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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

domingo, 30 de janeiro de 2011

What's my age again?


Que idade você tem? 15, 20, 25? Está lendo o blog porque o acha de acordo com a sua faixa etária? Ou não tem mais idade para ficar lendo essas bobagens?
A idade faz parte da nossa identidade social. A sociedade divide-nos em crianças, adolescentes, jovens e velhos. Classifica-nos, impede-nos de exercer determinadas coisas por causa do ano que nascemos e quanto tempo decorreu desde então. Com determinadas idades, não podemos mais nos vestir de certas formas, ter certos comportamentos, falar certas coisas. Isso parece implicar até na sinceridade. Quando crianças, se falamos que a tia Kate está gorda, nossa mãe nos lança um olhar de reprovação e nos censura depois que a tia Kate se vai. Vão nos moldando, ensinando os padrões, tolhendo as espontaneidades. Uma menina de 11 anos não pode brincar com os meninos porque já está mocinha. E não pode usar saia curta, em compensação, tampouco o desejado batom. Uma criança, no quarto aniversário, não pode mais incorrer em acidentes na cama, provocados pelo excesso de líquidos. E também não fica de bom-tom uma moça solteira sair com muitos rapazes, mesmo que entre eles haja só amizade. Aos 18 anos, o céu! Temos capacidade de dirigir, de decidir nossa vida, de casar, de viajar, de fazer tudo! Não se leva em conta que na véspera, ainda tínhamos 17 e todas as limitações decorrentes de se ser “menor de idade”. Mas, o verdadeiro e real problema não reside propriamente nessas questões, mas na aceitação total e inquestionável de uma diretriz tão bronca. Especialmente no que concerne aos direitos dos adultos. É como se do dia pra noite você não pudesse mais fazer as coisas que te davam prazer, simplesmente por “não ter mais idade”. Cortam-se alguns elementos da dieta; proíbe-se a si mesmo de assistir programas de TV que gostava; coíbem-se certas cores. Uma guerra psicológica. O mundo exige que sejamos sóbrios e precisamos correspondê-lo!
Baudelaire descreveu o gênio como a infância propositadamente recuperada. E ele tinha razão. O adulto em você usa terno e sapatos. Olha para os dois lados antes de atravessar a rua e não lambe a tampa metálica do iogurte.
A criança em você anda descalça e brinca pela rua. Tenta se equilibrar no meio-fio e joga futebol com uma embalagem esquecida.
O adulto bate na bola para acertar e zanga-se se não o faz.
A criança arrisca. O jogo é a diversão.
O adulto pensa demais, tem muitas cicatrizes e está algemado pelo excesso de conhecimento e por muitos limites, regras, pressuposições e ideias preconcebidas. Em resumo, o adulto é um paspalho sem graça.
A criança é inocente e livre, não sabe o que não pode ou não deve fazer. Enxerga o mundo como ele realmente é, não do modo que ensinaram aos adultos a acreditar que seja. A criatividade e inventividade caracterizam as crianças antes de serem deformadas pela sociedade adulta. Elas quebram as regras porque não sabem que as regras existem. Elas falam que a vó está feia porque ela está feia mesmo e não vêem qual o mal em lhe dizer. Fazem coisas estranhas com as quais seus pais se sentem pouco à vontade. As crianças entram na escola como pontos de interrogação e saem como pontos finais (Neil Postman). A maioria deixa-se engessar pela mediocridade por não ter condições de discernir o que é, de fato, adequado.
Idade é só um número! Representa apenas o tempo que está por aqui! Uma questão social e levemente anatômica. Digo levemente porque conheço pessoas de 16 que parecem ter 26 (com todo respeito aos de 26). Eu mesma tenho carinha de adolescente e cabeça de uma mulher de 4 décadas, sendo que a minha idade cronológica atual fica bem no meio termo. Há tantas pessoas jovens e maduras, há tantas pessoas mais velhas que não sabem o que é maturidade. Há tantas pessoas aparentando menos ou mais idade, seja física, seja psicologicamente. A idade é apenas uma convenção social, que delimita namoros, amizades e relacionamentos. Que dificulta acordos e promove a diferença. O homem tem de ser mais velho; tem de se ter 18 ou 21; pessoas de 60 anos em diante são improdutivas. Quem nunca ouviu isso?
O mundo não prioriza a naturalidade, a sinceridade, a essência. Há livros acadêmicos ensinando a ser dissimulado e formal em um “ambiente profissional”.
Deixe a criança que existe em você aparecer. Não tenha medo, solte-se! Corra pelo corredor, algum dia, no trabalho. Tome um sorvete na sua mesa. Faça uns desenhos na sua janela com um pincel atômico. Cante alto no elevador. As crianças são felizes porque se permitem! Ser feliz é ser idiota para o senso comum.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

As pessoas em nosso caminho


Às vezes, nos perguntamos por que certas pessoas fazem parte de nossa vida. Pessoas que chegam de repente, ou mesmo nossa família, que nem sempre é como gostaríamos; pessoas interesseiras, falsas, invejosas. Pessoas que não nos respeitam, valorizam ou amam... Por que temos de suportar pessoas assim em nosso caminho, em detrimento de outras que nos seriam muito caras?
A resposta é muito simples: em determinado momento você foi assim com alguém ou despendeu energia suficiente para que a ação retornasse. Tudo, absolutamente tudo no mundo responde às nossas ações. Se você desconfia de alguém, estará criando condições para que alguém, em algum momento, desconfie de você. Se fala pelas costas, será alvo de fofocas; se acusa, será acusado. E ainda, o pior de todos: jamais julgue. Não cabe a você julgamento qualquer, pois que só Deus pode sondar o coração das criaturas. De repente, um dia, você percebe que aquilo que parecia um mal era um bem e que a parte errada era a sua... E nem mesmo o remorso (se tiver a dignidade de tê-lo) poderá livrá-lo do julgamento alheio, por reação que exclusivamente você causou.
O pior tipo de falso é o sonso, pois age às suas costas e ri com você. E é incrível perceber que, por vezes, até seres por quem prestamos inteira admiração e confiança são capazes de agir dessa forma, colocando-se em papel de ameaça. Imbuídas dessa insegurança, as pessoas sentem-se livres para julgar, condenar, difamar e infamar a bel-prazer. Nada nos leva a mergulhar com mais intensidade em uma paranóia que o medo, a certeza de estarmos ameaçados. Quando nos sentimos vítimas, todas as nossas ações e crenças são legitimadas, por mais questionáveis que sejam. Nossos oponentes, ou simplesmente nossos vizinhos, deixam de estar no mesmo nível que nós e se convertem em inimigos, intimidadores, psicopatas. Deixamos de ser agressores para nos transformarmos em defensores, segundo nossa cabeça doente. A inveja, a cobiça ou o ressentimento que nos movem são santificados, pois nos convencemos de estar agindo em defesa própria. O mal, a ameaça, sempre está no outro. 
Ninguém é vítima das circunstâncias. Todos estamos vivendo envoltos por faixas energéticas distintas, como as ondas do rádio. O mesmo acontece com nossas relações aqui na Terra. Só que as ondas neste caso serão nossos pensamentos e o rádio serão as várias pessoas que encontramos no caminho. Tenha boas atitudes e bons pensamentos se quiser ouvir estações melhores. Tire uma lição das pessoas do seu passado e deixe-as ir. Se fossem fazer falta, ainda estariam no seu presente. Você já ouviu falar que Deus escreve certo por linhas tortas? Seja um bom leitor e aguarde o capítulo final que ele tem pra você. Vai valer a pena!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Um beijo à luz do luar

            -  Qual sua música preferida, Márcio?
Estavámos naquele lugar considerado por mim como especial. De frente um para o outro, sentados – ele com as pernas estendidas, eu sobre as minhas.
          - Por quê?
Ai! O Márcio me matava! Ele já tinha passado da fase dos porquês há muito tempo!
          - Só pra eu saber, oras!
          - Hum... Então tá. Tem várias. Mas, tem uma que é assim: “É preciso amar... as pessoas como se não houvesse amanhã... porque se você parar... pra pensar... na verdade não há...”
      - Boa escolha – sorri.
O Márcio era o menino mais bonito da escola e eu era sua melhor amiga. Falávamos de tudo, e em todos os trabalhos em grupo nossa dupla era garantia.
Sexta série... Não imaginava a dificuldade que ia me sufocar durante o ano. Não fossem as aulas particulares e as provas de reforço, talvez não tivesse passado. E procurava impressionar o Márcio também. Ele era meio burrão e vivia me pedindo cola.
        - Sabe, quando eu crescer e for um grande escritor, vou escrever um livro sobre esse lugar. Se você soubesse cada coisa que já pensei aqui... Todas as mágoas que vim afogar sob essa árvore...
      - Você gosta mesmo daqui, não é?
        - Mesmo. É o lugar que me acolhe com a minha tristeza. Eu amo esse lugar!
Menino e poeta.
        - Também gosto. Ar fresco, água cristalina... Você... - e fazia um esforço sobre-humano para não expor aquela sensação.
          - E liberdade – completou.
          - É... Liberdade – repeti pensando. Não soube mais o que dizer. - ... Vamos pra casa? Está começando a escurecer.
          - Pode ir. Eu vou ficar mais um pouco.
         -  Não vou sem você. Eu fico também.
Ficamos por lá enquanto a noite caía, mais em silêncio que de costume. Eram nossos olhos naquela hora os responsáveis por longas conversas cheias de dúvidas e perturbações, da vida, da morte e do amor.
          - Eram sinceras as respostas na enquete? - tomei a coragem para quebrar o clima prateado que se instalou debaixo do halo de estrelas.
Ele parecia hipnotizado, olhando para o céu que fazia banhar a esplendorosa sombra de prata lunar sobre nós dois, indo refletir no açude.
          - Por quê?
Aiiiiii.... Paciência... Eram atos como aquele que conseguiam estragar uma cena!
          - Só por perguntar, Márcio. Você não é capaz de me dar uma resposta direta??
Ele riu da minha empertigação.
         - Não. Eu nunca beijei ninguém.
Tentei não dar demonstração do misto de sentimentos e cores dentro de mim, a começar pela cara vermelho pimentão.
         -  Aposto que não foi por falta de proposta – investi.
Me olhou.
          - Esperei sempre por um momento especial, por uma menina que achava que não ia mais aparecer.
Meu Deus, será que ele tá dando indireta pra mim??
          - E parou de esperar?
         - Parei.
          - Por quê?
         - Porque acho que esse momento chegou.
Aproximou-se mais e sugou os meus lábios. Um beijo curto, doce, inesquecível. O meu primeiro beijo. O primeiro beijo dele. Nosso primeiro beijo...
Seis anos depois, sentada sob aquela árvore, tomava minha decisão mais importante: ser escritora. Com os olhos úmidos, levantei a cabeça atraída pelo belo céu de inverno. A lua estava linda e banhava o bosque com sua luz leitosa.
Fitei aquele céu que agora me dava tanta paz, pois sabia que Márcio velava por mim. Ele, que certamente descansava além das estrelas, lançando seu lindo sorriso e suas doces palavras, que ecoavam através do espaço para guiar e abençoar minha vida.
Menino e poeta.

Capítulo do livro "Vida pela metade", meu primeiro, escrito quando tinha 14 anos. Os últimos dois parágrafos são do capítulo final, portanto caracterizo tal publicação como um conto.

Um dia mais


Na casa humilde, caiada das muitas chuvas já sofridas, ouvia-se apenas o barulho habitual da lenha crepitando no fogão e a água borbulhando na lata, derramando-se nas labaredas que estalavam:
         - O café! Ainda não coou, menina preguiçosa! Qualquer dia desses jogo esta porcaria dessa bruxa no fosso! Não presta pra nada! Sete anos, uma moça!, e brincando de boneca!
Resmungando ainda, atirou a um canto o feixe de gravetos que trouxera de volta da roça e começou a preparar o tal do café. Logo mais, os homens viriam para comer, e polenta não tinha, nem feijão, como iam suster da força que precisavam? O menino já não parecia bem mais novo, magrela daquele jeito?
Abriu o armário velho e um tanto sujo, procurando o que fazer para o jantar.
         - Vida desgraçada. O que temos mal dá pra matar a fome do seu pai. Nem os ossinho que pedi no açougue não tem mais.
Júlia deu de ombros. Estava habituada às queixas da mãe, sempre reclamando da vida miserável a que estava condenada.
         - Massa com batata doce de novo, muié!
Ela espremia limão num canecão que já foi lata de óleo.
        -  Ah! O rei deseja pernil ou quem sabe um peru gordo?
         - Quero a carne que estava na banha.
          - Acabou! Tu mesmo comeu toda.
         - O pão é puro fubá, esbruguento, duro!
          - Ainda bem que reconhece. Foi o que pude arrumar.
Ele foi para o quarto e voltou com uma garrafa já aberta, o gargalo saltitando pra goela seca.
          - Bebe só um copo, por favor – pediu o filho e saiu de perto, pra fugir dos tapas.
          - Que é que tá pensando? Pode mandar na minha vida como se fosse criiança? Pois, vá se criar! Criei vocês, só eu e a véia e Deus. Às vezes, acho que até sem deus mesmo! - e jogou uma cebola no moleque.
A mãe já assumiu cara e postura de infeliz.
          - Pois suma, mulher do inferno! Só sabe queixar. Se abrir mais o beiço, eu sento o braço.
A cena se repetia com frequência e quase sempre acabava em troca de sopapos.
O homem passou a bradar alguns palavrões a ninguém, a mulher foi lavar a louça, pegou o lampião e levou pra cozinha, onde o mocinho se atentava para a beleza da tarde que morria no sol incendiado, aos poucos escondendo-se na linha do horizonte. Assim se ia mais um dia. 

Saia da rotina


É claro que você está numa rotina. Admita isso.
Por que você pensa em fazer as mesmas coisas do mesmo jeito, na mesma ordem, todas as manhãs, ao acordar? Ou toma o mesmo café da manhã, vai à mesma padaria todos os dias? Ou vai para o trabalho do mesmo jeito todo santo dia? Ou sempre lê as mesmas partes do jornal? Ou sempre compra as mesmas coisas no supermercado, as mesmas marcas, os mesmos sabores e tamanhos? Ou sempre assiste aos mesmos programas de televisão. Ou come do modo que come, veste-se ou pensa do jeito que pensa, ou, ou, ou?
É porque está numa rotina.
E porque está nessa rotina, todos os dias seus cinco sentidos estão registrando as mesmas coisas que registraram ontem – as mesmas paisagens, os mesmos sentimentos, os mesmos cheiros, os mesmos sons, os mesmos paladares.
Claro. De vez em quando surgem coisas diferentes. Você não pode evitar. Só que elas se insinuam a despeito do que você estiver fazendo e não devido a isso.
Já tentou ler pelo menos um livro sobre um assunto pelo qual não tenha nenhum interesse?
Ouça uma estação de rádio que nunca escutou antes.
Estude latim.
Peça alguma coisa em um restaurante sem saber exatamente o que é.
Leia o rótulo de um pacote de pizza congelada. Leia uma bula de remédio. Leia um livro infantil. Leia uma revista da qual nunca tenha ouvido falar.
Verifique alguma coisa na internet que julgue não gostar. Alugue um filme do qual nunca ouviu falar.
Vá almoçar com outra pessoa, em outro lugar.
Escute com atenção uma música de que você não gosta.
Aprenda a ler partituras. Aprenda a linguagem de sinais. Aprenda a fazer croquetes e aprenda a dar nós.
Comece a pintar com aquarela.
Estude grego, mandarim e português.
Visite uma loja, uma galeria, um museu, um restaurante, um mercado, um shopping, um lugar que você nunca visitou antes. (Muita gente vai conhecer museus em Paris, sem nunca ter pisado nos da própria cidade!).
É claro que não estou dizendo para fazer todas essas coisas. Mas, por favor, faça alguma coisa. Algo diferente, algo que o tire do ponto morto, algo que o coloque numa outra direção, algo que o tire do habitual.
É claro que você está numa rotina. Admita isso.

Ainda sou esquisita

Eu sempre soube.
Sempre fui aquela a quem ninguém entendia e a quem poucos amavam.
Mergulhada em meu silêncio de complexos sentimentais, nunca entendia porque todos eram tão diferentes de mim, ou seja, tão iguais.
Entre aglomerados, mal podia pinçar um, pois se equiparavam sempre em atitudes, em comportamentos e em mediocridade.
Sempre fui aquela a quem respostas não eram convincentes, explicações eram insuficientes e a quem silêncios eram atestados de inabilidade.
Aquela mergulhada em vazios e vácuos soturnos, dada a questionamentos profundos, distante das teses dos normais.
Não sou desse mundo – concluía com freqüência.
Analise – continuava para mim mesma. – As pessoas não apreciam solidão, enquanto você reconhece que ela é, por vezes, necessária. Todos gostam tanto de falar, mas você dá preferência a ouvir. Todos precisam de barulho, você, de silêncio. Todos gostam de casos fortuitos e sexo, você é mulher de amar uma vez só, meio ascética e assexa. Todos se abarrotam de rótulos, você é apenas alguém...
E, como a fazer a maior descoberta do mundo, voltava a rematar:
Não sou desse mundo...


Ainda sou esquisita. Meio estranha demais, taciturna, imergida em sonhos que todos despropositam irreais.
Aquela estrangeira, que não conhece quase nada, mal fala a língua, é um pouco puritana, um tanto curiosa e perdida...
Uma forasteira, aventurando-se em planeta desconhecido, um planeta quiçá mais esquisito que ela. Aqui, chamam sexo de amor, fidelizam-se a sentimentos impuros e uma tal moeda de troca tem mais valor que o que importa de verdade. Aqui compram coisas incompráveis e não adquirem por bem o que se poderia adquirir de graça. E as pessoas te consideram mediante o que você veste ou aparenta, ou conforme outros interesses que não o seu eu de verdade...
Ainda sou esquisita. Talvez eu nunca me cure. Mas, é uma doença menos perigosa que a que o mundo pode me contagiar. Por isso, assim, na minha esquisitice, sou quase afortunada.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Livre-arbítrio


Quem já não foi acordado bem cedo, ou desviado de seus afazeres ao domingo de manhã por um grupo de homens e mulheres carregando grande quantidade de panfletos em uma pasta embaixo do braço, e na mão a Bíblia Sagrada para nos trazer a palavra do Senhor?
Será que algum desses grupos sabe o que é livre-arbítrio?
Não!... Com certeza o pastor não lhes ensina isso, até porque não é essa a sua intenção.
Chegam à sua porta muito educados, mas, pouco esclarecidos, com trechos já decorados da Bíblia, principalmente os que mais interessam à filosofia gananciosa do seu pastor, e mais parecem pessoas a quem fizeram uma lavagem cerebral porque repetem sempre as mesmas coisas. E quando fazemos menção de nos retirarmos, ficam-nos olhando como se fôssemos os maiores pecadores do mundo.
Um dia, já cansada de ouvir baboseiras, tive a infeliz idéia de lhes dizer que não precisava de outra religião, pois tinha a minha que preenchia todas as necessidades religiosas, além das filosóficas e científicas. Alguém quis saber qual era e eu respondi que era espírita e estudiosa espiritualista.
Nem imaginam como foi difícil dali para a frente o nosso diálogo. Primeiro pularam para trás, como se estivessem na frente do próprio Lúcifer, em seguida, fizeram o sinal-da-cruz para se imunizarem de qualquer ataque ou artimanha do demo, depois todos juntos esgotaram o repertório de orações e trechos bíblicos para me exorcizarem.
Tudo isso me deixou muito irritada; fiz uma voz cavernosa imitando o diabo e disse para uma das senhoras presentes que se não saísse logo dali levá-la-ia comigo para o inferno, porque trair o marido com o próprio pastor era um pecado que dava direito a sentar-se ao lado esquerdo de Lúcifer.
As últimas palavras pronunciei-as para mim mesma, já que todos debandaram às pressas carregando as suas pesadas e mal usadas Bíblias.
Por que será que não me deixam usar o livre-arbítrio para ser o que quiser? Querem fazer de mim uma chata igual a eles, andar de porta em porta para convencer as pessoas a pagar o dízimo e engrossar a conta bancária de um pastor espertalhão, além de repetir coisas sobre as quais nunca me questionei.
Antes de abraçar certas coisas, as pessoas deveriam usar de senso crítico e analisar todas as implicações. Pertencer a este ou àquele grupo deve ser uma escolha, não uma indução. Se os outros não respeitam seu livre-arbítrio, comece você respeitando-o.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Você se lembra?


Lembra, nós passaríamos a noite acordados
Conversando até a luz da manhã
Assim costumavam ser
Nossas noites
Só você e eu.

Você se lembra
De tudo aquilo que parece tão distante
Mas que nunca saiu daqui?
Lembra de quando rimos muito
De quando choramos juntos
De quando você me contou um segredo que mais ninguém no mundo sabia?

Você se lembra?
Da fazenda onde íamos montar um asilo
Sua casinha amarela com barro vermelho na frente
Você se lembra que eu e você queríamos ter uma filha chamada Vitória?

Você se lembra das promessas?
Ia me ensinar a andar de jet sky
Montar a cavalo
Íamos a Veneza
Você se lembra que me disse que lá tinha cheiro de peixe?

Você se lembra das nossas conversas em grupo?
Dos planos do parque de diversões...
Você se lembra de ter mentido para mim?

Lembra, nós costumávamos rir e dizer
Ninguém jamais entraria no nosso caminho
E houve vezes
Em que você chorava
E eu estava sempre lá
Para abrigar a sua dor

Você duvida que eu te amo
Mas você se lembra?
Você já se perguntou por que eu te dei três desejos?

Lembra, nós estaríamos acordados a noite toda
Conversando até a luz da manhã, é
Do jeito que costumava ser
Aqueles dias simples
Só você e eu, bebê.

Você me pergunta a verdade
E construiu sua própria verdade
Mas a sua verdade é a mentira em você.
Sua verdade é a mentira em você.

A resposta, garoto
Mente em seu coração
Dá uma olhada dentro
A sua verdade é a mentira em você, sim.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Seu ego é maior que o seu nariz?

Pois é bom que não seja. E seria ideal também que ele tivesse dois furinhos, para esvaziar-se por si mesmo.
Preste atenção: você não é melhor do que um gordo porque você é magro.
Você não significa nada mais que um homo porque você é hetero.
Você não é superior a um negro porque você é branco.
A maioria das pessoas que se tem em mais alta conta fecha os olhos para as verdades da vida. Veja bem, isso não tem nada a ver com auto-estima. Tem a ver com EGO, com o “eu”, com achar-se mais que os outros. Seus pais te amam, mas o mundo não vai passar a mão na sua cabeça. É melhor se acostumar ligeiro com a idéia: você não é melhor que ninguém. Ponto. Se gosta de ser sarcástico ou irônico em horas inoportunas, é melhor repensar sua vontade de ter amigos. Pois um dia, na roda gigante da vida, você vai estar lá embaixo. Não se esqueça que o mundo dá voltas e as coisas mudam o tempo inteiro de lugar. Egos indomáveis são mais suscetíveis às intempéries da vida!
Sim, repito, você não é melhor que ninguém. A raça ariana não existe. Se pensa que é maior que uma mulher por ser um homem, você está vivendo em século retardado. Desperte! Comece a tratar os outros como deseja ser tratado e dê uma olhadinha no tamanho do nariz, digo, do ego, se não quer colher hostilidade. Tirando as vendas dos olhos, é mais fácil caminhar.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Grandes Esperanças


Naquele exato momento,
Atravessando a chuva suspensa,
Apareceu aquele menino
Que só vivia no retrato que eu apertava contra o peito.
Pegou minha mão e foi me guiando
Deixando para trás aquela presença gelada
Que se arrastava às minhas costas.
Uma brisa acariciou minha pele
E trouxe o alento perdido
Das grandes esperanças.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Porque os romances vendem

Há de se perguntar por que uma história melosa e que escandaliza totalmente o mundo dos vampiros vende que nem água. Entretanto, além de “Crepúsculo”, muitos outros romances açucarados alcançam bilheterias estrondosas, fazem tremer as bases dos mais durões e, se não derramar lágrimas, ao menos refletir, os mais insensíveis.
A verdade é tão simples que quase não precisa ser dita: romances vendem porque é o sonho da gente. Todos, homens ou mulheres, jovens ou velhos, hetero ou homo, acalentam as mais doces ternuras acerca de uma vida a dois. É o amor perfeito de Hollywood, recheado e quente como sonhos de padaria; é a magia da primeira paixão de escola que, embora irreal, poucos conseguem reproduzir ou outra conquistar com igual inocência de sentimentos e quereres. Para ela, o príncipe lindo, forte, romântico e sensível, que sabe o que dizer e quando; o homem que a ama acima de tudo e se preocupa com seu bem-estar; que lhe elogia o perfume de margaridas e leva waffles com suco de laranja na cama. Para ele, a garota única, virginal, inigualável, que o fará sentir-se igualmente único, incomparável; meiga, dócil, amorosa. Linda, ingênua, que aspira sua proteção.
O engraçado é que, embora cultuando tais estereótipos em sua imaginação íntima, a maioria dos viventes busca no externo exatamente o contrário, priorizando contatos breves, sensuais, inexpressivos e lamentáveis. Todo mundo acha lindo e utópico o que os filmes, livros e comerciais de margarina vendem; no fundo, contudo, ninguém acredita nessa ladainha toda de que vai ser feliz pra sempre com alguém e ou encontrar em uma única pessoa tudo o que precisa. São tantas ilusões, mentiras e verdades desencontradas...! Afinal, o que se precisa está sempre dentro da gente! Só podemos nos encontrar em nós mesmos. Ponto. E feliz pra sempre ninguém vai ser mesmo; há de se ressaltar a convivência, os incômodos defeitinhos do cotidiano que, em uma relação apaixonada, jamais se manifestam nos primeiros tempos. Há de se lembrar dos desacertos de opinião, das falhas de comunicação, da humanidade que não é mostrada nos filmes (no sentido de: stop, pause, não somos super heróis!!).
Romances vendem porque é o sonho da gente.
Como roteirista, posso dizer que tudo para uma história é pensado; há uma estrutura que garante que cada fala ou ação vá perfeitamente de encontro aos objetivos da trama. Na vida real, porém, onde nossos textos são mais complexos e dispomos apenas de uma visão parcial dos fatos, não dá para exigir sintonia perfeita, ligação ímpar, comunhão de ideais e flores pela manhã 100% das vezes. É pedir demais, quando, muitas vezes, sequer permitimos ao parceiro nos conhecer de verdade e eles, a nós, conhecê-los.
Romances vendem porque roteiros são perfeitos. Os cenários são sempre incríveis e as falas sincronizadas. E todo mundo compra a ilusão de um amor perfeito. Só que, perfeito de verdade, é quando uma briga termina com um beijo; apostar corrida com os carrinhos do supermercado; lavar o carro juntos; cantar desafinado no karaokê ou simplesmente pôr a cabeça no colo dele (a) e ficar em silêncio... Sair da mesmice, viver o sentimento. Para um amor ser perfeito, basta ser criativo. E doses fortes de paixão, claro! Porque qualquer romance pode ser perfeito, se não tivermos a pretensão de projetá-lo em algo inexistente nem de compará-lo a algo incomparável. Cada momento é um momento e só uma vez você vai poder fazer algo dele. E é esse algo que fizer que vai te mostrar no futuro se valeu a pena ou ficou pra próxima. Perfeito, não?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Erro ou verdade?


Nosso amor hoje
É apenas uma parte do passado
E em nossos corações
Existem apenas saudades.
Tentei dar-te tudo de mim e,
Se errei em minha ação,
Lembre-se de me perdoar
Pois tudo começou
Quando ninguém esperava,
E tudo acabou quando apenas começava.
Só uma coisa nunca saberei
Se foi real ou ilusão
Se foi erro ou verdade.

River

Eu juro que te conheço
Conheço sim, eu sinto
Olhando nos olhos teus
Não é difícil perceber
Eu sempre te conheci
Sempre te amei
Sempre te entendi
Rio da minha existência
Fluxo da minha alma
É indizível a saudade que sinto de ti
Mesmo sem nunca ter estado contigo
É além do que as palavras podem dizer
A ligação que te tenho.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Cuidado! Vampiros existem

Estava tudo certo para a viagem dos seus sonhos, mas, de repente, o pacote foi cancelado, subiu de preço e sua companhia desistiu.
Você escolheu um apartamento lindo, todo decorado, comentou com uma amiga o quanto estava feliz. Só que, do nada, a imobiliária cancelou o negócio sem lhe dar maiores explicações.
Ah, você não acredita? Mas, vampiros existem, sim!
Quando nos sentimos fatigados, após uma conversa, até mesmo por telefone, é porque nossas energias foram sugadas e ficamos enfraquecidos. O que alguns chamam de inveja, mau-olhado ou olho gordo é o famoso vampirismo. No mundo, tudo é energia e, conforme a maneira como ela é depositada ou investida sobre pessoas, animais ou objetos, pode trazer-lhes danos ou prejuízos, se não para o alvo em si, para o que lhes é caro, ou se fazer perceber por desânimo e falta de entusiasmo.
Vampiros estão por toda parte! Além dos invejosos, há aqueles que são especialistas em colocar você pra baixo. São exímios criticadores, estão ali para te dizer que nada vai dar certo; que outra pessoa tem ou faz melhor que você; para lhe apontar defeitos ou nas suas coisas. Vampiros sugadores, que só reclamam, reclamam, reclamam, sem fazer nada para mudar, jogando suas energias nefastas sobre os ambientes e as pessoas! Vampiros traiçoeiros, que mexem seus pauzinhos pra f#d&*! com você...
Certo, você já entendeu. Vampiros existem, estão por toda parte e nem sempre você pode, de pronto, reconhecer um. Portanto, cuidado!

sábado, 8 de janeiro de 2011

É Cada Pequena Coisa


Se você perguntar o que eu sinto
Direi: Amor
Se você perguntar como eu sei, direi: Confiança.
Mas, se isso não te convencer,
Saiba que
É cada pequena coisa...

Cada pequena coisa que me faz te amar
E não há um caminho que eu possa te mostrar
É cada pequena coisa que você faz
É cada pequena coisa que você diz.

Não há nada que eu possa apontar
É cada pequena coisa que faz eu me apaixonar por você
É cada pequena coisa que faz com que eu queira me sentir desse jeito
Não me pergunte como
Não me pergunte por quê
Apenas sinta e perceba
Pois esse é o segredo que nos mantém ligados, bebê.

Mas,
se isso não é suficiente
Mas,
Se você precisa saber a razão
É cada pequena coisa que você faz
É o seu olhar
É o seu sorriso
Todas as suas lágrimas,
Todas as suas risadas
Todo o seu coração
Que fazem isso realmente ter significado
Que fazem eu ter certeza que te amo.

E, se você quer saber
porque eu simplesmente não posso te deixar
Eu posso te explicar
É que com cada pequena coisa que você faz
Cada pequeno sonho torna-se real
É que com cada pequena palavra que você diz
Cada pequena verdade torna-se grande.

É cada coisa, cada pequena coisa que você faz
Que faz eu me apaixonar por você
É cada coisa, cada pequena coisa que você diz
Que faz eu me sentir deste jeito...

E não há um caminho que eu possa te mostrar
Não há nada que eu possa apontar...

É cada pequena coisa...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ausência

Eu estou com saudades... Saudade do que já foi, mas especialmente do que não foi... Saudade de nossos rodízios na máquina de café, o hot dog style no Juventus, que nunca aconteceu; saudades de... tanta coisa...
Me sinto triste... Porque não quero te pressionar, mas sua ausência me dá a impressão que nada disso valeu a pena, como se eu tivesse visto uma propaganda de um produto que foi muito convincente, mas ao comprá-lo, ele não funcionou...
Preferia um “Chega, Kelly” do que essa ausência de palavras, de contato, que me coloca pra baixo como se eu não valesse nada...
Tinha muito mais a falar, mas não adianta ficar enchendo linhas... se talvez elas não signifiquem nada para quem são endereçadas.