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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Gênero: expressão biológica


O passar dos séculos instituiu comportamentos, modos de pensar e agir divididos por gênero. Classificaram-se socialmente os atributos ideais para homens ou mulheres, sendo que aqueles seres humanos que não se enquadram em tais estereótipos, são considerados diferentes, estranhos e então, reclassificados.
Antes de o bebê nascer, já se converge seu gênero em preparativos: roupas e acessórios azuis ou rosas. As coisinhas para as meninas são mais delicadas e para os meninos, mais agressivas, como se quisessem expressar atitude.
- Ele bate como uma garota!
- Ela age feito um menino...!
Nunca soube me encontrar nesse complicado universo dos gêneros. E isso vem de longe, desde criança. Não gostava de vestidos, demorei a descobrir a maquiagem, só andava com garotos, as meninas pareciam não me entender, nem eu a elas.
- Você é um menino gay num corpo de menina – disse um amigo certa vez, com a propriedade de quem conhecia muitos meninos e meninas “trocados”.
O tempo passou, já sei me equilibrar num salto, tenho vestidos lindos e aprendi a fazer maquiagens perfeitas. E tudo por gosto mesmo, não me forço a ser aquilo que não sou. Mas, eu ainda não consigo condenar um carinha que se depila (conheço vários, principalmente por causa da natação e do futebol) ou tira a sobrancelha. Creio que o homem deva realmente se abrir para o cuidado pessoal, sem se preocupar com o que vão achar dele. Pois a sociedade suscitou durante anos que o homem pode ser feio, barbudo e mal acabado, enquanto a mulher precisa estar sempre impecável. E, infelizmente, as pessoas ainda estão ensinando isso a seus filhos e filhas.
Do mesmo modo, uso bermudão e tênis, falo palavrão quando necessário e me dedico volta e meia a coisas que já foram consideradas estritamente masculinas. Continuo ficando linda de baby doll ou maquiagem e nada que eu faça afeta a minha feminilidade.
Defendo a expressão do que cada um é, desde que não prejudique o vizinho. Entretanto, não apoio as expressões falsas de si mesmo, que muitos fazem convictos de que estão arrasando. Muita gente incorpora no jeito de ser e vestir um tão alto grau de ridículo que é quase difícil acreditar em tanta falta de senso. E há ainda aqueles que se forçam, experimentando gostar de coisas, esportes, atividades as quais não se sentem identificados verdadeiramente, com o intuito de arraigar tais características em seu ser para mostrar aos outros, porém sem sentirem isso em sua essência. Mentem para si mesmas ou se iludem.
Não é difícil notar que para um homem ser bonito, ele, na maioria das vezes, carregará um ar feminino no semblante, enquanto uma mulher com feições de homem, geralmente é uma mulher feia. Os papeis de um e outro já estão definidos e são consideradas exceções os pais dedicados, as mães que sustentam a casa enquanto o marido cuida das crianças e os garotos que querem guardar sua virgindade para alguém especial. As diferenças entre homens e mulheres se estendem a todos os liames sociais. Sempre foram associadas a um traço cultural e difundidas de geração em geração, como se fossem realmente expressivas as discrepâncias de um e outro. E, cerebralmente falando, não há nada essencialmente relevante separando homens e mulheres. O gênero é apenas uma expressão biológica. Porém, uma expressão biológica que pauta comportamentos e reações esperadas, devido a uma construção cultural.
Não há nada fisicamente incapacitante que proíba o homem de realizar serviços domésticos e, embora de compleição mais frágil, a mulher também pode fazer serviços braçais. Ambos possuem as mesmas capacidades, limites e desejos; são seres humanos em evolução e com inteligência para receberem valores, conceitos e preconceitos. O que difere os homens e as mulheres de verdade está na mente de ambos.
De alguns anos para cá, há uma nova geração andrógina, que distorce a visão tradicional que temos e confunde os mais conservadores. Esse movimento de androgenia serviu para quebrar um pouco aquele outro modelo usual, ainda que com base no choque. As novas gerações parecem não ligar tanto para o gênero, abrindo-se para conhecer homens e mulheres com a mesma propriedade. Isso os rebaixa à medida que o fazem movidos exclusivamente pelo instinto sexual. Mas, isso enaltece aqueles que simplesmente se permitem amar, sem ficar olhando tanto para o quem. Amam a essência, a pessoa, e não a figura que possam estar a representar, com comportamentos já estudados, acentuando características que dizem que homem ou mulher deve ter. Alguns homens são meigos, algumas mulheres são brutas, há rapazes delicados e nem sempre eles são gays.
Observando o comportamento humano, não é difícil perceber que não há características específicas de homens ou mulheres, e sim tendências, e que o que faz cada ser humano único é justamente isso. O machismo fez acrescentar uma dose extra de meiguice às mulheres e praticidade aos homens, contudo não são todos que os têm. Isso varia de pessoa para pessoa, independente do sexo. E alguns podem se sentir fora de enquadro por conta dessa ideia pré-concebida.
Não sou grande apreciadora de Pitty, mas aqui preciso encerrar com um trecho de uma música dela:
Seja você
Mesmo que seja estranho
Seja você
Mesmo que seja bizarro, bizarro, bizarro...

Ser você mesmo é a única forma de ficar em paz consigo mesmo e tentar ser feliz como é.

2 comentários :

Paulo Rideaki disse...

Ei Kelly gostei muito do teu blog, os teus textos são bastante reflexivos.
E me identifiquei muito com esta postagem, sempre fui 'meigo', choro fácil, me emociono muito com situações de dificuldades dos parentes e amigos.
E algumas pessoas se afastaram de mim, achando que sou gay, principalmente os "amigo" machistas, que não gostam de pessoas frescas! (pura bobagem neh)
Mas eu não ligo, se me chamam de gay ou emo, as pessoas nunca conseguem ver o nosso lado verdadeiro , o nosso lado humano!
Parabéns pelos teus textos, é lendo crônicas assim que me defino mais como um ser,livre de gêneros!

Kelly Phoenix disse...

Oi, Paulo!!

Em nosso mundo, ainda vai longe a data em que as pessoas serão aceitas pelo que elas são, e não por aquilo que esperam delas ou as condicionaram a ser... Continue sendo do jeito que és, certamente muito especial; ser a gente mesma é a única forma de tentar ser feliz...
Grata pelo seu comentário e por me seguir, Paulo, aguardo sua visita aqui sempre!!

Abraço, querido

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