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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Sem nexo



          Me sinto tão perdida, nada disso aqui é pra mim. À medida que o curso universitário chega ao fim, percebo as pessoas se encontrando, se achando, gostando ou fingindo que gostam do que fazem, que tudo que estudaram valeu a pena... E tudo o que eu sinto é que o caminho acadêmico é uma ilusão; não o caminho em si, nem onde ele leva, quer dizer, ele leva a algum lugar...? Fazer exercícios bestas e simulações farão de mim “uma boa profissional”? Aquilo que o mundo espera? E o que eu espero do mundo, como é que fica?
         Cada vez que viro as páginas de um classificado de jornal leio posições, classificação, subprofissões, funções, não me encaixo em nenhuma delas, nem a de publicitária nem a de coisa alguma; ouço uma musiquinha em piano ao fundo e penso que ele poderia ser a minha trilha sonora agora. Uma trilha baixinha, cadenciada, um pouco triste... Eu a executaria se tivesse um piano aqui.
        Olho pela janela e se me apresenta a mesma paisagem pálida, bucólica; saio da cama cedo, mas o convite que ela me faz é para ficar, não há nada tão interessante lá fora que não possa ser adiado... A psicologia diz que estou confusa, a psiquiatria me diagnostica com depressão, meus amigos dizem que isso vai passar e o silêncio não me diz nada... Os pássaros continuam a voar, os ursos ainda hibernam no inverno, uma estação vem depois da outra e não consigo resolver se me enquadro e mergulho, uma subversão de mim mesma, se finjo como os outros, se me rendo, aceito vender meu tempo por trocados ou parto em busca do desconhecido...
         E o silêncio amigo novamente responde... Não diz nada, mas responde. Ele sempre responde... E talvez ele tenha razão...

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