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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Os "solteirões"


O que te vem à cabeça quando eu falo a palavra “solteirão”?

Eu sei a resposta. E vou te convencer a, pelo menos, ponderar o assunto.
Já parou pra pensar como é engraçado o pré-conceito que temos com aquelas pessoas que nunca se consorciaram em matrimônio? As mulheres são vistas como “tias”, “encalhadas”, e os homens vão de infelizes a pederastas. Na hora de dar o título, a coisa é tão automática que ninguém para pra pensar que ter ficado sozinha pode ser uma escolha da pessoa. Ora, o que é um casamento, afinal? De que vale o perfume preso em um frasco? (Se quiser saber o que eu penso a respeito, leia dissensões sobre o casamento). Então, mais vale casar-se e ser infeliz que ter a inocente idéia de passar os dias solitários? Aliás, quem disse que quem não se casa é solitário? Pode acontecer de algumas dessas pessoas possuírem mais amor que quem se casa, concorda?
Quase ridículo ver garotas de 18,20 anos encherem a boca pra falar: meu marido. Casamentos que se associam muito cedo raramente valem a pena (nunca uma expressão fez tanto sentido!) e a maioria das pessoas que permanecem juntas é por conveniência, filhos ou algum outro interesse ou implicação. É uma sociedade onde quem tem 25,27 anos e não possui uma vida “afetiva” solidificada é apontado; onde isso será questionado até mesmo em passíveis contratações de emprego (agências de recursos humanos confirmam que quando o candidato a uma vaga tem idade superior a 30-35 anos e é solteiro e sem vínculos “amorosos”, sua socialização é posta em exame e esse é um fator que pode comprometê-lo na disputa pelo trabalho); e prejudicará a imagem da pessoa, quer ela se importe com isso ou não. E tudo por uma escolha diferente.
Casamento é apenas um contrato social. Assinar seu nome em um papel lhe garantirá alguns bens, mas jamais lhe dará a segurança do sentimento do outro. A verdadeira aliança é a do coração. Ficar com alguém sem amá-lo (a) é tirar a oportunidade de que essa pessoa seja verdadeiramente amada. O mundo seria bem mais bonito se todas as pessoas consultassem apenas o próprio coração. Essa matemática tá errada, 1 infeliz + 1 infeliz ≠ felicidade. Solidão com solidão não dá boa coisa, não! A verdade é que, mil vezes antes só, do que mal acompanhado. Mesmo que seja “bem acompanhado”, sem sentimento isso não vale ao chão que pisa! Por essas e outras, não julgue aqueles que chamam de “solteirão”, de “tia”. Se for fiel a você mesmo, há alguma probabilidade de que faça parte do time deles.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Não me explica


Me explica por que você vem tentando inexplicavelmente buscar explicações para o inexplicável, ah, aliás, não me explica... Por que atribui adjetivos, nomes, finalidades, conceitos; porque tenta pintar com tintas das quais a procedência é muito duvidosa as realidades que não têm explicação, principalmente aquelas que acontecem aí dentro...

Você já contemplou o pôr-do-sol?
Tem certeza?
Quando você contempla o pôr-do-sol, deve apenas contemplá-lo; não deve trazer nenhuma palavra à cena, porque com elas vêm toda a sua experiência passada e o que você construiu em torno do termo. Se ao vê-lo você pensar “belo”, toda carga depositada ao longo das suas aprendizagens nessa simples palavrinha vai se instalar no pôr-do-sol e isso vai quebrar a magia que é apenas a contemplação. Então, não me explica. Não me explica o que é o amor, o que é a saudade; não tente me explicar com suas frases pobres o que é o perdão e porque você sofreu tanto assim. Não explique a você mesmo as mil razões para não gostar de uma pessoa e a nenhuma razão que te faz gostar dela; não explique ao mundo que você está apaixonado ou magoado; não explique ao espelho que seu sorriso está tão belo hoje... Sim, nós viemos tentando explicar há um longo tempo... Explicar o inexplicável só faz com que reduzamos às coisas ao obtuso palavreado, nunca questionado nem estudado etimologicamente; que tomemos emprestados verbetes alheios para que mostremos a quem não se importa todo o inexplicável de buscar explicações... Não me explica. Nem tente explicar pra você mesmo.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Falsa caridade

Não estenda tua mão uma esmola ao mendigo se fores tu
ora mais pedinte que ele.
Quando dais sem amor, então nada, de fato, dais. Quando se desfaz de bens que um dia já te foram caros e hoje nada te significam, então nada mais faz que despojar-se de objetos que não mais te servem e não constitui aí nenhuma caridade, senão tua obrigação. Quando passas adiante aquilo que apenas afeiçoam as traças aos teus armários, disso institui-se inevitabilidade que hora ou outra terá de fazê-la. A verdadeira caridade exige teu coração. Não estenda tua mão uma esmola ao mendigo se fores tu ora mais pedinte que ele. Tomas todas as tuas coisas como empréstimos divinos. Nada verdadeiramente é teu e se Deus te confiou algo, crê que disso tem um objetivo maior e que prestará contas por cada cêntimo que desperdiças e porventura fizer infeliz teu irmão. Não és responsável pela desgraça alheia, mas se pode estender teu braço e se nega a fazê-lo em momento oportuno, por isso responderás. Não o faça, porém, se teu coração não te acompanhares. Pode ser que não seja através da função de dar que tenhais de aprender a lição da caridade, e sim, através da de receber. Para isso, Deus te dará outra oportunidade, pois é Pai Perfeito e te ama sem condição. Mas, se puder, não deixes que passe esta. Ninguém está onde está por acaso.

domingo, 22 de maio de 2011

Só o amor é real


Qual a coisa mais verdadeira que já aconteceu na sua vida?

Uma amizade? Um amor? Uma perda?

Estamos em um nível em que nem tudo é vivido com intensidade, embora tenhamos essa intenção. Dividindo caminho com os sentimentos verdadeiros, há os falsos; com os momentos que valeram a lembrança, a ilusão. Porém, não dá para mentir a si mesmo e há uma coisa pequenina que não tem como negar: qual a primeira coisa que lhe veio à cabeça ao ler a primeira frase desse texto?
É isso mesmo. Essa coisa verdadeira na sua vida é o amor, de alguma forma depurado, ainda incipiente. E sabe por que foi a sua primeira opção de resposta? Porque só o amor é real...

sábado, 21 de maio de 2011

Não apresse o rio


Você nasceu: que esforço fez para nascer? Você cresce: que esforço terá feito para crescer? Você respira: que esforço faz para respirar? TUDO SE MOVE POR CONTA PRÓPRIA, POR QUE ENTÃO PREOCUPAR-SE? Deixe a vida fluir por si mesma e você estará indo junto. Acontece, não depende de você. Se há tempos está tentando algo e não consegue, pare de forçar. Talvez não seja seu. Talvez não seja agora. Um livro, um projeto, um trabalho, uma obra. Há coisas que não são nossas, exatamente como uma criança nascendo de sua mãe. A mãe não pode criar a criança, ela é simplesmente uma passagem.
Não lute nem tente ir contra a corrente, nem mesmo tente nadar, simplesmente flutue com o rio e deixe que o leve para aonde quiser levar. As coisas acontecem por si mesmas e tudo o que é valioso só se torna possível num clima de liberdade. Cada ato é em si mesmo a recompensa, caso contrário, não o faça. A mensagem é essa: NÃO FORCE! Não tente apressar o rio. Ele tem seu próprio fluxo e é da natureza que se mova sem esforço.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Sabe...

Nunca se diga uma pessoa de conhecimento, pois nenhuma pessoa de conhecimento diz isso. Saber é saber que saber é não saber e que não saber é saber. O mundo está cheio de academias tentando ensinar o conhecimento, mas nenhuma há que ensine o não-conhecimento. E quando você tem uma resposta, então você perdeu uma batalha. Um verdadeiro homem de entendimento sabe que nada sabe. Sua ignorância é profunda. E dessa ignorância nasce a inocência. Nada de respostas prontas, nada de certezas absolutas. A pureza é saber quão pouco se sabe... Quão longe da verdade se está... Aliás, nunca diga “encontrei a verdade”. Antes, diga “encontrei uma verdade”. Alguma vez você já observou que na vida estamos sempre dizendo que sabemos, mas não sabemos?

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Verão e inverno

Nada é bom ou mau em todas as circunstâncias. Há momentos em que o veneno pode funcionar como néctar, e o néctar, como veneno. Há momentos em que as bênçãos se transformam em maldições, e as maldições, em bênçãos.
NADA É CERTO PARA QUALQUER TEMPO E LUGAR EM QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA. A mesma coisa pode ser boa numa ocasião e ruim em outra; será realmente determinada pelo que acontece no momento. Nada pode ser predeterminado e pré-julgado. Se alguém fizer isso, terá problemas na vida, pois a vida é um fluxo em que tudo muda a cada estação.
O que quer que você seja, permaneça flexível. Não crie uma moldura fixa ao seu redor, permaneça fluente e em movimento. Às vezes, também pode ser necessário sair da disciplina. A vida é maior que a disciplina, e às vezes pode ser necessário ir completamente de encontro às próprias regras – pois Deus é ao mesmo tempo VERÃO E INVERNO.   

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Fechada pra balanço


Chega um momento em que dá estafa. É preciso reavaliar o que se sente, o que se aprendeu, o que fez para merecer, o que nos recompensou e o que espezinhou a alma... E precisamos encontrar forças para voltar a acreditar, seja na vida, seja nas pessoas, que muitas vezes nos tiram coisas que nem imaginam; coisas preciosas como a fé... Estou fechada pra balanço... Definitivamente, preciso colocar os sentimentos no lugar, voltar a acreditar em tudo aquilo que foi tirado de mim, recuperar a minha inocência e a minha paz de espírito; quero acreditar nas pessoas de novo... Não sei onde encontro isso e eu não sei se há um lugar, mas preciso buscar, procurar, nem que seja dentro de mim mesma, pois não aguento mais andar sem direção; não podem ter-me tirado tudo, há de haver um pouquinho de confiança; devem existir ainda pessoas verdadeiras no mundo e que mereçam o meu balanço-retiro para o dia em que eu encontrá-las elas possam dizer o mesmo e sorrir...

domingo, 15 de maio de 2011

Linha tênue


Há uma linha muito tênue
Entre a genialidade e a loucura
O amor e a obsessão
A liberdade e a prisão.

Até quando?

Somos rápidos e ferinos em tecer julgamentos dos atos alheios, mas incontumazes em se pôr no lugar do próximo. Pregamos isso, defendemos essa causa, mas tudo fica no discurso e na hora H não conseguimos sequer saber como o outro se sentiu. Em uma contenda, não nos damos conta que a maioria das vezes estamos apenas preocupados em ficar com a razão e inflar nosso ego do que em tentar compreender os motivos da outra pessoa. Somente quando somos nós os atingidos, somos capazes de enxergar toda a suposta injustiça de que fomos alvos, enchendo nosso coração de revolta e ódio cegos sem saber compreender qualquer circunstância. Apenas as nossas causas são nobres, justas e louváveis; só nós sentimos, só nós importamos. Até quando? Até quando continuaremos incapazes de nos colocar no lugar de outro ser humano como a gente, com suas falhas e acertos? Até quando colocaremos nosso ego e nosso orgulho na frente do amor e do perdão? Até quando fecharemos os olhos para as dores alheias, colocando as nossas no cerne do universo? Até quando o mundo terá que girar somente na órbita do nosso umbigo e os gritos esganiçados do sentimento do outro não se farão ouvir em nossos ouvidos moucos?
Eu acredito em uma tecnologia onde, um dia, poderemos ver e sentir exatamente como outra pessoa. Você se sentará em um divã, relaxará e entrará na energia de quem você necessitar perdoar, vivo ou morto. Então você poderá ver cenas da vida dele (a) com a nitidez de uma presença física e tudo que lhe tiver relegado ao campo das emoções tornar-se-ão suas, e nesse dia saberemos nos colocar no lugar do próximo.
Mas, por enquanto, incompreensão é o nome do mundo.  

sábado, 14 de maio de 2011

Aos amigos que nunca tive


E o que é o afeto? E o que é uma amizade?
De amigos esperamos sinceridade, verdade, lealdade, honestidade. Então por que, tantas vezes damos nossos melhores, os mais profundos e os mais intensos sentimentos a pessoas que não os merecem? Percebo que quem mais fala em amizade verdadeira e quem mais fala que não gosta de falsidade, ironicamente, estas são as pessoas que são mais mascaradas e mais falsas com os outros. A decisão de não pisar nos sentimentos alheios nem passar por cima da felicidade de ninguém parece ser um preço muito alto a se pagar, para receber em troca apenas o veneno daninho de algumas pessoas que um dia chamei de amigas, por quem tinha estima, respeito, admiração e a pior de todas: expectativas. Saber de algumas palavras ditas de mim pelas costas – palavras ferinas, maldosas que em nunca serviriam de defesa própria, apenas de acusação do outro – é tão dolorido quanto uma traição. Aliás, é uma traição. Encaro como uma traição porque um dia acreditei em sentimentos. Mas, descobri da pior forma que existia outra palavrinha: interesse. E o mais mesquinho e comezinho que alguém pode ter. Há atitudes que considero abomináveis, mas algumas pessoas não pensaram duas vezes antes de agir mal comigo. Em nenhum momento se preocuparam em como eu iria me sentir – aliás, acho que pensaram que eu nem tinha sentimentos – eu, que faço deles a seta que guia a minha vida e acabo sempre me ferrando por conta disso, em um mundo egoísta e insensato onde só o de cada um importa. Pessoas que arriscaram tudo por momentos e sei lá... Só consigo ver maldade; não posso ver as paranóias que eles diziam existir, não posso ver racionalidade... Mesmo no meu erro mais atroz, errei achando estar a acertar, errei com o coração sangrando... Fiquei de boba... Na inocência... Na pureza de um sentimento de carinho que eu achava que era recíproco, mas nunca foi... Em que momento tudo caiu por terra? Quando deixou de ser especial, se é que um dia o foi...? Não sei... Mas, há um sentimento terrível, de mágoa, de desconsideração; de achar que você é idiota ou falso, quando é tudo ao contrário... Como na música do Diego González: Sinto que alguma vez menti... mas que quem se enganava era eu... 
E eu era a única... A única que se importava, tinha paciência; ouvia, chorava, fazia tanta prece... Acreditava, segredava, ouvia segredos, martirizava-me junto, despedaçava-me a alma, desmargaritava o coração... E o que eu exigia em troca? Nada. Nem um rosto, nem um nome, nem um toque, nada... Só a correspondência de um carinho que, não sabia, alimentava sozinha, doando-me inteira, quebrando-me ao meio ao peso de cada inverdade dorida... E, sim, eu dei-lhes verdade... Dei a minha verdade, dei a minha essência, todo o meu ser, que é muito mais que qualquer coisa... E, sim, meus sentimentos risíveis... Risível o amor que lhes tinha; risível a preocupação por uma suposta doença que eu nunca soube se existiu mesmo; risível a ideia pueril de ter um fruto de um amor que eu julgava existir... Risíveis minhas lágrimas; risível o único amigo que esteve comigo sempre e que é muito melhor que vocês... Risível meu coração, minha alma, meus pedaços, meus cacos, minhas pegadas, meu sal, minha dor... Risível até minha literatura, que jamais foi inspirada em qualquer de vocês, em qualquer “laboratório de sentimentos”, somente na riqueza dos meus, que nunca soube mentir nem omitir nem respeitar...
E mesmo sabendo que nesse mundo ninguém nunca vai se importar em como me sinto... mesmo tendo essa noção não vou mudar minha postura, não vou mudar de opinião... Não piso nos sentimentos de ninguém pra ser feliz... Não acho que colherei bons frutos sendo mais uma dessas pessoas nas quais o amor pelo próximo se esfriou ou nunca existiu. Apenas amo. Amo... E sou amada em troca. Sim, amada pelo que sou, pelo meu jeito, sem nenhum artífice ou personagem... E acreditarem ou não nisso não é mais problema meu; não posso controlar o que pensam ou sentem a meu respeito. Tenho amigos de verdade, não somente através de um computador. Faço amigos pela vida, só não posso oferecer minha amizade a quem não quer ser meu amigo; a quem não significo nada... E as pessoas que estou excluindo para sempre da minha vida foram quem escolheram assim, pois me excluíram muito antes e sem me dar nenhuma chance de defesa... Porque mentiram... porque fingiram... E eu menti. Eu nunca neguei que menti. E eu errei. Nunca neguei que errei. Mas, eu nunca fingi! E porque debochou... E porque omitiu... coisas que infelizmente me deixaram tão exposta... E porque fez comigo, no meu coração a maior de todas as mágoas do mundo... E por maldade... Maldade e loucura disfarçadas de medo... Que nomes as pessoas dão aos sentimentos, para à noite poderem colocar a cabeça no travesseiro e não permitir que a consciência possa cobrá-las... E assim foi. Assim... acabou. End.
Amizade é um amor que nunca morre. Mas, pode suicidar-se... Afinal, existe livre-arbítrio. (Elianicler)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Epístola a um amigo


“Eu não faço idéia de quanto tempo isso vai durar, não faço idéia de tudo o que você está sentindo nesse momento, mas te compreendo. O tom dessas palavras será de despedida. Eu também não sei o que vou fazer de agora em diante, pois sinceramente eu nunca acreditei no ser humano, mas ainda acreditava no amor verdadeiro... agora, nem mais nisso estou crendo bem...”
Escuta, as palavras estão se atropelando na minha cabeça. Mas, em primeiro lugar, você está fazendo igualzinho outras pessoas que passaram pela minha vida: querendo colocar a responsabilidade dos seus sentimentos sobre mim. O amor não é divisível como supomos: "amor de mãe, de filho, de irmão, de namorado...". Usamos destas classificações para explicar com mais facilidade um sentimento único que nos acomete de várias maneiras e varia apenas em grau e intensidade. Quando você fala em amor verdadeiro neste trecho, parece falar que a humanidade inteira não merece ser amada, quando na verdade você acha que as pessoas as quais amou não mereceram o sentimento. Sinto-me, sim, responsável até certo ponto por ter cativado o que quer que seja em você, pois "somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos". Mas, em nenhum momento eu fui além da nossa amizade, nem dei qualquer alento e te peço desculpas se você interpretou assim. Veja bem, eu QUERO CONTINUAR SENDO SUA AMIGA, eu não disse que dispenso sua amizade; eu sou grata por tudo que tenho e os amigos especiais incluem-se na minha gratidão; porém, não posso corresponder mais que isso; quando digo "te amo" é tão fraterno quanto falar isso pros meus irmãos; e posso afirmar, infelizmente jamais vai passar disso pois eu me conheço o suficiente para poder dizer: comigo esse negócio de "o tempo pode fazer vê-lo com outros olhos" não funciona...
Pois bem, chegamos aqui a outro ponto que gostaria de abordá-lo: Por que isso te incomoda tanto? Por que o fato de não ter uma namorada ou não ter sido amado por uma faz com que se importe dessa maneira? É alguma auto-afirmação? Você precisa disso para dizer a você mesmo que você é digno de amor, que vale a pena? Pare! Você não é um pobrezinho! Você não precisa de ninguém, só precisa de si mesmo, PÁRA!
          Você entende que estou te "dando bronca" como uma amiga, como alguém que se interessa por você? Que estou te alertando de algo que talvez você ignore? Já se perguntou por que liga tanta importância para "um amor"; "uma namorada"; já percebeu como você sempre critica outros caras que são insensíveis e bestas e isso e aquilo e têm namoradas incríveis? Por que você se inferioriza diante deles? O que te faz sentir que são melhores que você? Você sabe. Você sabe que é o seu sentimento que te inferioriza, te coloca abaixo deles e não nenhuma situação - sua infância, sua adolescência, suas espinhas - isso, pode, no máximo, contribuir. Você não precisa de uma namorada para se amar. Você tem que aprender isso sozinho. Você também não pode se apoiar nos amigos e amigas. Estamos aqui para te ajudar, contribuir, trocar ideias, experiências, tudo isso que já viemos fazendo, mas não para uma muleta de carências, não para você fingir que num belo dia tudo vai ficar bem. Não... E eu estou torcendo de coração para que o que eu estou falando seja um puxão de orelha carinhoso... Eu não estou me queixando das suas próprias queixas. Não estou reclamando das suas confidências ou lamúrias. Eu sempre te ouço, isso não vai mudar. Eu só quero que VOCÊ MESMO escute o que me fala... Eu só quero que VOCÊ MESMO preste atenção ao que me queixa como falta de sorte... Você não é vítima. Ninguém é. Todas as coisas estão aí, em você mesmo. E simplesmente a sua preocupação em achar uma garota que te ame incondicionalmente, te aceite e o queira para namorado só se mostra infundada, uma vez que VOCÊ precisa se amar, precisa pegar aí dentro o seu âmago e perceber o quão especial você é...
Sensação de desperdício de vida? Por não estar namorando, beijando, festando? Para que se importunar com coisas tão superficiais quando podemos ser tão profundos? E se a sua missão não for ao lado de alguém? Para que se importar tanto como algumas coisas que, entra vida sai vida, sempre teremos a oportunidade de tornar especiais?
 
Você me faz então uma lista de agradecimentos imerecidos. Amigo, eu jamais fiz nada! Não, meu anjo, não! FOI VOCÊ QUEM FEZ! Foi você quem teve dignidade e amor próprio para atrair pessoas na sua vida; foi você que encarou velhos sonhos e resolveu realizá-los; foi você quem sem saber como quebrou alguns padrões de pensamento e mudou tudo à sua volta. Não fiz nada! Nada mesmo, não estou sendo humilde. Foi você quem fez tudo e só você é o responsável por continuar fazendo; só você tem o poder de atuar sobre a sua própria vida e escolher o que é bom e ruim pra você. Então, por que não sair desse estado melancólico e tecer a mesma lista de agradecimentos, só que a você mesmo? Agradeça sua existência; o fato de ter "merecido" nossas visitas; sua inteligência que atraiu pessoas inteligentes; seu paladar, que pode sentir o gosto da goiabinha, agradeça. Agradeça a você, agradeça o seu passado, agradeça as amizades que conquistou e atraiu; agradeça até o que não deu certo - pois não sabemos se não vai acontecer uma grande tragédia no Rock in Rio da qual não devemos estar presentes. Agradeça, porque a gratidão é muito boa; ela faz com que atraiamos sempre mais na nossa vida.
E se conseguiu chorar, que bom! Mas, lembre-se, mais uma vez: você não chorou por mim, chorou por você mesmo; você pode ter ficado triste por mim, mas antes ficou por você mesmo. Todos somos assim. Difícil admitirmos e até mesmo percebermos isso. E depois, faça algo por mim e por você: vá lavar esse rosto que a vida lá fora segue, o sol está brilhando e esperando você dançar...
Peço desculpas se em algum momento minha sinceridade me obrigou a ser ríspida, mas não posso permitir que você continue se enganando com visões incipientes. Ninguém passa por nada em vão e ninguém faz nada a ninguém - somos nós que nos magoamos, ofendemos e sofremos com as ações alheias, sem compreender que cada um age de acordo com sua maturidade espiritual e não existe o que chamamos de certo e errado. Tudo é uma escolha, feita agora ou lá atrás; nada nos acomete sem ter razão de ser e só sofremos quando já temos discernimento suficiente para pensar e agir diferente, mas continuamos nos prendendo aos velhos padrões que não mais nos acompanham. 
Se não deu certo, não era pra ser e vamos aguardar os acontecimentos com coragem e confiança. Mas, se pudesse te dar um conselho agora, só um, seria: jamais se entregue aos outros. Jamais coloque o poder no outro. O poder está em você. O outro é apenas seu irmão, seu companheiro de jornada. Ele não está ali por você. Se se queixa que ninguém se importa com o que sente, é que você mesmo desprezou seus sentimentos. Queixar-se que não se importam com o que sente já constitui em egoísmo, pois você já está se importando... Já está querendo o próximo com o interesse de que se importe com você. Não devemos esperar nada, nem gratidão.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Meu bebê


Meu Bb, Mesmo que muitas vezes a vontade dos outros homens não seja como a sua, tenha certeza, muitas vezes somos leigos para entender o que se passa na cabeça destes, e como eles vêem a vida alheia, que deveria ser a nossa visão, imparcial, mas não conseguimos, pois estamos envolvidos emocionalmente. Meu Bb, acima de todos nós, existe um ser maior e bem mais benevolente, Deus, e este sabe o que suportamos. Pense assim: se Ele te deu todas essas provações, tenha certeza, você é capaz de suportar!!! Não sei se adianta te falar algo assim, pois é muito fácil falar para quem está de fora, quem está envolvido no assunto a coisa funciona de outra maneira, mas meu bb, infelizmente é esse o tipo de ajuda que posso te oferecer, além de estar torcendo sempre pra que você saia vencedora em todas as batalhas que a vida te convida para lutar. Deus sempre estará do seu lado, te confortando, te alentando, e eu amor, sempre, sempre, estarei junto de ti. Pois de perto ou de longe eu farei parte da sua torcida. Te amo!!! Mil beijos...

Saudade de alguém que verdadeiramente me amou... Onde andará...?

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Vamos sonhar só mais uma vez


Quando se transformou nessa coisa? Nessa pessoa que diz sim, sim senhor, o senhor tem razão, senhor, para filhos da puta que lhe dizem que deve pagar mais 95% de impostos por seis anos para poder garantir sua aposentadoria? Quando aquilo aconteceu? No momento em que se postou em uma colocação profissional e cedeu seus colhões em troca de sentir-se... o quê? Um cidadão digno, alguém honesto, que paga suas contas?
Virou em seguida para o vaso sanitário, levantou a tampa, abriu a braguilha, pôs pra fora o sexo estúpido e começou a urinar.
- Viver é um negócio triste – pensou enquanto urinava. – Os momentos de felicidade não compensam a desgraça.
E então o viu, naufragando até o pescoço em sua miséria e sua mentira no fundo do espelho: viu um velho de pele enrugada, sobrancelhas espessas e olhos apagados.
- Quem é você, seu grande fi da puta? – o repreendeu. – De onde o conheço?
- Ah... – disse recuando um passo para se afastar do espelho.
- Ah... – disse o velho grande fi da puta recuando um passo para se afastar do espelho.
Dois fracassos. O que é facilmente explicável em se tratando de homens honrados, já que o sucesso é uma prerrogativa dos charlatões.

Às vezes ignoramos quanto os futuros podem ser curtos. Quão depressa podem desaparecer e deixar você sem nada a não ser um presente interminável sem surpresas, sem razões para ter esperança, reduzido a uma sucessão de dias que se emendam uns nos outros, tão parecidos no final das contas que o ano se acaba enquanto o calendário da cozinha continua em março.
Nunca mais vou sonhar, você tinha decidido. Não vou mais me expor ao sofrimento, à desilusão, à desesperança que no fim todo sonho não realizado traz. Mas, aí, de repente, seu time foi pra final, saiu aquele esperado aumento ou você viu um filme, um anúncio publicitário, sei lá, mostrando Las Vegas toda iluminada ou Aruba banhada no dourado perfeito do crepúsculo, ou então uma garota que tem mais que uma semelhança vaga com outra com quem você teve um flerte no colégio – uma mulher a quem você amou e perdeu – dançando à sua frente com olhos brilhantes, te convidando, e você dissera: “Foda-se, vamos sonhar só mais uma vez.”
E é isso aí, vamos sonhar só mais uma vez. Porque até encontrarmos o velho no espelho, a vida é um recomeçar de semanas sem fim.

domingo, 8 de maio de 2011

Encontre outra que...


Faça poesia e fale de amor em seu nome
Escreva uma letra de música pensando em você
Seja sua mãe, sua amiga e sua amante
Seja a criança, a adolescente, a mulher e todas juntas
Saiba a hora de te beijar a boca e a hora de te beijar a testa
Faça tantas artes com sua imagem como uma pintura
Quem mais te dedicou poemas, canções e noites de insônia?
Quem pode sussurrar seu nome ao vento observando as estrelas?
Quem mais te ensinou que uma promessa é algo que fica para sempre?

Encontre outra que seja o tudo e o nada
A beleza e a perdição
A ilusão e a verdade.
Encontre outra que nunca tirou do pensamento
Outra que te faça buscar inspiração nas coisas mais simples
Que te faça sentir bobo e totalmente entregue, qual criança no frescor da inocência
Encontre outra que te faça buscar razões para tentar amar ainda outra como forma de esquecê-la
Outra que jamais será como ela e essa lembrança será teu martírio.
Encontre outra que te faça ir ao céu e ao inferno no mesmo dia
Que te provoque os sorrisos mais doces e as lágrimas mais quentes
O arfar de um sonho bom e a dor de um pesadelo sem fim.

Procure em todo o universo
Em cada verso, em cada acorde do violão, em cada frasco de tinta
E procure nas estrelas também.
Você não encontrará outra.

sábado, 7 de maio de 2011

Amar é isso


- Você sabe o que é amar uma pessoa?
Ela balançou a cabeça.
- É como saber todas as questões da prova, no mesmo instante em que você se senta no banco da escola. É como ter certeza de que tudo vai dar certo para você, pelo resto de sua vida. Você vai dar certo. Durante sua vida você vai ter a sensação de ser um vencedor. Amar é isso.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Você tem namorado (a)?


- Tá bom, bebê? É...?? Que fofo!! Já papou? É? Já tomou banho?

Enquanto minha colega falava ao celular ao meu lado com uma voz de chorinho de neném, eu me perguntava se o yorkshire tinha aprendido a atender o telefone. Sim, pensei, eu não falo assim nem com o meu cachorro.
- Meu namorado – fechou o celular e sorriu contente.
- Hum. Ele é retardado? – sorri de volta. (Ou será que você é?, pensei comigo).
- O quê?
Antes que acabasse entrando em encrenca devido à grande língua e ao cérebro sempre bem disposto, o professor entrou na sala e ela esqueceu ou fingiu que esqueceu o assunto (mas com certeza não esqueceu que ele era retardado, porque na saída daquela aula a vi atendendo novamente daquele jeito). A experiência serviu no mínimo para que eu me prestasse a algumas reflexões. Que tipo de homem fica com uma mulher dessas? (Retardados?) E olha, não a recrimino não, recriminaria o cara! Meu Deus, como alguém suporta ser tratado assim? Mais: o que é um namorado? Realmente pus-me a meditar que o sentido equivocado que a palavra vinha recebendo a um já bom tempo nada tinham a ver com o significado original do termo.
Na.mo.ra.do subst. Homem ou rapaz a quem se namora.
Hum. Bom. E o que é namorar?

A todo o momento, as pessoas estão namorando. São ficas de semanas ou são flertes ou transas, ou beijos e agarramentos ou paixões ou desejos, mas todos chamam de namoro. Vejo garotas usando pra lá e pra cá: o meu namorado, ou rapazes distraídos mencionarem: a minha namorada, mas não sinto nenhuma emoção na voz, nos olhos; não vejo mais nenhum brilho no olhar quando as pessoas falam isso, não vejo um sorriso bobo brotar na cara, nada: apenas namorado, namorada, mais alguém, enfim, alguém que estou catando, me envolvendo, me esfregando, como quiser chamar.
- O trouxa do meu namorado não gosta disso – já vi uma garota dizer à amiga e também um rapaz me olhar insistentemente enquanto eu passava e ele beijava uma menina - de olhos abertos.
- Ligeiro antes que minha namorada volte – falou um garoto ao pegar rapidamente o telefone de uma periguete enquanto a “namorada” havia ido ao banheiro.
Meu amigo namorado, li em depoimentos de Orkut de pessoas que nunca tinham se visto e “minha namorada preferida” em subnicks de crianças de 12 anos.


Muitos não vão concordar ao ler e eu já estou acostumada com os silêncios e as críticas, porque sou a rainha da polêmica. Mas quase ninguém hoje em dia namora. E não namoram porque, como já disse o Drummond há muitos anos – comprovando que algumas coisas nunca mudam – namoro é a mais difícil das conquistas, pois isso é muito mais que uma palavra, necessita de tanto e jamais poderia ser descrita. Namorar é ter sintonia, é esperar ansiosamente pelo beijo, é quando todas as outras pessoas deixam de existir. Namorar é muito mais que química e física, é metafísica, não é segurar na mão, é agarrar todo o seu mundo em cinco dedos. Namorar não é prosa, é poesia; não é beijo, é alma; não é sexo, é amor. Namorar exige muito, exige mais; namorar é lembrar de repente, do nada, ao acordar de madrugada; namorar é sentir o peito bater com alegria quando lembra o nome, o cheiro; é ter arrepios de saudade e preparar surpresas sem nenhuma data especial. E quando se tem um namorado, um dia basta para se amar pra sempre; um minuto basta para lembrar uma hora; uma ausência é presença ainda que não haja distância. E quando você tem namorada, você é dela e esquece o resto, sabe que é um mundo de escolhas e sua escolha é ela e mais ninguém. Em um namoro de verdade, não se deseja entregar-se a outra pessoa que não seja aquela que faz morada em seu coração. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio sentimento, ficar olhando o enigma do outro dentro dos olhos dele, abobado de felicidade pelo fulgor do amor. Não tem namorado quem gosta sem amar; quem curte sem adorar; quem adora sem aprofundar. E namorar não tem nada a ver com fazer voz de chorinho de neném, ficas compridos, sexo com compromisso ou alguém para apresentar para os pais. Não tem nada a ver com ficar de “meu namorado” pra lá e pra cá nem com “a minha amada namorada” (que eu não amo, mas namoro só pra dizer que tenho alguém e essas coisas, sabe). Namorar exige sonho e loucura, entrega e profundidade, quente, quente, quente, nada de morno que te vomito. Namorar é um jardim de margaridas onde todas as pétalas são bem-me-quer , paz e bolo de chocolate, é sorrir com dor de dente e esquecer que amanhã tem prova de matemática. Namorar é achá-la linda naquele vestidinho de chita florido; é achá-lo especial com aquela camiseta surrada e toda suja de tinta porque ficaram pintando o quarto dele a tarde toda e deram muita risada com isso. É achar divertido aquele jogo que odiava quando está competindo com ele; é roubar uma flor daquela vizinha brava para dar para ela; é vestir a camisa dele e ele te achar linda por isso. Namorar não tem nada a ver com beijo na balada, com festinha chocha, com dia 12 de junho, com flores no aniversário. Namorar não tem nada a ver com a garota mais bonita da escola nem com o rapaz mais “bombado” do pedaço, nem com carro da hora nem com alguém legal (só) para conversar. Namorar é como um mergulho, um mergulha no outro, ambos então submergem e afogam-se em seus seres. E agora eu te pergunto: você tem namorado (a)? 

Jogue fora

Jogue fora a carta, os bilhetes, o papel de bombom. Jogue fora o cartão de Natal, de aniversário, das flores; as fotos, os vídeos, as conversas de msn, os depoimentos de Orkut, os prints, as músicas. Os dias, as horas, os minutos, as roupas que não usa mais, as que nunca usou, os e-mails antigos, as saudades solitárias, a lembrança dos beijos, os dias de nuvens, de neve e de sol. Jogue fora.

Viva Brasília!

Ninguém pode estar por cima se não houver alguém embaixo. Masturbe o povo, adule os poderosos e a todos faça promessas, promessas, promessas e uma vez eleito proclame aos quatro ventos o seu amor pelo belo país, mas se quiserem comprá-lo, venda-o ou senão hipoteque-o que as próximas gerações pagam: o futuro pertence aos jovens. As casas, as ruas, as escolas, os hospitais, os aeroportos, as universidades, as estradas que você prometeu deixe-as como as pontes: suspensas, entre as duas margens de um vazio. É absurdo gastar em lugares públicos e suntuosos aquilo que é para os seus próprios gastos: suas mansões, seus aviões, seus palácios, seus palacetes, suas ilhas, suas praias, suas viagens, seus iates, suas putas, suas delicatéssen. E ao partir, se é que partirá, lembre-se que o vento seguinte vai levar tudo aquilo que você deixou: dinheiro em cofre público é tão volátil quanto a essência de terebintina.

Às vezes, talvez


- Eu sempre achei que iria ser diferente.
- Como assim?
- Ser adulto. A gente iria se sentir diferente, você sabe. Ter certeza de tudo, não errar... Confiança. Plena e total. Você ia se sentir adulto. Um homem.
- Você não se sente assim?
- Às vezes, talvez. Por pouco tempo. Mas, na maior parte do tempo não me sinto muito diferente do que era aos 17 anos. Sempre pensei que um dia eu iria acordar com a sensação de poder resolver tudo, como aqueles pais dos velhos programas de televisão.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Envelhecer


Eis um grande dilema do mundo moderno: quem aí quer ficar velho? E para evitar a inevitável perda da beleza e juventude, prorrogam-lhes de maneiras pouco sensatas, causando certo estranhamento e até medo em alguns casos, com aquelas testas lisas e olhos puxados; peles colágenas e tão falsas quanto a idade que fingem ter. E aí eu me pergunto: mas, afinal, qual é o mérito em tudo isso?
Um dos principais problemas dessa questão reside justamente no fato da não aceitação de envelhecer. Todos nós estamos diariamente em processo de envelhecimento. Embora cinco anos não pareçam fazer diferença em um jovem, se for fazer um comparativo físico, sim, há um abismo entre os dois. Mas o principal que esses cinco anos trouxeram certamente não foi físico: é mental, é psicológico. E tal qual as mudanças no corpo, o envelhecimento também traz a sensatez, a experiência, a maturidade. Começa-se a fugir de ficar velho muito mais cedo que se imagina. Nos Estados Unidos, há registros de jovens de 23 anos fazendo tratamentos cirúrgicos para combater uma possível linha de maturidade. E homens, o que indica que não são mais só as mulheres as neuróticas por “correções cirúrgicas” de todos os tipos. Onde vamos parar? Envelhecer é tornar-se humano. A maioria das pessoas jovens não sabe o que é importante de verdade. Estão presas a ilusões (e beleza e juventude são duas delas) que só o tempo é capaz de desvanecer. Com a idade vem a confiança, as certezas. Todas aquelas coisas que você não sabe aos 20, você sabe com 40. Todas aquelas dúvidas que você carrega aos 30, os 60 te respondem. Todo mundo fala muito em qualidade de vida; que a idade avançada traz com ela doenças, fatores biológicos e genéticos de auto degradação natural; problemas de todas as ordens, esquecimentos, dores, fraquezas e afins. E eu digo: realmente, se é isso que você acredita, é isso que terá, afinal nós só temos aquilo em que acreditamos. Por outro lado, vemos velhinhos de bem com a vida, super lúcidos, incríveis, são pessoas que você tem certeza que já passaram por grandes coisas na vida, e nem por isso elas deixam de sorrir. Não existem mais os desgastes naturais da meia-idade ou da juventude; não se leva mais aquele arzinho arrogante que a mocidade conserva como anti-rugas; a vida já respondeu a muitos desafios e incertezas, outros já não importam tanto. E é na madureza que você pode avaliar a sua vida, fazer um balanço verdadeiro das coisas em que acreditava, o que considera que deu certo ou não deu, os ganhos, as perdas, as pessoas que amou e aquelas que nunca significaram nada. Na velhice você pode dizer as coisas com a certeza, pode dar risada dos momentos que chorou porque todos eles te fortaleceram e te ajudaram a ser o que é e chegar onde está. Tanta lamentação em cada aniversário deveria ser vertida em alegria de mais um ano de aprendizados e fazer dele aprendizado mesmo, pois infelizmente também, não são todos os que chegam a uma idade avançada que verdadeiramente viveram.
E, para começar, justamente estes que querem fugir à regra, as senhoras que usam roupas de adolescentes ou os senhores que gostam de garotinhas de 20 anos – com todo o respeito, – mas são pessoas que estão realmente querendo escapar quando a vida não lhes dá mais subterfúgios. Querem apegar-se a uma idéia de garotão/ mocinha, desperdiçando tudo o que a vida pode lhes oferecer na fase em que estão e que é próprio da etapa. Transar com um rapazinho que podia ser seu neto não vai te tornar mais bela nem mais desejada; não se trata de seu tempo ter passado ou não, trata-se apenas da auto-aceitação, do aprender aquilo que cada momento da vida nos propicia. Não é que algo seja vedado a alguém pela idade que tem, mas nada, veja bem, nada nesse mundo trará de volta o tempo que passou, tenha sido aproveitado ou não, perdeu, já era, agora só numa próxima e, ainda assim, quem sabe. Cada dia é um dia e independente da idade que se tenha, se deve explorar tudo o que ele traz de bom e de especial; ter acessos de regressão, relacionar-se somente com pessoas mais novas, inserir-se a um meio que não faz mais sentido não vai fazer você voltar à sua juventude, somente deixar de desfrutar as oportunidades que poderia estar aproveitando no hoje. E é isso que as pessoas estão fazendo cada vez mais cedo: estão “apropriando-se” de algo que não é mais delas; esticando aqui e ali, dando uma puxadinha dos lados, fazendo baldes de lipo, valorizando somente a beleza exterior e reduzindo cada vez mais as possibilidades de ter alguma interior. Quem não vê beleza na velhice não é verdadeiramente belo; quem não sabe o prazer de segurar em uma mãozinha enrugada, enxugar uma lágrima de uma face cansada, acarinhar um punhado de cabelos brancos... Quem nunca ouviu as histórias de um avô ou avó; quem não pira pela comida e pela sabedoria deles; quem não acha engraçado alguns causos de sua época e de como algumas coisas nunca mudam... Querer pular essa fase, querer resgatar algo que já foi é como dizer que nenhum idoso no mundo vale a pena, é como condenar a maturidade quando o que (infelizmente) não está valendo tanto a pena assim é a juventude. É realmente terno ver esses kidults cada vez mais emperiquitados, de capuz, poseiros, fofos e, confesso, eu também sou um deles, postergando cada vez mais a fase adulta a um dia que ninguém sabe qual. Mas, achar que a vida é só isso, só poses e caretas para fotos, rostos bonitinhos, risos (falsos), roupas alarmantes (gritos de socorro) e beijos e trocas de carências é se recusar a enxergar a realidade; é não ver que há muita luz no fim do túnel... Talvez em um sentido literal, a vetustez não seja a coisa mais bela do mundo. Quem não chegou lá, só vai saber quando começar a passar por isso: pintar os fios brancos, desesperar-se com rugas em um rosto antes lisinho; a mudança no sorriso, no corpo, no olhar. Mas, vai mudar também o jeito de olhar o mundo. Seus olhos serão sempre os mesmos, porém a maneira como eles poderão ver será muito mais nítida, muito mais real. Na mocidade, temos apenas uma visão distorcida, são nuances e miopias que fundidas formam nossa realidade. Só com o avançar do tempo, as reflexões e filosofias que a própria experiência trazem podem embelezar a nossa mente e o nosso caminhar, mesmo no que teve de mais feio e duro. Só com um olhar maduro de verdade somos capazes de enxergar a beleza da fragilidade de uma criança; a magia de uma nova vida que começa; o encanto de uma existência em flor. Só a idade é capaz de nos fazer ver a singeleza das coisas mais simples, o tempo que perdemos em coisas estúpidas, a auto prevaricação por puro orgulho, o egoísmo com que temos olhado sempre para o nosso semelhante e ainda nos acrescentar um traço de paciência, mostrando que não há sentido em tanta atribulação se os dias continuarão passando com a mesma pressa ou vagar. Só quando possuímos um certo grau de prova podemos afirmar ou negar algo com veemência, e nem assim a usamos em nossa velhice como a usamos em nosso frescor, diante de nossas certezas tão tolas! E o mais comum é o jovem achar-se um deus, um mestre, que os velhos são bobos, ultrapassados e não sabem de nada... Ah, a vida é sábia... Só sendo assim na juventude, somos capazes de alcançar uma pequena sapiência ao embranquecer dos fios, que nos mostrará o como estávamos insanos... E é assim que a humanidade caminha...