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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

13 culturas que quase todo mundo segue

Uma síntese de culturas de longa data disseminadas, ensinadas, praticadas, que se alastram geração após geração e engessam e ditam comportamentos, modas e atitudes. Veja se reconhece em si ou em conhecidos algumas delas:

1-   A cultura dos presentes em datas comemorativas


E finalmente aponta no mês o dia dos pais e o povo corre às ruas, aos shoppings, à 25 de março angariar um presentinho! E é sempre assim, dia das mães, dia das crianças, dia do soldado loiro, são milhares de datas criadas com fundo comercial e publicitário e o objetivo delas é esse mesmo: fazer você se sentir um merda se não der ao menos uma lembrancinha no dia da sogra! Tais conceitos imbecilizam de tal forma as pessoas que a maioria delas não se flagra que não se precisa de datas para presentear quem é importante, condicionando seu afeto a eventos específicos. Bem como, não há motivo para mágoas ou ofensas se não lembrarem de você no dia do amigo, porque amigo de verdade sabe que não há o imperativo de um símbolo para consagrá-lo. A cultura do presente vai tão longe que não é mais algo espontâneo, e sim, automático, obrigatório. Não é preciso ir muito longe para sentir tal efeito: observe quem você não presenteou no aniversário dele não te presentear no seu! Sim, mesquinho e comezinho como reparar isso. As datas comemorativas que poderiam fortalecer laços servem de arrego para a bugiganga anual por uma razão forçada. Muitas vezes, a pessoa passa no primeiro 1,99 e compra uma quinquilharia que você não precisa só pra cumprir o protocolo do presente. E, como se não bastasse, isso ainda tolhe, indiretamente, a iniciativa de se dar um presente sem motivo algum. Quem recebe fica desconfiado pela falta de hábito e acaba perguntando:
- Ué, a gente tá comemorando alguma coisa? Que data é hoje que eu não lembro?
Complicado, não?

2-  A cultura do/ da “ex”


Uma coisa que sempre me intrigou é a excessiva importância que alguém de relacionamentos passados adquire na vida das pessoas. Em quase todas as rodas femininas, ouve-se burburinhos referentes a um “ex” – um desgraçado qualquer que, já que não faz mais parte da vida, deveria ser esquecido, mas por alguma razão, continua sendo lembrado. Pois bem, situações mal resolvidas? Resolve, diacho!! Por que diabos carregar um ar de eterno quando tudo não passa de algo que ficou pela metade, não se aproveitou até o fim?! E não adianta negar; muita gente cria uma espécie de altar para o (a) ex, talvez para tentar dar um efeito especial que o romance verdadeiramente não teve. Quando as coisas só terminam para um lado, é normal o outro ressentir-se e alimentar ainda esperanças a respeito, mas o ideal é dar-se um tempo, se valorizar e sacudir a poeira, seguindo em frente. Um ex é alguém do seu passado, se valesse a pena, estaria no seu presente. Ponto, isso é o que temos pra hoje, o futuro a Deus pertence! E, sim, é chato, triste, desagradável ficar falando e falando de um (a) ex... Fica a dica.

3- A cultura do “Você tem que casar”

3- 
“- Tem... tem uma coisa que eu realmente... Bem... você tem certeza de que vai se casar. E se... não encontrar a garota certa?
- Como?
- Essa cerimônia mostra que... pode existir um casal perfeito. Se não podemos ser como Gareth e Matthew devíamos esquecer isso. Alguns de nós não vão se casar.
- Não sei, Charlie. A verdade é que, ao contrário de você, nunca esperei uma paixão avassaladora. Sempre esperei conhecer uma garota, simpática, de boa aparência e que não me achasse muito feio. Aí, fazer a pergunta... estabilizar-me e ser feliz. Deu certo com meus pais. Bem, descontando o divórcio.
- Eu lhe dou seis meses, Tom. Talvez você tenha razão... Talvez toda essa espera pelo amor verdadeiro não leva a nada.”
(Trecho do filme “Quatro casamentos e um Funeral”).

A ideia é essa: Você tem que casar! Achar uma moça ou moço simpático (a), de boa aparência e que não te ache muito feio (a) e esquecer essa história de paixão avassaladora. Estabilizar-se, sossegar o facho, servir à sociologia, à genealogia, à biologia e quantos logia - Logos (λογος), estudo em grego, um significado bem auspicioso - mais tiver. Há espaço para discutir? Não. Se não casar, vai sofrer bullying, ser excluído de algumas rodas, ser considerado esquisito, solteirão e vão dizer que ninguém te quis (não o contrário). E além disso, você vai ficar sozinho...
(Muito utilizado também para "Você tem que namorar").

4-   A cultura do “Eu sei porque fiz curso”


Essa é uma das mais insuportáveis, amplamente cultivada pela burocracia de empresas e mercado de trabalho em geral. Você tem que ter cursos – curso de tudo que acham importante, tudo que exigem, tudo que pareça conveniente – e ter diplomas, esses pedaços de papel. Todo mundo sabe (ou deveria saber) que os autodidatas são muito mais empenhados no próprio aprendizado que quem se obriga a ter horários semanais para executar determinada atividade. Claro, uma coisa é fazer um curso por prazer. Beleza, você quer desenvolver aquela habilidade. Outra coisa são os filhos da classe média, que estudam braile, mandarim, libras, javanês e oboé por puro desejo dos pais em “investir” em alguém que ainda não tem noção do que quer.
- Eu sei programação PHP porque fiz curso.
- Eu tou fazendo de Autocad e SEO.
- Eu cozinho o melhor pudim de pão, que aprendi lá no SENAC.
Senhor! Saudades do tempo que inglês não era modinha – e, juro, aprendi sem curso. Fiz um curso de design gráfico uma vez e lembro que o mesmo, embora tivesse alguma prática, adorava uma teoria e um tecnicismo. O resultado disso foi que acho dez quem mexe com programas gráficos, mas jamais me peça pra mexer em um! E, sim, eu tenho o diploma. E significa muita coisa saber gramática de espanhol se você vai morar no Japão? Pois é...

5-  A cultura do “Você tem que provar”


Essa, meio que complementa a anterior. Se você diz que sabe algo, não basta demonstrar, é preciso PROVAR com aquele pedaço de papel... Cursos, workshops, seminários, congressos, pós... Tudo é preciso provar. Ninguém vai admitir que você sabe (SABER = Buscar, assimilar, entender). Você tem que provar.
E o fato é esse: nem sempre quem tem um diploma sabe alguma coisa; nem sempre quem sabe alguma coisa, tem um diploma. E eu não posso provar isso pra você, I’m sorry...

6-  A cultura do “Brasil, um país de técnicos”


Por alguma razão, foi reforçada a ideia nos últimos anos (ao menos, são os que eu tenho lembrança) de que é uma boa ser técnico em alguma coisa. Ter um conhecimento mecânico, que não necessite muito auxílio do “pensar” e principalmente do “questionar”, que sempre leva ao “criticar” e ao “explorar”, e por aí vai... E, claro, com os apelos do consumismo e do capitalismo, não é difícil incutir tal argumento nas jovens mentes irracionais, cultivando um antro de subempregos e “profissionalismo”. Não que o tecnicismo seja ruim. Mas, abrir mão do que te dá prazer de verdade para ter um trabalho, isso é.

7-  A cultura do “Dinheiro por afeto”


Essa cultura é assimilada desde cedo, e da maneira mais imprópria: na infância, os pais, muitas vezes, tendem a substituir a presença e o carinho por presentes caros, o que já vai criando inconscientemente uma relação com o dinheiro na criança. À medida que crescem, elas mesmas vão dispensando o contato com os pais em troca de coisas materiais, que constitui em uma prova de afeto e passa a ser encarada como tal também em outros relacionamentos. Assim, sem saber como agradar um amigo a quem se quer muito bem, pessoas que tiveram poucos amigos na infância e ou adolescência, expressam através do dinheiro o seu afeto pelos pares. É uma confusão difícil de ser dissociada depois, semelhante àquela das datas comemorativas. Há uma necessidade interna de recompensar e, da parte de outras, significativa tristeza se não ganham nada “no dia delas” – valores imbuídos das inserções mentais construídas ainda em tenra idade. E dinheiro não tem nada a ver com afeto. Podemos gastá-lo com quem não amamos; podemos não gastá-lo com quem amamos. E, nem uma nem outra vai estar expressando mais que isso: estou ou não estou APENAS GASTANDO DINHEIRO COM VOCÊ. Only. Agora, quer um conselho? Casamento com pré-nupcial é duvidar do amor do outro. E se você duvida do amor do outro, NÃO SE CASE!

 8- A cultura dos horários e datas


Na Terra, estamos acostumados a ver o tempo como uma linha reta, com nós no meio dessa linha e os acontecimentos ocorrendo antes e depois. Imagine o tempo como um círculo ao invés de uma linha. Coloque-se no centro do círculo: acontecimentos ocorrem ao nosso redor, todos ao mesmo tempo. É diferente de uma linha, onde as coisas acontecem em sequência. No círculo do tempo, nada vem antes e nada vem depois. É assim que o tempo realmente é. Não há nada antes e nada depois. É tudo igual.
Com o estabelecimento de relógios e calendários, tinha-se a intenção de nos nortear no espaço de forma a facilitar a vida, podendo situar, antecipar, prever situações. Entretanto, a civilização contemporânea se tornou escrava dos ponteiros, sendo que tudo precisa ter hora cronometrada nos milésimos de segundo! Esquecida de que o tempo a gente inventa (pois ele é, de fato, uma invenção!), tudo precisa ser organizado em horas cheias, datas e períodos, quase sem permitir espaço para o espontâneo e o improviso. Convenho que os horários sejam importantes para algumas manifestações que tornar-se-iam complicadas sem ele, todavia, ao contrário, nem tudo no mundo carece ser “organizado” e a principal revolução que se poderia fazer nesse sentido seria nas relações de trabalho (infelizmente, estou falando de um tempo distante, quando as massas perceberão que são os empregadores que precisam de seus serviços, e não o contrário). Dá pra marcar entre 3 e 3 e meia, e não às 3 em ponto! Dá pra esperar “pela manhã” e não às 10:15. Somos seres eternos, atemporais! Pra que dar tanta relevância a instantes?!

9-      9- A cultura de “passar o rodo”


A sociedade cria regras para que você seja aceito e uma delas diz há séculos que o homem só é macho se traçar tudo que vier pela frente, sem análise, basta pertencer ao gênero feminino. Na ignomínia de quererem se igualar a eles, as mulheres atalham pela mesma estupidez, reduzindo as relações humanas a um monte de orifícios. O engraçado é que quem não quer participar disso é que está errado, hem!

10   10- A cultura da auto-afirmação


E eles cantam em francês! Tocam violão, bateria, baixo, órgão; falam da viagem que ainda não fizeram, dos projetos que estão na planta, dos livros que leram e dos que não leram... É incrível como ninguém se dá conta do ridículo da auto-afirmação (e isso daria um post inteiro!). Precisam se contar, divulgar sua vida em redes sociais, saberes reais ou imaginários; todos são bons em tudo! Todos eram os primeiros da classe, todos eram gatões nos desfiles do ensino médio, todos conheceram as melhores praias, campos e montanhas! Ah... Todos são tão virtuosos... Autodidatas, geniais, especiais, criativos... Puxa! Quem dera não se auto-afirmassem tanto... É tão difícil assim viver em segredo? Não expor-se ao ridículo, contando vantagens, afirmando a própria insegurança fingindo que é melhor que os demais? É tão complicado fazer/ aprender algo pelo simples gosto de fazê-lo? Para si e por si? A maioria desconhece o estranho prazer de se passar por idiota e saber mais do que eles...

11   11-  A cultura do “Homem não faz isso/ Mulher faz aquilo e vice-versa”


As pessoas esquecem-se de que, além da reprodução, nada mais exigiria gênero. Indifere se você é homem ou mulher para dirigir, jogar bola, cozinhar, dar aulas, etc, embora alguns defendam isso. Claro que há diferenças anatômicas, psicológicas e neurocientíficas. Não disse que não! Porém, irrelevantes em grande parte das atividades humanas. Nossas diferenças servem para nos complementar, não para afastar, como muito acontece. O gênero é uma representação externa, social, uma forma biológica. Já ouviu falar que anjos não têm sexo? Pois é... Um dia chegaremos lá...

12  12-   A cultura do “O meu é maior/ Eu sou melhor e vice-versa”


Para complementar a auto-afirmação. Todos estão convencidos de que seu gosto musical é o melhor, as marcas que elas curtem, aquilo que desdenham e tudo em que tocam, como Midas. O pior não é nem esse sentimento próprio da grande maioria, mas a intolerância que o rege ante os gostos e opiniões alheias. Será que ser intolerante e entupido de razão são características de quem é melhor, de fato?


13- A cultura do cumprimento



Não importa se é um parente, colega, pseudo conhecido: quando vemos alguém ou nos encontramos, a força do hábito manda apertar a mão ou dar os famosos 2 ou 3 beijinhos. E essa dos beijinhos é a pior, pois soa tão falso e só não perde para quando a criatura resolve te beijar de verdade... Vamos falar sério, amigo verdadeiro, que se quer bem mesmo, a gente dá um abração, fica feliz em ver; e quanto a conhecidos, bastaria um aceno de cabeça... De repente, você tem que fingir beijinhos com alguém que mal fala ou com alguém barbudo ou com alguém suado... Eca! Sim, abaixar e levantar o queixo já satisfaria...

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