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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sonhos desbotados


Sonhar, sonhar, sonhar
Parece que imaginar uma vida que não existe
Já virou uma compulsão, meu ópio!
Psiquiatras com seus remédios, psicólogos com suas teorias
E nós continuamos os mesmos...
Sonhando sonhos desbotados
Que ninguém pode explicar.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Auto-preservação


Ele enlaçou sua cintura, sussurrou ao seu ouvido e acariciou o seu rosto. Seus rostos ficaram próximos, seus hálitos se encontraram e ele riu com você. Amou a sua companhia, dançou bem pertinho e te ligou assim, sem motivo algum... Mas, nessa hora alguma coisa dentro de você te lembrou daquele outro carinha – aquele que sempre prometia ligar e não ligava; aquele que te fazia as promessas rotas e vazias; que te falava palavras bonitas, mas beijava outras... E o frio na barriga de prazer é substituído imediatamente pelo medo de sofrer outra vez, de ver algo ter seu fim antes mesmo de ter seu começo... E essa insegurança te maltrata, faz com que ache defeitos onde não tem, interprete certos gestos do novo pretendente com malícia e impeça a si mesma de ter uma experiência que poderia ser muito valiosa e até mesmo inesquecível.
O trauma de antigos relacionamentos ou fantasias não concretizadas vem à tona quando não foram 100% superados. E acredite, na maioria dos casos não são. A auto-preservação faz com que não nos sintamos seguros o bastante para dar um novo passo e confiar inteiramente na nova pessoa; que inconscientemente a comparemos e coloquemos a cabeça ao lado do coração. E não dá pra ter uma relação pela metade, né? É preciso estar inteiro, entregue à nova possibilidade. E muitas vezes a auto-preservação também tem relação com algo que não aconteceu e pode ter no máximo remotas probabilidades de acontecer. O quê?! Como paixonites de escola me afetariam até hoje?! Pois é, mas exatamente por elas nunca terem se "realizado" ficam esperando realização. Comece a refletir profundamente sobre o porquê dos seus gostos, preferências, comportamentos atuais relacionados ao amor, o que você acredita. Será que não tem muito aí de paixões não realizadas do passado? Você se apaixona loucamente por alguém, isso significa que um enorme desejo pulsa dentro de você... desejo de estar com aquela pessoa, poder abraçá-la, beijá-la... ou se teve isso, desejo de que aquele prazer e alegria durem mais e mais. Aí deu merda e você nunca realizou esse desejo. O que acontece com toda essa energia enorme? Faz *puf* e desaparece? Claro que não. Fica esperando pra se realizar. A gente pode tomar decisões psicológicas: "bom, isso não é pra mim, partirei pra outra", ok, mas o que está dizendo, na verdade, é: "desejo, espera aí um pouquinho que já já eu realizo você". E esse desejo não é uma coisa tão vaga. É carregado de "resíduos", formas, imagens, sensações, que são relacionadas a pessoas, palavras. Por isso não vem somente em forma de auto-preservação, pode, ao contrário, fazer com que se afogue em uma infinidade de relacionamentos sem nunca se aprofundar nem se contentar com nenhum.
Há de se ter alguma cautela e antes de fingir a si mesmo que está vivendo algo especial, sopesar, porém, se sentir as borboletas voarem lindamente pelo estômago e um sorriso bobo brotar entre os lábios ao mencionar o nome dela (e), é melhor entregar-se e viver o que te está sendo dado ao invés de ficar sonhando com um dia que, quiçá, jamais chegue...

*Contribuição: Gustavo Barcamor

domingo, 26 de junho de 2011

Medo

     Quem são as pessoas mais famosas e bem-sucedidas que você conhece? São os cantores, atletas e empresários famosos? Você acha que, por terem atingido um certo nível de fama, fortuna e poder eles não sentem medo? Que eles não temem o dia em que a fama acabar? Ou de ficar velhos ou perder suas posições?
Todos têm medo. Medo do mundo, medo de suas próprias fraquezas e do vazio em suas almas. Medo do outro, medo de se traírem, de mostrarem ao próximo quem eles são de verdade. As pessoas amontoam-se em seus pequenos cantos, protegidas por suas próprias convicções, valores e preconceitos. O medo faz uma sociedade inteira procurar um bode expiatório para sua miséria; a maioria das pessoas vive em um desespero silencioso. Pessoas têm medo de viver e medo de morrer. Seus medos são mais fortes e falam mais alto que seus ideais e, sendo uma soma de seus preconceitos, elas temem o futuro porque têm pavor de mudanças e hoje as coisas mudam o tempo todo. Têm medo de uma sociedade que está mudando depressa demais! Por causa disso, isolam-se em grupos que compartilham os mesmos gostos e as mesmas aversões, falsamente seguras, argumentando como proteção o que, muitas vezes, não passa de ineptidão em tolerar. Os homens são prisioneiros porque seus espíritos estão acorrentados a seus próprios egos. Transformaram o planeta numa enorme comunidade ligada por satélites, aviões e comunicação instantânea, mas eles se debatem em relação a suas diferenças ao invés de se unirem em torno do que têm em comum. Reúnem-se em grupos vendo virtude e justiça apenas em suas próprias necessidades, crenças e desejos. A humanidade construiu uma grande aldeia interligando milhares de tribos diferentes, mas o homem se isola um do outro. Suas invenções, seus confortos e suas conquistas trazem apenas um alívio temporário para seu vazio.
O medo apaga o espírito. Quando você teme, você não consegue experimentar ou evoluir, você apenas fracassa. O medo paralisa nosso maior dom, o livre-arbítrio, incapacitando-nos de fazer escolhas. A violência é o resultado do medo que temos do outro. É esse medo que impossibilita a distribuição justa da riqueza da Terra. Por que uma nação teme que outra fique “por cima”? Não precisamos de um novo modelo de carro. Precisamos de estradas, de escolas e empregos. Já tentou imaginar o mundo com todas as suas barreiras econômicas, sociais e culturais derrubadas? Por que uma religião teme a outra? Medo, ciúme e ódio. E todos os três são a mesma coisa.
E quem é responsável pelo medo? Nós. Nós o alimentamos em nós mesmos e dentro dos outros. Cada pessoa também é responsável pelo medo que os outros sentem. Quando você rejeita alguém porque ele ou ela não é bonito, inteligente, divertido ou não se veste bem, você é responsável pelo medo desse alguém, pela sua rejeição, sua dor e sua raiva. E, como somos todos ligados uns aos outros, quando criamos medo em outro ser humano nós o criamos em nós mesmos. Onde o medo está presente, a sabedoria não consegue estar e não pode ter liberdade alguém que vive medroso. Creio que o que Ayrton Senna quis dizer quando disse que o medo lhe fascinava foi o mesmo que Eleonor Roosevelt pronunciou ao seu povo:
Você ganha forças, coragem e confiança a cada experiência em que você enfrenta o medo. Você tem que fazer exatamente aquilo que acha que não consegue.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sinto saudade... de quando estava tudo bem... quando o sol não tinha que nascer entre tantas nuvens... e tinha mais estrelas no meu céu...

domingo, 19 de junho de 2011

Alguém para ligar de madrugada



Já faz muito tempo, eu sei, mas eu não esqueci... Não esqueci sua voz paciente do outro lado da linha quando, às três ou quatro da manhã eu pegava o celular e ligava pra você. Ouvia sua vozinha de sono e me perguntava se teria chamado a atenção de mais alguém na casa... Você sempre sabia que era eu. Você ouvia tudo o que eu dizia, acalmava meus medos, fazia companhia na minha insônia, mesmo a 1000 km de distância... Eu tirava alguns minutos ou uma hora inteira do seu sono só pra te roubar pra mim... Eu queria crer que estávamos juntos, mesmo longe... E quando atendia com um sorriso – eu podia ouvir o seu sorriso – podia até afirmar que havia alegria em me atender quando o telefone soava... às três e meia da manhã...
Eu já não me lembro da última vez... Não lembro o que nós conversávamos, da insônia que dividíamos juntos... Não lembro que dia nem que horas eram, não lembro do tom da sua voz, não lembro se demorou... Mas, embora já faça algum tempo, parece que foi mesmo ontem... Ontem, hoje, essa madrugada... Que essa foi mais uma madrugada de sussurrar a 1000 km de distância; que essa foi mais uma madrugada de torpedos... Você se lembra dos torpedos? Eles vinham nas horas mais inóspitas... Era tão bom ser acordada com a campainha do telefone, uma mensagem na madrugada, um “Sonhe comigo” ou “Eu te amo”... Era tão bom quando eles vinham depois do telefonema... Eu sabia que você tinha ficado pensando em mim... Eram tão gostosos aqueles minutos escondidos, proibidos; aqueles minutos nossos, aquelas madrugadas frias e distantes em que você me fazia sentir tão quentinha e amada... Me chamava de “meu bebê”, fazia-me imaginar em seus braços...
Já faz muito tempo, eu sei, mas eu não esqueci... E depois que você se foi, eu ainda não encontrei ninguém para quem eu possa puxar o telefone e simplesmente ligar de madrugada...

terça-feira, 14 de junho de 2011

É mais fácil amar o belo


No grego, technè seria a beleza pela utilidade. Mas, falando bom português, mesmo quando já possuímos discernimento e senso crítico para não nos deixar levar apenas por aparências, é mentira dizer que não é mais fácil admirar o belo. Olhar para o feio não é agradável aos olhos; nos exige flexibilidade e compreensão e nem sempre estamos dispostos a doá-los. O que estou falando? De desejo. O amor real não vai questionar, mas o desejo nem sempre anda com o amor. Por exemplo: para amigo, não olharemos credenciais de beleza física, “química”, mas sentimentos como respeito, carinho e confiança.  Já para namorado (a), temos alguns “requisitos” na cabeça ou no coração, talvez predeterminados por outras pessoas às quais já nos envolvemos, ou ainda outros fatores. Tem cara que não gosta de mulher alta; tem mulher que não curte homem de bigode; para os menos exigentes, tem que ser pelo menos bonitinho (a) ou não exorbitantemente feio. Agora, quando se trata de um filho, ninguém resolve não amar porque ele nasceu moreno ou porque ficou gordo ou careca ou baixinho... Simplesmente se ama.
Uma pesquisa observacional em uma creche apontou que as professoras tinham mais paciência com as crianças consideradas bonitas do que com as consideradas feias. As crianças bonitas também eram atendidas primeiro e tinham maior tempo despendido ao seu atendimento. As professoras se irritavam mais rapidamente com crianças feias chorando e não tinham a mesma paciência em consolá-las. Estudei isso no meu primeiro semestre de Psicologia.
É mais fácil lidar com o belo também porque somos treinados em um padrão de beleza. À primeira vista não é possível fazer uma leitura da alma do outro e por isso, muitos são excluídos sem sequer uma chance de serem apreciados. Os filmes mostram garotas lindíssimas, de corpo escultural; ora sensíveis e vestais, ora apenas normais, mas sempre lindas. Os homens são bonitões, bem resolvidos, inteligentes e mal sucedidos no amor. Mas, veja, eles sempre são belos! (Exceto em “O amor é cego”, mas por isso se chama comédia romântica). Então, nenhuma adolescente cheia de ilusões vai se imaginar com o gordinho ou com o nerd da escola; os garotos sempre preferem as gostosas e quentes, mas nenhum deles têm o cuidado de perceber que, além disso, não são fornecidos outros ingredientes para aquele romance... E na vida adulta, os protótipos aprendidos continuam, tornando difícil olhar para o que não é belo, aceitá-lo, desejá-lo e, por fim, amá-lo. Sempre queremos o melhor design de carro, celular, roupa; a pessoa que mais atrai os olhos e o chocolate que mais dá água na boca é o que tem a embalagem mais chamativa. O belo é fácil de querer porque é competido, visado, invejado. Todo mundo vê e é como se o mundo fosse uma imensa vitrine onde aquilo que é feio não chama a atenção.
- Olha, a Mariazinha tá pegando um gatão...
- O Adelaide tá saindo com aquela gostosa...
Ninguém quer ser associado ao feio. Todos colocam a foto mais bonita em suas redes sociais; todos concordam que beleza e felicidade não combinam com feiúra e pobreza, nem que seja somente nas fotografias. Há um inconsciente coletivo que acredita nisso e mesmo quem não possui senso estético sabe quando está contemplando algo que é belo ou que não o é.
Claro que, à medida que conhecemos uma pessoa, firmamos amizade ou coleguismo com ela, nada disso é levado em conta. Afinal, o que importa de verdade é invisível aos olhos, mas nem sempre isso é lembrado ao primeiro contato. Os julgamentos e rejeições são feitos automaticamente, não é um processo cônscio. Entretanto, é sempre bom lembrar que para quem ama o feio, bonito lhe parece e, que, o que não agrada aos olhos, às vezes, é caro ao coração.

sábado, 11 de junho de 2011

Por pensar diferente


Passa batido, mas a exclusão de nossas vidas de quem simplesmente usa do direito de pensar diferente parece uma agressão pessoal. Quando concordam conosco, as pessoas logo ganham um cantinho morninho em nosso coração; ao contrário, mesmo sem perceber, tendemos a hostilizá-las e, sem dissociar a idéia da pessoa, defender nossa opinião com unhas e dentes. Afinal, as ponderações mais sensatas, justas, urgentes e criativas são as nossas; nossas opiniões estão sempre certas, mesmo que por vezes careçam de base e argumentação.
O que te faz gostar de determinado estilo musical, partido político ou moda? O que te faz recusar determinados grupos, marcas, lugares ou, sei lá, esportes?

Eu não vou questionar as suas opiniões. Eu não vou interferir em sua crença. Tudo o que eu digo é: examine e pergunte. Olhe para dentro da natureza das coisas. Pesquise as bases de suas opiniões, os prós e os contras. Saiba por que você acredita e possua razão para a fé que está em você” (Frances Wright 1775-1852)

A coisa mais fácil é não aceitar o livre-arbítrio do outro, querendo moldá-lo de acordo com o que acreditamos, como se fôssemos sábios e eles, aprendizes. E isso se dá, sobretudo, com os que amamos. Aqueles que não significam muito para nós, deixamos acreditarem como queiram, mas aos que se ama, pretende-se colocar as coisas como se fôssemos pastores e eles, as ovelhinhas perdidas. Não sei se isso acontece por prepotência de achar que estamos sempre certos – esquecidos da metamorfose ambulante que são todas as criaturas – ou da dificuldade em olhar as pessoas como elas são, e não como gostaríamos que elas fossem. O fato é que se alguém que você gosta pensa diferente sobre algum tema, muitas vezes ele acaba perdendo um ponto com você. Se defender sua opinião com a mesma garra que você defende a sua, levam isso para um ringue de egos, sem lembrar-se do direito que o outro tem de pensar diferente. O tom da sua voz e a sua posição corporal denunciam o rompante ou vaidade de se achar que é o mais certo do planeta e, se não chegam a um acordo, enterram o assunto sem tentar compreender ou, ao menos analisar, o ponto de vista do outro.
Sim, muitos vão concordar com você. Muitos vão discordar também, vão ridicularizá-lo, vão concordar em parte, vão convencê-lo, vão se convencer, vão encher sua bola. Não importa. O que importa é não assumir a postura de que sua opinião é um pedaço do seu ego, adaptando-se à mudança e preservando a cabeça aberta para assimilar outros conceitos. Mudar sempre é essencial! Quem defende rigidamente uma idéia soa patético como a arrogância dos jovens jornalistas – um tom de auto-afirmação que em nada combina com quem é sensato de verdade. E é sempre bom ter opinião sobre tudo – eu tenho! -, mas com embasamento e flexibilidade. E, principalmente, sem raiz.

sexta-feira, 10 de junho de 2011



E não importa o que você faça,

eles vão te julgar.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Nós vemos como nós somos

Quando você viu alguém e não foi de cara julgando, nem que fosse por coisas óbvias: é gordo, é loira, é homem, é rica? Chame do que quiser, mas isso também é julgamento, classificação. A primeira vez que se vê alguém, aquela pessoa é uma folha em branco na sua frente, por isso a mente consciente se apressa em tirar conclusões pois ela precisa do que é conhecido e uma folha em branco é desafio demais para ela. Nós olhamos para tudo como nós somos. Por trás de nossos rótulos, conceitos e classificações estão nossos valores, crenças e tudo que experimentamos até ali. Por isso, por mais que alguém lhe diga que é ou deixa de ser algo, quem vai dar a martelada final é o seu passado, seu nível de compreensão do outro, o seu julgamento. E tão verdadeiro quanto isso é dizer: “Eu sou o que você pensa que eu sou”. Não há o que contestar. Por mais que se prove, mostre, fale, realize, as pessoas nos vêem com os olhos delas, não com os nossos; verão com a verdade delas e não há nada que se possa fazer a esse respeito. Estamos a todo momento sendo julgados e estamos a todo momento também julgando. Não importa o quanto você tenha mudado, eles te verão como eles são. E seria demais pedir a eles que vissem o seu lado, porque você também não vê o lado deles. Você vê os outros como você é. De acordo com o que acredita ou com o que experenciou.
Será que um dia vai ser possível olhar para o mundo sem nossas usadas viseiras?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

E o que é a tristeza

Será ela a maneira de sua alma te dizer que está pesado demais ficar aqui?
Ou alguma verdade secreta que só ela sabe?
Será a voz de Deus calando em nosso interior, para que ao menos um pouquinho, tomemos parte no que fizemos?
Ou um grito silencioso que te invade e não é capaz de escapar das paredes grosseiras do teu corpo?
Eu não sei por que fico triste. Se é a soma de vários motivos que resulta num aparente sem-razões para condensar tanta dor. A tristeza é diferente da infelicidade, porque nesta segunda, o descontentamento deriva de uma insatisfação. A tristeza vem do nada e te arrebata pra ela, a tristeza pode te derrubar facilmente e talvez no outro dia não vai estar tudo bem. A tristeza é como um artista inexperiente que brinca de malabaris na sua alma. Nenhum remédio faz efeito, nenhum abraço é capaz de curar. E assim como ela te arrasta, pode simplesmente te deixar sem nenhuma marca, como se nunca tivesse existido.
E o que é aquela vontade de ficar sozinho, totalmente recluso num mundo onde não há esperanças... Nem o travesseiro cúmplice ou o ursinho querido são tenazes para aplacar o tornado que por dentro de ti já derrubou tudo, passando com fúria e sem piedade, te levando tesouros que você nem sabia que ainda possuía...
E o que é a tristeza senão nosso espírito implorando por ajuda... Ajuda surda, psicótica, ajuda para salvar o que ainda resta... Porque a tristeza prova que, apesar de tudo, ainda há sensibilidade.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Ser diferente é normal - Minha versão



Eu adoro música...
Como toda menina da minha idade.
Adoro internet.
Adoro festa.
Mas não é em tudo que eu sou assim... igual as meninas da minha idade...
Numa coisa eu sou bem diferente...
Suspense. A menina olha para a câmera.
De repente, ela começa a lançar revistas, CD’s e pôsteres de Restart, Nx Zero, Justin Bieber e Miley Cyrus ao chão; a câmera oscila entre seu quarto e a externa. Rindo diabolicamente, ela joga álcool e lança um fósforo sobre a pilha de lixo.
- EU TENHO PERSONALIDADE! – ela grita. As labaredas alastram-se e ela olha para a câmera com um sorriso sarcástico:
- Depois sou eu que sou retardada.

Tem dias que...


Nada vale a pena
Nada vale a luta
Nada nem ninguém vai libertá-lo das brumas que te rodeiam
Você é apenas um pássaro molhado
Um pássaro sem asas
Tem dias que nenhuma palavra é amor
Nenhum raio é de sol
E só há brilho na sua tristeza
Você está tão longe de tudo
Mas não sabe onde está
Ou se é ou se está
Você não sente...
Tem dias que todas as janelas mostram um dia cinza
Que lentamente transforma-se em uma noite sem fim
Você apanha uma rosa negra aos seus pés
E ela faz companhia à sua lucidez.
Tem dias que nada vale a pena
Nada vale a luta
E se nada fosse algum lugar
Você não hesitaria em estar nele.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Vitimismo

Já parou pra pensar que é responsável por tudo quanto lhe acontece? Ah, não? Não aceita isso? A sociedade não prega as coisas desta forma, não é? Somos sempre vítimas, coitadinhos, infelizes. O maior e o menor, o poderoso e o subordinado, o homem forte e a mulher frágil. Isso é fomentado, sobretudo, pela igreja. Quanto mais vítimas e coitados no mundo, mais adeptos. Muitos ainda acreditam que a punição e o sofrimento redimem e nos levam até o reino dos céus. E a vida é injusta mesmo, privilegiando alguns em detrimento de outros. Somos vítimas. Somos todos inocentes.
Infelizmente, a maioria das pessoas está perdida em condicionamentos e crenças sem valor algum. Ninguém quer olhar para dentro de si e mudar. Querem que o outro mude, que o mundo mude quando o trabalho de mudança é individual e intransferível.
A vida não pune ninguém. Isso é a visão dos cristãos. Todos eles carregam a culpa, o medo, a punição. Acham que Deus pune, olham para as forças da natureza como se elas fossem seus próprios pais. Aprenderam a olhar Deus como os pais e confundiram tudo.
Não há culpados nem vítimas. A dor e o sofrimento atrasam nossa jornada evolutiva. Todos somos partidários, responsáveis, atraímos as situações em nossas vidas, sempre por meio do livre-arbítrio. É nossa maneira de pensar e agir que nos atrai determinadas situações na vida. Sentir pena de si mesmo é julgar-se incapaz de mudar os fatos ao redor. Se o que outro fez o atingiu, foi porque você assim permitiu; na verdade, atraiu isso para você. Tudo o que fazemos, de um jeito ou de outro, volta para nossa vida. Tudo o que disser, fizer, vibrar ou sentir, seja por você ou por outra pessoa, voltará para você na mesma intensidade.
Há pessoas que se sentem vítimas de toda e qualquer situação que não lhes seja favorável. Enquanto não largam o vitimismo, reagem e tomam posse de si, jamais conseguem mudar seu destino. Se atrai o que se precisa. Não é justo crucificarmos uns e colocarmos outros na posição de vítimas. Cada um vive o que precisa viver, age conforme suas possibilidades, dá o melhor de si. Ninguém é maltratado ou injustiçado e todos seguem os destinos que escolheram, planejaram ou correram o risco de vivenciar. Não há vítimas nem algozes na vida, mas almas igualmente necessitadas de amor, que lutam para avançar em sua jornada. Tudo é regido por afinidades, atraímos para nós pessoas e situações iguais a nós. No mundo não há vítimas nem injustiçados, mas o que cada um faz com seu poder de escolha.