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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

domingo, 26 de junho de 2011

Medo

     Quem são as pessoas mais famosas e bem-sucedidas que você conhece? São os cantores, atletas e empresários famosos? Você acha que, por terem atingido um certo nível de fama, fortuna e poder eles não sentem medo? Que eles não temem o dia em que a fama acabar? Ou de ficar velhos ou perder suas posições?
Todos têm medo. Medo do mundo, medo de suas próprias fraquezas e do vazio em suas almas. Medo do outro, medo de se traírem, de mostrarem ao próximo quem eles são de verdade. As pessoas amontoam-se em seus pequenos cantos, protegidas por suas próprias convicções, valores e preconceitos. O medo faz uma sociedade inteira procurar um bode expiatório para sua miséria; a maioria das pessoas vive em um desespero silencioso. Pessoas têm medo de viver e medo de morrer. Seus medos são mais fortes e falam mais alto que seus ideais e, sendo uma soma de seus preconceitos, elas temem o futuro porque têm pavor de mudanças e hoje as coisas mudam o tempo todo. Têm medo de uma sociedade que está mudando depressa demais! Por causa disso, isolam-se em grupos que compartilham os mesmos gostos e as mesmas aversões, falsamente seguras, argumentando como proteção o que, muitas vezes, não passa de ineptidão em tolerar. Os homens são prisioneiros porque seus espíritos estão acorrentados a seus próprios egos. Transformaram o planeta numa enorme comunidade ligada por satélites, aviões e comunicação instantânea, mas eles se debatem em relação a suas diferenças ao invés de se unirem em torno do que têm em comum. Reúnem-se em grupos vendo virtude e justiça apenas em suas próprias necessidades, crenças e desejos. A humanidade construiu uma grande aldeia interligando milhares de tribos diferentes, mas o homem se isola um do outro. Suas invenções, seus confortos e suas conquistas trazem apenas um alívio temporário para seu vazio.
O medo apaga o espírito. Quando você teme, você não consegue experimentar ou evoluir, você apenas fracassa. O medo paralisa nosso maior dom, o livre-arbítrio, incapacitando-nos de fazer escolhas. A violência é o resultado do medo que temos do outro. É esse medo que impossibilita a distribuição justa da riqueza da Terra. Por que uma nação teme que outra fique “por cima”? Não precisamos de um novo modelo de carro. Precisamos de estradas, de escolas e empregos. Já tentou imaginar o mundo com todas as suas barreiras econômicas, sociais e culturais derrubadas? Por que uma religião teme a outra? Medo, ciúme e ódio. E todos os três são a mesma coisa.
E quem é responsável pelo medo? Nós. Nós o alimentamos em nós mesmos e dentro dos outros. Cada pessoa também é responsável pelo medo que os outros sentem. Quando você rejeita alguém porque ele ou ela não é bonito, inteligente, divertido ou não se veste bem, você é responsável pelo medo desse alguém, pela sua rejeição, sua dor e sua raiva. E, como somos todos ligados uns aos outros, quando criamos medo em outro ser humano nós o criamos em nós mesmos. Onde o medo está presente, a sabedoria não consegue estar e não pode ter liberdade alguém que vive medroso. Creio que o que Ayrton Senna quis dizer quando disse que o medo lhe fascinava foi o mesmo que Eleonor Roosevelt pronunciou ao seu povo:
Você ganha forças, coragem e confiança a cada experiência em que você enfrenta o medo. Você tem que fazer exatamente aquilo que acha que não consegue.

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