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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

terça-feira, 14 de junho de 2011

É mais fácil amar o belo


No grego, technè seria a beleza pela utilidade. Mas, falando bom português, mesmo quando já possuímos discernimento e senso crítico para não nos deixar levar apenas por aparências, é mentira dizer que não é mais fácil admirar o belo. Olhar para o feio não é agradável aos olhos; nos exige flexibilidade e compreensão e nem sempre estamos dispostos a doá-los. O que estou falando? De desejo. O amor real não vai questionar, mas o desejo nem sempre anda com o amor. Por exemplo: para amigo, não olharemos credenciais de beleza física, “química”, mas sentimentos como respeito, carinho e confiança.  Já para namorado (a), temos alguns “requisitos” na cabeça ou no coração, talvez predeterminados por outras pessoas às quais já nos envolvemos, ou ainda outros fatores. Tem cara que não gosta de mulher alta; tem mulher que não curte homem de bigode; para os menos exigentes, tem que ser pelo menos bonitinho (a) ou não exorbitantemente feio. Agora, quando se trata de um filho, ninguém resolve não amar porque ele nasceu moreno ou porque ficou gordo ou careca ou baixinho... Simplesmente se ama.
Uma pesquisa observacional em uma creche apontou que as professoras tinham mais paciência com as crianças consideradas bonitas do que com as consideradas feias. As crianças bonitas também eram atendidas primeiro e tinham maior tempo despendido ao seu atendimento. As professoras se irritavam mais rapidamente com crianças feias chorando e não tinham a mesma paciência em consolá-las. Estudei isso no meu primeiro semestre de Psicologia.
É mais fácil lidar com o belo também porque somos treinados em um padrão de beleza. À primeira vista não é possível fazer uma leitura da alma do outro e por isso, muitos são excluídos sem sequer uma chance de serem apreciados. Os filmes mostram garotas lindíssimas, de corpo escultural; ora sensíveis e vestais, ora apenas normais, mas sempre lindas. Os homens são bonitões, bem resolvidos, inteligentes e mal sucedidos no amor. Mas, veja, eles sempre são belos! (Exceto em “O amor é cego”, mas por isso se chama comédia romântica). Então, nenhuma adolescente cheia de ilusões vai se imaginar com o gordinho ou com o nerd da escola; os garotos sempre preferem as gostosas e quentes, mas nenhum deles têm o cuidado de perceber que, além disso, não são fornecidos outros ingredientes para aquele romance... E na vida adulta, os protótipos aprendidos continuam, tornando difícil olhar para o que não é belo, aceitá-lo, desejá-lo e, por fim, amá-lo. Sempre queremos o melhor design de carro, celular, roupa; a pessoa que mais atrai os olhos e o chocolate que mais dá água na boca é o que tem a embalagem mais chamativa. O belo é fácil de querer porque é competido, visado, invejado. Todo mundo vê e é como se o mundo fosse uma imensa vitrine onde aquilo que é feio não chama a atenção.
- Olha, a Mariazinha tá pegando um gatão...
- O Adelaide tá saindo com aquela gostosa...
Ninguém quer ser associado ao feio. Todos colocam a foto mais bonita em suas redes sociais; todos concordam que beleza e felicidade não combinam com feiúra e pobreza, nem que seja somente nas fotografias. Há um inconsciente coletivo que acredita nisso e mesmo quem não possui senso estético sabe quando está contemplando algo que é belo ou que não o é.
Claro que, à medida que conhecemos uma pessoa, firmamos amizade ou coleguismo com ela, nada disso é levado em conta. Afinal, o que importa de verdade é invisível aos olhos, mas nem sempre isso é lembrado ao primeiro contato. Os julgamentos e rejeições são feitos automaticamente, não é um processo cônscio. Entretanto, é sempre bom lembrar que para quem ama o feio, bonito lhe parece e, que, o que não agrada aos olhos, às vezes, é caro ao coração.

6 comentários :

Daiane Fernandes disse...

Bela reflexão. E é verdade, hoje vivemos na sociedade da ilusão, em que as pessoas preferem a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser... logo, estão fissuradas no belo, dão valor a uma imagem cuja coisa pode ser (e na maioria das vezes é) bem diferente.

Phoenix disse...

Oi, Dai, obrigada por comentar! Tentei comentar o seu texto sobre sociabilidade, mas estou com problemas para comentar em todos os blogs que eu leio, inclusive o meu próprio, mas nele eu sempre dou um jeitinho... Nesse texto "Sociabilidade" vc conseguiu traduzir em poucas palavras algumas coisas que vêm se solidificando em nossos tempos. E, infelizmente, não vai ser fácil nem rápido de mudar... Mas, podemos sempre fazer a nossa parte e isso já é uma grande contribuição. Parabéns pelo texto e obrigada pela visita!

Shi disse...

Olá Kelly!
Este teu texto me fez refletir mais sobre essa coisa de Beleza e tal..
Vejo que hoje em dia nem é só nas 'namorâncias' que a coisa anda ruim, pra fazer amizades também já é "solicitado" requisitos de beleza física. E isso vem corrompendo muita gente por aí.. Afinal, viver sem amigos é complicado. Aí muita gente fica no desespero e parte pra modinha entende?!

É bom ver saber que ainda existem pessoas que pensam de uma forma diferente da maioria, nesse caso. ^^

Parabéns novamente pelo blog, sempre estou acompanhando as novidades! =}

Phoenix disse...

Obrigada, querida! Infelizmente, as aparências sempre ditam as regras para quem tem cabeça fraca. Também acompanho seu blog, pena nós duas sermos um tanto tímidas quando nos vemos pessoalmente hehe..
Beijão, moça, obrigada por acompanhar o blog ;D

tatti disse...

Legal seu post.
Aparencia é só aparencia. Mas é como vc mesmo disse é mais facil desejar o belo, pelo menos na juventude quando não se tem maturidade o suficiente para dar valor as coisas que realmente importam.
Não adinta, o belo chama a atenção, o belo inspira, o belo é o belo. É uma frivolidade, eu sei, mas o ser humano é movido por beleza.
Faz isso de forma inconsciente vc vê que até entre as crianças, como vc mesmo diz tem estudos que comprovam que professoras do jardim são mais atenciosas com crianças bonitas e eu já li tbm que os bebês mais belos são mais bem cuidados pelas enfermeiras neo-natais!!!!
É absurdo. Mas é humano...

Kelly Phoenix disse...

Obrigada pelo comentário, Tatti. De fato, mesmo de forma inconsciente, é assim mesmo que a maioria de nós age...

Volte sempre!

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