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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Ainda sou esquisita

Eu sempre soube.
Sempre fui aquela a quem ninguém entendia e a quem poucos amavam.
Mergulhada em meu silêncio de complexos sentimentais, nunca entendia porque todos eram tão diferentes de mim, ou seja, tão iguais.
Entre aglomerados, mal podia pinçar um, pois se equiparavam sempre em atitudes, em comportamentos e em mediocridade.
Sempre fui aquela a quem respostas não eram convincentes, explicações eram insuficientes e a quem silêncios eram atestados de inabilidade.
Aquela mergulhada em vazios e vácuos soturnos, dada a questionamentos profundos, distante das teses dos normais.
Não sou desse mundo – concluía com freqüência.
Analise – continuava para mim mesma. – As pessoas não apreciam solidão, enquanto você reconhece que ela é, por vezes, necessária. Todos gostam tanto de falar, mas você dá preferência a ouvir. Todos precisam de barulho, você, de silêncio. Todos gostam de casos fortuitos e sexo, você é mulher de amar uma vez só, meio ascética e assexa. Todos se abarrotam de rótulos, você é apenas alguém...
E, como a fazer a maior descoberta do mundo, voltava a rematar:
Não sou desse mundo...


Ainda sou esquisita. Meio estranha demais, taciturna, imergida em sonhos que todos despropositam irreais.
Aquela estrangeira, que não conhece quase nada, mal fala a língua, é um pouco puritana, um tanto curiosa e perdida...
Uma forasteira, aventurando-se em planeta desconhecido, um planeta quiçá mais esquisito que ela. Aqui, chamam sexo de amor, fidelizam-se a sentimentos impuros e uma tal moeda de troca tem mais valor que o que importa de verdade. Aqui compram coisas incompráveis e não adquirem por bem o que se poderia adquirir de graça. E as pessoas te consideram mediante o que você veste ou aparenta, ou conforme outros interesses que não o seu eu de verdade...
Ainda sou esquisita. Talvez eu nunca me cure. Mas, é uma doença menos perigosa que a que o mundo pode me contagiar. Por isso, assim, na minha esquisitice, sou quase afortunada.

2 comentários :

Chico2010 disse...

Kelly, Kelly...me sinto tentado a escrever um texto para cada uma das tuas postagens...já encho teu blog deles, uma hora tu te enche..hehe

Fiquei de boca aberta lendo esse texto. É como se minha própria vida estivesse ali (claro, trocando os gêneros). Enfim, não há nem o que complementar. Quem dera houvessem mais pessoas "esquisitas" como você no mundo! Sou extremamente esquisito também por burlar praticamente todas as regras impostas implicitamente por essa sociedade. Antigamente, conforme eu já lhe comentei esses dias, eu sentia uma profunda depressão por conta disso. Mas de dois anos para cá eu não conheci mais a tristeza, pois me dei por conta de que era afortunado diante dos rótulos vazios que estão em toda a parte. De repente, assumi minha esquisitice em vez de tentar ser normal, passei a valorizar a esquisitice e hoje vivo em um estado indescritível de felicidade e liberdade constantes. Minha vida deu um salto gigantesco a partir disso, mas não perdi essa essência esquisita. Enfrento dificuldades com isso todos os dias, mas já enfrentei coisas muito piores que me fizeram querer dar fim na própria vida. Foi quando me surgiu de relance a idéia de que eu deveria iluminar os caminhos das outras pessoas e que deveria fazer a minha verdade crescer e aparecer. Descobri então que muitas pessoas precisavam disso, e aí eu descobri a "fórmula do amor". Hoje sou uma pessoa a quem todos sentem confiança de conversar e até confidenciar segredos, além de solicitar auxílio, e eu me sinto realizado.
E fica a dica: se essa sua esquisitice for uma doença, espero que seja das bem contagiosas, pois o mundo precisa disso. Esse comentário virará postagem lá no meu blog..heheh

bjão e perdão por escrever demais de novo!!

Kelly Phoenix disse...

Imagina, adoro ouvir mais e mais opiniões, pena que sejam poucas as pessoas que têm a coragem ou a vontade de comentar. Sabe, Chico, observei que as pessoas "esquisitas" são as mais interessantes e geralmente aquelas que tem mais a nos oferecer em sentido de conteúdo, como aquele velho ditado "quem vê cara, não vê coração". Pessoas tímidas, singelas, imersas em seu (rico) mundo interior são aquelas dadas a maiores reflexões e, possivelmente, as que tem variados prismas sobre vários assuntos. Acho que muita gente olha para mim e não dá nada, assim como para você. Mas, basta ler uma pequena percentagem do que nós pensamos, expostas em nossos blogs, que as pessoas percebem o quão interessantes nós somos! O pior de tudo é que, sim, sofremos imenso preconceito. A sociedade condena tudo o que for diferente. Tenta explicar o inexplicável (já me chamaram de superdotada, de índigo e até de psicopata). Sou é muito firme nos meus sentimentos e fiel A MIM MESMA. Não vou mudar enquanto achar que é certo. Faça isso também!

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