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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

De fãs e apreciadores


Todos nós temos gostos e acrescentamos mais elementos a eles, inconscientemente, todos os dias. Algumas pessoas baseiam-se na crítica, outras, na popularidade; outras, mesmo, não têm nenhum critério, abraçando tudo que vem pela frente sem nenhuma base, causa ou falta de, apenas passando a contemplar um trabalho ou seu autor por afinidades pessoais e motivos que a própria razão desconhece.
Particularmente, não me considero “fã” de nada. Fã sugere – ou pelo menos é a maneira como se difundiu a palavra – aquelas pessoas desequilibradas, neuróticas, se descabelando para chegar perto de um artista (segundo a construção banal do termo) e não me permitiria tal histeria perante ninguém – é indignidade, imaturidade emocional, quase falta de amor próprio. Agora, admiro muito o trabalho de centenas, gosto, aprecio, critico... E, acho que isso é bem diferente de ser fã. Para gostar de um quadro, eu não preciso saber avaliar a técnica nem saber tocar um instrumento para apreciá-lo na canção. É como a arte nos faz sentir; como a letra da música cala nos seus valores, no que você pensa. Questões políticas e econômicas jamais deveriam se interpor no gosto que se tem pela arte; não é preciso nenhum abalo sísmico nesses pólos para se produzirem artistas todos os dias. Não devemos construir nossos gostos por manipulação de qualquer espécie. É preciso, no mínimo, avaliar o trabalho separadamente das bases em que se ergueu. Peço desculpas se não aprecio tanto a história, mas a história mente. O que nós temos é o conjunto dos fatos, o todo, e sob uma ótica parcial. Não creio que isso diga muita coisa.
De fato, a interpretação ou o que venham a entender a partir da obra e invenções não se tem como interferir, não há um controle do criador. Para tudo, há o gênio do bem e do mal e para a mesma criação que nos faz estar em outro continente em poucas horas, foi dada a destinação do bombardeio aéreo. Santos Dumont queria isso? Como escritora, tenho certeza que todas as minhas palavras podem ser distorcidas e usadas contra a minha pessoa em cada livro, em cada texto meu. Não tenho controle sobre isso justamente porque as pessoas recebem como elas são, e não como o artista é. Várias interpretações para o mesmo produto. Já parou pra pensar de quantos cantores você gosta apenas de uma música? De quantos filmes guardou a interpretação apenas de um ator?
Em conclusão, eu não acredito no “amor” dos fãs. Tão logo surge uma nova tendência, aquela fica esquecida e é chutada para escanteio. Tão logo o ídolo embagulhe, é substituído por outro mais jovem, mais bonito, mais “talentoso”. Sem contar que boa parte do que chamam arte hoje em dia consiste em vender ilusões. E para isso, infelizmente, há cada vez menos consumidores conscientes.

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