram algumas coisas úteis mas, presumo, boa parte da nossa vida acadêmica passamos a estudar conhecimentos descartáveis. Aquele blá blá blá da professora no ouvido (quem nunca teve uma que falava mais palavras em um minuto do que seria capaz de ouvir em um mês?!), com exercícios e repetições inúteis de coisas que nunca mais você usará na vida.
Exagerando, posso dizer que o que utilizaremos mesmo são as operações básicas da matemática, ortografia (que a maioria ignora) e alguns conceitos históricos e ou geográficos; mas não propriamente o que chamam ciência. Esse negócio de que só tem validade aquilo que é “provado” é uma grande manipulação, visto que você nunca viu ninguém provar e já te ensinam com uma fórmula que “dá certo”, de maneira que isso aniquila sua possibilidade de questionar tal conhecimento com um argumento válido. Criticam-se os “achismos”, porém não fossem eles, muita coisa na própria ciência jamais seria descoberta. Em 1633, Galileu foi julgado pela Inquisição ao apresentar a teoria – baseada em sua experiência científica direta e observação com um telescópio de sua própria criação – de que a Terra girava sobre seu próprio eixo em torno do Sol. O Sol apenas parecia girar em volta da Terra. Desta forma, Galileu refutava a teoria há muito sustentada do universo geocêntrico. Heresia!, acusou a Igreja, e Galileu foi preso numa torre. Para ser libertado, este brilhante cientista, que se tornara professor de matemática na prestigiosa Universidade de Pisa com 25 anos, foi forçado a abjurar. Isaac Newton, que nasceu no dia da morte de Galileu, em 1642, aproveitou o trabalho do seu antecessor para desenvolver sua própria teoria de um universo mecanicista, que funcionava por meio de forças físicas e sem intervenção divina.
O trabalho de Newton foi bem recebido e o conceito de universo da humanidade mudado para sempre. Apesar dos esforços da Igreja, a obra de Galileu foi por fim aceita e altamente louvada. Hoje, qualquer estudante lê sobre ele, não só por causa da importância do seu trabalho científico, mas também por ter demonstrado que a verdade é descoberta no íntimo de cada um ao confiar em suas próprias ideias e experiências e não acreditando no que os outros alegam ser a verdade. A obra de Galileu abriu caminho para novas perspectivas em ciência, religião e história intelectual e cultural, mudando definitivamente a nossa maneira de encarar a realidade.   

Ninguém vai amar a matemática ou a língua ou a história porque estão lhe obrigando a aceitá-la, assimilá-la, reconhecê-la; isso vai criar mais aversão ainda! O sistema de aprendizagem é pessoal e intransferível e a massa cefálica de nossas crianças e jovens – que em sua maioria já é falha – só faz reduzir e intimidar-se diante das obrigações escolares sem nexo. O sistema educacional arcaico que promove a assimilação maquinal, priorizando as respostas que perguntas; um sistema de avaliação onde o achismo do professor dá a nota, aliados a um mestre que não ama aquilo que faz reduz o aproveitamento do já escasso conhecimento útil a quase zero. Aprendemos eficientemente aquilo que é testado em nosso cotidiano, mas quanto à hora média de Greenwich perpendicular ao Pólo Norte, vamos direto pro google ou para um especialista ou uma fonte de pesquisa imediata. Não aprendemos a amar o conhecimento, aprendemos a engoli-lo; não queremos ir bem na prova por um desejo da alma, é que temos medo de levar bomba; não nos apaixonamos pela leitura porque o livro é incrível – não nos apaixonamos pela leitura! Lemos por obrigação (embora use a primeira pessoa do plural, não me enquadro aqui, mas sei que grande parte da população, sim, pois como o burrinho de “A revolução do bichos” [George Orwell], acreditam que não há nada interessante para ler!!)
E se a escola já é asquerosa com todos seus rituais retrógrados, não podemos defender as universidades, que abrigam cada vez mais débeis mentais (tanto como alunos quanto como professores). Com todo respeito aos poucos e bons profissionais e acadêmicos que sabem que esse texto não se dirige a eles, a massificação dentro do campus está provando que das duas, uma: ou há uns poucos gênios no universo ou a maioria é retardada mesmo. Insistem em conhecimentos ultrapassados, chatos, maçantes; não estimulam a iniciativa, argumentação, senso crítico; acham que todos os alunos são iguais e privilegiam classe social que QI; aplicam trabalhos obsoletos e delegam alguns conteúdos de sua responsabilidade para que os alunos executem em forma de “trabalhos”. O retroprojetor substituiu sua voz; oratória não mais existe – ou falam muito, ou falam merda, ou não falam – tudo que dispersa a atenção e induz os alunos inteligentes ao desespero e a maioria ao descaso; o uso das tecnologias, que poderia ser um aliado torna-se um empecilho e ano a ano milhões de mongolóides são lançados ao mercado de trabalho como espermatozóides na ejaculação (como alguns foram os mais rápidos?? oO)


O cenário escolar, por vezes, lembra aquele ambiente de guerra em que o professor está posicionado como general a ameaçar os pobres soldados com atividades que não os levarão a dar sequer um passo na vida (ou na luta). A aceitação das ordens deve ser incontestável e o questionamento, além de reprovável, não faria diferença. É preciso receber os mesmos velhos ensinamentos e pensar como as mesmas velhas gerações; é preciso acatar o que já está decidido/descoberto/respondido e guardar suas dúvidas bestas para sua própria reflexão enfadonha. Aliás, desconfio que muita gente não saiba o que é isso – reflexão. Não se ensina na escola, afinal.

Burocracias, intimidações, bullying cerebral, desestímulo à leitura através da indicação de uns clássicos chatos quando mal se está preparado para ler infanto; incentivo à aparência, estereotipização dos nerds; sexualidade precoce; professores neuróticos; família sem valores e quantos séculos levaremos até cientificar que temos uma educação eficiente que, no mínimo, faça pensar, ser sagaz, seguro de si e curioso – sim, curioso! O mínimo para a busca do verdadeiro conhecimento.


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Paródia "Perigosa"


Essa pequena paródia foi composta quando eu estava de bobeira e algumas garotas cantavam a versão original.

Eu sei que eu sou
Bonita e gostosa
E sei que você
Tem problemas de vista
Eu sou uma ameba
De mente vazia
Cuidado, garotos!
Eu sou periguete!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011


Acaso, 
pensas tu que alguma coisa 
passa sem significado para Deus?