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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Nada mais que a verdade...


Li isso em algum lugar, e é real. Se falássemos a verdade, somente a verdade, em todas as situações, todas as relações cairiam. É necessário algum tato, polidez, discrição ou o nome que for... Não se trata de mentir. Não se trata de ser falso ou hipócrita. Não se trata de ser omisso. Trata-se de transparência.
Experimentei por um dia ser absolutamente franca, dizer as coisas na cara, sincera, e não grosseiramente, e o resultado foi péssimo. Ninguém está preparado pra sinceridade. Por mais suave que você seja, confundem isso com antipatia; ofendem-se, se afetam. Não ouvem com os ouvidos, mas com o orgulho, com o ego, com os brios, e qualquer palavra que ultrapasse essa barreira é tomada como ataque pessoal, como inimizade em potencial. Tenho a teoria de que estamos muito seguros de quem somos e onde estamos e quando algo ameaça isso, de que forma for, o medo nos faz reagir, tais quais feras indefesas. E a sinceridade é uma grande ameaça. Ela ameaça essa falsa crença de si mesmo, a estabilidade que tardou a ser conquistada; ameaça a verdade de que estabilidade não existe. Ameaça a verdade de que, sim, também erramos, e de que possuímos muitos defeitos não vistos ou que não queremos ou podemos corrigir.

E a verdade, a sinceridade, quando absolutamente clara, franca, desinteressada, construtiva, vem como um bisturi, que é capaz de cortar, porém para produzir alguma cura por dentro, em um nível que não podemos ver...

As pessoas não estão preparadas para a verdade porque estão acostumadas a fingir. Fingir para si mesmas, para a vida, para as outras; serem polidas e educadas; contarem mentiras brandas e aceitarem outras de volta. Algumas pequenas inverdades são mesmo necessárias para tocar a vida em frente, sem grandes altercações. Porém, é de bom tom começar a dizer verdades a si mesmo. Quantas vezes vejo as pessoas pecando na ilusão da auto-afirmação, querendo convencer mais a si mesmas que a qualquer outro de qualidades que gostariam de ter... Dizer verdades a si mesmo não dói; é admitir-se incipiente em algumas coisas, bom em outras; ainda que sejam temporárias, pois que nada é permanente. A auto-crítica, auto-desprendimento; o coração e não o ego, são as grandes bússolas e que possuem sempre as mais sinceras respostas. Eles podem nos levar às mais inimagináveis verdades se apenas dermos uma chance de ouvi-los.
Agora, quanto a ser franca com as pessoas... Qualquer pessoa inteligente sabe que há, no mínimo, duas formas de dizer qualquer coisa... E que só é curto e grosso quem é egoísta, incapaz de se colocar na pele do outro. Nada justifica um cliente descontar seu dia frustrado em um atendente; ainda que o atendimento seja desprezível, você se nivela ao outro quando passa a agir como ele. E, acima de tudo, a verdade está em si mesmo... Mesmo nas dúvidas, a verdade emerge como uma estranha certeza em nosso íntimo. Mesmo nas sombras, a verdade sempre se faz luz. E se agirmos com ela, nunca nos faltará, pois só recebemos uma mentira quando não queremos ouvir a verdade. E, fatalmente, todas as ilusões caem com o tempo, pois a verdade é o estado natural de todas as coisas...

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