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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Essa vacuidade




Oh, essa vacuidade
O tédio, o vazio
A desilusão da lembrança dos sonhos quebrados
A vacuidade que ora se preenche com atividades
A vacuidade que ora se preenche com multidões
Mas, por dentro, tudo continua vazio
É como se chovesse no interior da alma.
Por vezes, encontramos alguém que pode suprir temporariamente essa nossa vacuidade. Transferimos projeções e carências para a pessoa e a tornamos responsável por nossa felicidade ou insucesso. Só que este alguém também tem sua própria vacuidade não trabalhada e talvez, se a sintonia não fechar, ela não ache sua completude em você. Acontece.
Essa vacuidade nos contempla, como se fôssemos feitos de argila. Tem horas que há um vazio tão grande que nada parece capaz de preenchê-lo; não tem jeito: crise existencial.
Essa vacuidade que nos invade; a ausência de sentidos – o não sentido de viver. A impermanência de tudo, a artificialidade do que deveria importar, a profundidade do que não deveria importar tanto assim; a indiferença de quem se considera; a consideração de quem se ignora.

Oh, vacuidade, preenche minha alma de dor por ter mergulhado nesse mundo de trevas, onde reina a incompreensão, pois eles simplesmente não se importam... Cada um vive a sua própria vacuidade, tentando supri-la de todos os jeitos, usando uns aos outros na vã esperança do alívio de sua própria ausência de sentido.

Se isso te consola, ninguém é feliz pra sempre. Muito poucos os que são felizes ao menos um pouco, também. A vida é uma canção triste com algumas notas doces. Olhar pra trás sempre pode trazer dor, saudades, arrependimento e a sensação de que poderia ter sido diferente. É normal. É normal não lembrarmos que lá atrás também houve a vacuidade, traduzida no medo, na incerteza, na dúvida do futuro. Os dias mais felizes também foram precedidos de choro e ranger de dentes, pois é um círculo sem fim. Essa vacuidade, esse vazio, nada pode preenchê-los completamente, pois se há pessoas afortunadas na Terra, o homem verdadeiramente feliz jamais foi encontrado. Feridas sangram, e nem sempre bandagens lhe estancarão, mas assim como se vão os dias felizes, também se vão os dias de dor.
Oh, vacuidade, pelo menos uma certeza tu me trazes: eu me importo. Eu amo, eu sinto, eu gostaria de poder amparar. A alegria que tu me mostra ausente não seria utilizada só pra mim. Quisera ser bem melhor.

Oh, vacuidade, nas impermanências do mundo, tu és uma coisa certa. As tempestades de verão se acabam; os amores mais lembrados são os não vividos; a dor lateja, mas um dia cessa; os desejos que ficam são os não realizados; a saudade mais doída é do que não volta; a fé menos vacilante é no que passou e o vazio do hoje é sempre maior do que o de ontem...

Vacuidade, tu nunca irá embora totalmente, é em ti que adquirimos consciência, que refletimos no porquê, que meditamos em um motivo e fingimos assimilar para seguir em frente... Oh, vacuidade...

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