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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

terça-feira, 1 de março de 2011

Seu brilho


Brilho. Todos temos. Alguns, fosforescentes; outros, quase apagando. Mas, todos possuem seu brilho.
Seu brilho pode estar na sua energia ou nos seus olhos. Na maneira como você abraça ou sente. É particular e sutil, mas mesmo os invejosos o percebem. Os invejosos são aqueles que esqueceram o próprio brilho e seguem apoiando-se nos dos outros.
E daí se ela é linda e dança muito bem? Se isso te importa, vá aprender a dançar; se o cabelo dela te incomoda com sua beleza, cuide do seu!
Ah, eu nunca terei o talento dele...!
E não terá mesmo, ainda bem que admite. Se fosse pra ser seu, o teria, mas se quer pelo menos aprender o que ele sabe, depende só de você. Ofuscar-se com o brilho alheio é negar o próprio.
Perde-se um longo tempo da vida querendo coisas sem lutar por elas. Jamais se compare. Sempre temos tudo o que precisamos. Se o brilho de outrem tiver de movê-lo, que seja para o alto. É natural buscarmos sempre o melhor. Almejarmos o que é bom para nós, sentir inveja ou admiração. Mas, aí é que está! A admiração é a “inveja boa”. Você procura se melhorar, inspirado em um exemplo. A inveja que se sente como se fosse injustiçado é um erro e a religião dos medíocres. Ela os reconforta, responde às angústias que os devoram por dentro. Em última análise, apodrece suas almas permitindo que justifiquem sua própria mesquinhez e cobiça, até o ponto de pensarem que são virtudes e que as portas do céu se abrirão para os infelizes como eles, que passam pela vida sem deixar outro rastro senão suas toscas tentativas de depreciar os demais, de excluir e, se possível destruir quem, pelo mero fato de existir, coloca em evidência sua pobreza de espírito, de mente e de valores.Não tolde seu brilho, pula-o todos os dias!
E polir o próprio brilho é tão simples...! Colocamo-lo em relevo quando somos sinceros, íntegros, quando admitimos que não sabemos ou, mesmo sabendo, não fazemos caso de colocar em um outdoor. Tem coisa mais ridícula que a auto-afirmação? Aquelas pessoas que querem provar ao mundo que são melhores em tudo o tempo todo! Pagam de ser a mais especialista ou mais entendida ou mais informada da roda... Isso soa como pura insegurança (ou inverteram o nome?). Legal mesmo é quem divide seus conhecimentos – e o seu brilho! – na hora adequada, é bem resolvido e não sente a necessidade de ficar demonstrando nada a ninguém por genuíno exibicionismo. E o que é que se ganha com isso? Admiração apenas de tolos. Ninguém é superior a ninguém.
Queremos sim, ser melhores, e quem não quer? Mas não podemos querer ser melhor que os demais, isso nos faria muito, mas muito diferentes mesmo. O ego giraria em torno do umbigo, a arrogância nos faria crer na inverdade da nossa superioridade; nossa visão turvada nos faria achar que somos o máximo e muitas vezes, passaríamos por ridículos diante dos mais experientes ou mais sábios que nós – que simplesmente não nos exibiram seus conhecimentos. E ser o melhor é isso: ter a si mesmo como referência. Pois para comparar-se a outro, é preciso comparar também cada pedaço do caminho que o fez chegar até ali, o que nunca é uma disputa equânime.
E como saberemos se nosso brilho repercute? Bem, tampouco isso é problema nosso. O interesse não é o que os demais vão achar da jóia, mas cuidá-la, como uma planta que precisa ser regada, sem termos certeza de como isso vai influenciar na natureza como um todo. E o brilho é natural e espontâneo, é puro e limpo, não é forçado. Auto-afirmação, arrogância, desfile de conhecimentos descartáveis em horas inapropriadas... Tudo isso mancha o seu brilho. Obscurece-o, inferioriza-o, o diminui. Brilhar é natural como respirar quando você aprende que todos têm pulmões.      

2 comentários :

Chico2010 disse...

Reuniste mais uma vez todos os conceitos que eu tinha flutuando em minha mente e nunca tive capacidade semelhante de expressar em palavras. Encontra-se nesse pequeno texto uma execelente definição de inveja, ao mesmo tempo em que cita a necessidade que parecemos possuir de brilhar mais do que o outro, quando na verdade precisamos saber intensificar cada vez mais nosso próprio brilho todos os dias. A inveja é característica de um mundo onde as pessoas preferem acreditar que a culpa de seus fracassos está no outro ou no fato de ter nascido com menores capacidades e sido injustiçado.

Mais um belo texto...

bj

Kelly Phoenix disse...

Que bom que vc sempre interpreta mais ou menos o que eu quero dizer; pois a partir do momento que o texto é postado, a interpretação é livre!
Obrigada.

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