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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O que uma garota quer?

Não me vejo como as outras moças. Não sou como elas.
O que uma garota quer?
Bem, a maioria quer um namorado. Eu busco um amor.
Utópica? Sim, oh, muito! Mas, quem disse que acredito na existência dele?
A maioria quer uma boa colocação profissional. Um trabalho fácil, de preferência, um tanto divertido, uma grana legal e fins de semana livres.
Eu? Já dispensei empregos incríveis! Já bati cartão em grandes empresas, o sonho de muita gente. Nunca consegui me conformar com regras impostas, uniformes, hierarquias, falsidades e delongas. Eu tinha de ser eu mesma. Sem falar de banalidades, sem ser quem não sou, com sorrisos verdadeiros, com ‘bom dia’s’ sinceros. Falava na cara, esquecida que havia um chefe, por vezes; notava que era muito mais criativa e faria bem melhor que quem estava no poder. E quem liga pra isso? Espontaneidade, sinceridade e generosidade não abundam nas empresas. São ambientes sérios demais, sisudos demais, com baldes de baba-ovos contentes em pagar a viagem à Disney para a filha dos donos. São pessoas responsáveis demais, profissionais demais, que não conseguem rir alto nem se permitem falar o que pensam. Mascaram o que sentem e aceitam tudo, fingindo pra si mesmos que é em prol de seus objetivos. E eu não me vejo assim. É simplesmente repugnante! Preciso ter liberdade para pensar, para me vestir, para dizer o que penso e não ser julgada por isso. Preciso levantar da minha mesa, de vez em quando, porque sou hiperativa e minha cabeça ferve. Preciso, por outras vezes, de silêncios estendidos, porque sou semi-autista e gosto de viajar bastante. Deveras, não me podem faltar estímulos, porque sou índigo artista e a arte é o que eu respiro. Não posso ter alguém à minha frente que, por um diploma nem sempre batalhado, venha se achar pra cima de mim e insinuar que é melhor que eu. Também não sou melhor que ninguém. Já sofri tanto de depressão e baixa-estima.

Mas, quando olho no espelho eu vejo uma garota bem maior que um metro e sessenta; eu vejo uma menina fantástica, brilhante, e quando não a vejo, lembro que já vi... É só o que eu quero ser. Não me importam mais as impressões dos outros. Pessoas entram e saem de nossas vidas todos os dias, mas quem vai ficar, no final das contas, é só a pessoa do espelho. Também não se trata de insubordinação, porque não acredito em subordinação. É que não vejo pessoas como cargos e sim, apenas como gente, que chora, ri, sua, sofre, sonha, caga, mija, tudo como eu e você. Sim, você riu, achou o texto menos poético, mas nem por isso, menos realista, certo? Não me vejo metida em um uniforme, conformada com a vida corporativa, regozijada pelo aumento de cem reais, sonhando com minha aposentadoria! Não me vejo tirando férias quando outros acharem isso conveniente (e, certamente para eles, não para mim) e sendo mais uma daquelas pessoas que comemora ao chegar a sexta e lamenta quando chega a segunda. Quero ser feliz! Na vida, no trabalho e em tudo, como qualquer pessoa. Eu apenas não vejo fórmulas prontas pra isso. Não vejo felicidade na rotina e, embora ame a arte de todo meu ser, não poderia me aprisionar em uma peça de teatro sendo fantoche das circunstâncias, das imposições da vida! Preciso ser escritora da minha própria história!

A irreverência e a aparente rebeldia, a meu ver, são uma marca daqueles que não se enquadram dentro dos limites estreitos traçados pelo comportamento humano. Na verdade eu substituiria a palavra “rebeldia” por “falta de conformismo”. Não sou uma pessoa conformada com padrões preestabelecidos e nem me enquadro em moldes forjados pela sociedade. A felicidade é o que importa em qualquer tempo, em qualquer situação em que se vive. Felicidade é a capacidade que eu tenho de fazer arte e poesia, música e vida até da própria dor, encontrando uma forma de gritar ao mundo, aos homens, aos meninos e meninas que todos somos deuses, somos incríveis e somos perfectíveis.
E o que mais uma garota quer?
A maioria pretende se casar, ter filhos. Se um dia eu estiver em um altar, levante a mão quando o padre perguntar se alguém é contra e me estenda esse texto! Eu me darei conta de como estarei patética [sic].  Ora bolas, casamento é ilusão! Metem-lhe em uma gaiola de ouro e você ainda entra acenando, sorrindo. Não se trata de uma prisão verdadeira, mas a maneira como as pessoas concebem o casamento, sim. Ainda acredito no amor, por incrível que pareça (é, eu sei que no primeiro parágrafo eu disse que não acreditava, mas eu vou explicar). O que acontece é que, ou eu estou muito equivocada, ou amor não é nada disso que pregam por aí. Nem sexo, nem promiscuidade, nem paixão, nem ciúme. Não venham com esse papo pra cima de mim, please.
E filhos...? Hoje em dia, as crianças falam ou gritam quando querem, dizem palavrões na frente dos pais, querem isto e mais aquilo, não têm o menor respeito pelos adultos e trazem sempre os olhos ligeiramente estonteados e febris de viciados que passam o tempo todo na frente da televisão, do computador ou de ambos. São como bolas de fliperama – ora lentas, em seguida chocando-se com força em tudo o que estiver por perto, fazendo soar as sinetas e pulando de um lado para outro. Se pedem alguma coisa, quase sempre ganham. Se não, pedem mais alto. Se a resposta ainda for um não hesitante, eles gritam. E seus pais – todos uns frouxos - em geral cedem, temendo que o pobrezinho vá lá e se suicide ou encha a cara de drogas. Afora o fato de ter atendimento preferencial nas filas, não vejo muita vantagem em ser mãe. Crianças só servem para aborrecer os pais. Elas enchem sua vida de terror e de cansaço, e as pessoas agem como se ter um filho fosse uma bênção, e falam de crianças como se se tratasse de deuses. Mas quando a gente vai ver de perto, a coisa é bem diferente. Basta lembrar todos aqueles filhos-da-puta que cortam você no trânsito, enchem as ruas, gritam nos bares, ouvem música a todo volume, assaltam, sequestram e lhe vendem carros imprestáveis - todos esses calhordas nada mais são que crianças que cresceram. Não há milagre nenhum. Nada de sagrado nisso.
Mesmo assim, confesso que já desejei uns cagõezinhos no meu colo e toda a parte bonita da coisa. Mas, sinceramente, hoje em dia dá medo botar filho no mundo. Porque, né... Imaginá-lo aos 13 anos ouvindo tendências e usando calças verde limão e se achando o máximo por isso (pasmem!).
Hum... Que mais uma garota quer?
Não sei, mas eu não sou essa garota! Eu sou tudo isso que eu falei e muito mais, que é impossível se descrever. Todas são especiais, mesmo com suas uniformidades. E, seguramente eu vou mentir se disser que nunca fui uma delas. Se disser que nunca me preocupei com a minha balança, que nunca me imaginei de noiva, que nunca achei que tinha encontrado o cara perfeito e que ia viver feliz pra sempre ao lado dele. Mesmo as meninas que tem tudo gostam de pagar de gata borralheira, que dirá eu, acostumada a virar abóbora à meia-noite. Mas, o que me preocupa mesmo, é o que será de mim. Porque eu simplesmente não me enquadro no sistema. O padrão não me agrada e não pretendo me adequar a ele. Então, o que vai ser de mim? Essa é uma pergunta que só o tempo vai me responder.

1 comentários :

Chico2010 disse...

Mais uma postagem daquelas que leio até o final com olhos arregalados e extremamente encantado...sequer ouso compelemntar coisa alguma aqui dessa vez, apenas dizer que um texto como esse deveria ser colocado num gigantesco outdoor e deveria ser recitado nas rádios...enchestes essas linhas com um resumo geral do modo de ver a vida por parte de seres diferentes como nós. Óbvio que não sou uma garota (rsrsrsrsrs), mas resume aí tudo o que penso sobre diversos assuntos!!
bjos *_*

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