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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Quando a polícia mata...


Julita Lemgruber - Rio de Janeiro (RJ) - 16/07/2008
Publicado em O Globo, 10 de julho de 2008.

Em 2001 o condado de Los Angeles foi obrigado pela Justiça a pagar cerca de sete milhões de dólares em indenizações a vítimas de violência policial - que incluíam desde 12 pessoas mortas pela arma de um policial até 22 submetidas a "força excessiva", mesmo sem seqüelas duradouras, em alguma ação da polícia. Seis anos depois, o condado desembolsava em indenizações desse tipo cerca de três milhões de dólares, ou seja, menos da metade da quantia anterior. E as 5 vítimas letais da polícia em 2007 também representavam menos da metade do número registrado em 2001.
O que mudou ao longo desses anos? O governo de Los Angeles contratou os serviços de Merrick Bobb, conhecido e respeitado advogado, para atuar como auditor independente e monitorar as ações da polícia local. Desenvolveu-se no condado um sistema de controle do disparo de arma de fogo, em que cada policial deve registrar, ao final do dia, cada tiro disparado e até mesmo cada vez que a arma foi sacada do coldre. Tornou-se obrigatório relatar minuciosamente os fatos que motivaram o uso da arma, e também outros incidentes em que se avalie ter havido emprego excessivo da força, sendo tais relatórios revistos pelas chefias e discutidos com os policiais.
Na década de 1990 várias cidades norte-americanas tiveram de pagar indenizações milionárias a vítimas de violência policial. De Nova York a Filadélfia, de Detroit a Los Angeles, centenas de milhões de dólares dos contribuintes foram gastos com isso. Apenas como exemplo, uma pessoa mordida por um cão da polícia, recebeu indenização de 100 mil dólares. Como reconhecem estudiosos das polícias dos EUA, a sangria de recursos provocada por ações judiciais dessa natureza foi um estímulo decisivo à adoção, em várias partes do país, de estratégias de controle externo voltadas explicitamente para reduzir a violência e a corrupção policiais. O princípio que está por trás é muito simples: em cada episódio de abuso, excesso ou desvio, a culpa não recai apenas sobre os agentes diretamente envolvidos nem só sobre os seus superiores imediatos, mas também sobre o estado, município ou condado responsável pela polícia e pela política de segurança. Quando esse princípio se traduz em responsabilização judicial e em pesado ônus financeiro, cria-se uma forte motivação para que os governos invistam efetivamente na mudança de comportamento dos seus policiais.
A espantosa continuidade dos episódios de violência policial no Rio de Janeiro mostra a urgência de responsabilizarmos as autoridades fluminenses pelos resultados da sua opção por uma política de confronto como suposto método de redução da criminalidade. Não basta mais culpar apenas os policiais individualmente nem o seu treinamento precário. É preciso admitir que a morte de tantos inocentes, inclusive crianças pequenas - como Ramon, de 6 anos, na favela do Muquiço, e João Roberto, de 3, metralhado na Tijuca - decorre da mesma política que tem provocando centenas de mortes, nunca suficientemente investigadas, de reais ou pretensos bandidos.
Policiais devem imediatamente passar por treinamento intensivo em técnicas de abordagem e sua ação nas ruas deve começar urgentemente a ser monitorada nos moldes do que se começou a fazer em muitas cidades dos Estados Unidos e da Europa, por meio de mecanismos de controle externo independentes e autônomos. Mas, para que isso saia do discurso e chegue à prática, é necessário, entre outras coisas, responsabilizar judicialmente o estado, obrigando-o ao pagamento de altas indenizações, que não fiquem nas filas dos precatórios, pelas vítimas letais e não letais da violência que ele incentiva com a sua política belicista. Se considerarmos que a polícia fluminense matou, só no ano de 2007, 1330 pessoas em alegados confrontos, sem contar as que deixou seriamente feridas, poderemos imaginar o montante de indenizações a serem pagas caso essa polícia atuasse em Los Angeles.


SEÇÃO EXCEPCIONALMENTE


Na secção “Excepcionalmente”, apresento textos de outra autoria, mas que calam fundo em meus valores.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Listas



Sempre fui apegada com listas. Listas de supermercado, de metas, de convidados para o aniversário, de postagens para o blog. Ao último dia de cada ano – ou penúltimo, para não comprometer as festividades – passava inumeráveis horas analisando o que eu havia conquistado, o que havia esquecido e o que ficara para o próximo. E acho que vai um pouco além da simples organização esse meu hábito ou mania de listar as coisas. Não se trata de transformá-las em itens, mas de roteirizar o que eu quero ou preciso e ter o prazer de riscar isso depois (creia-me, dá um prazer enorme!). Seja uma lista de livros que se quer ler ou filmes a assistir, a lista ordena, prioriza, obtempera, materializa e nos faz enxergar claramente o que em nossa cabeça ainda está disperso. Pode ser que dê algum trabalho ou leve um tempo para ser feita, porém, depois de pronta, poupa muito trabalho e tempo também. Claro que não é preciso ser um Rob Fleming; eu diria que existe ao menos uma lista que seria essencial na vida de qualquer pessoa: “O que fazer antes de morrer”. Parece besteira, mas estamos sempre adiando projetos, planos e viagens, traçando metas que não cumprimos e priorizando coisas que talvez não devessem ser tão priorizáveis assim... Entregues a uma rotina a maior parte da vida, deixamos passar muita coisa achando que sempre haverá uma próxima vez e condicionando a um futuro duvidoso algo que poderia ser simples e inesquecível...

Eu já fiz uma palhinha da minha lista de “O que fazer antes de morrer”...

1 - Conhecer lugares (lista não-disponível)
2 - Viver um grande amor-amigo que faça loucuras comigo
3 – Dar uma festa de arromba, com toda cafonice a que tenho direito: balões prateados ou dourados, comes e bebes incríveis, discurso, lembrancinhas a todos, etc
4 – Jogar dinheiro de um helicóptero
5- Fundar e dirigir uma conceituada Escola de Artes e Filosofia
6 – Viajar de supetão para o primeiro lugar com voo disponível
7 – Jogar tudo para o alto e ficar um ano viajando pelo mundo
8 – Nadar com golfinhos
9 – Andar de bicicleta na Itália
10 – Dormir com meus amigos ao ar livre observando as estrelas
11 – Mudar de cidade apenas para começar uma nova vida
12 – Fazer um passeio em alto mar que dure mais de 3 dias
13 – Perder o medo de altura
14 – Ver a Aurora Boreal
15 – Ter a minha biblioteca particular
16 – Ter uma casa em um lugar qualquer com um jardim e sem muros
17 – Participar do “Abraços Grátis”
18 – Salvar a vida de alguém
19 – Voar de balão com superfantásticos amigos
20 – Ir a um show de stand up comedy
21 – Conhecer e conversar horas com um japonês em frente ao Hachikō
22 – Morar e trabalhar em uma fazenda
23 – Se eu perder o medo, mergulhar
24- Visitar a Caverna de Lascaux
25 – Estudar História e Arqueologia
26 – Fazer meu namorado se vestir de romano, com aquelas sainhas
27 – Visitar a Câmara mortuária de Tutancâmon
28 – Dar uma banda por Proskenion
29 – E uma também por Petra, a cidade de pedra na Jordânia
30 – Fazer um pedido a uma estrela cadente junto a alguém especial
...

Talvez eu mude de ideia sobre alguma coisa, mas isso já são outras listas...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Sem nexo



          Me sinto tão perdida, nada disso aqui é pra mim. À medida que o curso universitário chega ao fim, percebo as pessoas se encontrando, se achando, gostando ou fingindo que gostam do que fazem, que tudo que estudaram valeu a pena... E tudo o que eu sinto é que o caminho acadêmico é uma ilusão; não o caminho em si, nem onde ele leva, quer dizer, ele leva a algum lugar...? Fazer exercícios bestas e simulações farão de mim “uma boa profissional”? Aquilo que o mundo espera? E o que eu espero do mundo, como é que fica?
         Cada vez que viro as páginas de um classificado de jornal leio posições, classificação, subprofissões, funções, não me encaixo em nenhuma delas, nem a de publicitária nem a de coisa alguma; ouço uma musiquinha em piano ao fundo e penso que ele poderia ser a minha trilha sonora agora. Uma trilha baixinha, cadenciada, um pouco triste... Eu a executaria se tivesse um piano aqui.
        Olho pela janela e se me apresenta a mesma paisagem pálida, bucólica; saio da cama cedo, mas o convite que ela me faz é para ficar, não há nada tão interessante lá fora que não possa ser adiado... A psicologia diz que estou confusa, a psiquiatria me diagnostica com depressão, meus amigos dizem que isso vai passar e o silêncio não me diz nada... Os pássaros continuam a voar, os ursos ainda hibernam no inverno, uma estação vem depois da outra e não consigo resolver se me enquadro e mergulho, uma subversão de mim mesma, se finjo como os outros, se me rendo, aceito vender meu tempo por trocados ou parto em busca do desconhecido...
         E o silêncio amigo novamente responde... Não diz nada, mas responde. Ele sempre responde... E talvez ele tenha razão...

sábado, 20 de agosto de 2011

Eu, eu, eu...



Todo mundo já passou pela desagradável experiência (e talvez a experimente todos os dias) de conversar com uma pessoa que monopoliza o "entabulamento".
- Eu isso, eu aquilo, eu também... – nada do que você diz, ela perde a chance de se colocar. Eu, eu, eu... Chega, saturou! Ninguém gosta de ficar ouvindo lamúrias ou vantagens de alguém que só quer saber de si mesmo! Uma coisa é um momento que a pessoa se abre, um problema que divide com um amigo, um desabafo... Outra coisa é o ego, o desespero por atenção, aquelas situações em que sempre a criatura precisa se sobressair, situar a si mesma nos planos de colóquio! Ei, desce daí, você não é o centro do Universo!
Eu, eu, eu...
Você você você você você gostaria se fosse o contrário?

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

13 culturas que quase todo mundo segue

Uma síntese de culturas de longa data disseminadas, ensinadas, praticadas, que se alastram geração após geração e engessam e ditam comportamentos, modas e atitudes. Veja se reconhece em si ou em conhecidos algumas delas:

1-   A cultura dos presentes em datas comemorativas


E finalmente aponta no mês o dia dos pais e o povo corre às ruas, aos shoppings, à 25 de março angariar um presentinho! E é sempre assim, dia das mães, dia das crianças, dia do soldado loiro, são milhares de datas criadas com fundo comercial e publicitário e o objetivo delas é esse mesmo: fazer você se sentir um merda se não der ao menos uma lembrancinha no dia da sogra! Tais conceitos imbecilizam de tal forma as pessoas que a maioria delas não se flagra que não se precisa de datas para presentear quem é importante, condicionando seu afeto a eventos específicos. Bem como, não há motivo para mágoas ou ofensas se não lembrarem de você no dia do amigo, porque amigo de verdade sabe que não há o imperativo de um símbolo para consagrá-lo. A cultura do presente vai tão longe que não é mais algo espontâneo, e sim, automático, obrigatório. Não é preciso ir muito longe para sentir tal efeito: observe quem você não presenteou no aniversário dele não te presentear no seu! Sim, mesquinho e comezinho como reparar isso. As datas comemorativas que poderiam fortalecer laços servem de arrego para a bugiganga anual por uma razão forçada. Muitas vezes, a pessoa passa no primeiro 1,99 e compra uma quinquilharia que você não precisa só pra cumprir o protocolo do presente. E, como se não bastasse, isso ainda tolhe, indiretamente, a iniciativa de se dar um presente sem motivo algum. Quem recebe fica desconfiado pela falta de hábito e acaba perguntando:
- Ué, a gente tá comemorando alguma coisa? Que data é hoje que eu não lembro?
Complicado, não?

2-  A cultura do/ da “ex”


Uma coisa que sempre me intrigou é a excessiva importância que alguém de relacionamentos passados adquire na vida das pessoas. Em quase todas as rodas femininas, ouve-se burburinhos referentes a um “ex” – um desgraçado qualquer que, já que não faz mais parte da vida, deveria ser esquecido, mas por alguma razão, continua sendo lembrado. Pois bem, situações mal resolvidas? Resolve, diacho!! Por que diabos carregar um ar de eterno quando tudo não passa de algo que ficou pela metade, não se aproveitou até o fim?! E não adianta negar; muita gente cria uma espécie de altar para o (a) ex, talvez para tentar dar um efeito especial que o romance verdadeiramente não teve. Quando as coisas só terminam para um lado, é normal o outro ressentir-se e alimentar ainda esperanças a respeito, mas o ideal é dar-se um tempo, se valorizar e sacudir a poeira, seguindo em frente. Um ex é alguém do seu passado, se valesse a pena, estaria no seu presente. Ponto, isso é o que temos pra hoje, o futuro a Deus pertence! E, sim, é chato, triste, desagradável ficar falando e falando de um (a) ex... Fica a dica.

3- A cultura do “Você tem que casar”

3- 
“- Tem... tem uma coisa que eu realmente... Bem... você tem certeza de que vai se casar. E se... não encontrar a garota certa?
- Como?
- Essa cerimônia mostra que... pode existir um casal perfeito. Se não podemos ser como Gareth e Matthew devíamos esquecer isso. Alguns de nós não vão se casar.
- Não sei, Charlie. A verdade é que, ao contrário de você, nunca esperei uma paixão avassaladora. Sempre esperei conhecer uma garota, simpática, de boa aparência e que não me achasse muito feio. Aí, fazer a pergunta... estabilizar-me e ser feliz. Deu certo com meus pais. Bem, descontando o divórcio.
- Eu lhe dou seis meses, Tom. Talvez você tenha razão... Talvez toda essa espera pelo amor verdadeiro não leva a nada.”
(Trecho do filme “Quatro casamentos e um Funeral”).

A ideia é essa: Você tem que casar! Achar uma moça ou moço simpático (a), de boa aparência e que não te ache muito feio (a) e esquecer essa história de paixão avassaladora. Estabilizar-se, sossegar o facho, servir à sociologia, à genealogia, à biologia e quantos logia - Logos (λογος), estudo em grego, um significado bem auspicioso - mais tiver. Há espaço para discutir? Não. Se não casar, vai sofrer bullying, ser excluído de algumas rodas, ser considerado esquisito, solteirão e vão dizer que ninguém te quis (não o contrário). E além disso, você vai ficar sozinho...
(Muito utilizado também para "Você tem que namorar").

4-   A cultura do “Eu sei porque fiz curso”


Essa é uma das mais insuportáveis, amplamente cultivada pela burocracia de empresas e mercado de trabalho em geral. Você tem que ter cursos – curso de tudo que acham importante, tudo que exigem, tudo que pareça conveniente – e ter diplomas, esses pedaços de papel. Todo mundo sabe (ou deveria saber) que os autodidatas são muito mais empenhados no próprio aprendizado que quem se obriga a ter horários semanais para executar determinada atividade. Claro, uma coisa é fazer um curso por prazer. Beleza, você quer desenvolver aquela habilidade. Outra coisa são os filhos da classe média, que estudam braile, mandarim, libras, javanês e oboé por puro desejo dos pais em “investir” em alguém que ainda não tem noção do que quer.
- Eu sei programação PHP porque fiz curso.
- Eu tou fazendo de Autocad e SEO.
- Eu cozinho o melhor pudim de pão, que aprendi lá no SENAC.
Senhor! Saudades do tempo que inglês não era modinha – e, juro, aprendi sem curso. Fiz um curso de design gráfico uma vez e lembro que o mesmo, embora tivesse alguma prática, adorava uma teoria e um tecnicismo. O resultado disso foi que acho dez quem mexe com programas gráficos, mas jamais me peça pra mexer em um! E, sim, eu tenho o diploma. E significa muita coisa saber gramática de espanhol se você vai morar no Japão? Pois é...

5-  A cultura do “Você tem que provar”


Essa, meio que complementa a anterior. Se você diz que sabe algo, não basta demonstrar, é preciso PROVAR com aquele pedaço de papel... Cursos, workshops, seminários, congressos, pós... Tudo é preciso provar. Ninguém vai admitir que você sabe (SABER = Buscar, assimilar, entender). Você tem que provar.
E o fato é esse: nem sempre quem tem um diploma sabe alguma coisa; nem sempre quem sabe alguma coisa, tem um diploma. E eu não posso provar isso pra você, I’m sorry...

6-  A cultura do “Brasil, um país de técnicos”


Por alguma razão, foi reforçada a ideia nos últimos anos (ao menos, são os que eu tenho lembrança) de que é uma boa ser técnico em alguma coisa. Ter um conhecimento mecânico, que não necessite muito auxílio do “pensar” e principalmente do “questionar”, que sempre leva ao “criticar” e ao “explorar”, e por aí vai... E, claro, com os apelos do consumismo e do capitalismo, não é difícil incutir tal argumento nas jovens mentes irracionais, cultivando um antro de subempregos e “profissionalismo”. Não que o tecnicismo seja ruim. Mas, abrir mão do que te dá prazer de verdade para ter um trabalho, isso é.

7-  A cultura do “Dinheiro por afeto”


Essa cultura é assimilada desde cedo, e da maneira mais imprópria: na infância, os pais, muitas vezes, tendem a substituir a presença e o carinho por presentes caros, o que já vai criando inconscientemente uma relação com o dinheiro na criança. À medida que crescem, elas mesmas vão dispensando o contato com os pais em troca de coisas materiais, que constitui em uma prova de afeto e passa a ser encarada como tal também em outros relacionamentos. Assim, sem saber como agradar um amigo a quem se quer muito bem, pessoas que tiveram poucos amigos na infância e ou adolescência, expressam através do dinheiro o seu afeto pelos pares. É uma confusão difícil de ser dissociada depois, semelhante àquela das datas comemorativas. Há uma necessidade interna de recompensar e, da parte de outras, significativa tristeza se não ganham nada “no dia delas” – valores imbuídos das inserções mentais construídas ainda em tenra idade. E dinheiro não tem nada a ver com afeto. Podemos gastá-lo com quem não amamos; podemos não gastá-lo com quem amamos. E, nem uma nem outra vai estar expressando mais que isso: estou ou não estou APENAS GASTANDO DINHEIRO COM VOCÊ. Only. Agora, quer um conselho? Casamento com pré-nupcial é duvidar do amor do outro. E se você duvida do amor do outro, NÃO SE CASE!

 8- A cultura dos horários e datas


Na Terra, estamos acostumados a ver o tempo como uma linha reta, com nós no meio dessa linha e os acontecimentos ocorrendo antes e depois. Imagine o tempo como um círculo ao invés de uma linha. Coloque-se no centro do círculo: acontecimentos ocorrem ao nosso redor, todos ao mesmo tempo. É diferente de uma linha, onde as coisas acontecem em sequência. No círculo do tempo, nada vem antes e nada vem depois. É assim que o tempo realmente é. Não há nada antes e nada depois. É tudo igual.
Com o estabelecimento de relógios e calendários, tinha-se a intenção de nos nortear no espaço de forma a facilitar a vida, podendo situar, antecipar, prever situações. Entretanto, a civilização contemporânea se tornou escrava dos ponteiros, sendo que tudo precisa ter hora cronometrada nos milésimos de segundo! Esquecida de que o tempo a gente inventa (pois ele é, de fato, uma invenção!), tudo precisa ser organizado em horas cheias, datas e períodos, quase sem permitir espaço para o espontâneo e o improviso. Convenho que os horários sejam importantes para algumas manifestações que tornar-se-iam complicadas sem ele, todavia, ao contrário, nem tudo no mundo carece ser “organizado” e a principal revolução que se poderia fazer nesse sentido seria nas relações de trabalho (infelizmente, estou falando de um tempo distante, quando as massas perceberão que são os empregadores que precisam de seus serviços, e não o contrário). Dá pra marcar entre 3 e 3 e meia, e não às 3 em ponto! Dá pra esperar “pela manhã” e não às 10:15. Somos seres eternos, atemporais! Pra que dar tanta relevância a instantes?!

9-      9- A cultura de “passar o rodo”


A sociedade cria regras para que você seja aceito e uma delas diz há séculos que o homem só é macho se traçar tudo que vier pela frente, sem análise, basta pertencer ao gênero feminino. Na ignomínia de quererem se igualar a eles, as mulheres atalham pela mesma estupidez, reduzindo as relações humanas a um monte de orifícios. O engraçado é que quem não quer participar disso é que está errado, hem!

10   10- A cultura da auto-afirmação


E eles cantam em francês! Tocam violão, bateria, baixo, órgão; falam da viagem que ainda não fizeram, dos projetos que estão na planta, dos livros que leram e dos que não leram... É incrível como ninguém se dá conta do ridículo da auto-afirmação (e isso daria um post inteiro!). Precisam se contar, divulgar sua vida em redes sociais, saberes reais ou imaginários; todos são bons em tudo! Todos eram os primeiros da classe, todos eram gatões nos desfiles do ensino médio, todos conheceram as melhores praias, campos e montanhas! Ah... Todos são tão virtuosos... Autodidatas, geniais, especiais, criativos... Puxa! Quem dera não se auto-afirmassem tanto... É tão difícil assim viver em segredo? Não expor-se ao ridículo, contando vantagens, afirmando a própria insegurança fingindo que é melhor que os demais? É tão complicado fazer/ aprender algo pelo simples gosto de fazê-lo? Para si e por si? A maioria desconhece o estranho prazer de se passar por idiota e saber mais do que eles...

11   11-  A cultura do “Homem não faz isso/ Mulher faz aquilo e vice-versa”


As pessoas esquecem-se de que, além da reprodução, nada mais exigiria gênero. Indifere se você é homem ou mulher para dirigir, jogar bola, cozinhar, dar aulas, etc, embora alguns defendam isso. Claro que há diferenças anatômicas, psicológicas e neurocientíficas. Não disse que não! Porém, irrelevantes em grande parte das atividades humanas. Nossas diferenças servem para nos complementar, não para afastar, como muito acontece. O gênero é uma representação externa, social, uma forma biológica. Já ouviu falar que anjos não têm sexo? Pois é... Um dia chegaremos lá...

12  12-   A cultura do “O meu é maior/ Eu sou melhor e vice-versa”


Para complementar a auto-afirmação. Todos estão convencidos de que seu gosto musical é o melhor, as marcas que elas curtem, aquilo que desdenham e tudo em que tocam, como Midas. O pior não é nem esse sentimento próprio da grande maioria, mas a intolerância que o rege ante os gostos e opiniões alheias. Será que ser intolerante e entupido de razão são características de quem é melhor, de fato?


13- A cultura do cumprimento



Não importa se é um parente, colega, pseudo conhecido: quando vemos alguém ou nos encontramos, a força do hábito manda apertar a mão ou dar os famosos 2 ou 3 beijinhos. E essa dos beijinhos é a pior, pois soa tão falso e só não perde para quando a criatura resolve te beijar de verdade... Vamos falar sério, amigo verdadeiro, que se quer bem mesmo, a gente dá um abração, fica feliz em ver; e quanto a conhecidos, bastaria um aceno de cabeça... De repente, você tem que fingir beijinhos com alguém que mal fala ou com alguém barbudo ou com alguém suado... Eca! Sim, abaixar e levantar o queixo já satisfaria...

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Saudades de quem mesmo??



Sentimos falta de alguém ou de como essa pessoa nos fez sentir?
Sentimos falta de alguém ou do que a gente era quando estava com ele (a)?
Sentimos falta de alguém ou saudades da gente mesma?
Sentimos falta de alguém ou dos momentos que nos proporcionou?
Sentimos falta de alguém ou de algo que se perdeu?

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O sapo também sonha



O sapo também sonha. O sapo também tem um coração. Quer sentir-se especial, quer coisas boas, sente que as merece e aprecia a beleza. O sapo percebe que tudo à sua volta é aparência. Percebe que, muitas vezes, seu antagonista tem uma vida cinematográfica só porque é príncipe. Mas, claro, o sapo sabe que o príncipe não é verdadeiramente feliz. Ele sabe que também tem dias que o príncipe quer ser sapo, e não só os dias em que o sapo quer ser príncipe. Todavia, por ser sapo, muitas vezes o sapo é julgado e condenado. Julgado e condenado simplesmente por ser quem é! Também o príncipe será sapo e deveria tratá-lo bem, ou só o sapo sabe que o mundo dá voltas?