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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Me despi



Me despi da ideia de publicar atos e fatos no facebook. Da triste ilusão de que a felicidade é o que é exibido em rede, para quem quiser ver e invejar. De mostrar, de fingir, parecer. Me despi dos medos sociais gerais – não da violência, da crise econômica, do desemprego (esses também!); - mas, da idade, do peso, da aparência, do status quo, do que os outros pensam. Me despi dos objetivos fixos, das felicidades de senso-comum, do desmesurado consumo, do ter para ser. Me despi dos julgamentos alheios, das mentiras que contam para si mesmos, das publicações infames e egos inflados. Eu me despi aos poucos, mas completamente; não me despi para alguém, mas para um imenso espelho que me refletia em cada ato, gesto e palavra. Fui me despindo das inseguranças, das maldades, das enormes ondas e, pouco a pouco, nada mais sobrava para cobrir a minha nudez tão assaz. Me despi da hipocrisia, da falsidade, dos que com elas estavam vestidos; me despi da ideia de que tenho que agradar e que sou eu quem estou perdendo. E agora, totalmente nua, me dispo pouco a pouco dessa mentalidade tão viva de que precisamos estar vestidos. Que estar vestido é uma proteção. Com tudo isso, tantas máscaras, com artifícios e casualidades. Com mentiras e embaraços, superficialidades e modas, conhecimentos decorados e contas bancárias.
Eu me despi. Estou nua da melhor forma possível. Nua para mim mesma. E é essa a única e verdadeira nudez.

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