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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

domingo, 30 de janeiro de 2011

What's my age again?


Que idade você tem? 15, 20, 25? Está lendo o blog porque o acha de acordo com a sua faixa etária? Ou não tem mais idade para ficar lendo essas bobagens?
A idade faz parte da nossa identidade social. A sociedade divide-nos em crianças, adolescentes, jovens e velhos. Classifica-nos, impede-nos de exercer determinadas coisas por causa do ano que nascemos e quanto tempo decorreu desde então. Com determinadas idades, não podemos mais nos vestir de certas formas, ter certos comportamentos, falar certas coisas. Isso parece implicar até na sinceridade. Quando crianças, se falamos que a tia Kate está gorda, nossa mãe nos lança um olhar de reprovação e nos censura depois que a tia Kate se vai. Vão nos moldando, ensinando os padrões, tolhendo as espontaneidades. Uma menina de 11 anos não pode brincar com os meninos porque já está mocinha. E não pode usar saia curta, em compensação, tampouco o desejado batom. Uma criança, no quarto aniversário, não pode mais incorrer em acidentes na cama, provocados pelo excesso de líquidos. E também não fica de bom-tom uma moça solteira sair com muitos rapazes, mesmo que entre eles haja só amizade. Aos 18 anos, o céu! Temos capacidade de dirigir, de decidir nossa vida, de casar, de viajar, de fazer tudo! Não se leva em conta que na véspera, ainda tínhamos 17 e todas as limitações decorrentes de se ser “menor de idade”. Mas, o verdadeiro e real problema não reside propriamente nessas questões, mas na aceitação total e inquestionável de uma diretriz tão bronca. Especialmente no que concerne aos direitos dos adultos. É como se do dia pra noite você não pudesse mais fazer as coisas que te davam prazer, simplesmente por “não ter mais idade”. Cortam-se alguns elementos da dieta; proíbe-se a si mesmo de assistir programas de TV que gostava; coíbem-se certas cores. Uma guerra psicológica. O mundo exige que sejamos sóbrios e precisamos correspondê-lo!
Baudelaire descreveu o gênio como a infância propositadamente recuperada. E ele tinha razão. O adulto em você usa terno e sapatos. Olha para os dois lados antes de atravessar a rua e não lambe a tampa metálica do iogurte.
A criança em você anda descalça e brinca pela rua. Tenta se equilibrar no meio-fio e joga futebol com uma embalagem esquecida.
O adulto bate na bola para acertar e zanga-se se não o faz.
A criança arrisca. O jogo é a diversão.
O adulto pensa demais, tem muitas cicatrizes e está algemado pelo excesso de conhecimento e por muitos limites, regras, pressuposições e ideias preconcebidas. Em resumo, o adulto é um paspalho sem graça.
A criança é inocente e livre, não sabe o que não pode ou não deve fazer. Enxerga o mundo como ele realmente é, não do modo que ensinaram aos adultos a acreditar que seja. A criatividade e inventividade caracterizam as crianças antes de serem deformadas pela sociedade adulta. Elas quebram as regras porque não sabem que as regras existem. Elas falam que a vó está feia porque ela está feia mesmo e não vêem qual o mal em lhe dizer. Fazem coisas estranhas com as quais seus pais se sentem pouco à vontade. As crianças entram na escola como pontos de interrogação e saem como pontos finais (Neil Postman). A maioria deixa-se engessar pela mediocridade por não ter condições de discernir o que é, de fato, adequado.
Idade é só um número! Representa apenas o tempo que está por aqui! Uma questão social e levemente anatômica. Digo levemente porque conheço pessoas de 16 que parecem ter 26 (com todo respeito aos de 26). Eu mesma tenho carinha de adolescente e cabeça de uma mulher de 4 décadas, sendo que a minha idade cronológica atual fica bem no meio termo. Há tantas pessoas jovens e maduras, há tantas pessoas mais velhas que não sabem o que é maturidade. Há tantas pessoas aparentando menos ou mais idade, seja física, seja psicologicamente. A idade é apenas uma convenção social, que delimita namoros, amizades e relacionamentos. Que dificulta acordos e promove a diferença. O homem tem de ser mais velho; tem de se ter 18 ou 21; pessoas de 60 anos em diante são improdutivas. Quem nunca ouviu isso?
O mundo não prioriza a naturalidade, a sinceridade, a essência. Há livros acadêmicos ensinando a ser dissimulado e formal em um “ambiente profissional”.
Deixe a criança que existe em você aparecer. Não tenha medo, solte-se! Corra pelo corredor, algum dia, no trabalho. Tome um sorvete na sua mesa. Faça uns desenhos na sua janela com um pincel atômico. Cante alto no elevador. As crianças são felizes porque se permitem! Ser feliz é ser idiota para o senso comum.

2 comentários :

Chico2010 disse...

Olha eu de novo aqui comentando...hehehehe

Assim que vi o link no Twitter e abri o texto, me identifiquei mais uma vez. Felizmente eu sou uma pessoa que se permite. Curiosamente eu estava chupando um pirulito daqueles em formato de chupeta e ouvindo Madonna no último volume. Infantil? Estranho? Ora, vai dar bola a isso??Não sei definir que idade eu teria hoje, pois a idade decorre do estado de espírito, tal e qual você citou perfeitamente no post. Na verdade a "idade" é mais um paradigam social.

Por fim, vale lembrar a musiquinha: "se vc é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda...." hahahaha

bjão

Kelly Phoenix disse...

Eu sei a minha idade. Tenho 9 anos. Hahaha... Até mesmo na ingenuidade que me presto, às vezes, em confiar demais nas pessoas (eu sempre me ferro!). Mas, continuo areditando, dando a mão para estranhos. Mas, também conservo esse olhar da menina de 9 anos. Sem maldade, apreciando a natureza, o que é realmente belo. Descobrindo o mundo. This is me at 9!

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