About my Blog

Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ser amor e ser amigo


Sempre que termina um relacionamento de raízes amorosas, fica um vazio entre as duas partes, há um vácuo que separa as mãos de se segurarem, mesmo que nas condições de amigos. Ainda que a paixão tenha tido início com uma amizade, a distância que a acomete quando tudo acaba é quase intransponível; de repente, aquele (a) que embalou tantas noites de sonho passa a ser evitado(a); à vista dele (a), qualquer folheto é jogado ao rosto à guisa de leitura; toda e qualquer ação ridícula justifica o ato de não concretizar um simples gesto de cumprimento. Ainda assim, em segredo, as redes sociais dele (a) serão vasculhadas; o coração vai apertar se acaso lá estiver escrito “namorando” ou qualquer outra evidência de que o que vocês tiveram realmente está enterrado e que não há nenhuma possibilidade de volta ou de espontânea... amizade.
Não negue. A maior parte dos relacionamentos termina assim mesmo, com uma vaga esperança de retorno, com uma impressão de que foi só mais uma briga. Às vezes, ambas as partes ficam mal resolvidas, ora uma só. Entretanto, o que machuca mais que a percepção de ter sido “substituído” rápido demais, é a amizade que morreu ali, sem chances de sobrevivência. Aquela cumplicidade de ligar para ele às três da manhã e saber que ficaria tudo bem. Aquela certeza de que o abraço dela, não importa se o mundo acabasse, te faria sentir acolhido de novo aos olhos de si mesmo. Os segredos trocados ao pé de jacarandá, sua cabeça no colo do outro, apenas olhando o céu, tecendo planos em silêncio para um dia que jamais chegaria.

É muito difícil um amor se transformar em amizade. Fica uma mágoa de não-sei-quê, uma dor incurada, uma sensação de que nunca mais poderá olhar nos olhos do outro. É quase uma quebra de contrato, uma traição: a confiança, tão frágil, esfacela-se pelo piso em sua composição diáfana de fino cristal e, por mais que a cole, nunca mais será a mesma.
Ocorre, porém, por vezes, de uma amizade virar amor. Mas, quando acabar – e, vamos ser realistas, quase sempre acaba – a amizade não será mais aquela. É como se algo houvesse conspurcado, é quase como cometer um crime. Houve uma conivência, uma tal divisão de momentos que não cabe mais em uma amizade, mas, se não pode tampouco ser amor, fica simplesmente flutuando, sem nunca chegar ao céu ou ao chão.
É muito, muito difícil uma relação de amor terminar em amizade e muitos dizem que quando isso acontece é porque ainda há alguma coisa de parte a parte, pronta para renascer quando menos se esperar. Pode ser. Mas, pode não ser também. Amizade é a ambição do amor, pois está condenada de bom grado a perdoar, a doar, a ajudar sempre, a julgar quase nada, a amar acima de tudo. A amizade nasce antes da gente, é sintonia; quando verdadeira ultrapassa todas as barreiras e é o sentimento mais fraterno/materno/paterno, o mais nobre que nos envolve. A amizade é o amor elevado. Enquanto a paixão é mesquinha.
A paixão é possessiva, insegura, egoísta, pretensiosa. Sim, a paixão tem a pretensão de ser chamada de amor. Muito poucos já amaram sobre a face da Terra. O amor, antes de tudo, é para ser aprendido com amigos.

2 comentários :

Chico2010 disse...

Muito tocante seu texto. Bem verdade que nunca cheguei a concretizar uma relação amorosa com uma amiga, as vezes que tentei ficou no quase e felizmente a amizade foi restabelecida. Mas tenho muitas pessoas conhecidas que já passaram por isso e inclusive presencio nesse exato momento uma grande amiga metida num rolo com um grande amigo, e ambos confessando coisas a mim..rsrs
Já confessei outrora que por mais que eu tenha uma atração maior por alguém, nunca sei "chegar" a não ser para fazer amizade, e quando isso acontece reduzo consideravelmente as chances de desenvolver outra relação, e daí meu "encalhamento".
Mas de tanto pensar nisso e conviver com diversas experiências, cheguei à tese de que as pessoas podem aparecer por acaso, mas não é por acaso que elas desenvolvem algum tipo de relação conosco. Essa relação jamais será igual, e terá tempo determinado para acontecer. Todas as pessoas que passam por nossa vida tem um tempo certo, e quando se esgota esse tempo elas partirão, se afastarão mesmo que a distãncia física não se altere. Mesmo uma boa amizade tem esse processo, a cada momento conhecemos cada vez mais de nossos amigos, e é possível haver um afastamento repentino devido a decepções que podemos ter com esse amigo, ou uma aproximação cada vez maior de tão bem que essa pessoa pode fazer. Quando uma amizade vira amor, essa proximidade fica ainda maior, a ponto de enxergarmos todos os pontos fracos e por vezes deixarmos de tolerar muitas coisas. A intolerância é o que machuca e provoca o rompimento dssa relação e uma situação mal-resolvida que fica no ar. Chega-se á conclusão de que a paixão cegou, e que nossos olhos foram abertos. Eu mesmo me sinto até agradecido pela minha última vez que ,e apaixonei por uma amiga. Depois que caiu a venda da paixão eu pensei comigo mesmo: nossa, isso nunca ia dar certo.
Posteriormente fica esse vazio que é a carência dos bon momentos vividos que não voltarão misturados a uma mágoa indescritível. O coração segue a bater por aquela pessoa, pois foi por ela que ele sempre bateu e ainda não se acostumou à nova realidade. E enquanto não preenchemos de amor novamente esse vazio, esse sentimento permanecerá. O tempo não cura nada, somente o amor! E todas as relações, seja de amor ou de amizade, são metamorfoses ambulantes!!

Falei demais de novo...rsrsrs.

bjão, Kelly!! ótima postagem, como sempre...

Kelly Phoenix disse...

Esse post é um resumo do assunto, na verdade. Mas, você poderia fazer uma postagem no seu blog a partir desse comentário, Chico ;)

Postar um comentário