About my Blog

Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Epístola a um amigo


“Eu não faço idéia de quanto tempo isso vai durar, não faço idéia de tudo o que você está sentindo nesse momento, mas te compreendo. O tom dessas palavras será de despedida. Eu também não sei o que vou fazer de agora em diante, pois sinceramente eu nunca acreditei no ser humano, mas ainda acreditava no amor verdadeiro... agora, nem mais nisso estou crendo bem...”
Escuta, as palavras estão se atropelando na minha cabeça. Mas, em primeiro lugar, você está fazendo igualzinho outras pessoas que passaram pela minha vida: querendo colocar a responsabilidade dos seus sentimentos sobre mim. O amor não é divisível como supomos: "amor de mãe, de filho, de irmão, de namorado...". Usamos destas classificações para explicar com mais facilidade um sentimento único que nos acomete de várias maneiras e varia apenas em grau e intensidade. Quando você fala em amor verdadeiro neste trecho, parece falar que a humanidade inteira não merece ser amada, quando na verdade você acha que as pessoas as quais amou não mereceram o sentimento. Sinto-me, sim, responsável até certo ponto por ter cativado o que quer que seja em você, pois "somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos". Mas, em nenhum momento eu fui além da nossa amizade, nem dei qualquer alento e te peço desculpas se você interpretou assim. Veja bem, eu QUERO CONTINUAR SENDO SUA AMIGA, eu não disse que dispenso sua amizade; eu sou grata por tudo que tenho e os amigos especiais incluem-se na minha gratidão; porém, não posso corresponder mais que isso; quando digo "te amo" é tão fraterno quanto falar isso pros meus irmãos; e posso afirmar, infelizmente jamais vai passar disso pois eu me conheço o suficiente para poder dizer: comigo esse negócio de "o tempo pode fazer vê-lo com outros olhos" não funciona...
Pois bem, chegamos aqui a outro ponto que gostaria de abordá-lo: Por que isso te incomoda tanto? Por que o fato de não ter uma namorada ou não ter sido amado por uma faz com que se importe dessa maneira? É alguma auto-afirmação? Você precisa disso para dizer a você mesmo que você é digno de amor, que vale a pena? Pare! Você não é um pobrezinho! Você não precisa de ninguém, só precisa de si mesmo, PÁRA!
          Você entende que estou te "dando bronca" como uma amiga, como alguém que se interessa por você? Que estou te alertando de algo que talvez você ignore? Já se perguntou por que liga tanta importância para "um amor"; "uma namorada"; já percebeu como você sempre critica outros caras que são insensíveis e bestas e isso e aquilo e têm namoradas incríveis? Por que você se inferioriza diante deles? O que te faz sentir que são melhores que você? Você sabe. Você sabe que é o seu sentimento que te inferioriza, te coloca abaixo deles e não nenhuma situação - sua infância, sua adolescência, suas espinhas - isso, pode, no máximo, contribuir. Você não precisa de uma namorada para se amar. Você tem que aprender isso sozinho. Você também não pode se apoiar nos amigos e amigas. Estamos aqui para te ajudar, contribuir, trocar ideias, experiências, tudo isso que já viemos fazendo, mas não para uma muleta de carências, não para você fingir que num belo dia tudo vai ficar bem. Não... E eu estou torcendo de coração para que o que eu estou falando seja um puxão de orelha carinhoso... Eu não estou me queixando das suas próprias queixas. Não estou reclamando das suas confidências ou lamúrias. Eu sempre te ouço, isso não vai mudar. Eu só quero que VOCÊ MESMO escute o que me fala... Eu só quero que VOCÊ MESMO preste atenção ao que me queixa como falta de sorte... Você não é vítima. Ninguém é. Todas as coisas estão aí, em você mesmo. E simplesmente a sua preocupação em achar uma garota que te ame incondicionalmente, te aceite e o queira para namorado só se mostra infundada, uma vez que VOCÊ precisa se amar, precisa pegar aí dentro o seu âmago e perceber o quão especial você é...
Sensação de desperdício de vida? Por não estar namorando, beijando, festando? Para que se importunar com coisas tão superficiais quando podemos ser tão profundos? E se a sua missão não for ao lado de alguém? Para que se importar tanto como algumas coisas que, entra vida sai vida, sempre teremos a oportunidade de tornar especiais?
 
Você me faz então uma lista de agradecimentos imerecidos. Amigo, eu jamais fiz nada! Não, meu anjo, não! FOI VOCÊ QUEM FEZ! Foi você quem teve dignidade e amor próprio para atrair pessoas na sua vida; foi você que encarou velhos sonhos e resolveu realizá-los; foi você quem sem saber como quebrou alguns padrões de pensamento e mudou tudo à sua volta. Não fiz nada! Nada mesmo, não estou sendo humilde. Foi você quem fez tudo e só você é o responsável por continuar fazendo; só você tem o poder de atuar sobre a sua própria vida e escolher o que é bom e ruim pra você. Então, por que não sair desse estado melancólico e tecer a mesma lista de agradecimentos, só que a você mesmo? Agradeça sua existência; o fato de ter "merecido" nossas visitas; sua inteligência que atraiu pessoas inteligentes; seu paladar, que pode sentir o gosto da goiabinha, agradeça. Agradeça a você, agradeça o seu passado, agradeça as amizades que conquistou e atraiu; agradeça até o que não deu certo - pois não sabemos se não vai acontecer uma grande tragédia no Rock in Rio da qual não devemos estar presentes. Agradeça, porque a gratidão é muito boa; ela faz com que atraiamos sempre mais na nossa vida.
E se conseguiu chorar, que bom! Mas, lembre-se, mais uma vez: você não chorou por mim, chorou por você mesmo; você pode ter ficado triste por mim, mas antes ficou por você mesmo. Todos somos assim. Difícil admitirmos e até mesmo percebermos isso. E depois, faça algo por mim e por você: vá lavar esse rosto que a vida lá fora segue, o sol está brilhando e esperando você dançar...
Peço desculpas se em algum momento minha sinceridade me obrigou a ser ríspida, mas não posso permitir que você continue se enganando com visões incipientes. Ninguém passa por nada em vão e ninguém faz nada a ninguém - somos nós que nos magoamos, ofendemos e sofremos com as ações alheias, sem compreender que cada um age de acordo com sua maturidade espiritual e não existe o que chamamos de certo e errado. Tudo é uma escolha, feita agora ou lá atrás; nada nos acomete sem ter razão de ser e só sofremos quando já temos discernimento suficiente para pensar e agir diferente, mas continuamos nos prendendo aos velhos padrões que não mais nos acompanham. 
Se não deu certo, não era pra ser e vamos aguardar os acontecimentos com coragem e confiança. Mas, se pudesse te dar um conselho agora, só um, seria: jamais se entregue aos outros. Jamais coloque o poder no outro. O poder está em você. O outro é apenas seu irmão, seu companheiro de jornada. Ele não está ali por você. Se se queixa que ninguém se importa com o que sente, é que você mesmo desprezou seus sentimentos. Queixar-se que não se importam com o que sente já constitui em egoísmo, pois você já está se importando... Já está querendo o próximo com o interesse de que se importe com você. Não devemos esperar nada, nem gratidão.

0 comentários :

Postar um comentário