About my Blog

Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

domingo, 6 de março de 2011

15 anos de saudade


Todo dia 02 de março eu me lembro. Seria apenas mais uma manhã de minha infância, se não tivesse acontecido aquilo. E não há muito a discorrer sobre isso. Gostaria de falar mesmo – mesmo em poucas linhas -, sobre esse grupo eternizado na memória e coração de cada brasileiro, de cada criança e jovem daquela época. Até hoje, entre amigos, quando alguém puxa uma música do Mamonas Assassinas, mesmo os muito pequenos na ocasião de sua morte, cantam cada verso e vibram com a alegria de quem esteve lá cada momento. Os Mamonas Assassinas devolveram o entusiasmo, os sonhos, de toda uma geração. Acreditavam neles mesmos e transmitiam a sua luz por onde quer que fossem, jamais se deixando abater pelos problemas que todo mundo tem e pequenas coisas do cotidiano; foram e para sempre serão, sem dúvida, os melhores representantes que a juventude de qualquer tempo poderia ter.
Até hoje, o choro é visto como vergonha ou fraqueza, sendo reprimido e desencorajado; sendo feito às escondidas, no travesseiro, no chuveiro, sozinho. Mas, à época da morte que dizimou esses cinco seres incríveis, ninguém teve embaraço ou acanhamento em demonstrar sua dor ao se despedir dos amigos mais queridos que partiam. Ninguém represou as lágrimas machucadas, que vinham direto do coração de quem não entendia direito o que significava morrer; tudo o que se sabia, era que quem morria partia para sempre, que nunca mais voltava. Hoje, eu tenho mais ou menos a idade que tinham os meninos de Guarulhos e posso compreender apenas que eles eram jovens demais para morrer. Ir embora e levar com eles todo o encanto que tinham nos emprestado já era demais, mas, ir embora para sempre? Não, não podíamos aceitar, não podíamos entender, mesmo que fosse contra a vontade deles. Os adultos até hoje, são muito sem jeito para falar de certas coisas com crianças, e na escola, embora todos tivessem voltado às aulas um dia após o acidente com olhos lacrimosos, nenhum foi o professor que falou conosco sobre aquela dor. Nossos pais, por sua vez, eram também desajeitados por demais para entender o que nos ia no coração e, assim, por longos meses, encontrávamos apenas nos amigos, tão perdidos quanto nós, o eco da dor que não se fazia compreendida.
Os Mamonas Assassinas eram muito jovens para morrer, mas sua juventude não estava somente em seus rostos de vinte e poucos anos, mas em seus corações, seu brilho, sua alegria, a sua utopia de quem podia mudar o mundo. Até hoje não conheci alguém que não gostasse dos Mamonas Assassinas e também não conheci nenhuma banda capaz de transmitir o que eles transmitiam. Sua unicidade atravessou o poderoso tempo.
Dinho, Júlio, Sérgio, Samuel, Bento: onde estiverem, muito obrigado. Obrigado pelos dias inesquecíveis de exultação proporcionados a um país inteiro. Muito obrigado pela saudade que, nesse momento, me tolda a visão e faz lembrar com carinho e nostalgia os distantes dias parcos de minha infância. Muito obrigado por todos os sorrisos, pelas caretas – obrigado por terem podido existir em um mundo tão podre e miserável quanto o nosso!
Sinceramente, muito obrigado.

2 comentários :

Chico2010 disse...

Sensacional teu texto sobre Mamonas, parece de certa forma resgatar a infância. Devo ter comentado em alguma ocasião que eu ODIAVA Mamonas, justamente por ter sido forçado a odiá-los, e ainda assim não quero que meu pai saibda que escuto (e danço) Vira Vira no meu quarto.

Assim como outros nomes eternizados na música, os Mamonas são um clássico exemplo de que o que é bom dura o suficiente pra se tornar inesquecível.

Parabéns pelo belíssimo texto e pela já reconhecida capacidade de emcionar com palavras.

Phoenix disse...

(:

Postar um comentário