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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 9 de julho de 2011

Os verdadeiros artistas


Quem são os maiores artistas que você conhece? Lady Gaga, Madonna, Ivete Sangalo, Angelina Joli? Dançarinas de palco, uma banda famosa, apresentadores de televisão? E os escritores e poetas? Será que J.K. Howling, Carpinejar e Paulo Coelho podem dizer que escrevem arte?
Vivemos em um mundo de aparências e isso tem envolvido tudo. Atualmente, é muito mais comum cultuar ícones fabricados cuja última função é a arte, e não a essencial, como deveria ser. Joseph Campbell afirma em seu genial O poder do mito que “precisamos de mitos que identifiquem o indivíduo”. Precisamos de modelos para copiar, de ícones para enaltecer. A música, a TV e o cinema têm nos vendido barato uma porção desses ídolos para todos os gostos. Spielberg, Faustão, Ozzy Osbourne, Britney Spears. Como que em frente a uma enorme prateleira de supermercado, podemos escolher aqueles a quem admirar, aqueles que mostram a beleza angelical nos negada ao nascer, a coragem que não temos, a segurança que buscamos. Afinal, quem você conhece que é tão carismático quanto Luciano Huck ou destemido como James Bond?
        Tudo isso é muito bonito, muito estético, mas artistas realmente nada têm a ver com mitos e ícones. O não artista tenta ser, não vive pela arte, vive da arte. Não a serve, serve-se dela. Artista é um ser de alma sensível, alguém que tem um jeito especial de ver o mundo e tenta passar aos outros um pouco dessa pureza através de seu trabalho. Ao apreciar a obra de um artista, seja ele um pintor, escritor ou músico, você sente uma emoção indefinida. Você reflete sobre a vida, sente Deus, sente-se parte da natureza, de algo maior. São aquelas músicas que nos tocam o coração; aqueles desenhos cuja alma do artista se retrata; aqueles livros que capturam não só a nossa leitura, mas nosso sentimento. São aqueles sons que parecem eflúvios dos deuses; aquelas pessoas cujo espírito transcende o físico; arte é tudo em que há uma beleza sublime. E tudo o que sei é isto. Se você for poeta, tem de fazer algo de belo. Qualquer coisa de muito bela fica depois de se voltar a página e fechar o livro. E muitos que se chamam artistas não deixam uma única coisa, uma só, a que se possa chamar bela. A maioria deixa apenas uma espécie de excrementos sintáticos terrivelmente fascinantes... E tudo que essa gente faz é tão... Bem, não que seja errado, ou mesquinho ou necessariamente imbecil, mas é simplesmente tão frágil, tão superficial, insignificante... E tão deprimente. E o pior de tudo nem é isso. É esse sem-número de indivíduos querendo aparecer a qualquer custo, ficar famoso, ser grande, “brilhar”... Dizerem-se artistas, estrelas, celebridades... Pessoas que muitas vezes nada têm a oferecer ao mundo, quiçá sequer a si mesmos. Ego, ego, ego. O mundo está cheio de gente que quer fazer alguma coisa diferente, chegar aonde ninguém chegou, ser alguém interessante... Estou farta de egos. Do meu e dos outros. Não tenho medo de concorrência, competir com os outros não me assusta. É justamente o contrário. O que me apavora é querer competir... para ganhar. O fato de estarmos horrivelmente condicionados para aceitar os valores dos outros todos e de gostar dos aplausos e da gente que delira e dos fãs obcecados, nada disso me impede de ver que tudo isso é errado. E como ser humano, isso me envergonha, me cansa. Repugna-me, ainda que sejam poucas as vezes, ter a coragem de ser uma criatura como as outras; estou farta de mim e de todos que andam pelo mundo querendo fazer algum sucesso. E parece que ser alguém é parte disso. Para ser alguém há que mostrar, exibir, parecer que é, ser louvado, muitas vezes por aquilo que jamais será. E as raras almas que passam longe disso estão erradas, não têm ambição, precisam de análise – é só chamar algum desses analistas com experiência em ajustar as pessoas às alegrias da televisão, da revista Tititi de 15 em 15 dias e das viagens à Europa e do casamento real e da primeira página da Folha de São Paulo e sei lá mais o que é gloriosamente normal...
Agora, uma coisa é certa: não é à toa que as obras de Picasso, Mozart, Pablo Neruda; a música de John Lennon, o livro de Saint-Exupéry e tantos outros trabalhos inesquecíveis entraram para a história e tocam a alma do ser humano mais durão. Existe algo de verdadeiro, existe algo de profundo que ultrapassa as barreiras do tempo. “Artistas” hoje, nas mais das vezes, não tocam mais que o baixo-ventre de quem tem mau gosto. Em poucos anos, estão fadados ao declínio e esquecimento porque nunca chegaram a ser artistas de verdade. Não é a fama, não é a carreira, não é o dinheiro, não é o poder... É o dom, a pureza, a sensibilidade, o talento... É apenas uma criança brincando com seu amor...
Ídolos fabricados existirão sempre e, como afirmava Campbell, talvez precisemos de mitos. Cabe a cada um, entretanto, questionar o porquê de cada escolha, procurar o homem por trás do mito, analisar o seu caráter e as suas ações e não somente aceitar seu personagem.      

4 comentários :

Sol Maia disse...

Maravilhoso o texto, já pensei muito sobre isto. Quando falamos em artistas as pessoas esperam ver o protagonista da novela ou um ex-BBB, ninguém se importa, ou ninguém vê, os verdadeiros artistas, e desconhecem o que quer dizer "arte".

Max Harenna disse...

A paixão da criação é algo fascinantes,cativante, a arte é como a água no deserto para os criadores!
Não da para passar um dia sem inventar( temos que criar e então tudo fica melhor)

Por onde andaste? disse...

Quem pensa em ser artista já não o está a ser, porque quem o é não pensa em sê-lo, é a mesma coisa que um cão pensar que é um cão, não o faz, porque já sabe que o é, não faz sentido.

Kelly Phoenix disse...

Concordo com sua exposição, em parte, se bem a compreendi. Quem pensa em ser artista não o está a sê-lo, em um certo sentido. Essa afirmação difere de dizer que há aqueles que se reconhecem artistas e o são, simplesmente. É uma questão que não discutem - um fato. No meu texto defendo que nem todos que estão na mídia são artistas, aliás, a maioria não é. É mais uma explanação sobre como um artista de alma se coloca, sem a necessidade de reconhecimento dos outros. Ou seja, menos techné, mais espírito.

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