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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 11 de junho de 2011

Por pensar diferente


Passa batido, mas a exclusão de nossas vidas de quem simplesmente usa do direito de pensar diferente parece uma agressão pessoal. Quando concordam conosco, as pessoas logo ganham um cantinho morninho em nosso coração; ao contrário, mesmo sem perceber, tendemos a hostilizá-las e, sem dissociar a idéia da pessoa, defender nossa opinião com unhas e dentes. Afinal, as ponderações mais sensatas, justas, urgentes e criativas são as nossas; nossas opiniões estão sempre certas, mesmo que por vezes careçam de base e argumentação.
O que te faz gostar de determinado estilo musical, partido político ou moda? O que te faz recusar determinados grupos, marcas, lugares ou, sei lá, esportes?

Eu não vou questionar as suas opiniões. Eu não vou interferir em sua crença. Tudo o que eu digo é: examine e pergunte. Olhe para dentro da natureza das coisas. Pesquise as bases de suas opiniões, os prós e os contras. Saiba por que você acredita e possua razão para a fé que está em você” (Frances Wright 1775-1852)

A coisa mais fácil é não aceitar o livre-arbítrio do outro, querendo moldá-lo de acordo com o que acreditamos, como se fôssemos sábios e eles, aprendizes. E isso se dá, sobretudo, com os que amamos. Aqueles que não significam muito para nós, deixamos acreditarem como queiram, mas aos que se ama, pretende-se colocar as coisas como se fôssemos pastores e eles, as ovelhinhas perdidas. Não sei se isso acontece por prepotência de achar que estamos sempre certos – esquecidos da metamorfose ambulante que são todas as criaturas – ou da dificuldade em olhar as pessoas como elas são, e não como gostaríamos que elas fossem. O fato é que se alguém que você gosta pensa diferente sobre algum tema, muitas vezes ele acaba perdendo um ponto com você. Se defender sua opinião com a mesma garra que você defende a sua, levam isso para um ringue de egos, sem lembrar-se do direito que o outro tem de pensar diferente. O tom da sua voz e a sua posição corporal denunciam o rompante ou vaidade de se achar que é o mais certo do planeta e, se não chegam a um acordo, enterram o assunto sem tentar compreender ou, ao menos analisar, o ponto de vista do outro.
Sim, muitos vão concordar com você. Muitos vão discordar também, vão ridicularizá-lo, vão concordar em parte, vão convencê-lo, vão se convencer, vão encher sua bola. Não importa. O que importa é não assumir a postura de que sua opinião é um pedaço do seu ego, adaptando-se à mudança e preservando a cabeça aberta para assimilar outros conceitos. Mudar sempre é essencial! Quem defende rigidamente uma idéia soa patético como a arrogância dos jovens jornalistas – um tom de auto-afirmação que em nada combina com quem é sensato de verdade. E é sempre bom ter opinião sobre tudo – eu tenho! -, mas com embasamento e flexibilidade. E, principalmente, sem raiz.

1 comentários :

Chico de Sá disse...

Já inicio o comentário pedindo desculpas por ter acessado com cada vez menos frequência seu blog, e não poder acompoanhara as brilhantes postagens em tempo real, na verdade o meu blog mesmo está jogado ás traças.

Esse texto aqui é genial, dentre os outros posts sensacionais que escreveste também. Mas resume com incrível perfeição tudo o que penso também sobre o assunto. Acho que comentei alguma coisa quando falava de egoísmo no meu blog, mas é incrível como uma idéia é tratada como parte do ego das pessoas, algo irrefutável. E não só as idéia,s mas também os conceitos, acomo se não bastasse o fato de elas se acharem donas da razão, elas se colocam como julgadoras do bem e do mal, e isso é ainda mais preocupante. Mas não, não dói nada ouvir uma idéia discrodante, ou mudar nossa própria idéia diante de algum argumento que nos convence. O ideal é a mente aberta mesmo!!

bjão, e parabéns pela contínua evolução do teu blog

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