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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Inveja e admiração


Esse negócio de inveja e admiração é tão sutil, creio, que muita gente nunca parou pra pensar no assunto. E o que me levou a escrever sobre ele foi justamente a percepção de que inveja e admiração se confundem, por vezes, na própria pessoa que os sente, ainda que pense admirar outro ser com a melhor das intenções. A questão é a seguinte: sabe aquela pessoa que diz que admira você? E, de fato, não há maldade expressa em sua admiração até que você percebe que... ela quer ser você. Então, você comenta com ela que vai começar a fazer natação e no outro dia, a criatura tá inscrita nas aulas para nadar. Você muda a cor ou o corte de cabelo e a pessoa vai lá e muda o dela também. Você há tempos pretende fazer aulas de canto e o “admirador”, sem a menor inclinação, toma a sua ideia pra ele e resolve aprender o mesmo instrumento que você sempre disse que tava a fim de tocar. Ou seja, em absolutamente tudo que você teve a ingenuidade de abrir o bocão, você foi copiado ou a pessoa fez primeiro - sempre em prol da admiração que ela sente por você, embora no seu ponto de vista isso já tenha passado das raias da simples admiração... Correto?
Admirar, se apaixonar, invejar e ter ciúmes, todos esses sentimentos nascem da mesma vertente, que é a vontade de possuir, de guardar de alguma forma. E o alvo geralmente possui um brilho que a outra pessoa quer para ela, como se o pudesse reter fazendo as mesmas coisas ou adotando o mesmo estilo do (a) outro (a). Não percebe que é algo maior – não se trata de algo material, mas etéreo; é que ele ficou lindo com a blusa, não é a blusa. É que o talento dela para piano é comovente, não é o piano...
O invejoso pode aprender a tocar baixo; pode colocar piercing no nariz primeiro ou viajar para Bariloche antes, mas nada vai satisfazê-lo plenamente porque ele não sabe que não é a coisa... É a pessoa. E ele vai dizer a si mesmo que a admira, que descobriu de repente que também queria aquilo, e pode mesmo acreditar nisso, mas vai estar dando uma de vampiro, pois não estimula a própria criatividade nem trabalha sua estima para ser melhor, apenas segue copiando e se espelhando nos outros.
Ninguém tem culpa por sentir inveja e todas as pessoas já a vivenciaram em algum grau em determinado momento da vida. Mais comum entre as mulheres, pode tanto ser efeito de uma estima recalcada quanto da rivalidade desmedida, mas não é um sentimento desprovido de positividade, pois na infância informa limites; na adolescência, estimula a competição saudável e na idade adulta ensina a pessoa a buscar melhorar-se. Contudo, mesmo “admirando” alguém, é dever de todos valorizar-se no que há de melhor em si e não sair a copiar ou furtar idéias de outrens com a desculpa de admirá-lo (a). Todos somos capazes e temos a competência para inovar, fazer diferente. A pior sensação que se pode ter é perceber atitudes plagiadas – esse “tolher o outro” que a imitação provoca. Quantas vezes você deixou de fazer algo porque comentou a ideia e outro foi lá e fez na sua frente? E se não deixou de fazer, quem ficou de invejoso nesse caso?
Óbvio que há espaço para todos. O fato de alguém fazer o que eu desejava (e contei para ele) antes de mim não faz dessa pessoa uma invejosa ou copiadora, afinal ela poderia compartilhar dos mesmos desejos sem repartir. Eu, particularmente, me atrevo a duvidar da maioria dos casos, especialmente quando a situação se repete e você se obriga a comer quieto por não ter mais a liberdade de dividir seus sonhos com pessoas que considerava amigas. De todo modo, é sempre bom ser original e ter bom senso. O mundo é grande, sempre há escolha – para que escolher ser igual se podemos ser tão diferentes...? Quem tem brilho próprio não precisa ofuscar o dos outros.

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