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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Fé Inabalável



         É muito estranho... Em um momento, você pode abraçar, sair, ligar pra pessoa, e no outro, já não pode... E talvez seja por isso que até agora – 10 dias depois do acontecido – ainda não tenha conseguido escrever nem algumas linhas sobre tudo isso... Sobre o que a gente foi, sobre o sentimento eterno, a saudade que não acaba e a sua presença tão viva aqui...
         Não sei do que poderia falar. Se do seu jeito matreiro, com aquela luz incrível que era capaz de iluminar uma cidade inteira. É verdade... Eu disse isso em um depoimento de orkut uma vez. E eu não menti. Sua luz é tão grande que passa isso mesmo – uma alegria, um contentamento, um não-sei-quê de boa-aventurança... E escrevo é, no presente mesmo, pois que não deixou de ser, apenas não posso te ver, nem ouvir sua voz com meu aparelhamento físico, e isso me deixa triste, mas é uma tristeza por hora. Uma tristeza por saber que nossas aventuras e risadas afora na madrugada praiana não irão se repetir. Por saber que não mais te verei em frente à casa feliz a lavar o carro ou ouvir o som alto ou sua presença chegar de supetão na casa da vó quando nós formos lá e nos convidar para ir na sua casa... Tristeza por não te receber de surpresa na minha, de moto, sempre correndo, a pochete de lado na cintura e um sorriso bonachão nos lábios. Sorriso... marca registrada. Aquele ar de menino que não cansa de brincar, uma paz que transcende imprimindo aquela eterna graça no semblante... Sim, Gleison, sinto sua falta. E por esses dias que muito tenho pensado, por vezes me senti culpada pela estranha alegria entranhada na intuição de que você agora está bem, num lugar bem melhor que aqui. E lamento que não tenhamos podido viver mais coisas juntos, que não tenha ido conosco à Fazenda Quinta, que não vá te ver no Natal nem te desejar Feliz Ano Novo cara a cara no próximo Réveillon... Dói-me saber que a última vez que te abracei eu não sabia que era o último abraço, que as últimas palavras que me disse eu já nem sei quais são... E eu permaneci travada por todos esses dias, incapaz de rascunhar algumas míseras linhas, porque eu sabia que tudo que você foi e é não caberia nelas, então eu nem queria arriscar... E, amigo, eu nunca vou esquecer... Nunca vou esquecer que você sempre esteve comigo, sempre deu força para os meus escritos, para as minhas doces loucuras, para as nossas histórias loucas à beira-mar... Não vou esquecer aquele olhar que eu, você e Bruno relanceamos àquela casa naquele Natal – uma casa linda onde uma família feliz trocava presentes sob a árvore e nossos olhares sagazes acompanharam, sentindo a união e a felicidade daquela família e desejando intimamente fazer parte de uma como ela. Você sabe, Gleison, que nós sempre tivemos muito, especialmente você, mas houve coisas que nós não tivemos... E aquela união perene, indescritível que testemunhamos aquele Natal era uma dessas coisas...
         E, sabe, Gleison, eu vou te confessar que ainda não me caiu a ficha desse tal de “Nunca mais”. Eu sempre vivi com um pezinho no Além, sabia que nos últimos momentos acompanhava apenas teu corpo inerte, e isso torna mais dificultosa a crença nessa coisa aí... Nunca mais... Nunca mais as bagunças na areia. Nunca mais encontros no Chopão. Nunca mais o mar salgado, delicioso em um dia quente de verão. Nunca mais o bolo de chocolate com café depois da praia. Nunca mais as viagens exaustivas na camionete. Nunca mais as férias na minha casa. Nunca mais a canastra, o xadrez. Nunca mais o barulho da moto, a gargalhada, os aniversários em família... Nunca mais a minha preocupação com você e o Bruno jogando sinuca, nunca mais o futebol praieiro... Todo mundo entediado na casa da Vita, aí chegava você e com suas piadas animava geral... É... Eu não acredito em nunca mais. E eu sei que você tá bem, primo, que poderá ler as minhas palavras... Claro que chorei por você. Inevitável será lembrar de tantos momentos bons – momentos bons, pois o único ruim foi o mais duro de todos... Mas, a duras penas, digo a mim mesma que a vida não erra... Não, ela não faria isso justo com a gente. E como diz o comentário “subliminar” do caminhão na foto, há uma FÉ INABALÁVEL que nos sustenta agora, em que a saudade é uma oração de esperança. Como eu disse a última vez que vi o teu corpo, onde você já não estava, “Adeus, não. Até logo é melhor”.

1 comentários :

Lia disse...

Oi minha amiga...
Compreendo e sinto tua dor.Nesse momento tbm preciso de consolo pq estou triste pela tua tristeza...
Uma vez me disseram que a morte é como uma ferida que Deus abre e só Ele pode fechar. Muitas vezes procuramos fugas para distrair a nossa dor, mas te digo uma coisa, se Deus não for tão tão presente conosco nesses momentos tão difíceis, sucumbimos, desistimos de viver.
Seja forte, minha amiga!
A Bíblia diz:"Posso TODAS as coisas NAQUELE que me fortalece" E é DEUS quem te dá toda graça pra continuar nessa vida!
Sinta-se abraçada!
Lia

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