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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Não acredito em heterossexualidade



Dos anos 90 para cá, muito se tem falado sobre as variadas “opções” sexuais das pessoas, geralmente classificadas como hetero, homo, bi, assexuados, entre tantas denominações, e levando em conta poucos fatores de análise, enquadrando toda população em um único gigantesco grupo, como se a todos fosse dada a mesma criação, cultura, oportunidades, genética. Além dessa maneira de ver, a própria ciência arrisca-se em estudos sem nexo, tentando comparar um e outro ser, uma e outra espécie, partindo do pressuposto de que um determinado comportamento estaria ligado a um gene, capaz de condicionar o cérebro humano, ou que, através dos hormônios e a sua disposição, essa pessoa seria mais inclinada a gostar de homens, de mulheres, ou, quem sabe, de ambos.
Sem querer desprezar a ciência, mas já desprezando, e sem o velho ar professoral de dona da verdade – que não sou – gostaria de expor aqui as minhas próprias conclusões a respeito, embasadas em outras teses e observações, sopesando fatores antropológicos e científicos também, mas especialmente os metafísicos e individuais, pouco abordados.
Para começar, apesar de amplamente discutida nas últimas décadas, desde os tempos primórdios, a condição sexual do ser humano nunca foi definida pelo seu sexo biológico. Na Grécia Antiga, antes de Cristo, os meninos eram iniciados por homens mais velhos e o sexo com mulheres era considerado apenas para fins de reprodução. O homem era visto como um ser nobre e superior e, por isso, o prazer só era permitido entre iguais. A homossexualidade era uma cultura e vista com olhos naturais.
Antropológica e historicamente, o homossexualismo sempre se fez presente no ido dos séculos, porém por efeito das imposições da Igreja Católica, passou a ser encarado com o tom pejorativo que ainda preserva nos dias atuais. Por mais que se digam sem preconceitos, os bons costumes se negam a valorizar um beijo entre dois homens ou duas mulheres e, a nossos olhos, isso soa, no mínimo, estranho, uma vez que foge ao padrão de normalidade a que estamos acostumados. Ninguém quer ser aquilo que destoa da dita “normalidade”, de forma que a taxa de suicídios entre jovens do gênero masculino até 25 anos sempre foi maior – seria errôneo afirmar que em virtude dessa percepção em si? Entre as mulheres, o homossexualismo não parece digno de tanta polêmica e preconceitos e talvez visto como uma condição passageira.
Defendendo, entretanto, o título do artigo, não acredito em heterossexualidade. Todos negam, debatem-se, mas em algum momento da vida, já se depararam com a questão – seja em si, seja em alguém próximo – e se pôs a filosofar sobre todas as implicações da relação de afeto e ou sexo entre pessoas do mesmo gênero, e nessa hora percebeu que tudo que sabia era o que lhe falavam, vira na televisão, sem embasamento próprio ou convincente que o fizesse refletir sem conceitos pré-adquiridos inconscientemente a respeito do assunto em pauta.
A última geração não está mais vendo uma “barreira” – os que vêm agora, já vêm com uma cabeça mais arbitrária, menos engessada e não SÃO hetero nem homo nem bi – no máximo ESTÃO alguma coisa. Eles são menos ortodoxos em se deixar rotular e acreditar nisso como uma condição eterna, estão mais abertos a experimentar, a tentar e voltar “atrás” caso percebam que aquele não lhes pareça ser o caminho mais apropriado. Há ainda uma questão que deriva disso, que se trata da homossexualidade em sentido afetivo e da que se trata em sentido sexual.
Muitas pessoas preferem o mesmo sexo por razões fisiológicas – elas têm necessidade sexual de parceiro, precisam de sexo e é isso que as move. Muito é defendido que homossexuais são promíscuos, mas os ditos heteros, muitas vezes são flagrados em comportamentos bem mais lascivos e não incorrem em julgamento tão severo – não é utilizada a mesma régua de medição! Isso faz crer que tanto em um que se proclama como uma coisa quanto outro que se condiz com outra, encontram-se pessoas sérias e libertinas, profundas e superficiais, românticas ou concupiscentes. Existe ainda o homossexualismo afetivo, que se caracteriza como uma relação sentimental com o outro, tornando-se o sexo um complemento ou sendo ele até mesmo não levado em conta – diferente das paixões, que misturam sentimento e volúpia – visa-se um amor mais pleno, elevado, que sublima a pureza do sentimento.
A ciência defende ainda que o gênero bissexualidade é inexistente; estes, seriam homossexuais que não pretendem deixar a zona de conforto propiciada pelo respaldo de hetero, enganando-se a si mesmos e gozando de algum subterfúgio ante a sociedade. É um assunto que leva a tantos outros e, jamais, com verdades absolutas, uma vez que cada caso é um caso, que é muita pretensão minha ou da ciência ou seja de quem for tentar achar uma explicação plausível, a não ser, separar o tema em tópicos, analisá-los, refleti-los e assimilá-los, segundo o sistema de crenças e vivências de cada um.
Acredito que não podemos ver tais coisas – naturais – como são, devido ao que o padrão e a sociedade nos mostram que é certo; devido aos estereótipos construídos desde tenra idade em nossos inconscientes, dos quais não é fácil se libertar. Percebo que há pessoas que, em determinadas fases da vida, sentem inclinações e que nem sempre isso é determinante, embora as pessoas façam piadas, as mais diversas, dizendo que não existe “ex-gay” (e, acho que não existe mesmo, devido essa limitação auto-imposta da maioria de dificilmente se reinventar). Percebo que ninguém se classificaria mais, se se permitisse usar de toda a sua liberdade, levando em conta, antes de tudo, a natureza dos seres como pessoas, e não como gêneros sexuais. Somos todos dignos de amor e o sexo é apenas um pequeno aspecto desse sentimento. Um aspecto muito terreno e superficial, diga-se de passagem.
Por que duas pessoas se apaixonam?
Porque suas energias combinam. Quando isso ocorre, as pessoas sentem que se fundiram. As duas se transformam em uma só criatura. Normalmente uma das pessoas tem uma carência que a outra preenche sem que isso lhe tenha sido pedido. A combinação é automática e, pelo tempo que você permitir, o ser amado o encherá de energia e o fluxo do amor será muito maior do que quando você não estava enamorado.
(Deepak Chopra).
Para atingir evolução de nível pessoal, todos teremos experiências em corpos masculinos e femininos, constituindo, antes de ligações amorosas, ligações espirituais que, conforme sua força, ultrapassarão nossos limitados padrões de compreensão humanos. Por isso, antes de julgar uma relação homossexual, deve-se ter em mente que ninguém está livre de nada nem deve se achar melhor pelo que o padrão diz ser o correto. Não julgue. Cada um é livre para fazer o que bem entender. A energia sexual é muito forte, talvez a de maior responsabilidade para o ser humano. Controlá-la é um dom, que vamos treinando durante as sucessivas encarnações, dando as diretrizes de seu uso. Energia sexual é energia vital, que a vida nos deu para ser utilizada em outros campos de nossa etapa evolutiva. Utilizar essa energia no trabalho, nas relações com as pessoas, no nosso dia-a-dia, é um aprendizado que renderá muitos frutos bons no futuro. No plano espiritual elevado, em esferas muito mais adiantadas do que a nossa, os espíritos não têm sexo, a troca dessa energia é feita de outra maneira. Não há rótulos. Os espíritos têm afinidades e se relacionam intimamente através da sintonia da alma.


Sou contra o chamado “orgulho gay”, pois o mundo não tem que aceitar nada, quem tem que se aceitar é você. E cada um tem seu próprio tempo de reconhecer as diferenças. Mas, sou a favor do amor livre, que exalta o sentimento de amor, e não de promiscuidade. Amor e sexo não são a mesma coisa, você pode amar alguém sem sentir-se atraído sexualmente por ele (a), e vice-versa.
Não olhe as coisas como parecem ser. Vá mais fundo, olhe com os olhos da alma. Aprenda a não julgar o que não consegue entender. Não estamos em ciência das nossas ligações afetivas e estas, quando verdadeiras, são como torrentes de água, que passam por cima de tudo, pois é o que temos de mais puro e forte. Não tente entender nada, não aceite nada que não condiga com a sua verdade. Ser fiel a você mesmo é o único jeito de ser digno verdadeiramente e o único caminho que jamais levará ao arrependimento.

4 comentários :

Phoenix disse...

Nossa, como vc tá gatinho *.* Rsss, caso sim kkk' Bem, quanto ao texto, eu digo e repito que condeno a promiscuidade. A carência ou insegurança que faz as pessoas se refugiarem no sexo, isso é algo que eu realmente critico. Mas, cada um cada um. Nem todos têm discernimento, acham que estão "aproveitando a vida". Fico feliz que vc não seja mais um. Beijo grande, Mau =** saudade!

Chico2010 disse...

Incrível como a sociedade sempre soube condenar o homossexualismo...e não adianta haver leis liberando a prática, a propria mídia trata de ridicularizar quem aceita viver de forma mais diferente e mais livre, considerando o amor verdadeiro algo acima de todas as coisas. O homossexualismo existe desde o princípio dos tempos, sempre ligado à promiscuidade, a única coisa realmente condenável. Por esse motivo, sou a favor da LIBERDADE, independente das escolhas de cada, só não aprecio a promiscuidade em nenhum dos casos. E mais uma vez seu texto expressa direitinho o que penso e traz pontos de vista ainda mais ampliados.

ótimo post =D

Diga Sim Pra Mim disse...

Post interessante, nao sabia dos Gregos rsrs achei bacana...
Parabéns

Phoenix disse...

Obrigada.

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