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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A mulher moderna


O papel de Amélia hoje em dia não causa mais nenhuma ambição nem sossego nem comodidade nem coisa nenhuma. As ascensões pessoal e profissional são de muito mais valia e em cenário um tanto nebuloso, até mesmo o papel de mãe é terceirizado.
Com a revolução sexual dos anos 60, não há mais uma necessidade de se reprimir e o papel feminino nas relações amorosas passou a ser mais livre. Caiu aquele véu de “mulher falada”, “galinha” para um melhor desenvolvimento como ser humano, sendo que agora a mulher pode se experimentar em vários relacionamentos e descobrir a si mesma. O problema dessa desconstrução tradicional reside na criação machista que continuam propiciando a seus filhos e na forma como muitas confundem essa liberdade de amar com ‘amor livre’.  Amor livre pode ter dois significados: amar quem desejar, independente de gênero ou o sexo livre, para o qual alguns também utilizam a expressão. E a própria mulher tem-se visualizado como objeto sexual antes de qualquer coisa – agora ela seduz, os aspectos exteriores são mais importantes que tudo. Descobriu-se tal poder nessa beleza fabricada, nessa maquiagem de uma formosura inexistente com padrões quase inalcançáveis, que foi dispensada a cultivação das virtudes que poderiam fazê-la amada – especialmente por si mesma. Com rosto de boneca e cabeça oca tal qual elas, além daquele argumento de que poucos homens realmente valem a pena, elas desvalorizam a si próprias, não se preservando de relacionamentos superficiais, priorizando sensações carnais e levianas, desacreditando do sentimento verdadeiro. O engraçado é que no fundo toda mulher (ou deveria dizer todo ser?) sonha ser amada e viver uma relação romântica “perfeita”, porém busca isso em lugares onde o máximo que vai encontrar é prazer para uma noite, com pessoas igualmente iludidas com aparências e frivolidades.  Assim como homens sensíveis, românticos e dedicados (eu sei que se pedir, além de tudo bonito, vai ser gay, por isso não peço, ok) são algo tipo tirar um esparadrapo de uma bexiga com uma agulha sem furar, as mulheres que os merecem também estão cada vez mais raras – e aqui nem entro no mérito de enquadrar pessoas, mas comportamentos.
A adolescência é a prova dos nove para desenvolver a maneira como iremos vislumbrar as relações a dois na fase adulta e este vislumbre tem sido construído cada vez de maneira mais desequilibrada. Não se tem mais atitude nem personalidade; infantilizaram-se de tal forma as sugestões para esse público que parece apetecer a todas as mídias que os jovens são retardados. Eles não têm mais opinião, são tendências e são incapazes de dirigir a inteligência para o questionamento e a diligência das próprias escolhas. Como nem todos se enquadram nessas modinhas sequeladas, aqueles considerados diferentes sofrem constrangimentos e pressões e graves decepções nessa fase tendem a enraizar-se inconscientemente vida afora. A psicologia não explica tudo, mas já demonstrou como uma rejeição aos treze anos pode transformar um garoto atípico em serial killer de líderes de torcida aos vinte e sete. Tá bem, não sejamos tão dramáticos. Entretanto, como exigir mais dessas bestas que assistem “Malhação” ou outras porcarias, onde o preconceito e a exclusão são disseminados? Casualmente, peguei parte de um capítulo esses dias onde uma menina ridicularizava a outra por ela ser “BV”. A partir disso, esta segunda garota ficava preocupadíssima em não ser o assunto de sua sala de aula, passando a procurar um garoto qualquer para ficar e deixar de ser boca virgem. Detalhe: elas tinham 13 anos. Qualquer menino servia, não importava o sentimento, não importava o desejo dela, importava que tinha de beijar alguém e deixar a fama de nunca ter beijado. E também era nerd. Meu Deus, nerd e Bv.  E aí, como ficamos? Com um lixo desses sendo privilegiado na porra do canal mais assistido no Brasil e ainda por cima considerado normal e saudável, que cultura de relacionamentos esperar dessa juventude bestializada, seja de homens ou de mulheres? Isso explica a visão que não só mulheres têm e o descomprometimento com que namoros são vistos nesse século. As pessoas querem ter alguém para dormir de conchinha; as mulheres sonham com quem lhes mande flores no dia dos namorados e marejam os olhos ao assistir um romance açucarado, mas intimamente crêem que isso nunca sairá das telas. Saem para beber e “curtir”, transam na mesma noite, trocam baba com qualquer um e esperam que o telefone toque no dia seguinte. Não, não defendo essa gama de homens igualmente lascivos, não acho que estão no direito deles. Mas, lembro que esses homens só mantém esse padrão de pensamento e comportamento porque há tempos são estimulados; porque foram ensinados pela própria mãe a pensarem e se comportarem assim. Ele sabe que se não pegar uma essa noite, é só dirigir-se a outra, do lado; sabe que isso é incentivado socialmente e o fato de você ser difícil não vai atraí-lo, mas meter-lhe medo. É como se a máxima “o que é fácil não tem graça” não valesse mais; as maçãs do topo estão apodrecendo, não serão buscadas; as mulheres poderosas assustam e espantam; as que têm personalidade, então, Deus as guarde!, são evitadas a todo custo, o padrão de macho tem que ser mantido e lamentavelmente esse sistema de crenças é alimentado pelas próprias mulheres.
Acredito que o fato da profissionalização feminina seja sim, uma grande conquista, uma conquista, porém, de deveres, não de direitos. Embora relutemos em assinalar, os cargos de chefia entre mulheres são menores; os salários para mesmo cargo são inferiores; os homens não se acham responsáveis pelo serviço de casa e pela educação dos filhos e tudo isso só causou o dobro de trabalho, com jornada na rua e em casa. Então, qual a vantagem, afinal?
Em conclusão, penso que as mulheres modernas perdem muito mais do que ganham seguindo o que a sociedade dita melhor para elas, seja trabalhando fora ou ficando em casa; seja sendo liberalista sexual ou moça pra casar. (Aliás, casar com quem, se não há homem que preste?) Uma mulher só será moderna o bastante quando, ao invés de seguir os ditames, seguir a própria cabeça, ter uma cabeça própria, artefato que anda em falta na sociedade de hoje. A partir disso, certamente, ela jamais será contestada em suas decisões, nem por seu coração nem por ninguém, pois fatalmente estará fazendo a coisa certa.

4 comentários :

Daiane Fernandes disse...

Oiii

Nós duas refletindo sobre as mulheres:
http://www.lalocavidalavidaloca.blogspot.com/

Tivemos mais ou menos a mesma conclusão, de que a mulher de hoje precisa fazer o que é melhor para ela sem se preocupar com o que é ditado por aí como fórmula obrigatória ou até mesmo se preocupar menos com o homem. Simplesmente ser mulher...

Beijo!

Phoenix disse...

Oi Daia, bem-vinda! Reflexões e reflexões... já to indo lá ler teu texto ;D
Volte sempre! bjO

@chico_cxs disse...

SENSACIONAL SEU TEXTO...identifiquei ali algumas idéias que futuramente eu colocarei num posto, juntamente com outras que já apresentei no meu blog, em especial no post "Mulheres para uma vida toda". Conver´savamos sobres esse assunto hoje em aula, na apresentação do nosso trabalho. Sua concepção de mulher moderna beira a perfeição: não é mais Amélia, mas se submete demais a tantos outros infortúnios, e atualmente o panorama é esse, as mulheres modernas casadas se dividem em muitas para atender o lar e o emprego, se dividindo em várias e sem ter reconhecimento, sendo cadasa com um oogro que não ajuda em casa, e só quer saber de sair, beber, jogar futebol e outras. Os filhos homens da mulher moderna estão sendo criados para futuramente serem ogros também. E as mulheres solteiras e modernas sonham com o príncipe encantado, mas só sabem beijar os sapos!! A questão machsita e patriarcal ainda é muito forte, mas isso vem mudando aos pouquinhos. Creio que em breve a mulher ocupará na sociedade a posição e o mérito que merece. Mas elas que tratem de não dar barda a seus ogrinhos, pelo menos minha mãe agiu assim...rsrsrsrsrs

ótimo texto!!

bjooo

Phoenix disse...

Como sempre, seu comentário enriquece meu point of view *-* Beijos!

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