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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Não acredito em heterossexualidade



Dos anos 90 para cá, muito se tem falado sobre as variadas “opções” sexuais das pessoas, geralmente classificadas como hetero, homo, bi, assexuados, entre tantas denominações, e levando em conta poucos fatores de análise, enquadrando toda população em um único gigantesco grupo, como se a todos fosse dada a mesma criação, cultura, oportunidades, genética. Além dessa maneira de ver, a própria ciência arrisca-se em estudos sem nexo, tentando comparar um e outro ser, uma e outra espécie, partindo do pressuposto de que um determinado comportamento estaria ligado a um gene, capaz de condicionar o cérebro humano, ou que, através dos hormônios e a sua disposição, essa pessoa seria mais inclinada a gostar de homens, de mulheres, ou, quem sabe, de ambos.
Sem querer desprezar a ciência, mas já desprezando, e sem o velho ar professoral de dona da verdade – que não sou – gostaria de expor aqui as minhas próprias conclusões a respeito, embasadas em outras teses e observações, sopesando fatores antropológicos e científicos também, mas especialmente os metafísicos e individuais, pouco abordados.
Para começar, apesar de amplamente discutida nas últimas décadas, desde os tempos primórdios, a condição sexual do ser humano nunca foi definida pelo seu sexo biológico. Na Grécia Antiga, antes de Cristo, os meninos eram iniciados por homens mais velhos e o sexo com mulheres era considerado apenas para fins de reprodução. O homem era visto como um ser nobre e superior e, por isso, o prazer só era permitido entre iguais. A homossexualidade era uma cultura e vista com olhos naturais.
Antropológica e historicamente, o homossexualismo sempre se fez presente no ido dos séculos, porém por efeito das imposições da Igreja Católica, passou a ser encarado com o tom pejorativo que ainda preserva nos dias atuais. Por mais que se digam sem preconceitos, os bons costumes se negam a valorizar um beijo entre dois homens ou duas mulheres e, a nossos olhos, isso soa, no mínimo, estranho, uma vez que foge ao padrão de normalidade a que estamos acostumados. Ninguém quer ser aquilo que destoa da dita “normalidade”, de forma que a taxa de suicídios entre jovens do gênero masculino até 25 anos sempre foi maior – seria errôneo afirmar que em virtude dessa percepção em si? Entre as mulheres, o homossexualismo não parece digno de tanta polêmica e preconceitos e talvez visto como uma condição passageira.
Defendendo, entretanto, o título do artigo, não acredito em heterossexualidade. Todos negam, debatem-se, mas em algum momento da vida, já se depararam com a questão – seja em si, seja em alguém próximo – e se pôs a filosofar sobre todas as implicações da relação de afeto e ou sexo entre pessoas do mesmo gênero, e nessa hora percebeu que tudo que sabia era o que lhe falavam, vira na televisão, sem embasamento próprio ou convincente que o fizesse refletir sem conceitos pré-adquiridos inconscientemente a respeito do assunto em pauta.
A última geração não está mais vendo uma “barreira” – os que vêm agora, já vêm com uma cabeça mais arbitrária, menos engessada e não SÃO hetero nem homo nem bi – no máximo ESTÃO alguma coisa. Eles são menos ortodoxos em se deixar rotular e acreditar nisso como uma condição eterna, estão mais abertos a experimentar, a tentar e voltar “atrás” caso percebam que aquele não lhes pareça ser o caminho mais apropriado. Há ainda uma questão que deriva disso, que se trata da homossexualidade em sentido afetivo e da que se trata em sentido sexual.
Muitas pessoas preferem o mesmo sexo por razões fisiológicas – elas têm necessidade sexual de parceiro, precisam de sexo e é isso que as move. Muito é defendido que homossexuais são promíscuos, mas os ditos heteros, muitas vezes são flagrados em comportamentos bem mais lascivos e não incorrem em julgamento tão severo – não é utilizada a mesma régua de medição! Isso faz crer que tanto em um que se proclama como uma coisa quanto outro que se condiz com outra, encontram-se pessoas sérias e libertinas, profundas e superficiais, românticas ou concupiscentes. Existe ainda o homossexualismo afetivo, que se caracteriza como uma relação sentimental com o outro, tornando-se o sexo um complemento ou sendo ele até mesmo não levado em conta – diferente das paixões, que misturam sentimento e volúpia – visa-se um amor mais pleno, elevado, que sublima a pureza do sentimento.
A ciência defende ainda que o gênero bissexualidade é inexistente; estes, seriam homossexuais que não pretendem deixar a zona de conforto propiciada pelo respaldo de hetero, enganando-se a si mesmos e gozando de algum subterfúgio ante a sociedade. É um assunto que leva a tantos outros e, jamais, com verdades absolutas, uma vez que cada caso é um caso, que é muita pretensão minha ou da ciência ou seja de quem for tentar achar uma explicação plausível, a não ser, separar o tema em tópicos, analisá-los, refleti-los e assimilá-los, segundo o sistema de crenças e vivências de cada um.
Acredito que não podemos ver tais coisas – naturais – como são, devido ao que o padrão e a sociedade nos mostram que é certo; devido aos estereótipos construídos desde tenra idade em nossos inconscientes, dos quais não é fácil se libertar. Percebo que há pessoas que, em determinadas fases da vida, sentem inclinações e que nem sempre isso é determinante, embora as pessoas façam piadas, as mais diversas, dizendo que não existe “ex-gay” (e, acho que não existe mesmo, devido essa limitação auto-imposta da maioria de dificilmente se reinventar). Percebo que ninguém se classificaria mais, se se permitisse usar de toda a sua liberdade, levando em conta, antes de tudo, a natureza dos seres como pessoas, e não como gêneros sexuais. Somos todos dignos de amor e o sexo é apenas um pequeno aspecto desse sentimento. Um aspecto muito terreno e superficial, diga-se de passagem.
Por que duas pessoas se apaixonam?
Porque suas energias combinam. Quando isso ocorre, as pessoas sentem que se fundiram. As duas se transformam em uma só criatura. Normalmente uma das pessoas tem uma carência que a outra preenche sem que isso lhe tenha sido pedido. A combinação é automática e, pelo tempo que você permitir, o ser amado o encherá de energia e o fluxo do amor será muito maior do que quando você não estava enamorado.
(Deepak Chopra).
Para atingir evolução de nível pessoal, todos teremos experiências em corpos masculinos e femininos, constituindo, antes de ligações amorosas, ligações espirituais que, conforme sua força, ultrapassarão nossos limitados padrões de compreensão humanos. Por isso, antes de julgar uma relação homossexual, deve-se ter em mente que ninguém está livre de nada nem deve se achar melhor pelo que o padrão diz ser o correto. Não julgue. Cada um é livre para fazer o que bem entender. A energia sexual é muito forte, talvez a de maior responsabilidade para o ser humano. Controlá-la é um dom, que vamos treinando durante as sucessivas encarnações, dando as diretrizes de seu uso. Energia sexual é energia vital, que a vida nos deu para ser utilizada em outros campos de nossa etapa evolutiva. Utilizar essa energia no trabalho, nas relações com as pessoas, no nosso dia-a-dia, é um aprendizado que renderá muitos frutos bons no futuro. No plano espiritual elevado, em esferas muito mais adiantadas do que a nossa, os espíritos não têm sexo, a troca dessa energia é feita de outra maneira. Não há rótulos. Os espíritos têm afinidades e se relacionam intimamente através da sintonia da alma.


Sou contra o chamado “orgulho gay”, pois o mundo não tem que aceitar nada, quem tem que se aceitar é você. E cada um tem seu próprio tempo de reconhecer as diferenças. Mas, sou a favor do amor livre, que exalta o sentimento de amor, e não de promiscuidade. Amor e sexo não são a mesma coisa, você pode amar alguém sem sentir-se atraído sexualmente por ele (a), e vice-versa.
Não olhe as coisas como parecem ser. Vá mais fundo, olhe com os olhos da alma. Aprenda a não julgar o que não consegue entender. Não estamos em ciência das nossas ligações afetivas e estas, quando verdadeiras, são como torrentes de água, que passam por cima de tudo, pois é o que temos de mais puro e forte. Não tente entender nada, não aceite nada que não condiga com a sua verdade. Ser fiel a você mesmo é o único jeito de ser digno verdadeiramente e o único caminho que jamais levará ao arrependimento.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Paradoxo

O que você limita, mas adora?
O que você adora, mas reprime?
O que você reprime, mas te liberta?
O que te liberta, mas você condena?
O que você condena, mas ama?
O que você ama, mas rejeita?

quarta-feira, 16 de março de 2011

O que há de errado em ser virgem?

Não adianta. Mais hora, menos hora a virgindade sempre vira motivo de polêmica. Para elas, troféu intocável. Para eles, vexame e desonra. Afinal, há algum problema em ser virgem?
Partindo do pressuposto de que cada um tem o seu tempo e suas experiências de acordo com sua maturidade ou a falta dela, não, não deveria haver. Contudo, ser virgem para os rapazes sempre foi motivo de chacota e, para as garotas, era visto com certo ar de glória em tempos passados – e coisa sem importância nos dias atuais. O fato é que, em tempos de liberalismo sexual, ser virgem é quase improvável – não é respeitado nem estimulado, ao contrário: quando Justin Bieber, aos 16 anos, diz ser virgem, é como se ele fosse o último virgem de 16 anos do mundo, meu Deus! E os Jonas Brothers são censurados; e o Kaká é agredido e a Sandy é beatificada! Isso é ridículo! É ridículo como a mídia manipula até mesmo um “tempo certo” para se ter a primeira experiência sexual sem ser questionada. E o cinema está cheio de pastelões americanos ridicularizando quem não se iniciou no sexo – a visão que se formou de quem é virgem é que são pessoas esquisitas, antissociais e de má aparência; nerds, crentes e gordos. A sociedade endeusou o sexo e o colocou em um pedestal onde, não desejá-lo ou não se achar preparado para ele é como ser vulgar, e não o oposto. Os crimes sexuais contra crianças são abominados, no entanto, meninas de seis anos aprendem a dançar o créu antes de aprender a ler.
Sim, acredite, existe uma corrente que não coloca o sexo como uma questão vital, e essa corrente tem sua normalidade discutida. Existe também uma outra – alguns virgens – que valoriza, antes da carne, o sentimento, o contato íntimo em outro sentido, o verdadeiro – aquilo que nos deveria divisar dos demais animais. Que o ser humano é instinto, é carnal, é selvagem – ah! Vá se foder, literalmente! Se somos seres pensantes, há um mínimo que podemos fazer com isso, e creio que agir com a razão é uma das principais atribuições. Fazer sexo NÃO É fazer amor – que fique claro. Dizer que faz amor e sair dando ou comendo qualquer um(a) é deturpar o sentido das experiências que devemos ter e mentir para si mesmo.
As coisas estão indo rápido demais hoje em dia e, de tabu, a virgindade passou a ser uma dúvida, um escárnio, um desprezo.
Tive a sorte na minha vida de conhecer dois ou três garotos (por isso, atesto que existem!) que valorizam suas virgindades a ponto de desejarem que ela seja “perdida” com quem as mereça, e não com a primeira vadia que tentar tirar-lhes. Conheci também garotos inseguros, que por pura pressão dos amigos ou comentários machistas de quem deveria lhe servir de exemplo e porto seguro, preferiu jogar essa ocasião fora com uma desconhecida em casinhas de luz vermelha à beira de estradas. E entre as meninas, há tantas desiludidas que acreditaram no primeiro “te amo” quanto grávidas mirins em postos de saúde públicos.
Gente, o que todo mundo tem que entender é o seguinte: a virgindade é sua! Isso é uma coisa especial, você tem que fazer quando estiver preparado, com alguém por quem, no mínimo, tenha sentimentos. Alguém que se importe! É uma coisa que vai levar para sempre, que não vai esquecer. E daí, se você tem 26 anos e ainda é virgem? É uma coisa sua, morra assim, se desejar. Não vá com o primeiro por medo de nunca perdê-la, isso que não vai valer a pena. O ato pelo ato vai te reduzir a um profissional do sexo. Pois, antes de sexo, tem de haver amor! Desejo, apenas, pode até bastar aos venais, mas agora, pense naqueles cachorros cheirando uns as colas dos outros e perceba que você não estará muito longe deles quando valorizar apenas o gesto da fornicação. Cheirando o rabinho do estranho, agindo por instinto. Todas as pessoas que você conhece são capazes de fazer sexo. Mas, você vai conhecer uma finidade muito pequena capaz de fazer amor.
Também não podemos colocar os virgens em um busto. Há pessoas que nunca fizeram sexo fisicamente e isso é quase um atestado de devassidão inveterada. Aliás, entre tantas milhares de implicações que o tema é capaz de proporcionar. O importante, sempre, é respeitar o seu momento. Não se pressionar, agir com o coração. Assim, tanto em matéria de sexo quanto qualquer outra, nunca poderemos errar. E não há nada de errado em ser virgem. Errado é atender sempre o que uma sociedade doente exige de você sem que tenha preparo ou, ao menos, suficiência para julgar por si próprio se isso é realmente o que quer. Errado é ser mais um produto fabricado de acordo com as especificações de um padrão, como bonecos pensantes (que não pensam!). Não há nada de errado em ser virgem. Nada mais errado, aliás, que transar por transar, por carência ou pressão. Seu corpo é seu templo e não respeitá-lo é desprezar-se, fazer sexo por fazer é não se amar. Antes, ser virgem de consciência limpa que “passar o rodo” eternamente impudico. Sexo não vai acrescentar nada demais à sua vida. Amor vai. E é apenas essa a mensagem que precisa ser apreendida. Não há nada de errado em ser do jeitinho que você é.

Fios Invisíveis


Você alguma vez já pensou em como a menor decisão que você toma pode mudar o rumo de sua vida?
E se, naquela sexta-feira há três anos, eu não tivesse saído para a faculdade e tivesse ficado para passar o dia com meu bichinho de estimação, ele teria morrido?
E se, naquela outra sexta de janeiro, eu não tivesse dito aquelas coisas imperdoáveis a alguém que muito amava, como estaríamos hoje?
E se, por alguma razão, você tivesse pego um  atalho, perdido o avião, chegado cinco minutos antes, colocado o cinto...?
E se...?

Certa vez, a mãe de Hitler quase abortou, mas desistiu no último minuto. E ele saiu de Viena porque não conseguia vender os seus quadros. E se ele tivesse vendido um quadro? Ou se a mãe o tivesse abortado? O mundo seria diferente do que é hoje. E no que isso tudo acarretaria?
E se estivesse chovendo em Dallas e Kennedy não tivesse saído num conversível? E se o Júlio dos Mamonas Assassinas tivesse levado o sonho que teve a sério e se recusasse a entrar no avião? Se Stalin continuasse no seminário?
Existem fios em nossas vidas. Você puxa um, e tudo o mais é afetado por isso. O interessante é parar pra pensar em nossa participação nesse processo. Temos, de fato, poder de escolha ou até nossas menores decisões já seriam antevistas, coadjuvantes no cenário de um plano maior? Livre-arbítrio existe ou não passamos de marionetes do destino, iludidas com a nossa autonomia e liberdade imaginárias, mas sem ter vontade e importância real no desenvolvimento?
Existem fios invisíveis que lhe impulsionam ou travam, fazem com que aja ou não se mova, fios invisíveis que controlam a diferença entre um passo ser dado ou não. E quando vemos relações entre as menores coisas, eles são quase visíveis; de repente, tudo se torna tão claro e por instantes compreendemos a grandeza do todo, mesmo que representada em um único momento. A única questão é se temos controle sobre esses fios invisíveis; se nossas reações poderiam imputar suas consequências ou bani-las. Se são as nossas decisões que compõe o que tecem os fios ou se, mesmo essas escolhas, já estão no “novelo” em stand by, sem que tenhamos consciência. É um papo extenso, que nos levaria a outros, tais como destino, futuro, livre-arbítrio e um sem número de temas, porém a única intenção dessa reflexão é despertar o seguinte questionamento:
Você alguma vez já pensou em como a menor decisão que você toma pode mudar o rumo de sua vida?

Nada é para sempre

Infelizmente, muitas vezes nos esquecemos de que nada nesta vida é para sempre, e por isso cometemos muitos enganos, que nos custarão anos de sofrimento. Se as pessoas soubessem como tudo na vida é passageiro, todo o sofrimento da Terra estaria terminado.
Tudo o que temos na vida de bom ou de ruim, um dia passará. O movimento é lei do universo e nada para, portanto em nossa vida nada é tão seguro quanto imaginamos. Quem para atrai a dor e o sofrimento. Quando todos entenderem que nada é para sempre, certamente deixarão de sofrer, principalmente por medo, ansiedade e angústia. O ser humano sofre muito por agir pelos impulsos do momento. Às vezes, uma ação de um minuto é tão maléfica que vai destruir todo o bem que está programado para nosso caminho. A falta de fé é ainda o maior problema do ser humano.
As coisas boas também passam. Mas, elas só passam quando nos vão conduzir a algo melhor, ainda que por meio do sofrimento momentâneo. Precisamos aprender que o que nos acontece é para melhor; essa é uma lei da vida.

Ser caridade


O bem nunca é em vão. Às vezes, ficamos tristes quando fazemos o bem, orientamos pessoas e elas fazem justamente o contrário; parece que não aprenderam nada e até pensamos em desistir. Ledo engano. Tudo que escutamos de bom, por mais que não usemos no momento, fica registrado em nossa alma e um dia o usaremos. Há sementes que passam séculos para germinar e dar frutos; assim também somos nós. Todo o bem que plantamos no coração de alguém, por mais dura, por mais rude que seja essa pessoa, um dia vai ser usado em benefício dela própria, e nessa hora ela se lembrará de quem o plantou, onde quer que esteja.
Pelo simples fato de a maioria se encontrar imbuída em seus egoísmos e em suas vaidades, muito poucos praticam a caridade. Vivem preocupados em satisfazer as próprias necessidades e esquecem-se de que existem irmãos muito mais necessitados do que eles. Preocupam-se em acumular muitos bens e são incapazes de se desprender de algo em favor de seu semelhante. Aprisionam-se no que julgam o necessário, para seus prazeres físicos e cometem danos a si próprios, pois, ao enxergarem apenas seu lado, deixam de notar irmãos para os quais um simples olhar e uma palavra amiga trariam um pouco de conforto. Como se encontram de olhos vendados, preferem nada ver e evitam praticar a caridade para com o necessitado e para consigo mesmos, que se encontram muito mais necessitados dela.
Mas, nada está errado. O que denominamos erro, são passos que fazem parte da aprendizagem e são naturais. Você faz o que acha certo no momento, quando não tem maturidade para agir diferente. Na vida é preciso entender que cada pessoa age de acordo com o nível de evolução que lhe é próprio e que só o tempo vai modificar.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Se um dia tiver um filho...


E eu fico pensando, se um dia tiver um filho, de tudo que eu gostaria que fosse a nossa relação. Eu queria sair para comer sozinha com ele, mesmo que tenha outros filhos. Acho importante a individualidade. E eu quero que ele me tenha como referência e venha perguntar as coisas antes a mim, do que aos amiguinhos na rua. Eu gostaria de ensiná-lo a ser amigo dos livros, a conversar sempre que quiser, a não ter vergonha de chorar. Eu velaria suas noites de sono fazendo com que se sentisse verdadeiramente amado, e eu não precisaria dizer isso a ele. Mas, eu diria. E se nós tivéssemos muito dinheiro, eu o ensinaria a saber o valor das coisas, e não o seu preço. E para que ele sempre fosse honesto com seus sentimentos, acima de tudo. Eu diria ao meu filho que ele não precisava namorar todas as meninas para impressionar a ninguém, mas que antes ele elegesse apenas uma, e a surpreendesse todos os dias. Diria a minha filha que o fato de ela ser diferente não era motivo de vergonha - que isso era um conceito dos outros e o que eles pensam ou deixam de pensar, é problema deles. Eu diria:
- Filha, você tem que se importar de verdade é com o que os outros sentem. E se estiver ao seu alcance, fazê-los sentir-se melhor, sempre.
E ensinaria a eles que as melhores coisas não são as que pertencem às melhores marcas ou lojas, mas as que lutamos para conquistar. E, se um dia eu e seu pai não déssemos mais certo, eu jamais falaria mal dele aos meus filhos. Eu diria que papai fez tudo que pôde e que sempre somos o melhor que podemos. Eu viajaria pelo menos uma vez só com ele, e incentivaria o pai a fazer o mesmo. Eu contaria histórias da minha vida e o que aprendi com elas, e não glórias de um passado que não volta. Eu lhe mostraria como todos somos belos, independente do rosto e corpo que temos. E, caso meu filho ou filha fosse um destes modelos com rosto de anjo, eu lhe ensinaria que o mais importante é o seu coração de anjo. Eu tentaria lutar com as más inclinações natas dele. Eu lhe ensinaria a beleza que há em ouvir um idoso e em observar uma borboleta. Eu não ligaria se ele fosse gay. Eu lhe diria:
- Meu anjo, tudo o que importa é como você ama, e não quem. O amor é capaz de passar por cima de tudo isso.
Se eu tivesse um filho, eu lhe diria para sempre dividir o lanche na escola e ajudar quem tem ou sabe menos. Eu diria à minha filha para jamais se sentir triste ou inferior diante da coleguinha que vai para a aula como uma boneca, pois aquilo que se vê é apenas o que ela pode mostrar. Talvez por dentro, minha filha, ela seja tão oca quanto a boneca.
Eu diria a meus filhos que, infelizmente, não podem confiar em todo mundo, mas que deveriam acreditar nas pessoas. E que nem sempre o que uma pessoa parece ser é o que ela é de verdade.
Eu gostaria de ter experiências com eles, como cozinhar juntos, fazer guerra de almofadas e assistir um filme antigo (do meu tempo, né, heeheh). E ele não teria vergonha de mim; seus amigos iriam dormir na minha casa e iam lhe dizer:
- Tua coroa é manera!!
(Eu ri...)
E ele ia concordar:
- Minha velha é o máximo!
Se eu tivesse um filho ou filha, eu queria ver os olhos dele brilhar junto com a chama da vela no dia do seu aniversário. Ia lhe mostrar que é possível conhecer o mundo sem sair de casa, mas que preferia que saísse. E que quando estivesse no topo da montanha mais alta, não se sentisse o homem mais superior. Se sentisse aquele que está mais pertinho de Deus...

domingo, 6 de março de 2011

15 anos de saudade


Todo dia 02 de março eu me lembro. Seria apenas mais uma manhã de minha infância, se não tivesse acontecido aquilo. E não há muito a discorrer sobre isso. Gostaria de falar mesmo – mesmo em poucas linhas -, sobre esse grupo eternizado na memória e coração de cada brasileiro, de cada criança e jovem daquela época. Até hoje, entre amigos, quando alguém puxa uma música do Mamonas Assassinas, mesmo os muito pequenos na ocasião de sua morte, cantam cada verso e vibram com a alegria de quem esteve lá cada momento. Os Mamonas Assassinas devolveram o entusiasmo, os sonhos, de toda uma geração. Acreditavam neles mesmos e transmitiam a sua luz por onde quer que fossem, jamais se deixando abater pelos problemas que todo mundo tem e pequenas coisas do cotidiano; foram e para sempre serão, sem dúvida, os melhores representantes que a juventude de qualquer tempo poderia ter.
Até hoje, o choro é visto como vergonha ou fraqueza, sendo reprimido e desencorajado; sendo feito às escondidas, no travesseiro, no chuveiro, sozinho. Mas, à época da morte que dizimou esses cinco seres incríveis, ninguém teve embaraço ou acanhamento em demonstrar sua dor ao se despedir dos amigos mais queridos que partiam. Ninguém represou as lágrimas machucadas, que vinham direto do coração de quem não entendia direito o que significava morrer; tudo o que se sabia, era que quem morria partia para sempre, que nunca mais voltava. Hoje, eu tenho mais ou menos a idade que tinham os meninos de Guarulhos e posso compreender apenas que eles eram jovens demais para morrer. Ir embora e levar com eles todo o encanto que tinham nos emprestado já era demais, mas, ir embora para sempre? Não, não podíamos aceitar, não podíamos entender, mesmo que fosse contra a vontade deles. Os adultos até hoje, são muito sem jeito para falar de certas coisas com crianças, e na escola, embora todos tivessem voltado às aulas um dia após o acidente com olhos lacrimosos, nenhum foi o professor que falou conosco sobre aquela dor. Nossos pais, por sua vez, eram também desajeitados por demais para entender o que nos ia no coração e, assim, por longos meses, encontrávamos apenas nos amigos, tão perdidos quanto nós, o eco da dor que não se fazia compreendida.
Os Mamonas Assassinas eram muito jovens para morrer, mas sua juventude não estava somente em seus rostos de vinte e poucos anos, mas em seus corações, seu brilho, sua alegria, a sua utopia de quem podia mudar o mundo. Até hoje não conheci alguém que não gostasse dos Mamonas Assassinas e também não conheci nenhuma banda capaz de transmitir o que eles transmitiam. Sua unicidade atravessou o poderoso tempo.
Dinho, Júlio, Sérgio, Samuel, Bento: onde estiverem, muito obrigado. Obrigado pelos dias inesquecíveis de exultação proporcionados a um país inteiro. Muito obrigado pela saudade que, nesse momento, me tolda a visão e faz lembrar com carinho e nostalgia os distantes dias parcos de minha infância. Muito obrigado por todos os sorrisos, pelas caretas – obrigado por terem podido existir em um mundo tão podre e miserável quanto o nosso!
Sinceramente, muito obrigado.

Lista de agradecimentos

  • Eu agradeço pelo meu passado, pois me trouxe até aqui e me fez ser o que sou hoje.
  • Eu agradeço pelos meus sonhos, pois é graças a eles que estou vivendo.
  • Agradeço ao meu Bichinho, onde quer que esteja, pelo tempo que esteve comigo e o amor que me dedicou.
  • Agradeço os livros que li, pois contribuíram para a formação de minha personalidade e caráter.
  • Agradeço às pessoas que já saíram da minha vida, pois me deixaram algo.
  • Agradeço as viagens que venho fazendo e pelas minhas coisas materiais, as que tenho e as que ainda vou ter.
  • Agradeço aos ídolos que marcaram minha infância, como Mamonas Assassinas, Ayrton Senna e River Phoenix.
  • Agradeço todas as lágrimas que chorei, pois elas me tornaram mais forte.
  • Agradeço os momentos de amor, diversão, amizade e compreensão que tive.
  • Agradeço os livros que escrevi.
  • Agradeço estar viva.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Sinto inveja? Tristeza?


A pedidos...
Com efeito, por que nos comparamos? Por que, mesmo sabendo que não deveríamos; mesmo nossa vida estando 70%, conseguimos focar apenas nos 30 que faltam...?
Quantas vezes, você sonhou com alguma coisa e ficou muito, mas muito chateado mesmo porque seu vizinho apareceu com seu sonho realizado primeiro? Sim, isso existe! Mas, será que você lutou, de fato, para conquistar o que tanto almejou?
Sempre defendo que ninguém é melhor que ninguém, o que existe são condições ou a falta delas no momento presente. Por exemplo, você quer muito uma viagem para o Egito, mas não tem grana para realizar. Sua prima tem grana e não viaja para o Egito. Ou pior: viaja! E esse nunca foi o sonho dela. Agora, parece injusto, não é? Entretanto, faça uma reflexão: acreditando ou não em destino, momento certo, essas coisas, você há de convir que, no mínimo, tudo tem que concorrer para o sucesso do seu empreendimento. Quantas vezes desejamos ardentemente por algo que só nos cai em mãos cinco anos depois e... levamos mais cinco para entender o por quê...?
Não é justo se comparar com quem ganha tudo se você trabalha por si mesmo, por exemplo. Sem contar que, não há sensação melhor na vida que a da conquista: o valor que você vai dar quando estiver em Nova Iorque ou dentro do seu carro novo é bem maior do que o inexistente atribuído pelos bundinhas que ganham tudo de mão beijada e não sabem nem o que é sonhar. 
(Calma, palavras, não se empurrem, meninas, uma por vez!)
É normal nos frustrarmos quando as metas parecem se repetir ano após ano, enquanto há pessoas que simplesmente decidem as coisas e podem acorrê-las – seja por ter paitrocínio, seja porque são menos moles que nós, enfim. O que não podemos é nos deixar abater; sentir inveja, achar que só a vida dos outros acontece e só a nossa está estagnada... O fato é que, quando estamos estruturados internamente, coisas externas não causam tanto efeito assim. Procure enxergar o que está faltando "dentro de você" e não "fora" (coisas materiais). Temos que ter discernimento de que essa vida é passageira e tudo que adquirirmos aqui, aqui vai ficar! Existem valores maiores para conquistarmos, como conhecimento, desprendimento, humildade. Bens materiais servem apenas para mostrar aos outros o físico, mas o emocional, o que se chama a verdadeira felicidade, não está em carros, viagens ou grana; está dentro do nosso coração, com bondade e prazer de fazer pelo outro o que gostaríamos que nos fizessem, sem cobrar recompensa por isso. Se você não está feliz aqui, não vai estar mais feliz em Londres, embora as pessoas teimem em se iludir nisso.
É, e é difícil mesmo lidar com essas questões mas, o fato de você enxergar que se sente mal, às vezes, com as aquisições alheias; ter consciência desse sentimento e assumir sua invejinha ou tristeza (que é muito louvável) já é um passo importante na busca da solução. Agora, trabalhe essa insatisfação dentro de você, valorizando mais o que tem do que o que não tem. Algumas pessoas têm coisas materiais "antes" da gente, outras "depois". Você terá seu carro, seu intercâmbio, seu salário astronômico e outras coisas que quiser com o tempo, não exatamente no tempo que você quer nem no tempo da outra pessoa.
E pense, essas pessoas que aparentemente têm “tudo”, com certeza devem sentir frustração em outros aspectos (sejam emocionais, intelectuais, problemas familiares... enfim). Todos nós estamos lutando internamente com alguma questão. Olhe para as suas, com franqueza e determinação de ir mudando aos poucos a importância que você dá a isso. Se não fazê-lo agora, um dia, quando tiver o carro, o intercâmbio e o salário astronômico, vai sentir inveja de outra pessoa por ela ter "um carro melhor", "fazer mais viagens", ter um corpo sarado, uma jóia que você viu na vitrine e não pôde comprar... E o ciclo nunca terminará.
E não se esqueça de uma coisa: você também tem muitas coisas que os outros não têm e desejam, mesmo que não consiga enxergar isso tão claramente. Tire o vergueiro da frente do olho, arregace as mangas e lute pelos seus sonhos. Só compete a você fazê-lo e vai valer a pena, falou?!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Ame

E não espere retorno, apenas ame. Não apenas no sentido romântico. Ame seu pai, ame seus iguais, ame quem é diferente de você. Ame. Boa parte da nossa missão por aqui é isso. Bens materiais? Sim, empréstimo necessário, mas nada disso aqui é nosso. Nossas são nossas EXPERIÊNCIAS, nossos CONHECIMENTOS e nossos SENTIMENTOS. Isso é nosso. Nothing more.
Se não te podem amar como você ama, siga amando. Se te odeiam, siga amando. Se te fizerem mal, perdoe e siga amando. Ame sempre, tudo e todos que puder. Não desgoste o namorado da menina que você gosta. Não desgoste seu pai, quando o maltrata. Não desgoste quem dá contra o que você diz. Lembre-se: TUDO É O MOMENTO. Não significa que coisas eternas não estejam brotando em diversos lugares exatamente agora. Essa característica "momento" não tira a eternidade da coisa. Mas, você entendeu o que eu quis dizer. Pode ser de momento a brusquidão do seu pai OU a sua sensibilidade a ela. Pode ser de momento o namorado da garota OU o seu sentimento por ela. Tudo é relativo.

terça-feira, 1 de março de 2011

Seu brilho


Brilho. Todos temos. Alguns, fosforescentes; outros, quase apagando. Mas, todos possuem seu brilho.
Seu brilho pode estar na sua energia ou nos seus olhos. Na maneira como você abraça ou sente. É particular e sutil, mas mesmo os invejosos o percebem. Os invejosos são aqueles que esqueceram o próprio brilho e seguem apoiando-se nos dos outros.
E daí se ela é linda e dança muito bem? Se isso te importa, vá aprender a dançar; se o cabelo dela te incomoda com sua beleza, cuide do seu!
Ah, eu nunca terei o talento dele...!
E não terá mesmo, ainda bem que admite. Se fosse pra ser seu, o teria, mas se quer pelo menos aprender o que ele sabe, depende só de você. Ofuscar-se com o brilho alheio é negar o próprio.
Perde-se um longo tempo da vida querendo coisas sem lutar por elas. Jamais se compare. Sempre temos tudo o que precisamos. Se o brilho de outrem tiver de movê-lo, que seja para o alto. É natural buscarmos sempre o melhor. Almejarmos o que é bom para nós, sentir inveja ou admiração. Mas, aí é que está! A admiração é a “inveja boa”. Você procura se melhorar, inspirado em um exemplo. A inveja que se sente como se fosse injustiçado é um erro e a religião dos medíocres. Ela os reconforta, responde às angústias que os devoram por dentro. Em última análise, apodrece suas almas permitindo que justifiquem sua própria mesquinhez e cobiça, até o ponto de pensarem que são virtudes e que as portas do céu se abrirão para os infelizes como eles, que passam pela vida sem deixar outro rastro senão suas toscas tentativas de depreciar os demais, de excluir e, se possível destruir quem, pelo mero fato de existir, coloca em evidência sua pobreza de espírito, de mente e de valores.Não tolde seu brilho, pula-o todos os dias!
E polir o próprio brilho é tão simples...! Colocamo-lo em relevo quando somos sinceros, íntegros, quando admitimos que não sabemos ou, mesmo sabendo, não fazemos caso de colocar em um outdoor. Tem coisa mais ridícula que a auto-afirmação? Aquelas pessoas que querem provar ao mundo que são melhores em tudo o tempo todo! Pagam de ser a mais especialista ou mais entendida ou mais informada da roda... Isso soa como pura insegurança (ou inverteram o nome?). Legal mesmo é quem divide seus conhecimentos – e o seu brilho! – na hora adequada, é bem resolvido e não sente a necessidade de ficar demonstrando nada a ninguém por genuíno exibicionismo. E o que é que se ganha com isso? Admiração apenas de tolos. Ninguém é superior a ninguém.
Queremos sim, ser melhores, e quem não quer? Mas não podemos querer ser melhor que os demais, isso nos faria muito, mas muito diferentes mesmo. O ego giraria em torno do umbigo, a arrogância nos faria crer na inverdade da nossa superioridade; nossa visão turvada nos faria achar que somos o máximo e muitas vezes, passaríamos por ridículos diante dos mais experientes ou mais sábios que nós – que simplesmente não nos exibiram seus conhecimentos. E ser o melhor é isso: ter a si mesmo como referência. Pois para comparar-se a outro, é preciso comparar também cada pedaço do caminho que o fez chegar até ali, o que nunca é uma disputa equânime.
E como saberemos se nosso brilho repercute? Bem, tampouco isso é problema nosso. O interesse não é o que os demais vão achar da jóia, mas cuidá-la, como uma planta que precisa ser regada, sem termos certeza de como isso vai influenciar na natureza como um todo. E o brilho é natural e espontâneo, é puro e limpo, não é forçado. Auto-afirmação, arrogância, desfile de conhecimentos descartáveis em horas inapropriadas... Tudo isso mancha o seu brilho. Obscurece-o, inferioriza-o, o diminui. Brilhar é natural como respirar quando você aprende que todos têm pulmões.