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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O que é normal me assusta


Não é preciso refletir muito para constatar que a grande parte de meus amigos já casou, já tem filhos; que muitos dos colegas de ensino médio ficaram pelo caminho, alguns trabalhando na mesma empresa desde quando atingiram o primeiro ano secundário; as meninas namoradeiras embagulharam, os caras têm um corsa branco e praticamente todos seguem uma vida larga de conquistas materiais e estreita de experiências ricas e verdadeiras. A felicidade que pareceu acenar a 98% deles são as alegrias de galgar espaçadamente degraus na firma, trocar de carro a cada dois anos, conseguir empréstimos e crediários, o veraneio nas praias locais em todo final de ano e os barrigudinhos que vêm anualmente, cobrindo o lar de glórias e fraldas cagadas. Existe, claro, uma pequena parcela de solteiros; estes estão mais entre os amigos que conheci depois e, por si, já foram atraídos por ter um padrão diferenciado, ainda que em sua maioria partilhem de planos semelhantes aos primeiros – casar, casa, carro, firma, praias locais – embora não nessa ordem; mas são mesmo bem poucos aqueles que não ligam importância ao fato daquilo que é deslumbrantemente normal, como ter relacionamentos com pessoas bem-sucedidas financeira ou esteticamente para exibir troféus ou preocupações de ordem doméstica como “O que vão pensar se eu não me casar” ou com os programas do governo atenuantes de juros para a casa própria e tudo isso que constitui a tranqüilidade dos medíocres, medianos ou normais. Não sei se sou a última criatura a me sentir assim na Terra ou se as há em maior número, mas a verdade é que tudo que chamam de normal me assusta. Me assusta que esperem que eu trabalhe para sempre em um único lugar e atribua às parcas (porcas?) aquisições o nome de ambição ou, a falta dela, caso não queira mergulhar em toda essa lama de impostos e raízes para poder dizer que algo é meu, está no meu nome. Que não me consorciar a alguém pela falta de um amor puro e perene seja a minha própria danação, pois não é admissível que alguém seja incapaz de amar tanto assim [sic]; que querer sair do país, quiçá da galáxia pareça ser muito, pois a Gringolândia me exige, me quer, me precisa, precisa de mim nos feriados, precisa do meu cartão de crédito, do meu crediário na lojinha do turco, da minha falsa dedicação aos estudos na universidade – de tudo que é simplesmente tão falso, tão vazio mas parece tão certeiramente correto, preciso, natural... De tudo que é normal, de tudo que todos fazem, de tudo que eu não sou e que não digo que não sou para aparecer – é que não sou mesmo, sou livre, sou artista, não suporto essas prisões disfarçadas de status, disfarçadas de poder, disfarçadas de sucesso... Não suporto essas amarras, essas mordaças, a falsa graça de uma viagem ao fim de ano, 30 dias, ou menos, 20 dias, 10 têm de ser vendidos; 20 dias de areias já dantes pisadas, de um mar – o mesmo mar – mas sempre o mesmo mar... A alegria momentânea de girar a chave de um zero quilômetro e dizê-lo meu, assinando abaixo de 72 prestações; o brilho de mostrar para todos que venci, disfarçando as olheiras e as dores constantes, a troco da minha liberdade diária e de ver minha vida passando, passando sem me dar “olá”, passando como uma menina em flor de idade, dando um aceninho malicioso e dizendo “Quem sabe um dia a gente se vê...”
Não tenho definido aonde quero chegar na vida, mas estou determinada a ser feliz e sei que há milhares de formas de fazer isso... Ou então... forma alguma. Ainda, talvez, eu seja a mais normal de todas as criaturas... E eu me assusto porque penso que os outros são normais. E é a minha lucidez que os assusta, por sua vez... Por isso, me chamam de louca.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Hipocrisia?


Adoram criar verdadeiros mitos, como Renato Russo, mas devo ter comentado alguma vez que ele não me chama nem um pouco a atenção. Por mais que todo mundo considere as letras de suas canções maravilhosas e cheias de sentido, eu sinceramente não consigo tirar nada.

Ou você leva sua antipatia por ele a extremos ou não tem a sensibilidade que diz ter. Renato Russo e Cazuza eu defendo e brigo, porque não precisa ser gênio para compreender as mensagens em suas músicas. São claras e compreensíveis a qualquer pessoa; falam de sentimentos genuínos, de utopias democráticas, de revoltas sociais. Falam com o coração, falam para o coração e eu mesma me identifico demais com o Renato Russo. Alguns dizem que ele não fazia na vida real o que pregava nas canções e que isso o fazia hipócrita. Então eu também sou hipócrita. Porque boa parte da minha poesia e do que eu escrevo fala de um amor incontido, mas que infelizmente não posso direcionar para todas as pessoas. Boa parte do que eu acredito e prego em meus livros e textos não pode ser posto em prática no mundo que vivemos. Quer um exemplo? Eu acho que ninguém tem poder de magoar outro, as pessoas se magoam ou se ofendem a partir de coisas que falamos e dizemos, mas o problema é DELAS. Agora, nem por isso vou sair fazendo coisas ou tomando atitudes que vão chocar o senso comum, sem me importar com o sentimento alheio. Disseminação e má interpretação não sintetiza a banalização da arte. Banalização da arte é chamar a Lady Gaga de artista.

terça-feira, 26 de julho de 2011


Será, acaso, o dia da separação o dia do encontro?

domingo, 24 de julho de 2011


E não é que pra sempre não seja eterno... É que as coisas mudam durante ele. 

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A nossa música


Após a partida do meu grand amour na 8ª série, passei a gostar de um outro menino, colega da turma ao lado e, não sei se foi antes, ao mesmo tempo ou depois, Sidnei também se apaixonou por mim. E era tão gostoso aquilo, embora nunca tenha se concretizado oficialmente: bilhetes, cartinhas, passeios no bairro, encontros na saída... Ao lembrar, meu coração se enternece de saudade, não precisamente dele, mas daquele tempo bom. Numa dessas idas e vindas, uma música de uma cantora chamada Joana (nem sei se ainda existe) ficou muito famosa e a letra foi adotada, após alguns desentendimentos entre mim e Sid. O refrão era mais ou menos assim:

“Você pode ter um tempo pra pensar
E uma eternidade pra se arrepender
Tá na cara, dá pra ver no seu olhar
To fazendo muita falta pra você
É loucura não ouvir o coração
Desse jeito a gente pede pra sofrer
Eu não quero te ver na solidão
To fazendo muita falta pra você...”

Cara, até hoje quando escuto essa música eu me lembro dele, de mim com 13 anos, do colégio, dos meus amigos daquele tempo... E assim é com tudo na vida da gente. Associamos uma música a um momento, a uma pessoa; nos marca a canção da nossa formatura ou aquela que um amigo querido gostava; da homenagem que fizeram pra você ou do show que passou apuro pra ir e no final deu tudo certo! E, por mais que as pessoas saiam de nossas vidas, os cenários mudem, a música tem esse poder de fixação, como um laquê que deixa o cabelo fresco; nos arremessa ao mar de lembranças que a melodia proporciona, mesmo que ela não seja uma das favoritas da nossa playlist. Toda biografia tem trilha sonora e muita música parece feita pra sentir saudade mesmo, tornando ao coração nossas primas experiências ou ainda as reminiscências mais gratas.

Eu quero uma canção
Que libere as emoções
Pra cantar, pra dançar, pra sonhar...

O que seria desse mundo sem a música...

quinta-feira, 21 de julho de 2011


Ele olhou em seus olhos cor de avelã e mergulhou com força neles.
- Isso não acontece duas vezes, certo?
- Em muitos casos, não acontece nem uma vez.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sou a favor de quem é contra


Porque ser a favor é muito fácil. Não é preciso convencer. Pode notar que ser contra deveria ser o nosso estado natural, mas é ao contrário. Só é contra quem tem embasamento, teoria, argumentação, opinião e colocou na balança todos os prós anteriormente. Quem é a favor costuma ver só de um lado, e se você meditar, vai ver que isso se aplica a quase tudo.
Claro que muitas coisas às quais sou contra demorarão muito a ser erradicadas e nem teriam como ser diferentes no tempo de agora. Sou contra governos, impostos, igrejas, bancos, escolas, hierarquias, capitalismo, direitismo, padrões... Mas há outras, porém, que se a maioria tivesse senso crítico, sequer se criariam e a essas mencionamos: novelas, modinhas, pseudoartistas, banalizações e imbecilizações de todos os tipos. Todos esses entretenimentos de massa funcionam na base do pão e circo e não pregam nada de elevado, só aquilo, dizem, que o povo “gosta de ver”... Novela só mostra sexo e vingança; futebol anda de gancho com a publicidade (especialmente de cerveja) e as músicas que deveriam marcar têm idiotizado toda uma geração. E se ser contra não vai resolver, ao menos vai te fazer analisar sempre mais e mais; aprofundar-se nas questões, sopesá-las, e isso já é alguma coisa.
Agora, certo, vamos falar sério... Também não adianta ser contra por ser... “Ai, eu sou inteligente, por isso não gosto de sertanejo, pessoas inteligentes não gostam de sertanejo, sou contra”. Antes de taxar, avalie. Compare historicamente o gênero. “Tudo que é novo não presta, sou contra”. Preconceito! Tem coisa boa por aí, sim, é só olhar bem. No cenário musical, por exemplo, Strike foi generalizada como modinha, mas se prestar atenção nas suas letras, como “A Tendência”, vai captar um pouco o espírito da banda. E uma coisa não consegue fingir por muito tempo; em geral a essência de um grupo é ditada pela personalidade (ou falta de) de seus integrantes.
Sou a favor de quem é contra. Porém, não sou propriamente contra quem é a favor. Tudo tem que ser medido. Só falta gente de opinião nesse mundo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Idade cronológica, idade mental e idade espiritual


“Agir de acordo com a minha idade? Por que você me deseja isso? Eu não quero nunca agir de acordo com a minha idade!” (What’s my age again – Blink 182)

Já escrevi sobre esse tema aqui, mas resolvi voltar ao assunto, observado o interesse que as pessoas depositam nessa questão. Comemorando meu aniversário no sábado, algumas pessoas insistiam em saber a minha nova idade. E como sempre eu me perguntei intimamente “Qual é a minha idade mesmo?”
A idade é só um número. Ponto. Posso ter uma idade cronológica que me confira o tempo que estou aqui, mas isso não pode me condicionar. Afinal, é apenas um fator na composição total daquilo que eu sou! E isso é tão claro quanto dizer que a mocidade e a velhice, quais as vemos no mundo, não podem significar senão expressões de uma vida física que finda com a morte. Não há moços nem velhos e sim almas jovens no raciocínio ou profundamente enriquecidas no campo das experiências humanas. Já disse antes e volto a dizer: conheço pessoas de 20 anos com aparência de 30. Já vi gente de 30 com cabeça de 15. Há pessoas de 25 que passam por 10 anos menos. E cada um têm a dor e a alegria de ser quem são. O número de anos que padeço nesse mar de expiações nem sempre é sinônimo de experiência. Há os que, de tenra idade amadurecem devido à privação e o mal a que são expostos; há os de idade mais avançada que parecem eternamente desfrutar das regalias da infância e não fazem nada por si. E em quesito de experiência tudo conta. Uma garota de 13 anos pode ser muito menos inocente que uma de 26. Tudo depende do seu conceito de inocência. A lei dos homens adora proteger e depositar uma aura de desamparo aos menores de idade, mas enquanto ver as coisas sob essa ótica míope, muito pouco será feito em termos de evolução jurídica. O começo da vida é sim o momento de tentar resgatar um espírito para a corrigenda de vícios e tendências, mas enquanto o sistema educacional não basear-se, no mínimo, no método socrático, estaremos lidando com ratos e não com humanos. A Psicologia adora pagar de ciência, no entanto, expõe vinte mil camundongos ao mesmo estímulo e espera dos vinte mil a mesma reação, acreditando que se dará o mesmo com o homem. E é aí que entra a terceira expressão do título dessa análise, “idade espiritual”. Já ouviu falar a respeito? Tem ideia do que é isso? Imagine, por detrás de uma cortina vaporosa algumas sombras de pessoas se alimentando. Há algumas comendo com destreza; outras, mal podem sustentar a colher para levá-la à boca; outras, ainda, apenas esperneiam desejando que alguém lhes alimente, por serem incapazes de fazê-lo sozinhas. Agora, descortinando a cena, você pode ver que as pessoas variam em idade radicalmente – há ali velhos que não podem mais se alimentar sem ajuda; bebês e crianças ainda inábeis e também adultos, perfeitamente lúcidos e sadios. Que tal? O julgamento agora é outro, pois sua visão alcança as causas da diferença do simples ato de se alimentar entre aquelas pessoas. Conscientemente, você concebe que os bebês e os velhinhos precisem de auxílio e não possam ser comparados com os adultos e com as crianças maiores, que já sabem comer. Assim também são os espíritos. Alguns são mais velhos, outros mais jovens, de forma que nem todos tiveram o mesmo tempo para experimentar. Simplesmente, há coisas que uns já aprenderam antes e, outros, estão aprendendo pela primeira vez. Isso explica aquelas facilidades incríveis para outro idioma ou para tocar um instrumento musical, por exemplo. Tudo o que eu quero dizer, entretanto, é que não há velhos nem jovens literalmente. Todos já estiveram ao final de cada fase e é isso que nos dá aquelas inexplicáveis certezas, embora “não tenhamos vivido” algo. O avô pode ser neto e o neto pode ser avô. E é isso que me faz ser muito radical com idades, pois embora tenham completado o mesmo ciclo na Terra, duas pessoas podem e são totalmente diferentes em mentalidade, amadurecimento e vivências. Ter permissão para dirigir não significa fazê-lo. Como já dizia Shakespeare, “aprende que maturidade tem mais a ver com o tipo de experiências que se teve e o que você aprendeu com elas, do que quantos aniversários você já celebrou...”. E Emmanuel: A verdade para ser totalmente compreendida precisa ser tratada entre corações da mesma idade espiritual.
E agora, por último, como você explicaria os talentos precoces? Seria justo por uma “acidental origem genética” aquele garotinho de 2 anos saber tudo de História da Guerra e você aí quebrando a cabeça nos livros? Seria natural uma criança pobre mostrar inclinações avançadas para a música clássica desde o berço? Ou esses gênios adolescentes da literatura e das artes?
Pense nisso. Idade é uma representação social. Não define você nem quem te rodeia. Sim, claro que ela é importante. É necessária, é justa. Mas, claro também que a sociedade tem usado isso para classificar, adequando ou inadequando atos e comportamentos por faixas etárias; ditando normas e incentivando ou desincentivando condutas. Essa ilusão precisa ser comprada ou muita coisa acabaria (o que aconteceria com algumas marcas sem aquela palavrinha teen no final do nome do produto, ainda que a fórmula seja a mesma? Ou o famoso kids? Eles precisam que essa galera se sinta especial, não é?) Agora, quanto a parar de andar de balanço, aí é com você, lalá... Eu, pessoalmente, não pretendo deixar de sentir o vento nos cabelos!    

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Qualche cosa raro troppo



Senza te
Manchi un pezzo di me
Ed io non posso ammettere
Ma la Sua assenza è presente 
In del mio cuore.
Nessuno nel mondo va
Intendere quello che te volle dire
ed io non dividerò mai con l'altra persona
cosa che io sono della verità
perché che io sono appartiene a te
anche se te non vuole.
Io già precipitai di ginocchia
piangendo, implorando
per il giorno che io La seppi 
non aveva avuto mai
esso ma quando io ricordo che io faccio non saprebbe l'Amore
né almeno una volta
Sempre scelga questo dolore
 Perché io so che io ero felice 
 ed i nostri sogni dolci
Io lo fallisco.
Io La volli di nuovo
La nostra risata
La nostra ingenuità
Le nostre culture
I nostri sogni
I nostri piani…
Se io sapessi che notte era l'ultima
Direi io: Io L'amo per sempre. Sia libero e felice. La mia felicità è vedere il tuoi sorriso. . . 
In questo contesto io trovo avere la fede in amoré
Causi io soddisfeci questo sentimento

Noi costruimmo insieme qualche cosa raro troppo
 Che io non valutai quando io avevo
E te gettò via quando te fu andato.
Grazie per tutto quello che noi abbiamo diviso
Ancora io mi sento il cuore rotto per sempre
Io penso che non era del tutto invano.

I’ll be right here waiting for you…


Essa música de Richard Marx sempre me transporta a outro lugar e isso acontecia antes mesmo de ter alguém para lembrar. E acho que a resposta é muito simples, embora muita gente não perceba ou não queira admitir: todos nós esperamos por alguém. Pode não ser em um sentido literal, pode não ser em um sentido romântico; pode ser alguém de nossas lembranças ou simplesmente alguém que não conhecemos e nem sabemos quem é. Quem já passou por uma grande dor de separação, como uma morte, por exemplo, por mais que siga preceitos religiosos de que a morte é o fim de tudo, em seu íntimo alimenta a esperança e segue esperando pela pessoa, agarrando-se em sonhos e recordações (mesmo que lute com isso), pensando que se ilude nessa saudosa espera. Há os que esperam alguém que se perdeu, mas deixou um miasma ou uma promessa de reencontro e há, ainda, os que nem sabem por quem esperam... Nada disso tira a beleza dessa espera. Triste mesmo é a insatisfação de passar a vida esperando por alguém que não vem... Existirá?, o coração pergunta. Renova as baterias, mas sempre sabe se o que espera chegou ou não...
Para muitos, essa espera nunca termina e, mais infelizes, são aqueles que não esperam ninguém. Não é que seja ruim se contentar com o que se tem, uma vez que a característica da evolução é a busca. O que deprecia é que estes não conhecem o sabor da realização, do contentamento daquilo que pode ser o que há de mais caro ao coração. E não ter essa sensação já os faz algo mais pobres, dada a plenitude de tal concretização a nível de sublimação amorosa...
Wherever you go
Whatever you do
I will be right here waiting for you
Whatever it takes
Or how my heart breaks
I will be right here waiting for you…
Ainda que encontre, quero esperar. Ainda que me encontrem, quero que me esperem. Há reinos ditosos para o coração e o findar de uma espera dorida constitui um deles. Essa doce expectativa não te será um consolo de todas as horas?

terça-feira, 12 de julho de 2011


As outras pessoas...

têm
 outros caminhos...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Eu precisei de você


Eu precisei de você
Mas não sou mais uma garotinha.
Eu precisei de você tantas vezes
Para apenas segurar na minha mão
Antes de dormir
Para assistir a minha peça na escola
Ou me ensinar a andar de bicicleta.
Eu precisei de você
Para estimular os meus primeiros rabiscos
Para olhar os meus cadernos de menina caprichosa
Ou para me mostrar como amarrava o cadarço
E não se trata da sua presença constante na vida daquelas que vieram depois de mim
Não se trata do abandono em que me deixou, ainda anjo antes dos 7 anos de idade
Não se trata de você ter espuriado meus dois irmãos inocentes
Não se trata desse poema que não merece
Nem do carro que você deu àquela que chama minha irmã, quando pra mim não deu nem um olhar
Se trata que não há mais espaço na minha vida
Não há espaço para fingir, para ser hipócrita, para viver algo pela metade
Pois eu sou intensa do começo ao fim.
Se trata que eu não preciso mais
Eu não sou nenhuma garotinha
E eu passei maus bocados
Eu poderia ter sido devorada pelo lobo
Você me deixou sozinha na floresta.
Não se trata que não consigo mandar a mágoa embora
Não se trata que nunca vou te chamar de pai
Se trata que eu precisei de você
E você não estava lá.

domingo, 10 de julho de 2011

A massificação do ensino superior


Nos últimos anos, a procura pelo ensino superior aumentou exponencialmente. Faculdade deixou de ser “coisa de rico”, de quem acabou de se formar no ensino médio ou de inteligências brilhantes dignas de destaque. Ficou banal, medíocre. Dentro da sala de aula se fala em novela das oito e reality show. O senso crítico é nocivo, o nível cultural, por vezes, inexistente. Ensino superior é o mínimo exigido, não há nenhum mérito nisso.
Meti na cabeça a ideia – e não consigo expulsá-la por mais força que faça – de que a universidade é apenas um reduto apático e imbecil de sujeitos dedicados a fingir que acumulam os tesouros da Terra e não sei mais quê. É incontestável que a maior parte dos universitários não freqüenta a universidade porque têm interesse em saber ou argúcia reconhecida nem capacidade de liderança – eles dividem-se entre os que só estudam porque papai quer; porque querem um emprego melhor (ou seja, ter um diploma) ou porque valorizam o conhecimento científico. Por vezes, penso que estes últimos são os mais hipócritas porque o saber, quando é saber por saber e nada mais do que isso é o pior de tudo. E com certeza o que menos desculpa tem. Não creio que desacreditasse tanto desse sistema se uma vez por outra houvesse alguma delicada e mínima implicação, uma sugestão mesmo superficial de que o conhecimento deve conduzir fatalmente à sabedoria e que, se não o fizer, é uma repugnante perda de tempo! Mas não há isso. Jamais se escuta num campus a mais leve insinuação de que a sabedoria é a finalidade suprema do saber. É raro ouvir-se até mesmo a palavra “sabedoria”.
E os professores? Com a banalização do ensino superior, estes profissionais também já não são tão qualificados. Há um sistema que estimula os carreiristas que fazem pesquisas inúteis só para publicar papers e esse grupo se instalou na cúpula do meio acadêmico, usando de todos os expedientes do corporativismo para se perpetuar por lá. O resultado é que aqueles que realmente têm talento e conhecimento são obrigados a bajular e ajudar a sustentação dos sanguessugas. E nada disso é prerrogativa das universidades particulares! As federais ou estaduais são piadas acadêmicas, onde os ricaços fingem, brincam de cientistas e literatos às expensas públicas! Os cretinos às dúzias que todo o mundo que passou por uma faculdade teve por professores tornam absolutamente acadêmico e inútil tudo aquilo em que tocam, querendo dar sempre um tom ritualista ao que dizem. Em minha opinião, são eles os principais responsáveis pela multidão de diplomados ignorantes que invade o país em cada mês de junho e dezembro.
Está havendo atualmente um incentivo enorme por parte da administração pública e até mesmo privada para o ensino superior. A oferta de cursos, vagas, bolsas de estudos; o facilitamento financeiro por parte das instituições e auxílio-educação fornecido pelas empresas, tudo aumentou, além de reduzirem-se as burocracias administrativas e os requisitos dos processos seletivos. Todavia, não há quase nenhuma iniciativa para que se reforce e aprimore o ensino básico e, sendo assim, que tipos de alunos estão entrando em nossas universidades? As pessoas estão sentando-se nos bancos universitários sem saber a ortografia do próprio idioma e sem a envergadura de discernir e questionar o que está sendo ensinado, assimilando os mesmos preconceitos e decorebas de quem os repassa.
Antigamente, ao se falar em estudantes vinha logo aquela imagem de atitude, determinação, personalidade e opinião própria – parecia mesmo que essas eram características fundamentais de quem tinha o privilégio do ensino superior. Os estudantes de hoje parecem mais preocupados com a nota que com aprender; com a cerveja no barzinho que com buscar; com a promoção no trabalho que com construir um conhecimento sólido e efetivo. Oportunismo que oportunidade; Google que livros; Wikipédia que reflexões. A educação tornou-se um negócio; nas academias particulares existe até a décima chamada de vestibular, mas enquanto todas as vagas não são preenchidas a oferta não cessa. E ser inteligente na faculdade não faz diferença nenhuma – não é como na escola onde se pressupõe um mínimo de diligência. Na faculdade todos estão tão repletos de ego que nenhum deles jamais poderia admitir que não possui luz e que se aprende muito mais por conta própria que na sala de aula. Em latim, a palavra aluno significa “sem luz”. É lamentável constatar que muitos continuarão assim o resto de suas vidas. Os estudantes de hoje são relapsos, medíocres, comezinhos e levianos. Satisfazem-se com pouco, não se interessam por nada muito além de seu mundinho. Falta humildade para perguntar, interesse parar querer mais, falta vontade para ler tudo o que puder, mesmo que não seja “da área”. Pessoas que se doam somente a um assunto se tornam extremamente chatas! E, para muitos universitários, os quatro ou cinco anos da universidade resumem-se a trabalhos sem significado, falsas presenças em sala de aula, “conquista” de notas medianas e um diploma na mão. É quase raro achar alguém que busque além; que saia da média, que busque ser um profissional competente mas também um ser humano melhor. A maioria tem a empáfia de achar que é melhor que 99% da população e assume um arzinho intelectual como se tivesse todo conhecimento do mundo.
Sou contra a massificação do ensino superior. Sou contra o fácil acesso, o declínio da qualidade dos cursos e dos alunos, a quantidade ao invés da qualidade. Sou muito mais quando esse meio era para pessoas verdadeiramente inteligentes e brilhantes – se é que isso existiu algum dia, pode ser apenas uma utopia de minha parte. Sei que os poderosos, independente do QI que tenham, sempre se perpetuaram nos meios acadêmicos, mas houve uma época também em que o processo universitário era, de fato, seletivo, e não um grande funil que cada vez aumenta mais. É um grande erro crer que basta ter a ciência para exercê-la com proveito e a massificação de qualquer sistema torna-o precário, empobrecido e ineficiente. Lançando 25 mil advogados anualmente ao mercado ao invés de 10 mil perde-se muito em teor, em profundidade, em essência. Conhecimento não se compra! Seres humanos não são linhas de produção e, embora se evite dizer, não, não temos as mesmas capacidades, potenciais e aptidão de aprendizagem. Tudo isso interfere no “produto” final. Sempre se perde massificando, mas talvez, quem sabe?, isso seja necessário para algum passo mais elaborado no futuro.