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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A caixa de lembranças



Lembro de ter dito a alguém que muito amei alguns anos atrás que a saudade é uma caixinha de lembranças que abrimos em um dia cinza e faz com que nosso coração se dobre por alguns momentos.
Nesse dia cinza, reabri minha caixinha de lembranças, que se trata efetivamente de uma caixa de sapatos cheia de cartas, bilhetes, cartões, convites... Eu a reabri e fui analisando o seu conteúdo, percebendo como muito daquilo já não importava mais e descartando algumas dessas velhas “lembranças”...
Ao mesmo tempo que relia as velhas cartas, meu coração se enternecia ao se perguntar o que a vida teria feito daqueles com quem perdi o contato; reli cartas apaixonadas de pessoas que nunca mais vi e cartas minhas, de dor e saudade, para pessoas que já revi e não senti nada... Juntou-se a esses velhos materiais uma carta minha recente, que foi mais um desabafo, e não senti necessidade de entregá-la ao seu destinatário, que ainda está no meu coração e diz ter guardado uma outra que lhe entreguei diretamente em mãos.
Eu notei que as coisas sempre voltam. Nada fica mal resolvido, inacabado, a vida sempre dá uma resposta. Nem que seja três anos depois você ver a pessoa na rua, ter um diálogo através dos olhos por um minuto e cada um seguir seu caminho, sem pendências. Nem que seja, depois de tempos, em um dia cinza, abrir uma velha caixa de sapatos cheia de cartas e coisas que, por vezes, já não fazem mais sentido.
Como canta o The Verve, a vida é uma canção doce e amarga. Um dia, a gente olha pra trás e reflete, pensa, sente saudade, se arrepende, chora... Mas só por um dia... A vida continua sempre e é rica demais; o passado não volta, mas ensina, e se não tivesse que ter passado por aquilo... não passaria.
Todos têm uma caixinha de lembranças, seja na gaveta ou no coração. O importante é libertar, mesmo com essa dor no peito; o importante é seguir, mesmo nesse caminho incerto; o importante é amar, de perto ou de longe, e ter a certeza que tudo sempre vale a pena.

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