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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

VOCÊ ACREDITA EM MORTE APÓS A VIDA? – Parte 2


Todos os grandes homens de que se têm notícia eram humildes o bastante para admitir que regendo a orquestra de nossos destinos, haveria de ter pródigo maestro, o qual não seríamos capazes de entender, dado porém que a limitação é nossa. A doutrina de Sócrates e Platão pregava:
“O homem é uma alma encarnada. Antes da sua encarnação, existia unida aos tipos primordiais às ideias do verdadeiro, do bem e do belo; separa-se deles, encarnando, e, recordando o seu passado, é mais ou menos atormentado pelo desejo de voltar a ele. [...] Se a morte fosse a dissolução completa do homem, muito ganhariam com a morte os maus, pois se veriam livres, ao mesmo tempo, do corpo, da alma e dos vícios. Aquele que guarnecer a alma, não de ornatos estranhos, mas com os que lhe são próprios, só esse poderá aguardar tranquilamente a hora da sua partida para o outro mundo.”

Na maravilhosa biografia de Chaplin, gênio do cinema mudo, encontramos um trecho, no mínimo, sugestivo:
“No sul da França, tive ocasião de ver sobre uma pedra tumular a fotografia de uma sorridente meninota de quatorze anos. Ao pé do retrato, a inscrição desta só locução: ‘Por quê?’ Em tal paroxismo de sofrimento, é vão buscar uma resposta. Isto só levaria a falsas considerações morais e a maior tormento. Contudo, não quer dizer que não haja resposta. Não posso crer que a nossa existência não tenha sentido, que seja mero acidente, como nos querem convencer alguns cientistas. A vida e a morte são determinadas de mais, por demais implacáveis, para que sejam puramente acidentais.
Os acasos da vida e da morte – o gênio ceifado na flor da idade, sublevações mundiais, hecatombes e catástrofes -, tudo isso pode parecer sem propósito e significação. Mas, o próprio fato de que tais coisas acontecem demonstra um desígnio firme e preciso, acima do que pode compreender a nossa inteligência condicionada a três dimensões.
Certos filósofos pretendem que toda matéria é ação, numa forma ou noutra, e que em toda a existência nada se cria como nada se perde. Se a matéria é ação, deve estar submetida às leis de causa e efeito. Ora, admitindo-se isso, deve-se concluir que toda ação é preestabelecida. E, assim, a coceira do meu nariz não é tão predestinada como uma estrela cadente? O gato ronda pela casa, a folha cai da árvore, a criança tropeça. Essas ações não têm origem no infinito? Não são predestinadas e não prosseguirão pela eternidade? Conhecemos a causa imediata da queda da folha, do tropeço da criança, mas não podemos remontar ao seu princípio e ao seu fim.
Não creio em nada e de nada descreio. O que concebe a imaginação aproxima-nos tanto da verdade como o que pode provar a matemática. Nem sempre se chega à verdade por meio da razão; esta nos prende a um esquema geométrico de pensamento que demanda lógica e credibilidade. Vemos os mortos em nossos sonhos e os aceitamos como vivos, sabendo ao mesmo tempo que eles são mortos. E ainda que este sonho do espírito esteja fora da razão, não tem a sua própria credibilidade? Há coisas além da razão. Como podemos conceber a milésima bilionésima fração de um segundo? Contudo, essa fração deve existir, de acordo com o sistema de matemática.
À medida que vou envelhecendo, mais me preocupa a questão da fé. Ela está em nossa vida bem mais do que supomos e inspira as nossas ações bem mais do que imaginamos. Creio que a fé é precursora de todas as nossas ideias. Sem fé não teríamos criado hipóteses, teorias, ciências ou matemática. Penso que a fé é uma extensão do espírito. É a chave que abre a porta do impossível. Negar a fé é refutar a si mesmo e ao espírito que gera todas as nossas forças criadoras.
Minha fé é no desconhecido, em tudo que não podemos compreender por meio da razão; creio que o que está acima do nosso entendimento é apenas um fato em outras dimensões e que no reino do desconhecido há uma infinita reserva de poder.”
(Minha Vida, Charlie Chaplin, pg. 292 e 293)


Fazendo minhas as palavras de Chaplin e também de Emmanuel, neste mundo não será possível acordar para os elevados domínios do conhecimento, sem nos voltarmos com atenção para o problema da dor. Por que o leproso, ao lado dos de rosto brilhante? Por que se confundem, na mesma rua, os felizes e os desventurados? Seria justiça ministrar o pão a alguns e as pedras a muitos? No quadro da teologia atual, o Criador seria quase cruel. Mas é tão grande a misericórdia divina que o Pai permite aos filhos a enunciação dos mais loucos raciocínios, até que se compenetrem da grandeza acolhedora do seu amor desvelado. Naturalmente, somos espíritos integrando a enorme caravana da Humanidade. Teremos falido inúmeras vezes, fugindo aos desígnios do Senhor para atender a nossos caprichos misérrimos. No entanto, a Providência nos acolhe de novo na escola terrestre, dando-nos um corpo diferente e renovando-nos a oportunidade sacrossanta...
Em 1905, Einstein concluiu que matéria e energia estavam tão entrelaçadas quanto espaço e tempo. Daí surgiu a célebre equação E = mc2 (energia = massa x a velocidade da luz ao quadrado), que revela que uma migalha de matéria pode gerar uma quantidade absurda de energia. E o genial literato francês Victor Hugo deixou entre tantos, um texto incrível que fala justamente do homem e da imortalidade da alma e traduz-se mais ou menos nas seguintes palavras:
“A morte não é o fim de tudo.
Ela não é senão o fim de uma coisa e o começo de outra.
Na morte o homem acaba, e a alma começa.
Que digam esses que atravessam a hora fúnebre, a última alegria, a primeira do luto.
Digam se não é verdade que ainda há ali alguém, e que não acabou tudo?
Eu sou uma alma.
Bem sinto que o que darei ao túmulo não é o meu eu, o meu ser.
O que constitui o meu eu, irá além.
O homem é um prisioneiro.
O prisioneiro escala penosamente os muros da sua masmorra.
Coloca o pé em todas as saliências e sobe até ao respiradouro.
Aí, olha, distingue ao longe a campina, aspira o ar livre, vê a luz.
Assim é o homem.
O prisioneiro não duvida que encontrará a claridade do dia, a liberdade.
Como pode o homem duvidar se vai encontrar a eternidade à sua saída?
Por que não possuirá ele um corpo sutil, etéreo
De que o nosso corpo humano não pode ser senão um esboço grosseiro?
A alma tem sede do absoluto e o absoluto não é deste mundo.
É por demais pesado para esta terra.
O mundo luminoso é o mundo invisível.
O mundo do luminoso é o que não vemos.
Os nossos olhos carnais só vêem a noite.
A morte é uma mudança de vestimenta.
A alma, que estava vestida de sombra,
vai ser vestida de luz.
Na morte o homem fica sendo imortal.
A vida é o poder que tem o corpo de manter a alma sobre a terra, pelo peso que faz nela.
A morte é uma continuação.
Para além das sombras,estende-se o brilho da eternidade.
As almas passam de uma esfera para outra, tornam-se cada vez mais luz.
Aproximam-se cada vez mais e mais de Deus.
O ponto de reunião é no infinito.
Aquele que dorme e desperta, desperta e vê que é homem.
Aquele que é vivo e morre, desperta e vê que é Espírito”.

Sendo assim, encerro com as ilustres palavras de Shakespeare:
“Há mais coisas entre o Céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia.”

1 comentários :

Chico de Sá disse...

Kelly, de todos os textos seus que li até hoje, esse foi o que me deixou mais de boca aberta. Incrível a maneira como vocês expôs sobre o assunto, fazendo essas ligações entre esses grandes pensadores. Realmente, fiquei sem palavras, merece uma placa!

bjo

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