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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Liberdade e Libertação

   Após um comentário no blog, pus-me a filosofar, afinal, qual a diferença entre liberdade e libertação. E há uma série de fatores envolvidos, pensei, que podem caracterizar em aspectos uma e outra, mas o que as diferencia de verdade?
Bem, eu acho que liberdade é mais externa, e libertação, vem de dentro. A liberdade, muitas vezes, é aquilo que você quer provar que tem, ou parecer que tem, mas utiliza-se de maneiras inconvenientes ou destrutivas, porque não é uma coisa real. É colocar o carro a 249 km/h; sair e voltar à hora que bem quer; saltar de pára-quedas e tudo isso que provoca uma sensação muito grande de estar livre, mas momentaneamente. É uma sensação que precisa de um fator externo para acontecer, não acontece do nada, não se realiza sozinha. Já a libertação é uma causa interna. Sim, uma causa, não um efeito como a liberdade. A libertação é desapaixonar-se, desapegar-se, independer-se. A libertação é ter certeza, deixar pra lá, perdoar, esquecer. A libertação é real porque ela acontece dentro. Então, você já não sente aquela necessidade de provar a ninguém o que é ou deixa de ser, de que é livre, que corre com o carro, que voa, que isso, que aquilo, porque você sabe. E isso basta. É uma coisa sua, não diz respeito a ninguém, não vai mudar nada se eles pensarem que sim ou que não. E liberdade e libertação poderiam ser sinônimas se nós nos déssemos um pouquinho mais de atenção. Se fugíssemos das classificações, dos rótulos, se importasse mais o interior, a essência. Porque, de verdade mesmo, ninguém é livre. Você pode não estar na cadeia, gozar seus direitos como um cidadão de bem; pode ser livre pra escolher o que quer da sua vida, o que vai fazer dela, com quem vai se relacionar (até certo ponto), mas nada disso tem a ver com a liberdade. Agora, você pode ser preso a uma pancada de medos; você pode se apaixonar por alguém que não corresponda; você pode não ter peito para encarar desafios e aí, fi, por mais livre que você seja ou pense ser, é que entra a tal da libertação pra te salvar. E não é a libertação de Jesus, tão pregada nos altares! É a libertação de você mesmo. A libertação do que te faz mal, libertar-se dos fantasmas do passado, os traumas, as dores emocionais, os amores mal-resolvidos, tudo que te aprisiona. Libertar-se por dentro, dos seus receios, e há de convir comigo que, para isso, não vai ter bung jump que resolva. Ah, seria muito bom fazer algo que propicie sensação de liberdade e libertar-se de verdade. Correr de cavalo e esquecer do príncipe que virou sapo. Achar que é piloto de fórmula um e no caminho deixar as mágoas e tristezas para sempre. Perder o medo de altura e, junto com ele, as inseguranças do presente e do futuro. Mas, não é assim que funciona. Liberdade e libertação nós temos que provocar. E não causa efeito nos outros. O que te faz livre pode aprisionar eles. Veja o tal do amor, por exemplo. Amar de verdade é a plena confiança, a liberdade total do ser amado e a sua. Mas, quem, no alto de sua paixão e posse (confundidas com amor) vai libertar o ser amado? Ah, cala boca, garota, você que não sabe o que é amar! Tenho ciúme porque gosto dele. Prendo porque é meu. (Falando sério, tem pretensão maior que essa?). E o pior, minha filha, é que se libertar desses sentimentos também não é nenhum passeio pelo parque. É reeducação, autoconhecimento, confiança, certeza, fé. Um monte de coisas. Se tiver disciplina, leva uma vida inteira. Se não tiver, Deus sabe quantas levará.
Agora, oscilar entre liberdade e libertação não dá. A liberdade não é condenável, ou melhor, provocar a sensação de liberdade em si é justificável e até necessário, às vezes, o que não dá é para ficar eternamente carente de libertação. Colocar seu valor, sua dependência nos outros; achar que precisa de alguém para ser feliz; obcecar-se com idéias fixas; não caminhar, parar no tempo, ficar esperando um salvador. Eu acredito piamente que não é nessa vida que vamos nos libertar totalmente, aliás, devemos nos considerar regozijados nos libertando de umas poucas coisas, um vício, um defeito, um medo. Afinal, estamos aqui para fins de evolução, dignos de aperfeiçoamento que somos. O negócio é tentar. Em primeiro lugar, reconhecer que não é livre integralmente, mas que possui a liberdade essencial, que é a de amar, de sorrir, de viver, de mudar as coisas! De acreditar em si próprio. Porque a libertação acontece assim mesmo, com esse minúsculo e importantíssimo passo: acreditar.

2 comentários :

Lourenço Quezada Júnior disse...

Fantástico texto ! Eu consegui a libertação... Muitos dizem que joguei a toalha e eu penso "como fazê-los acreditar que nunca estive tão bem?" Observo agora como fui idiota em tantas comparações e muitas vezes fiz certas coisas porque o mundo idiota me fez acreditar que aquilo era o melhor para mim. Agora não tem mais volta, graças ao plano espiritual tirei algo de mim e nesta libertação, sou muito mais eu. Eu me reconheci, resgatei minha essência, minhas raízes, e daqui para frente não quero mais viver sem mim. Como diria meu saudoso pai "às vezes a gente tem que mandar o mundo se foder", Não é que o velho estava certo !

Kelly Phoenix disse...

Sim, Lourenço, a teclinha do "foda-se" sempre funciona! rs

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