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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Além do meu mundinho


Um coração retrógrado e uma mente revolucionária. Não sou desse mundo, tenho cada vez mais certeza disso. De retrô, aquele velho gosto por músicas, relacionamentos, sentimentos do passado. De valorizar o simples, de amar alguém de verdade, de ouvir algum som que realmente valha a pena, de ser amada. Some-se a isso a vontade de fazer algo, o amor incontido, o sentimento profundo, a vontade de ter mil braços para abraçar quinhentas pessoas ao mesmo tempo, de fazer a diferença na vida de alguém e não por puro interesse... Os governos não estão interessados no bem da humanidade, poucos nesse mundo enxergam além do dinheiro. Se existem países onde os problemas sociais foram praticamente erradicados, por que não estender essa ajuda aos irmãos de outras pátrias? É tudo no ego. Pais só auxiliam seus próprios filhos (nessa questão, melhor não entrar no mérito; mas a ilustração seria: um gerente que contrata um jovem de 18 anos e tem um filho de 24 não vai tratá-lo como seu filho. Não vai questionar que sua filha possa ter toda assistência até ter 29 anos e um diploma de mestrado e aquele jovem de 18 mal receba para comer. Vai achar caro dar um aumento de cem reais para ele, mas a festa no final de semana para o seu filho pode custar $450 sem problemas). Uma pessoa passará talvez metade de sua vida trabalhando para alguém, fazendo esse alguém prosperar, enquanto ganha um salário. O dono da empresa passará o dia coçando o cu e seu filho que também só sabe coçar o cu herdará a empresa. Capitalismo selvagem. Animais morrendo para satisfazer caprichos de madames; pessoas com frio e lojas queimando o estoque de roupas que sobrou... Ninguém vê o outro como uma extensão de si; as pessoas sistematizam tudo: isso é relação pai-filho, isso é relação patrão-empregado, isso é relação professor-aluno. Os papéis já estão determinados, ninguém pode mudar nada, afinal, está convencionado que namoro é namoro. Aliás, quem convencionou que após o casamento tem que ter lua de mel? Imagino que nos dias atuais, em 0,1% dos casos há algo a ser desvendado. A maioria opta por uma viagem, um lugar que nunca foi, assim desvendará alguma coisa [sic].
Quem convencionou que tenho que beijar o meu namorado a cada encontro, que temos que sair de mãos dadas, ir a festas e dançar e um monte de coisas que nem sempre queremos? Quem convencionou que amigos não podem dormir na mesma cama, sem maldade; que se ele não me convidar pro aniversário, não sou tão importante pra ele; que dois rapazes não podem dizer ‘te amo’ na amizade mais pura? Poxa, tudo é tão estigmatizado, um modo de ser e pensar aprendido e não questionado (será que é porque na escola, quando a gente perguntava todo mundo olhava, principalmente se tava perto do recreio ou da saída e ninguém queria nada com nada? Aí eles olhavam com uma carranca, querendo tolher a gente? Será que é porque temos a limitada idéia de que o professor sabe tudo e não ousamos olvidá-lo?); um mundo cheio de seres pela metade! Abole-se a parte masculina da mulher, passa-se por cima da parte feminina do homem e viram um bando de selvagens! As pessoas não têm coragem de ser elas mesmas. Precisam agir de acordo com os outros, Maria, sempre a Maria vai com as outras! É um mundo onde metade não tem discernimento e um terço não tem senso crítico. E os poucos que têm ambas qualidades visionárias não encontram muito como agir, sendo repudiados, nem sempre atingindo posições onde poderiam fazer alguma coisa, sendo incompreendidos e não apoiados. São palavras que eu gravo hoje sendo considerada em certo grau de loucura e daqui 150 anos ainda farão sentido.
Fico pensando: se eu, com minha limitada visão me sinto assim em pleno século XXI, como terão se sentido os gênios de verdade há uma porção de séculos; imagine você o Leonardo da Vinci, o Shakespeare, os grandes filósofos Platão, Sócrates, Aristóteles... Eram literalmente ETs num mundo de egoístas; anciões em um jardim de infância e imagine também quanto teremos de caminhar para chegar perto deles... E é isso que estafa: embora amebas querendo ser gente, poucos saem disso, tentam ser melhores, nem que seja com eles mesmos ou deixando filhos melhores para o nosso planeta. Olha o que temos: um monte de merdas coloridos sem um pingo de senso crítico, sem inteligência, sem objetivos e sem noção. Acham-se o máximo, chamam os outros de caretas, cafonas, mas não passam de bestas com um rostinho bonito e a genitália exposta. Herdam fortunas, seguem cagando para os seus iguais, vivem de prazeres momentâneos, fogem nas drogas e festas, jamais se conheceram, não sabem quem são de verdade e nem têm interesse nisso. Não lêem – a não ser o horóscopo, as fofocas dos “artistas” ou as legendas da Playboy – descuidam da própria saúde, jamais ouviram a história dos pais e muitas vezes são estranhos até mesmo para seus irmãos, que podem até ter idade semelhante à deles. Sim, é para eles que estamos deixando o planeta. E eles, por sua vez, os deixarão a quem? Aos filhos espúrios tidos aos 16?
Deu estafa por aqui também. Escrever pra quê, né?  

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