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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Como há dez anos



Hoje fiz uma descoberta interessante: eu mudei. Parece óbvio, mas acho que descobri também que certas pessoas não mudam. Apareceu de supetão em minha casa uma amiga dos tempos de escola e a recebi agradavelmente surpresa, até passarmos dos cumprimentos. Achei que minha vida estava muito monótona e sem grandes saltos, até constatar que ela me tratava exatamente nos mesmos termos que usávamos em época de escola. Que haveria uma grande emoção se eu fosse dormir em sua casa. Que meus trabalhos acadêmicos poderiam ser relegados a segundo plano. Que seu amor inesquecível ainda era aquele menino que fazia aniversário junto comigo. Que se eu estivesse de regime, poderia tomar com ela aquele iogurte que gostava. Exatamente como há dez anos atrás. Anos deliciosos em que eu saía do colégio e ia fincada pra casa dela. Dias que passávamos escrevendo bilhetes na última folha do caderno; uma preocupada em emagrecer, a outra em engordar; dias que os meninos de 12,13 anos tinham tanta importância pra nós...  Dias que fizeram parte de mim, mas hoje poucos resquícios há que os prove em minha vida. Posso lembrar de toda experiência com carinho e nostalgia, mas jamais desejaria voltar atrás, pois perderia o que eu tenho hoje. E o que eu tenho hoje vale muito.
Amizades em minha vida, em sua maioria, sempre foram cíclicas; e às vezes, preferiria assim para as que não foram, pois a realidade vem e parece estragar o que um dia foi bonito. Ninguém pode voltar do passado e recuperar 10 anos em dois ou três dias! Isso não existe. Especialmente, quando não foi você quem tomou a decisão de se afastar, mas a outra pessoa. Ela sabia o que estava fazendo e deveria entender – ou aprenderá de alguma forma – que tratar a outra pessoa como tratava no tempo do ocorrido não vai dar certo. Se você era manipulável, pode não ser mais. Se era ingênuo, o mundo há de ter endurecido. Refletia em tudo isso enquanto a via gesticular iludida de que poderíamos ser as mesmas que já não somos há tanto tempo. Ou, ao menos, eu.
- Ouça, não somos mais adolescentes. Há muita coisa, sabe... acontecendo. Tenho uma campanha publicitária para organizar pra segunda; preciso cuidar da arte das camisetas de outro negócio que estou organizando; tenho de concluir meus relatórios de estágio e escrever 15 folhas de monografia para terça-feira. Sabe quantos amigos meus conseguem ter minha companhia por algumas horas? A não ser nas viagens que realizamos juntos, isso é muito raro mesmo! – contudo, nada que eu dizia era capaz de aplacar sua vontade de que eu fosse dormir em sua casa assim, depois de 10 anos, como se não tivesse se passado nenhum dia e, pior que isso, como se meus problemas e filosofias existenciais permanecessem inalterados, com a candura e o agridoce dos meus incompletos 14 anos. O ainda pior de tudo acho que não foi nem toda essa autodescoberta, pois tendemos a não ver como as coisas mudam o tempo todo e essa mudança gradual quase passa batida; acho que foi ela falar de Taylor Lautner, ou de Crepúsculo ou de “você pode ir com qualquer roupa, ninguém vai ficar olhando”, como se permanecessem aqueles velhos valores infantis na minha cabeça hoje muito mais avançada. Foi aí que caiu a ficha que eu mudei e – poderia arriscar – mudei muito mesmo, para melhor!
Eu descobri que eu mudei; mas precisei levar um chacoalhão para perceber isso. E o mais interessante é averiguar que algumas pessoas nunca mudam.
Parabéns pra mim, então! =D  
   

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