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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Idade cronológica, idade mental e idade espiritual


“Agir de acordo com a minha idade? Por que você me deseja isso? Eu não quero nunca agir de acordo com a minha idade!” (What’s my age again – Blink 182)

Já escrevi sobre esse tema aqui, mas resolvi voltar ao assunto, observado o interesse que as pessoas depositam nessa questão. Comemorando meu aniversário no sábado, algumas pessoas insistiam em saber a minha nova idade. E como sempre eu me perguntei intimamente “Qual é a minha idade mesmo?”
A idade é só um número. Ponto. Posso ter uma idade cronológica que me confira o tempo que estou aqui, mas isso não pode me condicionar. Afinal, é apenas um fator na composição total daquilo que eu sou! E isso é tão claro quanto dizer que a mocidade e a velhice, quais as vemos no mundo, não podem significar senão expressões de uma vida física que finda com a morte. Não há moços nem velhos e sim almas jovens no raciocínio ou profundamente enriquecidas no campo das experiências humanas. Já disse antes e volto a dizer: conheço pessoas de 20 anos com aparência de 30. Já vi gente de 30 com cabeça de 15. Há pessoas de 25 que passam por 10 anos menos. E cada um têm a dor e a alegria de ser quem são. O número de anos que padeço nesse mar de expiações nem sempre é sinônimo de experiência. Há os que, de tenra idade amadurecem devido à privação e o mal a que são expostos; há os de idade mais avançada que parecem eternamente desfrutar das regalias da infância e não fazem nada por si. E em quesito de experiência tudo conta. Uma garota de 13 anos pode ser muito menos inocente que uma de 26. Tudo depende do seu conceito de inocência. A lei dos homens adora proteger e depositar uma aura de desamparo aos menores de idade, mas enquanto ver as coisas sob essa ótica míope, muito pouco será feito em termos de evolução jurídica. O começo da vida é sim o momento de tentar resgatar um espírito para a corrigenda de vícios e tendências, mas enquanto o sistema educacional não basear-se, no mínimo, no método socrático, estaremos lidando com ratos e não com humanos. A Psicologia adora pagar de ciência, no entanto, expõe vinte mil camundongos ao mesmo estímulo e espera dos vinte mil a mesma reação, acreditando que se dará o mesmo com o homem. E é aí que entra a terceira expressão do título dessa análise, “idade espiritual”. Já ouviu falar a respeito? Tem ideia do que é isso? Imagine, por detrás de uma cortina vaporosa algumas sombras de pessoas se alimentando. Há algumas comendo com destreza; outras, mal podem sustentar a colher para levá-la à boca; outras, ainda, apenas esperneiam desejando que alguém lhes alimente, por serem incapazes de fazê-lo sozinhas. Agora, descortinando a cena, você pode ver que as pessoas variam em idade radicalmente – há ali velhos que não podem mais se alimentar sem ajuda; bebês e crianças ainda inábeis e também adultos, perfeitamente lúcidos e sadios. Que tal? O julgamento agora é outro, pois sua visão alcança as causas da diferença do simples ato de se alimentar entre aquelas pessoas. Conscientemente, você concebe que os bebês e os velhinhos precisem de auxílio e não possam ser comparados com os adultos e com as crianças maiores, que já sabem comer. Assim também são os espíritos. Alguns são mais velhos, outros mais jovens, de forma que nem todos tiveram o mesmo tempo para experimentar. Simplesmente, há coisas que uns já aprenderam antes e, outros, estão aprendendo pela primeira vez. Isso explica aquelas facilidades incríveis para outro idioma ou para tocar um instrumento musical, por exemplo. Tudo o que eu quero dizer, entretanto, é que não há velhos nem jovens literalmente. Todos já estiveram ao final de cada fase e é isso que nos dá aquelas inexplicáveis certezas, embora “não tenhamos vivido” algo. O avô pode ser neto e o neto pode ser avô. E é isso que me faz ser muito radical com idades, pois embora tenham completado o mesmo ciclo na Terra, duas pessoas podem e são totalmente diferentes em mentalidade, amadurecimento e vivências. Ter permissão para dirigir não significa fazê-lo. Como já dizia Shakespeare, “aprende que maturidade tem mais a ver com o tipo de experiências que se teve e o que você aprendeu com elas, do que quantos aniversários você já celebrou...”. E Emmanuel: A verdade para ser totalmente compreendida precisa ser tratada entre corações da mesma idade espiritual.
E agora, por último, como você explicaria os talentos precoces? Seria justo por uma “acidental origem genética” aquele garotinho de 2 anos saber tudo de História da Guerra e você aí quebrando a cabeça nos livros? Seria natural uma criança pobre mostrar inclinações avançadas para a música clássica desde o berço? Ou esses gênios adolescentes da literatura e das artes?
Pense nisso. Idade é uma representação social. Não define você nem quem te rodeia. Sim, claro que ela é importante. É necessária, é justa. Mas, claro também que a sociedade tem usado isso para classificar, adequando ou inadequando atos e comportamentos por faixas etárias; ditando normas e incentivando ou desincentivando condutas. Essa ilusão precisa ser comprada ou muita coisa acabaria (o que aconteceria com algumas marcas sem aquela palavrinha teen no final do nome do produto, ainda que a fórmula seja a mesma? Ou o famoso kids? Eles precisam que essa galera se sinta especial, não é?) Agora, quanto a parar de andar de balanço, aí é com você, lalá... Eu, pessoalmente, não pretendo deixar de sentir o vento nos cabelos!    

9 comentários :

Chico de Sá disse...

Nunca me esqueço que levei essa lição acima para minha vida logo que te conheci e perguntei quantos anos você tinha. Ora, eu era daqueles que ja estabelecia uma espécie de julgamento sobre a pessoa em cima de um simples número que na prática nada quer dizer. Na verdade eu debaterie sobre isso no meu blog, sobre os meios de imbecilizar a sociedade, dos quais os piores talvez sejam o relogio e o calendário. Como se realmente precisássemos medir o tempo e por meio deste classificar ou julgar tudo na vida, mas não deveríamos medir o tempo que dura algo e sim a intensidade com que acontece.

Parabéns pelo ótimo texto, e que bom que sou um dos poucos a saber da sua idade cronológica, mesmo sabendo que não interfere absolutamente nada. Somos crianças ou senhores idosos quando bem nos convém, o bom é saber que somos livres para tal!

bjoo

Caught Feelings disse...

Estava pesquisando sobre idade mental, e definitivamente foi o melhor texto que eu achei, pois define perfeitamente o meu modo de enxergar as coisas, e é muito bom saber que alguém pensa como eu.
Depois de conversarem comigo um tempo, as pessoas normalmente perguntam a minha idade e se surpreendem ao ouvir um pouco audível "14" sempre que fazem tal pergunta, seja pela minha tendência a gostar do tipo de música que gosto, ou a a amar leitura e escrita, minha facilidade para com outros idiomas ou até mesmo o jeito com que falo (não sei muito bem explicar o motivo de tanta surpresa em suas expressões).
Enfim, me identifiquei muito com seu blog, seus textos e suas opiniões. Não sei se isso significa muito para quem tem tantos seguidores, mas você acabou de ganhar uma nova seguidora.
Muito bom o blog, parabéns!

Kelly Phoenix disse...

Certamente Caught, e fico muito feliz de encontrar mais alguém que pense como eu, afinal, você deve perceber o quanto isso é difícil nos dias atuais... As pessoas nos tomam por "diferentes", e nós, lúcidos, ao contrário deles, não podemos compreender porque os demais são tão atrasados... Por tudo o que disse, acho que somos muito parecidas mesmo! Seja muito bem-vinda e muito obrigada por fazer parte dos seguidores do blog, é um prazer para mim também! ;D

LekoO BR disse...

A psicologia não paga de ciência, ela é uma ciência! E sobre expor uma quantidade de ratos ao mesmo estimulo esperando que todos respondam da mesma forma é um experimento pertencente a uma das muitas abordagens que compõem a psicologia...
Bom texto, com exceção do trecho em que cita de forma superficial a psicologia.

Kelly Phoenix disse...

Oi, Leko! Pois bem, quando cursei psicologia, a professora sempre deixou claro que não se tratava de ciência. Eu acho, sim, que ela é muito útil em nossa vida, porém que possui ainda conceitos ultrapassados, adquiridos em escolas seculares, e se nós humanos não mudamos de lá para cá, ao menos a forma de ver algumas coisas, sim. Muito obrigada pela visita, é sempre bom ter comentários como o seu, que incitem ao debate :D
Grande abraço, volte sempre.

LekoO BR disse...

A psicologia faz parte de um grupo de ciências denominado "Ciências Humanas". E conquistou esse status de ciência no momento em que desvinculou-se da filosofia ao adotar métodos de pesquisa sistemáticos. Me desculpe mais a professora que lhe disse esse absurdo, não sabia o que estava falando. Os conceitos ultrapassados citados por você realmente existem em toda a ciência, porém foi através destes conceitos que chegamos na ciência de hoje...São estudados pelo valor histórico que possuem, mais não são aplicáveis...

Kelly Phoenix disse...

Certo, mas ciências humanas não dizem respeito exatamente a um conhecimento sistematizado, que possa ser comprovado. Era a esse tipo de ciência que me referia.

Antonio Universenergy disse...

Ciência sem espírito é matéria morta.

Muito obrigado por expor sua reflexão sincera Kelly! :)

Niedja Guedes disse...

Esse texto me trouxe um esclarecimento muito importante sobre as idades. Sempre pensei que tinha algum retardo mental, porque a minha idade mental é bem inferior a minha idade cronológica. Faço alguns testes e geralmente o resultado sao 10, 20 e até 30 vezes menos... Agora entendi por algumas pessoas, como eu, são assim...

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