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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

domingo, 10 de julho de 2011

A massificação do ensino superior


Nos últimos anos, a procura pelo ensino superior aumentou exponencialmente. Faculdade deixou de ser “coisa de rico”, de quem acabou de se formar no ensino médio ou de inteligências brilhantes dignas de destaque. Ficou banal, medíocre. Dentro da sala de aula se fala em novela das oito e reality show. O senso crítico é nocivo, o nível cultural, por vezes, inexistente. Ensino superior é o mínimo exigido, não há nenhum mérito nisso.
Meti na cabeça a ideia – e não consigo expulsá-la por mais força que faça – de que a universidade é apenas um reduto apático e imbecil de sujeitos dedicados a fingir que acumulam os tesouros da Terra e não sei mais quê. É incontestável que a maior parte dos universitários não freqüenta a universidade porque têm interesse em saber ou argúcia reconhecida nem capacidade de liderança – eles dividem-se entre os que só estudam porque papai quer; porque querem um emprego melhor (ou seja, ter um diploma) ou porque valorizam o conhecimento científico. Por vezes, penso que estes últimos são os mais hipócritas porque o saber, quando é saber por saber e nada mais do que isso é o pior de tudo. E com certeza o que menos desculpa tem. Não creio que desacreditasse tanto desse sistema se uma vez por outra houvesse alguma delicada e mínima implicação, uma sugestão mesmo superficial de que o conhecimento deve conduzir fatalmente à sabedoria e que, se não o fizer, é uma repugnante perda de tempo! Mas não há isso. Jamais se escuta num campus a mais leve insinuação de que a sabedoria é a finalidade suprema do saber. É raro ouvir-se até mesmo a palavra “sabedoria”.
E os professores? Com a banalização do ensino superior, estes profissionais também já não são tão qualificados. Há um sistema que estimula os carreiristas que fazem pesquisas inúteis só para publicar papers e esse grupo se instalou na cúpula do meio acadêmico, usando de todos os expedientes do corporativismo para se perpetuar por lá. O resultado é que aqueles que realmente têm talento e conhecimento são obrigados a bajular e ajudar a sustentação dos sanguessugas. E nada disso é prerrogativa das universidades particulares! As federais ou estaduais são piadas acadêmicas, onde os ricaços fingem, brincam de cientistas e literatos às expensas públicas! Os cretinos às dúzias que todo o mundo que passou por uma faculdade teve por professores tornam absolutamente acadêmico e inútil tudo aquilo em que tocam, querendo dar sempre um tom ritualista ao que dizem. Em minha opinião, são eles os principais responsáveis pela multidão de diplomados ignorantes que invade o país em cada mês de junho e dezembro.
Está havendo atualmente um incentivo enorme por parte da administração pública e até mesmo privada para o ensino superior. A oferta de cursos, vagas, bolsas de estudos; o facilitamento financeiro por parte das instituições e auxílio-educação fornecido pelas empresas, tudo aumentou, além de reduzirem-se as burocracias administrativas e os requisitos dos processos seletivos. Todavia, não há quase nenhuma iniciativa para que se reforce e aprimore o ensino básico e, sendo assim, que tipos de alunos estão entrando em nossas universidades? As pessoas estão sentando-se nos bancos universitários sem saber a ortografia do próprio idioma e sem a envergadura de discernir e questionar o que está sendo ensinado, assimilando os mesmos preconceitos e decorebas de quem os repassa.
Antigamente, ao se falar em estudantes vinha logo aquela imagem de atitude, determinação, personalidade e opinião própria – parecia mesmo que essas eram características fundamentais de quem tinha o privilégio do ensino superior. Os estudantes de hoje parecem mais preocupados com a nota que com aprender; com a cerveja no barzinho que com buscar; com a promoção no trabalho que com construir um conhecimento sólido e efetivo. Oportunismo que oportunidade; Google que livros; Wikipédia que reflexões. A educação tornou-se um negócio; nas academias particulares existe até a décima chamada de vestibular, mas enquanto todas as vagas não são preenchidas a oferta não cessa. E ser inteligente na faculdade não faz diferença nenhuma – não é como na escola onde se pressupõe um mínimo de diligência. Na faculdade todos estão tão repletos de ego que nenhum deles jamais poderia admitir que não possui luz e que se aprende muito mais por conta própria que na sala de aula. Em latim, a palavra aluno significa “sem luz”. É lamentável constatar que muitos continuarão assim o resto de suas vidas. Os estudantes de hoje são relapsos, medíocres, comezinhos e levianos. Satisfazem-se com pouco, não se interessam por nada muito além de seu mundinho. Falta humildade para perguntar, interesse parar querer mais, falta vontade para ler tudo o que puder, mesmo que não seja “da área”. Pessoas que se doam somente a um assunto se tornam extremamente chatas! E, para muitos universitários, os quatro ou cinco anos da universidade resumem-se a trabalhos sem significado, falsas presenças em sala de aula, “conquista” de notas medianas e um diploma na mão. É quase raro achar alguém que busque além; que saia da média, que busque ser um profissional competente mas também um ser humano melhor. A maioria tem a empáfia de achar que é melhor que 99% da população e assume um arzinho intelectual como se tivesse todo conhecimento do mundo.
Sou contra a massificação do ensino superior. Sou contra o fácil acesso, o declínio da qualidade dos cursos e dos alunos, a quantidade ao invés da qualidade. Sou muito mais quando esse meio era para pessoas verdadeiramente inteligentes e brilhantes – se é que isso existiu algum dia, pode ser apenas uma utopia de minha parte. Sei que os poderosos, independente do QI que tenham, sempre se perpetuaram nos meios acadêmicos, mas houve uma época também em que o processo universitário era, de fato, seletivo, e não um grande funil que cada vez aumenta mais. É um grande erro crer que basta ter a ciência para exercê-la com proveito e a massificação de qualquer sistema torna-o precário, empobrecido e ineficiente. Lançando 25 mil advogados anualmente ao mercado ao invés de 10 mil perde-se muito em teor, em profundidade, em essência. Conhecimento não se compra! Seres humanos não são linhas de produção e, embora se evite dizer, não, não temos as mesmas capacidades, potenciais e aptidão de aprendizagem. Tudo isso interfere no “produto” final. Sempre se perde massificando, mas talvez, quem sabe?, isso seja necessário para algum passo mais elaborado no futuro.       

4 comentários :

Anônimo disse...

Muito bom...

Anônimo disse...

arrasou!!!!!!!!!!! aqui onde trabalho tem uma estagirio de merda que faz engenharia em Uniesquina e mais 2 que estão cursando (pasmem!) Engenharia - imagina o nivel do curso- esses dias tava conversando com um deles sobre nazismo e acreditam que o cara que tem todo esse arzinho intelectual que vc citou não sabia... não aguentei e falei na cara dele: Pô mano... vc um univertario não sabe isso... sabe o que ele disse: não é da minha area...
Vá se foder né!!!!!!!!!!!!!! daqui uns 10 anos o Brasil vai sentir o baque de toda essa galera acefala que está se formando nesses UniEsquinas... o que vai dar de neguinho com diploma na mão vendendo cachorro quente não tá na gibi

TEssalia Aragão_formada e pós graduada na Usp meu bem!

Anônimo disse...

esses que fazem ADM realmente são os piores... no fundo sabem que o curso é uma bosta e perda de tempo, e muita vezes dinheiro... mas não baixam a crista... ficam com o arzinho de fodões e enchendo a bola na primeira oportunidade de como seu curso e melhor que todos... vai plantar banana no asfalto..


RICARDO CARDOSO VITORINO

Kelly Phoenix disse...

Em todas as faculdades, sejam de esquina ou grandes centros... em todos eles está proliferando o ensino massificado. Pós graduados, mestres, doutores, o que for, que não sabem pontuar um texto, que escrevem de forma totalmente errônea e ainda acreditam que são melhores que outros... O nome da instituição pode pesar, mas não vai mudar quem aquele ser realmente é. Educação é um pouquinho mais profundo e começa antes: em casa.

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