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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O trabalho


Quem leu em outras postagens, passagens do que eu penso sobre o trabalho, pode pensar que não sou muito afeita a ele. Não se trata de uma verdade absoluta.
Realmente, não gosto da forma tradicional e inquestionada como o trabalho nos é apresentado. A sociedade nos faz crer que tem de ser assim: chefes e empregados, quem manda e quem obedece, os que têm poder e os que não tem. Pensar não é valorizado nesse país. Pensar pra quê? Você nasceu para o labor diário, para as agruras da terra! Simplesmente, não concebo as coisas dessa forma. Toda aquela formalidade, a impessoalidade dos ambientes profissionais; os aparatos de etiqueta, que não passam de falsidades construídas e solidificadas, nada disso me seduz e não compreendo como as pessoas aceitam esse circo! Para mim, seu verdadeiro trabalho é aquilo que você gosta de fazer. Os demais serviços podem ser considerados como degraus pra se chegar até lá. É burrice passar a vida toda servindo, contente com sua porção de sal no final do mês. Não significa que não se tenha de aplicar excelência às tarefas em curso, porém competência em nada tem a ver com puxa-saquismo, adulação, anulação. Entregar o poder aos outros é começar a perder-se de si mesmo. Perder-se dos seus sonhos, perder-se na mesquinharia, nas insensatezes sem sentido, e quando isso acontece, já se está começando a morrer. E todos os homens morrem. Mas, muito poucos chegam a viver.
Sim, o trabalho, aliás, aliado ao conhecimento, é a grande mola propulsora da humanidade. Alavanca o progresso, impulsiona a economia e propicia conforto. Entretanto, estar preso a um sistema sem liberdade de pensar e agir não é a melhor concepção de nobreza da atribuição que me apetece. Pela manhã, quando vejo aquelas almas madrugadoras aguardando o ônibus da empresa, cabeças baixas, ruminando a própria sorte, me é impossível não associá-los com o gado que vai para o abate resignado, sabendo bem o destino que lhe aguarda. E o pior: nossa educação é baseada nessa pirâmide, onde o assalariado, mão de obra bruta ou pouco pensante, está na base e os poderosos estão no topo. E a corrida pelo ouro está viva! Todos querem participar, todos precisam TER, TER, TER... Onde a democracia? Onde a demagogia? Ensinam as crianças a aceitar as coisas como estão, temos uma cultura de padrões.  As ensinam a receber respostas prontas sem interrogar, sem ter prazer pela busca, pela exploração. As ensinam a carregar bandeira, a ser coxo na vida. Não lhes é demonstrado o quão poderosos nós somos. E esse poder nada tem a ver com TER, TER, TER... As pessoas não vêem que o poder é elas! Que os altos impostos que pagam por saúde, educação e segurança não deveriam ser pagos quando o plano de saúde, a escola e universidade particulares têm de ser pagos novamente. Que nós deveríamos reivindicar isso! Ninguém dava nada pelo Egito, enquanto colocavam o Brasil como um legítimo exponencial de crescimento. Mas, e aí? Quem parou de ouvir as tolices que dizem na televisão – uma mídia manipuladora – e foi para as ruas? Quem preferiu arriscar seu punhado de sal mensal e por uma vez na vida tirar os trajes de palhaço? Somos um povo de nariz clown, com rostos tão vermelhos quanto ele. Vermelhos de vergonha! Vergonha de pertencer a essa realidade massacrante, de não fazer nossas vozes se ouvirem, de ler esse texto, concordar e não fazer nada! Orgulho de ser gaúcha, vergonha de ser brasileira, essa sou eu. E sei que não sou a única. Seria tão bom se todos se dessem conta do seu valor, trabalhassem naquilo que amam, batalhassem por seus direitos, se todos soubessem, ao menos, que podem... Mas, ninguém sabe nem o que quer. Basta submeter-se à vontade alheia. E é isso que eles querem. É isso que eles precisam. Para mudar, vão-se outros 500.

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