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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

sábado, 7 de julho de 2012

Fins de tarde assim



São nesses fins de tarde assim que a dor tenta me invadir, à minha revelia. Sentada em um banco à tênue luz, diante do barulho do chafariz, memórias vêm me fazer lembrar que aqui, bem aqui, já fui feliz. De outra noite estrelada que, se descuido, faz de meus dias – todos eles – um vale de lágrimas sem fim.
São em fins de tarde assim que eu lembro de como poderia estar e lembro daquela pessoa – aquela que te enganas e tu nem notas – e sinto como se tivesse tirado algo de mim, algo muito valioso – não você, mas meu sonho. Meu sonho com você.
Em fins de tarde assim eu fito o céu, fito a lua; sinto arder o frio nas mãos que te escrevem e o doce ressonar dos meus sonhos que voltaram a dormir. Falando com Deus em prosas bobas de por quês inexplicáveis; por quê os homens mais bons não realizam seus sonhos; de por quê os que mais merecem menos têm, de por quê das minhas lágrimas à noite. Aqui, hoje, nesse instante – muito! Um momento fugidio na eternidade. As mais disparatadas conclusões; nada sou, estou. Nada é, está. Um turbilhão de frases feitas em meu destino inexistente, sonhando com um caminho que ninguém jamais trilhou.
Percebo que a tênue claridade nada mais é que minha própria luz, enquanto busco a mim mesma, em teias de humanidade, cretinismo e desilusão. Em que momento, Supremo Ser, os bons plantaram a dor, a mentira e a ilusão? Porventura, terá todo bom sido mau?
E os transeuntes passam apressados, ignorando a poesia desse instante. E a juventude segue reinando em seus desvarios insanos, desnecessários – aqueles, que são aqueles desde que o mundo é mundo. E as tarefas diárias e as coisas mundanas tão necessárias seguem também, sempre em falsas promessas de amanhãs dadivosos. Uma felicidade que nunca se dará por completo, pois o homem comum não percebe que só há agora para ser feliz. E que de nada adianta o sol brilhar por fora se chove por dentro, e que nenhum será feliz pisando o sangue de seu irmão. O menor sentimento desprezado entoará notas de dor ao seu desprezor.
São em fins de tarde assim que a melodia que em meu peito toca se entristece, mas ao mesmo tempo se enobrece, ressurgindo na esperança de uma canção mais doce entoar.
São em fins de tarde assim que me sinto morrer por dentro, como se a dor me rasgasse ao meio, mas entre tantas trevas reluzo, pois meu destino é a luz sem fim. São em fins de tarde assim...

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