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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

VOCÊ ACREDITA EM MORTE APÓS A VIDA? – Parte 1


Parece natural acreditar. Você vive, é feliz, sofre, ama, odeia, é desgraçado, é privilegiado, faz coisas sublimes, comete crimes abomináveis e morre. Ponto. Tudo se acaba. Agora, vejamos isso de um ponto de vista mais pretensioso. Você acredita em Deus? E o que é Deus para você, quem? Por que te proporciona momentos bons ou ruins; te dá um berço de ouro ou de palha; uma inteligência invulgar ou medíocre; beleza venusiana ou aberracional?
Quem passa por um luto sabe da dor de perder alguém. Da tristeza, da injustiça, do questionamento do “Por quê?”, do fim dos dias risonhos que dantes enchiam a vida de esperança. Entretanto, como a indagá-lo, tudo ao seu redor desmente-lhe a morte. Desde o botão em flor até o céu sorrindo; a mãe que acaricia a barriga à espera do primeiro filho, as borboletas esvoaçantes, tudo é vida. E a razão fica brigando com a intuição de que existe algo além e que tudo não pode simplesmente terminar assim...
Muitos são os que querem nos fazer crer que a morte é o fim de tudo. E os argumentos mais comuns são estrambóticos: “Nenhum morto jamais voltou para contar” ou, “Está na Bíblia”. Será?
A Bíblia é um livro complexo, dado a milhares de interpretações. Creio que quem a lê e interpreta ad littera trata-se de perfeito idiota! Ademais, desse mesmo livro foram subtraídas centenas de passagens que falavam de forma explícita sobre reencarnação. Antigas referências no Novo Testamento foram apagadas no século IV pelo imperador Constantino, quando o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano. Aparentemente, o imperador sentira que o conceito de reencarnação ameaçava a estabilidade do império. Cidadãos que acreditavam em outra chance de viver poderiam se tornar menos obedientes e submissos à lei do que os que acreditavam num único Juízo Final para todos.
No século VI, o Segundo Concílio de Constantinopla apoiou a lei de Constantino ao fazer oficialmente da reencarnação uma heresia. Tal como Constantino, a Igreja temia que a ideia de vidas anteriores enfraquecesse e solapasse seu poder crescente por proporcionar a seus seguidores um tempo maior em busca da salvação. Concordavam que a chibata do Juízo Final era necessária para garantir atitudes e comportamento adequados. Até o século XII, os cátaros cristãos da Itália e sul da França eram severamente punidos por sua crença na reencarnação.
A ressurreição tanto propagada biblicamente refere-se a novas carnes, e não aos apelos biológicos impossíveis em qualquer tempo de ‘rematerializar’ um corpo que já se perdeu. Nesse mote, a ciência está coberta de razão. A ressurreição sob esse ponto de vista é impossível.
No livro Renúncia, de Emmanuel, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier temos um trecho magnífico que diz:

“A morte não existe como a entendemos. O que se verifica, apenas, é uma transmutação de vida. Os teólogos suprimiram a chave simples das nossas crenças. Quando o corpo é reclamado pelo sepulcro, o Espírito volta à pátria de origem, e como a Natureza não dá saltos, as almas que alimentam aspirações puramente terrestres continuam no ambiente do mundo, embora sem o revestimento do corpo carnal. Desde a mais remota antigüidade, os homens se comunicaram com os seus semelhantes já mortos.
Eneias fez consultas a Anquises, por meio dos estranhos poderes da feiticeira de Cumas; Plutarco afirmava que os seres de outro mundo se manifestavam nos Mistérios; Sócrates tinha seu gênio familiar; Apolônio de Tiana sentia-se auxiliado por entidades invisíveis; os imperadores romanos buscavam os pareceres dos habitantes de Além-Túmulo, com a cooperação dos Oráculos; Vespasiano procurou a palavra dos numes tutelares no Oráculo de Geryon; Tito fez o mesmo na Ilha de Chipre; Trajano imitava-os, sondando as revelações do Oráculo de Heliópolis, na Síria; os cronistas do tempo antigo declaram que Augusto, depois de iniciado no culto de Elêusis, tinha contato com os fantasmas; nas páginas sagradas da Bíblia vemos Saul procurando o falecido Samuel por intermédio da pitonisa de Endor, e contemplamos os discípulos de Jesus bafejados pelo Espírito-Santo, no glorioso dia do Pentecostes...
― É extraordinário! — exclamou a esposa de Cirilo felicitada por novas luzes. — Quer dizer que os entes queridos, que nos antecedem no túmulo, nos esperam no limiar da outra vida, para as alegrias do reencontro?...
Damiano esboçou um gesto altamente significativo e acrescentou:
— Nem sempre será indispensável partir para reencontrar...”

Ainda na Bíblia, tão utilizada a bel-prazer, dentre tantas outras, encontramos uma frase reveladora que diz: a carne é também um vento que passa e nós somos filhos da eternidade.

“Nossa época não comporta a divulgação das supremas verdades, mas nós nascemos e renascemos. A vida é uma só; entretanto, as experiências são diversas. O próprio Jesus declarou aos mentores de Israel que não era possível atingir o Reino de Deus sem renascer de novo. Inferno ou purgatório são estados do espírito em tribulação por faltas graves, ou em vias de penitência regeneradora.
― Mas será possível que se troque de corpo como se muda de vestes?
— Justamente. Só isso, minha filha, explica as profundas diferenças do caminho. Nas estradas em que buscamos a luz da salvação, encontramos os seres humanos mais díspares. Ali, depara-se-nos um homem impiedoso, detentor de sólida fortuna; acolá, debate-se um justo entre a fome e a enfermidade, que parecem intermináveis. Num mesmo lar nascem santos e ladrões. Há pais excelentes cujos filhos são indesejáveis, monstruosos. Uma via pública exibe jovens elegantes e miseráveis criaturas que se arrastam entre a lepra e a cegueira. Poderias admitir que o Criador, magnânimo e sábio, deixasse de ser pai para ser um experimentador desalmado? Não admitamos esse absurdo teológico, mas ponderemos na verdade de que se cumpre, desde agora, o “a cada um segundo suas obras”, dos ensinamentos de Jesus. Na obra divina, infinita e eterna, cada filho tem responsabilidade própria. A criatura se engrandecerá ou submeter-se-á ao rebaixamento, conforme utilize as possibilidades recebidas. No caminhar de cada dia, podemos observar os que ascendem, apesar dos dolorosos testemunhos; os que estacionam em receios inúteis; os que resgatam e os que contraem novas dívidas.”

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