About my Blog

Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Vamo' pra balada?


Quando alguém me diz que chegou em casa pela madruga, que a festa tava ótima, que “eu perdi”, “só o ouro”, que sábado à noite pede balada e bebida, eu estaco em um instante. Para esse tipo de evento, já nasci velha, não adianta. E olha que até me esforcei, principalmente na minha adolescência e anos imediatamente subsequentes. Mas, tenho certeza, era sempre a chata da noite. No máximo à uma e meia estava enroscada pelas cadeiras, observando a fumaceira, o ambiente desagradável, pessoas sem um pingo de amor próprio e desejando amalucadamente a minha cama... Only... Muitas vezes, era obrigada a amargar mais algumas horas até o caroneiro ter disposição (a contragosto) para me salvar e quando chegava em casa, em fazer o asseio, me perguntava intimamente porque havia cedido uma vez mais àquelas tentativas traumatizantes de ser “normal”. Acho que, muitas vezes, fui motivo de desgosto, quando estes amigos ainda tinham pique para amanhecer na festa, ou de piadas, mas certamente de incompreensão, afinal uma pessoa que não procura se divertir não pode ser sã.
Tenho vários amigos baladeiros de plantão, alguns já passados dos 30 anos, que contam-me com entusiasmo de seus feitos e se divertem muito a varar a noite dançando e ouvindo música (música?) em alto e bom som. E eu os compreendo, embora não possa me enquadrar nesse estilo de vida, optando mil vezes por virar a noite assistindo a um bom filme ou lendo um livro ou mesmo não fazendo nada; ou quem sabe em uma reunião formidável com amigos, junto a risadas, brincadeiras e boa conversa, mas etílicos são dispensáveis a qualquer modalidade de diversão para a minha pessoa. Lembro-me que desde a primeira vez que experimentei cerveja, achei o gosto tão sem graça, quer dizer, não é uma bebida gostosa, né?; tentei curaçau, cuba, martini, sei lá quantas mil misturas com sprite e com Pepsi, mas além do bombom no curaçau de chocolate, nada me instigava muito a continuar bebendo (mas, eu continuava, porque todos bebiam e ser a exceção na adolescência é horrível, os colegas não têm dó de aperrear!). Hoje em dia as únicas destiladas que eu tolero são Ice, champanhe e vinho e, ainda assim, em doses medicinais.
O mais extravagante de tudo é que as festas, hoje em dia, constituem até em know-how, geralmente classificadas por grupos ou tribos – o pessoal do rock, os metaleiros ou o público GLS ou swing natural (essa acabei de ouvir através de um colega de estágio que comentou em risinhos com outra garota!). E DJ mudou o nome para curador, tudo para garantir que será uma digníssima obra de arte esta festa!!
Certamente que a diversão ou a ilusão que temos do que signifique é algo muito subjetivo. Cada um a coloca ou descobre onde quer ou onde é levado a descobri-la. Muitos são os que por pressão posicionam-se baladeiros, sem acreditar de verdade nisso. Eu, particularmente, nunca consegui ver espírito em beber, fumar, promiscuir-se e ficar dançando feito uma pomba-gira mal podendo ouvir qualquer som digno, sem falar do ambiente que geralmente é pesado e grosseiro. Eu. Embora pareça crítico, é apenas uma opinião e respeito tanto quem frequenta esses lugares que jamais a expresso em presença deles. Mas, não me importaria se me dissessem que sou uma quadrada careta que não aprecia festas. Dessa forma, não aprecio mesmo. Proclamo o meu direito de fazer parte da turma dos que não se aliam a esse tipo de diversão, aliás, tenho dificuldade em admitir essa palavra em um contexto como o descrito acima. Oh, infeliz de mim... Seguirei sem pertencer às maravilhas que escondem essas multidões sorridentes, felizes, com vidas de comercial de pasta de dente...

domingo, 25 de setembro de 2011

Homenagem a Davi Mota Nogueira


Telma Lobão - 23/09/2011

Garoto que eu não conheci, mas que feriu minha alma com a sua história, pois você foi apenas mais uma vitima desse mundo de tanta insensatez. Por mais de 20 anos fui educadora, e se tivesse sido eu sua professora você jamais teria atirado em mim e hoje estaria vivo, isto porque ao contrário da maioria dos professores, meus alunos preferidos nunca foram os brilhantes e quietinhos, mas os perseguidos, humilhados na escola por diretores, colegas e demais professores. Tenho certeza que teríamos sido grandes amigos, como fui de muitos alunos que tive e mudei suas histórias.
Não pode um educador permanecer omisso perante aquilo que acontece a um aluno, ainda que tenha que punir todos os alunos da escola por conta de perseguição a um só, eles devem ser punidos. Porque é o ‘um’ que completa o todo.
O professor não é juiz para julgar o aluno, o professor está ali para ajudar a guiar o aluno no caminho da vida, não para ser uma pedra no caminho dele a ponto de despertar seu ódio, como aconteceu com você e com tantos outros alunos nos colégios que passei como educadora.
Lembro de uma adolescente me perguntando: "profe, eu sou feia?" Respondi que não, que ela era uma moça muito bonita. Perguntei o porquê da pergunta e ela me respondeu: "um grupo de pagode me convidou pra ser dançarina e a diretora disse que eu sou horrível, ridícula, aí eu não aceitei." Aquilo me chocou, com muito esforço consegui apagar as palavras da diretora da cabeça dela e um mês depois não acreditei ao vê-la numa emissora de TV a nível nacional dançando. Do lado dela, um louraça, mas só ela aparecia.
Assim são os nossos educadores.
Davi foi apenas uma vitima da educação que é praticada nas escolas brasileiras. Ele não tentou matar o pai ou a mãe, o problema de Davi não estava em casa, estava na escola e era com a professora, que pela lei da vida deveria ser sua aliada, não sua inimiga.
Uma criança de apenas 10 anos de idade ser capaz de dar um tiro na própria cabeça para tirar a própria vida, imagino a que ponto de desespero você chegou!
É preciso que os educadores abram os olhos ou produzirão mais Davis nas escolas brasileiras.
Que Deus o tenha, e o conforte, que toda a dor e sofrimento tenham acabado e que você seja muito feliz.

Nota: a ambientalista Telma Lobão não conheceu o garoto Davi, mas como educadora que foi de escolas públicas, particulares, supletivos, de concursos para professores do estado e para a polícia militar, se sentiu chocada na alma com a sua história.


SEÇÃO EXCEPCIONALMENTE


Na secção “Excepcionalmente”, apresento textos de outra autoria, mas que calam fundo em meus valores.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Adolescência idealizada


A barriga chapada, a pele sem rugas, a aparente liberdade de se ser o que se quer, além da falta de compromisso em geral e nos relacionamentos. Essas e outras tantas características fazem com que muitos adultos e crianças queiram ser adolescentes. É uma fase alardeada cada vez mais cedo, com meninas de oito anos a emperiquitar-se com maquiagens e cabelos muito além do que deveriam, e ainda o crescente interesse pelo sexo oposto, que agora parece ter início no jardim-de-infância. A psicanalista Lidia Aratangy, que já escreveu mais de vinte livros, em diversos momentos de sua trajetória profissional alertou para o quanto a adolescência vem sendo idealizada. Ela é vendida como um mundo de sonhos, a “fase mais feliz da vida”, onde amores são intensos, amizades verdadeiras, todas as experiências fortes e a alegria reina sem pausa.
Pessoalmente, não gostaria nem um pouco de voltar a “adolescer”. Não hesito em dizer que não foi a melhor época da minha vida, senão que foi a pior. Dúvidas, inseguranças, medos bobos, pressão por todos os lados, influências e ainda tínhamos o descabimento de nos achar o máximo! Em nossas cabecinhas miraculosas, tínhamos certeza que todos nos admiravam, invejavam até!, que éramos rebeldes, originais, incríveis, sem nem imaginar por quantas vezes fazíamos papel de tolos... Tenho certeza que não falo só por mim, quantos desejos toscos, quantas situações confusas, quantos receios infundados, quantas expectativas frustradas... Claro que também teve coisas boas... Os primeiros passos de liberdade, alguma glória, sonhos espoucando (bem como as espinhas!), descobertas... Mas, o primeiro beijo, fico ou não fico... Somos inexperientes e não sabemos onde nos apoiar; acorremos aos amigos tão ou mais perdidos que nós e damos muitas, mas muitas cabeçadas... Coisas pequenas se tornam gigantes; coisas gigantes se tornam pequenas e, convenhamos, a adolescência pode ter seu charme nos filmes, nos livros, em Shakespeare, mas na vida real eu não consigo me lembrar de nada ter sido tão poético!
Historicamente, a adolescência é uma invenção recente. Até o começo do século vinte, um pouco mais, a criança dava lugar ao adulto, sem esse longuíssimo e paciente rito de passagem que cada vez está durando mais anos. Nesse ínterim, a biologia não pode levar toda a culpa tão facilmente atribuída aos hormônios em ebulição, uma vez que eles são uma pequeníssima parte disso. O que acontece hoje é, em parte, também estimulado pelo mundo publicitário, que vê neste um nicho cada vez mais promissor de decisão e poder de compra nos mais variados segmentos. Cria-se todo um conto de fadas em torno da juventude, com produtos especias para eles, filmes, livros, ídolos – todos fabricados intencionalmente. A moda, os esportes, a música, tudo em dado momento se rende aos caprichos teen levando-os a acreditarem que são pequenos deuses, quando na verdade toda a manipulação premeditada de que se enredam os leva e os arrasta. Apesar disso, esse modelo pode tanto perdurar por muito tempo quanto esgotar-se em poucas gerações, e aí teremos um vovô em 2050 que hoje é adolescente a contar para os netos que no seu tempo existia adolescência. “Era considerada uma fase, éramos tão especiais, e poseiros, e fofuchos e kidults e intransigentes... Eu era emo...”
O importante, em qualquer idade, é guardar a certeza de que tudo – bom ou ruim – sempre passa. Temos uma capacidade incrível de nos reinventarmos e aos outros, embora o façamos muito pouco, tendendo a acreditar que este ou aquele período da vida foi melhor ou pior. Muitos são os que saem ilesos da adolescência, tratando-a como é de fato: uma transição, uma etapa da vida, porém como outra qualquer - adolescentes não são melhores nem piores. Se, por um lado, a juventude proporciona beleza, certo poder e alguns encantos, ela tem como demérito a inexperiência, a falta de virtude e a pretensão de conhecer todas as verdades do mundo – coisa que tão logo se amadureça outro tanto é desmentida e percebe-se em cima de quantas burradas ela se calcou.
Eu gostaria de acreditar que o mundo melhorou. Que há milhares de maneiras de fazer qualquer coisa e que nós só descobrimos as mais simples. Ainda assim, sei que muitos continuarão se esgueirando para fora de si em busca de algo que os redima, fugindo, correndo atrás do próprio rabo, andando em círculos, esvanecendo-se das tantas verdades cruas que a vida traz. Paciência. É apenas lamentável que tantos não cheguem à idade adulta sabendo o que é respeito, carinho, civilidade, ética, paz... e tantas outras coisas bonitas, quase ultrapassadas, hoje chamadas de “coisas do tempo antigo”.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Eu e River


Não posso descrevê-lo, pois toda e qualquer palavra seria insuficiente. A única intenção desse post é expor uma compilação de frases desse anjo com as quais eu me identifico profundamente, mais do que em um sentido de concordância. É muito fácil concordar com algo que outrem diga, ou admirar, ou achar bonito ou nobre... Mas, sentir tais verdades no espírito, ter a mesma sensibilidade e verdade em seu ser, isto é raro, e é essa identificação profunda que eu comparto com ele. River Phoenix teve uma passagem rápida por esse planeta que não o merecia e ele sabia que assim seria. Suas palavras, sua forte luta pelos direitos dos animais e toda ascendência que ele mostrou são tão raras nos seres de nossa época que é difícil implicar em toda sua evolução espiritual. Em um mundo onde beleza dificilmente caminha com virtude, River foi belo, virtuoso e muito mais. Ele foi além do que podem romper as palavras, além do que compunha em suas músicas, além do que seus olhos límpidos e anis poderiam nos contar. Da sua pureza, todo o meu amor. E também não sei falar da minha ligação com ele. Bem, vamos às frases... A maioria das novas gerações não ouviu falar em seu nome, porém sua nobreza e inocência estarão gravadas para sempre na constelação do mundo.

“Eu sou completamente apaixonado pela raça humana e por este planeta em que vivemos e vejo a vida como jovem e bela, não porque ‘eu tenho o mundo em minhas mãos’ , mas porque é simplesmente a minha verdade. Eu também fico muito frustrado com o ritmo de vida e a forma como o mundo anda. Eu quero que as pessoas se comuniquem melhor uns com os outros. Com toda essa tecnologia atual, é o melhor que podemos fazer? É deprimente. Mas, há também um lado otimista em mim que acredita que vivemos em uma época incrível e que se todos nós nos unirmos sobre as questões importantes e lutarmos por nossos direitos, como Bob Marley disse, poderemos realmente realizar muito.”

“Me irrita que nesta sociedade em que estamos sejamos ensinados, desde a mais tenra idade, assistindo televisão, a engolir idéias preconcebidas sobre o que é o homem ideal ou a mulher ideal. É preconceito, realmente. Muitas pessoas conseguem superá-lo, mas muitos se sentem miseráveis se não estiverem satisfeitos com sua aparência, se eles não se parecem com Robert Redford. É uma vergonha, porque não deveria ser assim. Quando você está classificado como um jovem ou uma jovem de boa aparência, você está sob pressão de fazer jus a isso. Isso é algo que eu não me preocupo muito. Quando eu era mais novo, eu estava preocupado sobre como os outros me viam e se eu era bom o bastante. Percebo agora que você não pode moldar uma imagem ou tentar ser algo que você não é.”

“Se eu tiver alguma fama, eu espero que eu possa usá-la para fazer a diferença. A verdadeira recompensa social é que eu posso falar o que me vai na mente e compartilhar meus pensamentos sobre o meio ambiente e a própria civilização. Há tanta merda acontecendo com as pessoas, que estão tirando proveito de suas posições e criando um monte de coisas negativas.”

“Eu não sinto que sou apegado às coisas materiais, embora eu tenha todo conforto que um monte de gente não tem. Tenho as conveniências modernas de um liquidificador, um banheiro, um chuveiro. Muita gente tem que fazer suas coisas na sarjeta. Eu não estou vestido na coisa toda: eu vivo de uma forma muito simples. Sinto que há diferentes fases na vida de alguém e eu poderia em algum momento decidir me dedicar a um caminho mais espiritual, abandonando todos os bens materiais... Simplesmente sair para o mato em algum lugar e viver como um homem macaco por um tempo. Isso é algo que me fascina.”

“Eu não saio com a multidão de estrelas de cinema. É tão falso e irreal e pretensioso. Eu nunca vou caber nisso, de qualquer maneira...”

“Quanto mais eu me machuco, menos eu sinto. Quanto mais eu sei, menos eu descanso, nesta minha condição de estrela solitária. Quanto mais eu explico, menos eu trabalho. Isso não pode ser bom para um garoto desprovido de amor, desprovido de contato, desprovido de luxúria, desprovido de alma, mas não desprovido desta canção...”

“Eu sempre tive problemas com definições do que namorado e namorada estão destinados a ser. Acho sexo muito distorcido, e relacionamentos e amor, simplesmente tudo. Eu acho que a televisão e os filmes têm responsabilidade nisso. Eu realmente tenho problemas ao tentar entender o que significa namoro ou o que quer dizer namorado e namorada. Um problema ainda maior é o relacionamento com homens. Os caras são difíceis porque eu sou muito livre quanto às minhas emoções e sou honesto, e um monte de caras não são assim. Eles têm esse pequeno papel que eles interpretam. Os caras têm medo da sensibilidade e são paranóicos sobre toda a coisa sexual, então você recebe muito disso.”

“Eu tenho um monte de diversão. Só que de uma maneira diferente. Eu experimentei dirigir carros e ir a festas e isso não me atrai.”

“Eu vejo beleza em um monte de coisas. Não é realmente o físico que me atrai. Meu gosto é muito diferente.”

“Eu acho que sou um perfeccionista. Em minha mente eu tenho todas essas utopias e fantasias, mas acredito que elas possam acontecer. Eu realmente acredito.”

“Às vezes, eu desejo não ser tão consciente quanto eu sou. Seria muito mais fácil.”

“Eu quero ser tudo aquilo que eu evoluir. O agora vai me levar até lá.”

sábado, 17 de setembro de 2011


E, 
mesmo separados... 

estaremos sempre juntos...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

VOCÊ ACREDITA EM MORTE APÓS A VIDA? – Parte 1


Parece natural acreditar. Você vive, é feliz, sofre, ama, odeia, é desgraçado, é privilegiado, faz coisas sublimes, comete crimes abomináveis e morre. Ponto. Tudo se acaba. Agora, vejamos isso de um ponto de vista mais pretensioso. Você acredita em Deus? E o que é Deus para você, quem? Por que te proporciona momentos bons ou ruins; te dá um berço de ouro ou de palha; uma inteligência invulgar ou medíocre; beleza venusiana ou aberracional?
Quem passa por um luto sabe da dor de perder alguém. Da tristeza, da injustiça, do questionamento do “Por quê?”, do fim dos dias risonhos que dantes enchiam a vida de esperança. Entretanto, como a indagá-lo, tudo ao seu redor desmente-lhe a morte. Desde o botão em flor até o céu sorrindo; a mãe que acaricia a barriga à espera do primeiro filho, as borboletas esvoaçantes, tudo é vida. E a razão fica brigando com a intuição de que existe algo além e que tudo não pode simplesmente terminar assim...
Muitos são os que querem nos fazer crer que a morte é o fim de tudo. E os argumentos mais comuns são estrambóticos: “Nenhum morto jamais voltou para contar” ou, “Está na Bíblia”. Será?
A Bíblia é um livro complexo, dado a milhares de interpretações. Creio que quem a lê e interpreta ad littera trata-se de perfeito idiota! Ademais, desse mesmo livro foram subtraídas centenas de passagens que falavam de forma explícita sobre reencarnação. Antigas referências no Novo Testamento foram apagadas no século IV pelo imperador Constantino, quando o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano. Aparentemente, o imperador sentira que o conceito de reencarnação ameaçava a estabilidade do império. Cidadãos que acreditavam em outra chance de viver poderiam se tornar menos obedientes e submissos à lei do que os que acreditavam num único Juízo Final para todos.
No século VI, o Segundo Concílio de Constantinopla apoiou a lei de Constantino ao fazer oficialmente da reencarnação uma heresia. Tal como Constantino, a Igreja temia que a ideia de vidas anteriores enfraquecesse e solapasse seu poder crescente por proporcionar a seus seguidores um tempo maior em busca da salvação. Concordavam que a chibata do Juízo Final era necessária para garantir atitudes e comportamento adequados. Até o século XII, os cátaros cristãos da Itália e sul da França eram severamente punidos por sua crença na reencarnação.
A ressurreição tanto propagada biblicamente refere-se a novas carnes, e não aos apelos biológicos impossíveis em qualquer tempo de ‘rematerializar’ um corpo que já se perdeu. Nesse mote, a ciência está coberta de razão. A ressurreição sob esse ponto de vista é impossível.
No livro Renúncia, de Emmanuel, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier temos um trecho magnífico que diz:

“A morte não existe como a entendemos. O que se verifica, apenas, é uma transmutação de vida. Os teólogos suprimiram a chave simples das nossas crenças. Quando o corpo é reclamado pelo sepulcro, o Espírito volta à pátria de origem, e como a Natureza não dá saltos, as almas que alimentam aspirações puramente terrestres continuam no ambiente do mundo, embora sem o revestimento do corpo carnal. Desde a mais remota antigüidade, os homens se comunicaram com os seus semelhantes já mortos.
Eneias fez consultas a Anquises, por meio dos estranhos poderes da feiticeira de Cumas; Plutarco afirmava que os seres de outro mundo se manifestavam nos Mistérios; Sócrates tinha seu gênio familiar; Apolônio de Tiana sentia-se auxiliado por entidades invisíveis; os imperadores romanos buscavam os pareceres dos habitantes de Além-Túmulo, com a cooperação dos Oráculos; Vespasiano procurou a palavra dos numes tutelares no Oráculo de Geryon; Tito fez o mesmo na Ilha de Chipre; Trajano imitava-os, sondando as revelações do Oráculo de Heliópolis, na Síria; os cronistas do tempo antigo declaram que Augusto, depois de iniciado no culto de Elêusis, tinha contato com os fantasmas; nas páginas sagradas da Bíblia vemos Saul procurando o falecido Samuel por intermédio da pitonisa de Endor, e contemplamos os discípulos de Jesus bafejados pelo Espírito-Santo, no glorioso dia do Pentecostes...
― É extraordinário! — exclamou a esposa de Cirilo felicitada por novas luzes. — Quer dizer que os entes queridos, que nos antecedem no túmulo, nos esperam no limiar da outra vida, para as alegrias do reencontro?...
Damiano esboçou um gesto altamente significativo e acrescentou:
— Nem sempre será indispensável partir para reencontrar...”

Ainda na Bíblia, tão utilizada a bel-prazer, dentre tantas outras, encontramos uma frase reveladora que diz: a carne é também um vento que passa e nós somos filhos da eternidade.

“Nossa época não comporta a divulgação das supremas verdades, mas nós nascemos e renascemos. A vida é uma só; entretanto, as experiências são diversas. O próprio Jesus declarou aos mentores de Israel que não era possível atingir o Reino de Deus sem renascer de novo. Inferno ou purgatório são estados do espírito em tribulação por faltas graves, ou em vias de penitência regeneradora.
― Mas será possível que se troque de corpo como se muda de vestes?
— Justamente. Só isso, minha filha, explica as profundas diferenças do caminho. Nas estradas em que buscamos a luz da salvação, encontramos os seres humanos mais díspares. Ali, depara-se-nos um homem impiedoso, detentor de sólida fortuna; acolá, debate-se um justo entre a fome e a enfermidade, que parecem intermináveis. Num mesmo lar nascem santos e ladrões. Há pais excelentes cujos filhos são indesejáveis, monstruosos. Uma via pública exibe jovens elegantes e miseráveis criaturas que se arrastam entre a lepra e a cegueira. Poderias admitir que o Criador, magnânimo e sábio, deixasse de ser pai para ser um experimentador desalmado? Não admitamos esse absurdo teológico, mas ponderemos na verdade de que se cumpre, desde agora, o “a cada um segundo suas obras”, dos ensinamentos de Jesus. Na obra divina, infinita e eterna, cada filho tem responsabilidade própria. A criatura se engrandecerá ou submeter-se-á ao rebaixamento, conforme utilize as possibilidades recebidas. No caminhar de cada dia, podemos observar os que ascendem, apesar dos dolorosos testemunhos; os que estacionam em receios inúteis; os que resgatam e os que contraem novas dívidas.”

VOCÊ ACREDITA EM MORTE APÓS A VIDA? – Parte 2


Todos os grandes homens de que se têm notícia eram humildes o bastante para admitir que regendo a orquestra de nossos destinos, haveria de ter pródigo maestro, o qual não seríamos capazes de entender, dado porém que a limitação é nossa. A doutrina de Sócrates e Platão pregava:
“O homem é uma alma encarnada. Antes da sua encarnação, existia unida aos tipos primordiais às ideias do verdadeiro, do bem e do belo; separa-se deles, encarnando, e, recordando o seu passado, é mais ou menos atormentado pelo desejo de voltar a ele. [...] Se a morte fosse a dissolução completa do homem, muito ganhariam com a morte os maus, pois se veriam livres, ao mesmo tempo, do corpo, da alma e dos vícios. Aquele que guarnecer a alma, não de ornatos estranhos, mas com os que lhe são próprios, só esse poderá aguardar tranquilamente a hora da sua partida para o outro mundo.”

Na maravilhosa biografia de Chaplin, gênio do cinema mudo, encontramos um trecho, no mínimo, sugestivo:
“No sul da França, tive ocasião de ver sobre uma pedra tumular a fotografia de uma sorridente meninota de quatorze anos. Ao pé do retrato, a inscrição desta só locução: ‘Por quê?’ Em tal paroxismo de sofrimento, é vão buscar uma resposta. Isto só levaria a falsas considerações morais e a maior tormento. Contudo, não quer dizer que não haja resposta. Não posso crer que a nossa existência não tenha sentido, que seja mero acidente, como nos querem convencer alguns cientistas. A vida e a morte são determinadas de mais, por demais implacáveis, para que sejam puramente acidentais.
Os acasos da vida e da morte – o gênio ceifado na flor da idade, sublevações mundiais, hecatombes e catástrofes -, tudo isso pode parecer sem propósito e significação. Mas, o próprio fato de que tais coisas acontecem demonstra um desígnio firme e preciso, acima do que pode compreender a nossa inteligência condicionada a três dimensões.
Certos filósofos pretendem que toda matéria é ação, numa forma ou noutra, e que em toda a existência nada se cria como nada se perde. Se a matéria é ação, deve estar submetida às leis de causa e efeito. Ora, admitindo-se isso, deve-se concluir que toda ação é preestabelecida. E, assim, a coceira do meu nariz não é tão predestinada como uma estrela cadente? O gato ronda pela casa, a folha cai da árvore, a criança tropeça. Essas ações não têm origem no infinito? Não são predestinadas e não prosseguirão pela eternidade? Conhecemos a causa imediata da queda da folha, do tropeço da criança, mas não podemos remontar ao seu princípio e ao seu fim.
Não creio em nada e de nada descreio. O que concebe a imaginação aproxima-nos tanto da verdade como o que pode provar a matemática. Nem sempre se chega à verdade por meio da razão; esta nos prende a um esquema geométrico de pensamento que demanda lógica e credibilidade. Vemos os mortos em nossos sonhos e os aceitamos como vivos, sabendo ao mesmo tempo que eles são mortos. E ainda que este sonho do espírito esteja fora da razão, não tem a sua própria credibilidade? Há coisas além da razão. Como podemos conceber a milésima bilionésima fração de um segundo? Contudo, essa fração deve existir, de acordo com o sistema de matemática.
À medida que vou envelhecendo, mais me preocupa a questão da fé. Ela está em nossa vida bem mais do que supomos e inspira as nossas ações bem mais do que imaginamos. Creio que a fé é precursora de todas as nossas ideias. Sem fé não teríamos criado hipóteses, teorias, ciências ou matemática. Penso que a fé é uma extensão do espírito. É a chave que abre a porta do impossível. Negar a fé é refutar a si mesmo e ao espírito que gera todas as nossas forças criadoras.
Minha fé é no desconhecido, em tudo que não podemos compreender por meio da razão; creio que o que está acima do nosso entendimento é apenas um fato em outras dimensões e que no reino do desconhecido há uma infinita reserva de poder.”
(Minha Vida, Charlie Chaplin, pg. 292 e 293)


Fazendo minhas as palavras de Chaplin e também de Emmanuel, neste mundo não será possível acordar para os elevados domínios do conhecimento, sem nos voltarmos com atenção para o problema da dor. Por que o leproso, ao lado dos de rosto brilhante? Por que se confundem, na mesma rua, os felizes e os desventurados? Seria justiça ministrar o pão a alguns e as pedras a muitos? No quadro da teologia atual, o Criador seria quase cruel. Mas é tão grande a misericórdia divina que o Pai permite aos filhos a enunciação dos mais loucos raciocínios, até que se compenetrem da grandeza acolhedora do seu amor desvelado. Naturalmente, somos espíritos integrando a enorme caravana da Humanidade. Teremos falido inúmeras vezes, fugindo aos desígnios do Senhor para atender a nossos caprichos misérrimos. No entanto, a Providência nos acolhe de novo na escola terrestre, dando-nos um corpo diferente e renovando-nos a oportunidade sacrossanta...
Em 1905, Einstein concluiu que matéria e energia estavam tão entrelaçadas quanto espaço e tempo. Daí surgiu a célebre equação E = mc2 (energia = massa x a velocidade da luz ao quadrado), que revela que uma migalha de matéria pode gerar uma quantidade absurda de energia. E o genial literato francês Victor Hugo deixou entre tantos, um texto incrível que fala justamente do homem e da imortalidade da alma e traduz-se mais ou menos nas seguintes palavras:
“A morte não é o fim de tudo.
Ela não é senão o fim de uma coisa e o começo de outra.
Na morte o homem acaba, e a alma começa.
Que digam esses que atravessam a hora fúnebre, a última alegria, a primeira do luto.
Digam se não é verdade que ainda há ali alguém, e que não acabou tudo?
Eu sou uma alma.
Bem sinto que o que darei ao túmulo não é o meu eu, o meu ser.
O que constitui o meu eu, irá além.
O homem é um prisioneiro.
O prisioneiro escala penosamente os muros da sua masmorra.
Coloca o pé em todas as saliências e sobe até ao respiradouro.
Aí, olha, distingue ao longe a campina, aspira o ar livre, vê a luz.
Assim é o homem.
O prisioneiro não duvida que encontrará a claridade do dia, a liberdade.
Como pode o homem duvidar se vai encontrar a eternidade à sua saída?
Por que não possuirá ele um corpo sutil, etéreo
De que o nosso corpo humano não pode ser senão um esboço grosseiro?
A alma tem sede do absoluto e o absoluto não é deste mundo.
É por demais pesado para esta terra.
O mundo luminoso é o mundo invisível.
O mundo do luminoso é o que não vemos.
Os nossos olhos carnais só vêem a noite.
A morte é uma mudança de vestimenta.
A alma, que estava vestida de sombra,
vai ser vestida de luz.
Na morte o homem fica sendo imortal.
A vida é o poder que tem o corpo de manter a alma sobre a terra, pelo peso que faz nela.
A morte é uma continuação.
Para além das sombras,estende-se o brilho da eternidade.
As almas passam de uma esfera para outra, tornam-se cada vez mais luz.
Aproximam-se cada vez mais e mais de Deus.
O ponto de reunião é no infinito.
Aquele que dorme e desperta, desperta e vê que é homem.
Aquele que é vivo e morre, desperta e vê que é Espírito”.

Sendo assim, encerro com as ilustres palavras de Shakespeare:
“Há mais coisas entre o Céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia.”

domingo, 11 de setembro de 2011


Acreditas, porém, que a vida se encerre nos dias fugazes do mundo?

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Fé Inabalável



         É muito estranho... Em um momento, você pode abraçar, sair, ligar pra pessoa, e no outro, já não pode... E talvez seja por isso que até agora – 10 dias depois do acontecido – ainda não tenha conseguido escrever nem algumas linhas sobre tudo isso... Sobre o que a gente foi, sobre o sentimento eterno, a saudade que não acaba e a sua presença tão viva aqui...
         Não sei do que poderia falar. Se do seu jeito matreiro, com aquela luz incrível que era capaz de iluminar uma cidade inteira. É verdade... Eu disse isso em um depoimento de orkut uma vez. E eu não menti. Sua luz é tão grande que passa isso mesmo – uma alegria, um contentamento, um não-sei-quê de boa-aventurança... E escrevo é, no presente mesmo, pois que não deixou de ser, apenas não posso te ver, nem ouvir sua voz com meu aparelhamento físico, e isso me deixa triste, mas é uma tristeza por hora. Uma tristeza por saber que nossas aventuras e risadas afora na madrugada praiana não irão se repetir. Por saber que não mais te verei em frente à casa feliz a lavar o carro ou ouvir o som alto ou sua presença chegar de supetão na casa da vó quando nós formos lá e nos convidar para ir na sua casa... Tristeza por não te receber de surpresa na minha, de moto, sempre correndo, a pochete de lado na cintura e um sorriso bonachão nos lábios. Sorriso... marca registrada. Aquele ar de menino que não cansa de brincar, uma paz que transcende imprimindo aquela eterna graça no semblante... Sim, Gleison, sinto sua falta. E por esses dias que muito tenho pensado, por vezes me senti culpada pela estranha alegria entranhada na intuição de que você agora está bem, num lugar bem melhor que aqui. E lamento que não tenhamos podido viver mais coisas juntos, que não tenha ido conosco à Fazenda Quinta, que não vá te ver no Natal nem te desejar Feliz Ano Novo cara a cara no próximo Réveillon... Dói-me saber que a última vez que te abracei eu não sabia que era o último abraço, que as últimas palavras que me disse eu já nem sei quais são... E eu permaneci travada por todos esses dias, incapaz de rascunhar algumas míseras linhas, porque eu sabia que tudo que você foi e é não caberia nelas, então eu nem queria arriscar... E, amigo, eu nunca vou esquecer... Nunca vou esquecer que você sempre esteve comigo, sempre deu força para os meus escritos, para as minhas doces loucuras, para as nossas histórias loucas à beira-mar... Não vou esquecer aquele olhar que eu, você e Bruno relanceamos àquela casa naquele Natal – uma casa linda onde uma família feliz trocava presentes sob a árvore e nossos olhares sagazes acompanharam, sentindo a união e a felicidade daquela família e desejando intimamente fazer parte de uma como ela. Você sabe, Gleison, que nós sempre tivemos muito, especialmente você, mas houve coisas que nós não tivemos... E aquela união perene, indescritível que testemunhamos aquele Natal era uma dessas coisas...
         E, sabe, Gleison, eu vou te confessar que ainda não me caiu a ficha desse tal de “Nunca mais”. Eu sempre vivi com um pezinho no Além, sabia que nos últimos momentos acompanhava apenas teu corpo inerte, e isso torna mais dificultosa a crença nessa coisa aí... Nunca mais... Nunca mais as bagunças na areia. Nunca mais encontros no Chopão. Nunca mais o mar salgado, delicioso em um dia quente de verão. Nunca mais o bolo de chocolate com café depois da praia. Nunca mais as viagens exaustivas na camionete. Nunca mais as férias na minha casa. Nunca mais a canastra, o xadrez. Nunca mais o barulho da moto, a gargalhada, os aniversários em família... Nunca mais a minha preocupação com você e o Bruno jogando sinuca, nunca mais o futebol praieiro... Todo mundo entediado na casa da Vita, aí chegava você e com suas piadas animava geral... É... Eu não acredito em nunca mais. E eu sei que você tá bem, primo, que poderá ler as minhas palavras... Claro que chorei por você. Inevitável será lembrar de tantos momentos bons – momentos bons, pois o único ruim foi o mais duro de todos... Mas, a duras penas, digo a mim mesma que a vida não erra... Não, ela não faria isso justo com a gente. E como diz o comentário “subliminar” do caminhão na foto, há uma FÉ INABALÁVEL que nos sustenta agora, em que a saudade é uma oração de esperança. Como eu disse a última vez que vi o teu corpo, onde você já não estava, “Adeus, não. Até logo é melhor”.