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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 30 de abril de 2011

Coisas que eu sei

1 – Se ninguém pensou em meus sentimentos, é porque eu mesma os desprezei.
2 – Apontar os erros é sempre mais fácil do que aprender que nada é verdadeiramente errado, tudo segue conforme nosso estágio de compreensão.
3 – Estamos no lugar certo mediante nossas escolhas.
4 – É caminhando em direção ao escuro que podemos ver a luz de cada um brilhar.
5 – A natureza não erra com ninguém, se para você está sendo dessa forma é como pode receber.
6 – Você só consegue empréstimo no banco se provar que não precisa dele.
7 – A arte é uma mentira que faz a gente captar a verdade.
8 – As normas existem para a obediência dos tolos e a orientação dos sábios.
9 – Não devemos nos torturar inutilmente para satisfazer os outros, ainda que eles sejam as pessoas que mais amamos. Nunca vale a pena.
10 – Eu sou livre, embora dentro dos limites deste corpo e do mundo.
11 – Tudo começa, se passa e acaba em você.
12 – É preciso as trevas para valorizar a luz.
13 – Quando algo precisa acontecer, está maduro o suficiente, ninguém conseguirá deter. Acontece apesar de nós, através de nós ou até sem a nossa intervenção.
14 – Nossas crenças criam necessidades e as necessidades atraem os fatos e as pessoas à nossa volta.
15 – Quando existe amor no coração, os laços são eternos.
16 – Se me engana uma vez, a culpa é sua. Se me engana duas vezes, a culpa é minha.
17 – Deixe acontecer, e o que tiver de ser, será.
18 – Quem machuca o próximo, fere a si mesmo. Quem faz, para si faz.
19 – O que é verdadeiro não se anula pela experiência, mas se afirma sempre mais.
20 – Procura analisar a questão de espírito a espírito, o resto não existe realmente.
21 – Você é responsável por tudo quanto outrem realizar influenciado pelas tuas palavras.
22 – Nada estaciona dentro do Universo.
23 – Não se faz nenhum mal. Vive-se de acordo com a sua maturidade espiritual, agindo da forma que acha certa.
24 – Não há mentira que permaneça oculta por toda a vida. Cedo ou tarde, a verdade sempre encontra um meio de se mostrar.
25 – O amor não tem limites e somos capazes de amar A e B sem que tenhamos que abrir mão de um para amar o outro.
26 – Ninguém pode interferir em fatos que estão marcados.
27 – A vida não tem pressa nem anda devagar. Faz as coisas no momento certo. E o momento certo pode não ser esse.
28 – O amor que um dia é conquistado, mesmo ferido, não deixa de subsistir, compreender e perdoar.
29 – Tudo o que é passageiro é ilusão. Apenas o que é eterno é real.
30 – As coisas são do jeito que você as fez.
31 – O seu coração sabe do que você precisa. As outras pessoas têm outros caminhos.
32 – Ninguém está com alguém para sempre o tempo todo.
33 – Tudo de que você precisa virá a você na perfeita sequência tempo-espaço.
34 – O Universo sempre provê.
35 – Ninguém pode tomar o que é seu por direito. Se algo lhe pertence de fato, voltará a você na hora certa. Se alguma coisa ou alguém não voltar é porque não era realmente seu.
36 – O que preciso saber me é revelado.
37 – Uma pessoa só vê nos outros o que vê em si mesma.
38 – A vida sem os pretos seria muito chata, reduzida como a massa cinzenta dos racistas.
39 – O que a vida não dá não é adquirido por direito.
40 - Ninguém pode ser feliz passando por cima da felicidade dos outros.
41 – A vida sempre dá sinais, nos mostra a verdade, a realidade dos fatos.
42 – Ninguém influencia ninguém. As pessoas podem sugerir atos, idéias, pensamentos, mas nós só fazemos o que queremos.
43 – Na Terra, ninguém se encontra com ninguém pela primeira vez, principalmente nas questões de afeto.
44 – A vida não deixa nenhuma situação inacabada.
45 – Quando Deus não permite algo, não há nada que o faça acontecer.
46 – Muitas vezes, as lições mais importantes surgem dos tempos mais difíceis.
47 – Nada é, tudo está.
48 – Tudo o que se faz sobre a Terra, um dia será descoberto.
49 – Muito se erra quando muito se faz.
50 – O que agora lhe parece um mal é o bem que você ainda não consegue enxergar. Um dia saberá porque tudo aconteceu.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Além do meu mundinho


Um coração retrógrado e uma mente revolucionária. Não sou desse mundo, tenho cada vez mais certeza disso. De retrô, aquele velho gosto por músicas, relacionamentos, sentimentos do passado. De valorizar o simples, de amar alguém de verdade, de ouvir algum som que realmente valha a pena, de ser amada. Some-se a isso a vontade de fazer algo, o amor incontido, o sentimento profundo, a vontade de ter mil braços para abraçar quinhentas pessoas ao mesmo tempo, de fazer a diferença na vida de alguém e não por puro interesse... Os governos não estão interessados no bem da humanidade, poucos nesse mundo enxergam além do dinheiro. Se existem países onde os problemas sociais foram praticamente erradicados, por que não estender essa ajuda aos irmãos de outras pátrias? É tudo no ego. Pais só auxiliam seus próprios filhos (nessa questão, melhor não entrar no mérito; mas a ilustração seria: um gerente que contrata um jovem de 18 anos e tem um filho de 24 não vai tratá-lo como seu filho. Não vai questionar que sua filha possa ter toda assistência até ter 29 anos e um diploma de mestrado e aquele jovem de 18 mal receba para comer. Vai achar caro dar um aumento de cem reais para ele, mas a festa no final de semana para o seu filho pode custar $450 sem problemas). Uma pessoa passará talvez metade de sua vida trabalhando para alguém, fazendo esse alguém prosperar, enquanto ganha um salário. O dono da empresa passará o dia coçando o cu e seu filho que também só sabe coçar o cu herdará a empresa. Capitalismo selvagem. Animais morrendo para satisfazer caprichos de madames; pessoas com frio e lojas queimando o estoque de roupas que sobrou... Ninguém vê o outro como uma extensão de si; as pessoas sistematizam tudo: isso é relação pai-filho, isso é relação patrão-empregado, isso é relação professor-aluno. Os papéis já estão determinados, ninguém pode mudar nada, afinal, está convencionado que namoro é namoro. Aliás, quem convencionou que após o casamento tem que ter lua de mel? Imagino que nos dias atuais, em 0,1% dos casos há algo a ser desvendado. A maioria opta por uma viagem, um lugar que nunca foi, assim desvendará alguma coisa [sic].
Quem convencionou que tenho que beijar o meu namorado a cada encontro, que temos que sair de mãos dadas, ir a festas e dançar e um monte de coisas que nem sempre queremos? Quem convencionou que amigos não podem dormir na mesma cama, sem maldade; que se ele não me convidar pro aniversário, não sou tão importante pra ele; que dois rapazes não podem dizer ‘te amo’ na amizade mais pura? Poxa, tudo é tão estigmatizado, um modo de ser e pensar aprendido e não questionado (será que é porque na escola, quando a gente perguntava todo mundo olhava, principalmente se tava perto do recreio ou da saída e ninguém queria nada com nada? Aí eles olhavam com uma carranca, querendo tolher a gente? Será que é porque temos a limitada idéia de que o professor sabe tudo e não ousamos olvidá-lo?); um mundo cheio de seres pela metade! Abole-se a parte masculina da mulher, passa-se por cima da parte feminina do homem e viram um bando de selvagens! As pessoas não têm coragem de ser elas mesmas. Precisam agir de acordo com os outros, Maria, sempre a Maria vai com as outras! É um mundo onde metade não tem discernimento e um terço não tem senso crítico. E os poucos que têm ambas qualidades visionárias não encontram muito como agir, sendo repudiados, nem sempre atingindo posições onde poderiam fazer alguma coisa, sendo incompreendidos e não apoiados. São palavras que eu gravo hoje sendo considerada em certo grau de loucura e daqui 150 anos ainda farão sentido.
Fico pensando: se eu, com minha limitada visão me sinto assim em pleno século XXI, como terão se sentido os gênios de verdade há uma porção de séculos; imagine você o Leonardo da Vinci, o Shakespeare, os grandes filósofos Platão, Sócrates, Aristóteles... Eram literalmente ETs num mundo de egoístas; anciões em um jardim de infância e imagine também quanto teremos de caminhar para chegar perto deles... E é isso que estafa: embora amebas querendo ser gente, poucos saem disso, tentam ser melhores, nem que seja com eles mesmos ou deixando filhos melhores para o nosso planeta. Olha o que temos: um monte de merdas coloridos sem um pingo de senso crítico, sem inteligência, sem objetivos e sem noção. Acham-se o máximo, chamam os outros de caretas, cafonas, mas não passam de bestas com um rostinho bonito e a genitália exposta. Herdam fortunas, seguem cagando para os seus iguais, vivem de prazeres momentâneos, fogem nas drogas e festas, jamais se conheceram, não sabem quem são de verdade e nem têm interesse nisso. Não lêem – a não ser o horóscopo, as fofocas dos “artistas” ou as legendas da Playboy – descuidam da própria saúde, jamais ouviram a história dos pais e muitas vezes são estranhos até mesmo para seus irmãos, que podem até ter idade semelhante à deles. Sim, é para eles que estamos deixando o planeta. E eles, por sua vez, os deixarão a quem? Aos filhos espúrios tidos aos 16?
Deu estafa por aqui também. Escrever pra quê, né?  

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O frio da alma


Dias em que, mesmo cercado de pessoas, barulho e vida, você se sente sozinho, desamparado, desesperado. Dias em que, mesmo tendo sua mão apertada, ninguém te conduz a lugar nenhum, ninguém vê você de verdade, as pessoas te sabem, mas não te conhecem. Dias em que você entende perfeitamente o personagem do Will Smith em “Eu sou a lenda”. Tudo está perdido, não vale a pena tentar, nem sentir nem se esforçar para entender. Passado e futuro se confundem, o presente não existe, nada existe, nada importa, não faz diferença, você é só mais um e não é mais um, nem para ser mais um você presta.
Dias em que, mesmo mergulhado em trevas, mesmo as trevas sendo apenas a ausência de luz, você não acredita na existência da luz. E segue fazendo as mesmas coisas, acreditando nas mesmas merdas, se escondendo nas mesmas fugas, como se não fosse com você. Dias em que...

Indiferença?

            Tem dias que não dá pra gente classificar como bons ou ruins; na verdade não é o dia, é nosso estado de espírito. Como esses em que a gente simplesmente acorda e não está sentindo nada. Autômata, cumpro minhas funções sem sorrir para o lindo dia, sem sentir falta de algo que antes quase me matava, sem enxergar pássaros ou borboletas, absolutamente vazia de sentimentos. Nada importa, não faz diferença. Tem pessoas morrendo? E daí? Você tá com outra? Faça o que chamam de “aproveitar”, desçam ao fundo do poço, morram, diabos! Só não me diz respeito, não sinto nada, estou insensível como se me tivessem aplicado uma droga na veia, uma anestesia que me tirou os sentidos, a sensibilidade. Depois, paro e penso que a maioria deve ser assim mesmo, é apenas o meu dia de experimentar ser como eles, bem como um anúncio de tragédia é o dia deles experimentarem ser como eu, por um único dia. Intensa do começo ao fim, sem meio termo, se ama, sem essas sem vergonhices que chamam de amor; se sofre, tudo com toda profundidade. E destas linhas deduzo facilmente que não nasci para ter os indiferentes relacionamentos da Terra, não é pretensão, eu mereço mais, eu vou mais fundo, pouca gente vai, nem sempre é fácil encontrá-los; nossa visão em tudo sempre foi de vanguarda, isso não seria diferente. E se se encontra, nem sempre rola química, afinidade e sintonia, viram amigos, mas posso me sentir compreendida mesmo no dia de hoje, o meu dia morno, o meu dia de ser como os outros, a maioria.
Tem pessoas morrendo? E daí? Você tá com outra? Faça o que chamam de “aproveitar”, desçam ao fundo do poço, morram, diabos! Agora eu entendo as pessoas. Só não me diz respeito.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ciclos

Você já notou que tudo na vida acontece em ciclos? Nascemos, crescemos, somos jovens, adultos, velhos. Fazemos o ensino fundamental, o médio, a universidade e ingressamos na vida profissional. Temos ciclos de amizades, de interesses, de trabalho, de modas, e tudo muda em determinado momento; as coisas vêm e vão, pessoas entram e saem de nossas vidas.
Quando você age, toma uma atitude, emite a energia que você criou com ela. Essa energia, lançada no universo interage no processo bioenergético das forças da vida obedecendo a um ciclo próprio. Quando esse ciclo se completa, essas energias retornam a você, trazendo os resultados relativos àquela ação. A vida trabalha em ciclos que se cumprem sempre. Traz à tona os assuntos inacabados para fechá-los. Nesse mister afasta e aproxima as pessoas para que as experiências delas se completem. Quando um ciclo termina, é inútil querer “segurar” alguém a seu lado. É preciso deixá-lo ir. Também não vai conseguir se libertar de alguém ou alguma situação que o incomoda cujo ciclo com você não fechou. Ele voltará a seu caminho. Quando você força a barra na pretensão de interferir nos ciclos da vida, dá muitas voltas sem sair do lugar. Sua vida fica enrolada, nada deslancha. Um dia você descobre que sofreu, lutou e nada aconteceu. Aceitando a ordem das coisas, você se harmoniza com a natureza, flui naturalmente. Tudo muda.
Não olhe as coisas como parecem ser. Vá mais fundo, olhe com os olhos da alma. Há muito para agradecer. Não perca mais tempo. Limpe sua alma de toda mágoa, ressentimento, aprenda a não julgar o que não consegue entender.
Colocamos nossa felicidade em coisas ou pessoas sem saber se quando a obtivermos seremos realmente felizes. Nós nos iludimos de tal forma que passamos a viver na esperança do futuro. Com esse comportamento, desperdiçamos os melhores momentos de nossas vidas. Estamos ausentes o tempo todo. As boas oportunidades passam por nós e nem sequer as percebemos. Não vivemos realmente, só cultivamos nossa loucura.
Ninguém poderá impedir a força das coisas. O que tiver que acontecer, vai acontecer, independente de sua participação.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Sobre amor virtual



Amor mesmo nasce instantaneamente dos dois lados. Não consigo imaginar esse contato acontecendo virtualmente, sem troca de olhares, sem ouvir a voz, sem sorrisos. É tão fácil demonstrar coisas à distância.

Se você nunca viveu um amor à distância, pode não acreditar nele, mas ao contrário de um amor onde se está ao lado da pessoa, virtualmente, muitas vezes, se é muito mais sincero. É onde você vai conhecer a pessoa por dentro. Os medos, desejos, os sentimentos dela. Quando estamos fisicamente com uma pessoa, muitas vezes estamos muito mais preocupados em encobrir pequenas falhas e distorções, impressionar, mostrando uma coisa que não é real, maquiando os defeitinhos e é por isso que muitos namoros e casamentos não duram um mês. No virtual, ainda que não possa pegar na mão de uma pessoa ou olhar no olho dela, muitas vezes se confia mais em falar coisas que não seriam ditas se estivesse junto, olho no olho. Quando falamos de questões físicas, colocamos os relacionamentos no campo do superficial, da necessidade de ver, estar com o outro. Acredito que há duas categorias de sentimentos: os que partem da aparência física, baseando-se apenas no sexo e na atração sexual, que cairão por terra assim que se esgotarem as novidades nesse sentido, e o amor espiritual, que independe de sexo, raça, idade, distância, pois tem uma afinidade constituída em outras bases e em outras vidas. Nesse caso, o físico é apenas um complemento de algo que já existe. E também não é fácil demonstrar coisas à distância, ao contrário. Resta apenas confiar, pois você não pode ter certeza de nada que está ouvindo, só o seu coração pode confirmar. E acredite, ele nunca se engana. Nosso coração é nosso radar, é a voz de nossa intuição, mas muita gente o despreza e passa por cima do que sente, limitando-se a acreditar no que a razão está falando.
Agora, em questão de paixões e amor, há um abismo e a maioria das pessoas que esta na Terra não sabe o que é o amor. Aliás, eu diria pretensiosamente que a infimidade de 1% tem uma vaga noção, pois muito pouco nos foi revelado, além de que esse mundo é tão denso e há anos-luz entre os níveis evolutivos - há desde o semi-neandertal ao sábio, convivendo todos no mesmo ambiente; é impossível dar algo como certo em um mundo como o nosso. Talvez até por isso muitas pessoas não fariam loucuras por amor, pois tudo que sabem disso elas vêem nos filmes e a sociedade e a vida real lhes mostram coisas bem diferentes. Nesse sentido, acreditam que tudo não passa de ficção, papo de escritores e cineastas e que aquele amor profundo e verdadeiro não passa de balela. Para que se sacrificar por uma mulher se na próxima parada ela vai lhe enfiar chifre até por dentro dos olhos?

É característico dos dias atuais em que há tanta carência no mundo haver relações tão superficiais e sentimentos tão superficiais que gostam de chamar de amor. Mas o simples fato de uma pessoa tratar bem, dizer palavras bonitas ou nos tratar carinhosamente não quer necessariamente dizer que é amor, às vezes nossa necessidade afetiva é capaz de fazer essa confusão. Creio que o amor mesmo está muito acima dessas dimensões. Há sentimentos belos e sinceros que estão imediatamente abaixo dele.
Chico

Quanto às pessoas que se deixam cegar por uma paixão, não sei bem o que dizer, a maioria é carente e insegura e está esperando por alguém que as salve. Há uma diferença muito sutil entre paixão e obsessão; a segunda é loucura, a pessoa amada não é uma pessoa, trata-se de um objeto e a outra o quer a qualquer custo. São os "amores" doentios, que preferem ver seu alvo morto que ao lado de outro ser. Nesse caso, as pessoas deveriam lembrar que só são responsáveis pela sua própria vida e não podem fazer nada por ninguém, o máximo seria ajudá-lo (a) em seu caminho. Quando verdadeiramente se ama, se liberta, mesmo doendo, mesmo sentindo falta. E quando uma pessoa tiver de mudar e crescer, ela certamente fará isso; se ainda não fez é porque não está pronta ou não é o melhor para ela agora.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Suicídio



Que dor tão grande leva alguém a tirar a própria vida?

É preciso rever os amigos, sobretudo os poucos bons, e tais ventos me levaram a almoçar com uma big amiga que sempre tem os melhores conselhos e abraços. Após matar a saudade, discutindo tantos assuntos (sempre com o melhor conteúdo!), a Josi, que é estudante de enfermagem, começou a me contar de suas aulas, dos cadáveres e então, de uma necrópsia que ela pôde assistir - algo pelo qual esperava e não tinha muita noção de como era.

Em primeiro lugar, gostaria de me posicionar a respeito desse procedimento. Embora existam profissionais sérios e qualificados, observo que o país não têm know-how para levar adiante tais processos, especialmente quando não se tem necessidade absoluta. Há muito mais violação de corpos (desnecessária) do que propriamente o encontro de uma causa mortis equivalente e ainda um abuso de poder e posição no sentido de desenvolver tais procedências. Creio que a professora de matemática concursada do caso descrito abaixo - com o aval da percepção de minha amiga mais racional que emocional; - ainda que estivesse fazendo o seu trabalho, socorria-se dele para pôr em prática algum estranho fascínio mórbido, alguma frieza nazista. Enfim... Para pessoas como eu é difícil acreditar que existam outras sem sentimentos, mas vamos aos fatos antes que os perca de vista.

Creio que não saberei transcrever do modo como aconteceu, mas vou fazer um esforço:

"Nossa turma sempre pedia para ver uma necrópsia, mas era algo que só podia ser feito com a presença de um professor. De forma que ele ficou responsável por nos conseguir uma, mas nunca tinha necrópsia na quinta. Aquela tarde, a mulher do anatômico chegou e do nada convocou a turma, se tínhamos interesse em ver. Sem nenhuma informação prévia, o professor nos disse apenas: "Explorem tudo que puderem, prestem atenção em tudo que acontecer lá".
Ao chegar, ficamos separados por uma parede de vidro e como que no andar superior, sendo que tínhamos a visão de cima e vimos o corpo estendido de um menino, quase uma criança; da cintura para baixo, inteiramente roxo e, ao contrário, totalmente pálido da cintura para cima; uma marca no pescoço e o rosto imberbe descoberto.

- O que eu digo é o seguinte: você pode acompanhar uma necrópsia inteira se não olhar pro rosto da pessoa. Tem de esquecer que tem um ser humano ali.
 
Quando Josi viu que havia alunos lá embaixo, ao lado do corpo, ela também desceu e ouviu com os demais a história daquele garoto:
"Tinha 17 anos. Estava desaparecido e os pais registraram queixa. Mas, não o procuraram muito e foi encontrado em um galpão para os fundos da casa, onde não haviam buscado."

- Minha cabeça girou. Podia ser meu sobrinho, sicrano, beltrano. Lembrei de tanta gente... Entrei em desespero... só um menino, tão novo, por que fez isso, o que aconteceu...? Mas, se você se deixa dominar pelo emocional, a vida para. Eu tinha que focar que aquilo era só uma aula, uma necrópsia, algo que eu precisava aprender e ali estava um menino morto... Mas... mas eu não podia pensar nele...

Josi me contou o passo a passo, de como abriram o garoto; como lhes explicaram que o sangue descera todo para a parte inferior do corpo, o que também justificava a palidez da parte superior. Explicou como ele foi aberto do queixo ao púbis; sua língua foi tirada pra fora, o osso hioide avaliado e não estava quebrado. De como, com uma espécie de broca, furaram a sua cabeça, abrindo o crânio ao meio ao forçar com as mãos, tudo na maior frieza, pois era apenas um presunto que estava ali. Não era um garoto que sorrira, chorara, sofrera o primeiro amor, tirara uma nota baixa, nada. Só um corpo morto sem família, sem pessoas que o amassem, que em breve seria abandonado aos vermes. E a professora de matemática concursada ria e abria a cabeça do garoto e abria sua boca e tirava o hioide e sorria de novo, (deliciada?) e tantos outros detalhes que quase me fazem chorar, enquanto eu só pensava na aflição daquele garoto, o que o levara a execrar-se a si mesmo, que dor essa que era tão grande a ponto de o fazer acabar com ela... Já tive uma dor do tamanho do mundo, já tive vontade de tirá-la dali com a mão e tenho certeza que são poucos os seres no mundo que nunca na tenham tido. Alguns são mais sensíveis que outros, alguns apenas não aguentam, mas... mas nada justifica o suicídio. Meu Deus, eu fico imaginando, aquele menino teria amigos? Ele teria alguém para correr de braços abertos quando a dor ameaçava explodir seu coração? Ele sofria em silêncio, ele demonstrava sua dor, ele explodiu de repente, ele deu sinais da pressão...? Por que os pais não conhecem seus filhos; por que ninguém pode ensinar a suportar; por que o mundo não para, por que por que por que...?
No final das contas, não obtive resposta, pois as estatísticas só falam em números, não contam quantos se mataram por esta e quantos por aquela razão. Porque o mundo é tão severo, tão mal e nunca conseguimos nos encontrar em nós mesmos, aliás, porque ainda esperamos algo do mundo; por que garotos de 17 anos se enforcam...
O suicídio traz com ele uma dor bônus, que é o sentimento de que podia ter sido evitado. Pois não é natural - não foi um acidente, nem uma doença, nem mesmo um crime, que ainda que seja triste, não permitiu que a vítima escolhesse ficar - foi um suicício! Um ato contra si mesmo, mas será que essa pessoa queria acabar com a própria vida? Dar fim também aos dias ensolarados, ou só aos dias de chuva? Algo me leva a crer que era a dor que queria que cessasse. A liberdade de um espírito ao custo de lançar-se às grades, ferindo-se, perdendo-se, aumentando ainda mais a própria dívida, o total esquecimento de que tudo passa. Sim, tudo. Passam os dias bons, os ruins; passam os dias tristes, os felizes. Passam-se os amigos, os amores. Passa-se a velhice, passa a vida, mas não há nada que não passe sobre a Terra.
Se matar não é a solução. E talvez não haja lugar onde esteja a resposta. Essas coisas que não se ensinam aos meninos de 17 anos. Nem às garotas sensíveis nem a ninguém. O que matará a dor é a reconstrução. Não existe sofrimento sem crescimento. Sempre depois da sua maior fraqueza você ressurge muito mais forte, sim, é quando estamos mais fracos que estamos mais fortes. Não há solução no fim. Porque nada nunca acaba. As coisas reiniciam, os ciclos se fecham, mas acabar jamais, o que você perde sempre volta a achar. É seu. Ainda que nada seja seu...

- Kelly, vai ficar bem?
- Sim - disse com olhos marejados.
- Não queria que ficasse triste, amiga.
- Eu sei. Vou escrever sobre isso.
- Mas, você vai ficar bem mesmo?
- Vou - a abracei. - Te amo, tá.

E seguimos. Cada uma com sua dor, cada uma com sua alegria. Um lindo dia de sol nos aguardava. 

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Destreine o olhar


Somos ensinados a olhar. Desde tenra idade, consciente ou inconsciente, direta ou indiretamente, somos moldados a olhar as coisas de um determinado jeito. Aprendemos que redondo é redondo, amarelo é amarelo, menina é menina, bicho é bicho. Nos ensinam que temos que torcer para este time e não para aquele, que as coisas têm nome e que precisam deles. O problema é que crescemos e, com tantas outras atividades, não temos tempo para pensar diferente. Olhar diferente. (Des)treine o olhar. Veja mais que uma borboleta e uma flor. Vá além do azul do céu e do formato do sol. Olhe, olhe, olhe, veja, veja, veja, desfrute o seu mundo. Não centralize o objeto na fotografia, capture outra visão. Troque o ponto de vista, pare, olhe de novo. É um exercício incomum, mas revelador. 

terça-feira, 5 de abril de 2011

A mulher moderna


O papel de Amélia hoje em dia não causa mais nenhuma ambição nem sossego nem comodidade nem coisa nenhuma. As ascensões pessoal e profissional são de muito mais valia e em cenário um tanto nebuloso, até mesmo o papel de mãe é terceirizado.
Com a revolução sexual dos anos 60, não há mais uma necessidade de se reprimir e o papel feminino nas relações amorosas passou a ser mais livre. Caiu aquele véu de “mulher falada”, “galinha” para um melhor desenvolvimento como ser humano, sendo que agora a mulher pode se experimentar em vários relacionamentos e descobrir a si mesma. O problema dessa desconstrução tradicional reside na criação machista que continuam propiciando a seus filhos e na forma como muitas confundem essa liberdade de amar com ‘amor livre’.  Amor livre pode ter dois significados: amar quem desejar, independente de gênero ou o sexo livre, para o qual alguns também utilizam a expressão. E a própria mulher tem-se visualizado como objeto sexual antes de qualquer coisa – agora ela seduz, os aspectos exteriores são mais importantes que tudo. Descobriu-se tal poder nessa beleza fabricada, nessa maquiagem de uma formosura inexistente com padrões quase inalcançáveis, que foi dispensada a cultivação das virtudes que poderiam fazê-la amada – especialmente por si mesma. Com rosto de boneca e cabeça oca tal qual elas, além daquele argumento de que poucos homens realmente valem a pena, elas desvalorizam a si próprias, não se preservando de relacionamentos superficiais, priorizando sensações carnais e levianas, desacreditando do sentimento verdadeiro. O engraçado é que no fundo toda mulher (ou deveria dizer todo ser?) sonha ser amada e viver uma relação romântica “perfeita”, porém busca isso em lugares onde o máximo que vai encontrar é prazer para uma noite, com pessoas igualmente iludidas com aparências e frivolidades.  Assim como homens sensíveis, românticos e dedicados (eu sei que se pedir, além de tudo bonito, vai ser gay, por isso não peço, ok) são algo tipo tirar um esparadrapo de uma bexiga com uma agulha sem furar, as mulheres que os merecem também estão cada vez mais raras – e aqui nem entro no mérito de enquadrar pessoas, mas comportamentos.
A adolescência é a prova dos nove para desenvolver a maneira como iremos vislumbrar as relações a dois na fase adulta e este vislumbre tem sido construído cada vez de maneira mais desequilibrada. Não se tem mais atitude nem personalidade; infantilizaram-se de tal forma as sugestões para esse público que parece apetecer a todas as mídias que os jovens são retardados. Eles não têm mais opinião, são tendências e são incapazes de dirigir a inteligência para o questionamento e a diligência das próprias escolhas. Como nem todos se enquadram nessas modinhas sequeladas, aqueles considerados diferentes sofrem constrangimentos e pressões e graves decepções nessa fase tendem a enraizar-se inconscientemente vida afora. A psicologia não explica tudo, mas já demonstrou como uma rejeição aos treze anos pode transformar um garoto atípico em serial killer de líderes de torcida aos vinte e sete. Tá bem, não sejamos tão dramáticos. Entretanto, como exigir mais dessas bestas que assistem “Malhação” ou outras porcarias, onde o preconceito e a exclusão são disseminados? Casualmente, peguei parte de um capítulo esses dias onde uma menina ridicularizava a outra por ela ser “BV”. A partir disso, esta segunda garota ficava preocupadíssima em não ser o assunto de sua sala de aula, passando a procurar um garoto qualquer para ficar e deixar de ser boca virgem. Detalhe: elas tinham 13 anos. Qualquer menino servia, não importava o sentimento, não importava o desejo dela, importava que tinha de beijar alguém e deixar a fama de nunca ter beijado. E também era nerd. Meu Deus, nerd e Bv.  E aí, como ficamos? Com um lixo desses sendo privilegiado na porra do canal mais assistido no Brasil e ainda por cima considerado normal e saudável, que cultura de relacionamentos esperar dessa juventude bestializada, seja de homens ou de mulheres? Isso explica a visão que não só mulheres têm e o descomprometimento com que namoros são vistos nesse século. As pessoas querem ter alguém para dormir de conchinha; as mulheres sonham com quem lhes mande flores no dia dos namorados e marejam os olhos ao assistir um romance açucarado, mas intimamente crêem que isso nunca sairá das telas. Saem para beber e “curtir”, transam na mesma noite, trocam baba com qualquer um e esperam que o telefone toque no dia seguinte. Não, não defendo essa gama de homens igualmente lascivos, não acho que estão no direito deles. Mas, lembro que esses homens só mantém esse padrão de pensamento e comportamento porque há tempos são estimulados; porque foram ensinados pela própria mãe a pensarem e se comportarem assim. Ele sabe que se não pegar uma essa noite, é só dirigir-se a outra, do lado; sabe que isso é incentivado socialmente e o fato de você ser difícil não vai atraí-lo, mas meter-lhe medo. É como se a máxima “o que é fácil não tem graça” não valesse mais; as maçãs do topo estão apodrecendo, não serão buscadas; as mulheres poderosas assustam e espantam; as que têm personalidade, então, Deus as guarde!, são evitadas a todo custo, o padrão de macho tem que ser mantido e lamentavelmente esse sistema de crenças é alimentado pelas próprias mulheres.
Acredito que o fato da profissionalização feminina seja sim, uma grande conquista, uma conquista, porém, de deveres, não de direitos. Embora relutemos em assinalar, os cargos de chefia entre mulheres são menores; os salários para mesmo cargo são inferiores; os homens não se acham responsáveis pelo serviço de casa e pela educação dos filhos e tudo isso só causou o dobro de trabalho, com jornada na rua e em casa. Então, qual a vantagem, afinal?
Em conclusão, penso que as mulheres modernas perdem muito mais do que ganham seguindo o que a sociedade dita melhor para elas, seja trabalhando fora ou ficando em casa; seja sendo liberalista sexual ou moça pra casar. (Aliás, casar com quem, se não há homem que preste?) Uma mulher só será moderna o bastante quando, ao invés de seguir os ditames, seguir a própria cabeça, ter uma cabeça própria, artefato que anda em falta na sociedade de hoje. A partir disso, certamente, ela jamais será contestada em suas decisões, nem por seu coração nem por ninguém, pois fatalmente estará fazendo a coisa certa.