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Reflexões, citações, crônicas e extrações sobre filosofia, literatura, espiritualidade, emoções, percepções e sentimentos, e um plus para tudo o que vier na mente.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Pessoas como você se vão




Eu vejo tanta maldade no mundo. Não é que eu veja, é que elas estão lá, em toda parte. As pessoas matam, ferem, magoam, roubam, extorquem, oprimem. As pessoas destroem, separam, mentem, fingem, não se importam. E elas atiram. Atiram pra matar.
Você se foi tão cedo. Levou de nós sua alma generosa, seu sorriso divertido, seu jeito brincalhão de ser. Levou seu abraço fagueiro, suas piadas incríveis e sua companhia sempre alegre. Não se despediu, não nos deu chances, apenas partiu, de uma forma que jamais poderíamos imaginar... E sempre que olho pro céu, em tímidas conversações com Deus eu pergunto: Por quê? Por que ele? Por que a vida leva de nós partes preciosas demais, que jamais poderemos substituir? Por que não aquele outro ali que faz mal, aquela outra que mente e engana, aquele que só sabe pensar em si e jamais vai amar alguém? Mas, aí, numa nesga de lucidez, me apercebo da sabedoria da vida, colhendo do pé as frutas já maduras e deixando cá as verdes para amadurecer. Penso que – sempre quis crer – não há erros, nós é que somos limitados o bastante para entender. Nós não entendemos por que Deus nos tira alguém tão caro em detrimento daqueles que nós não gostamos, ou ainda, que sequer conhecemos, mas julgamos, quando somente a Deus é dado conhecer as criaturas. O coração dói cingido de dor e desespero; tristeza e revolta; não entendemos porque as coisas acontecem; queremos, buscamos essa compreensão, mas nenhuma resposta vem, mergulhados que estamos nas provações mundanas. E se já soubéssemos que seria assim? E se sempre foi, apenas se confirmou? E se pedimos isso? Não sei... Nada é como parece...
Nada é como parece, pois tudo o que vemos são os fatos. Os fatos são como a ponta de um iceberg – é o que desponta e é visto, é aquilo que nossa compreensão alcança. Mas, que há por baixo de um iceberg? Não há uma base enorme, com raízes profundas? Penso que assim também deve ser com as coisas na vida. Ante a dor, nos desesperamos, doemos, nos sentimos injustiçados, amordaçados e questionamos onde está a justiça, a misericórdia, onde está esse Deus que nunca nos acode... Mas, esquecemos que somos humanos, pequeninos, e que talvez o fato mesmo tenha sido uma prova da misericórdia divina, nos poupando de dores e sofrimentos ainda maiores. Somos tão imperfeitos e limitados que só diante da morte podemos perceber a insignificância de tudo aquilo que tanto valorizamos na vida e o que importa realmente... Porque tudo é ilusão. A carne, a hora, a face, o agora. Porque há muito além do pouco que podemos ver. Porque há muito além do que costumamos acreditar. Porque o caminho a percorrer é bem maior do que a infantil imaginação humana sequer pode sonhar. Porque nada é realmente.
Nesse dia, em que uma fatia de tempo se completa desde a sua partida e a saudade vem para tingir as memórias e despedidas, espero que você receba meu abraço afetuoso, sincero, cheio de saudades, onde você estiver. Queria aprender com tudo isso a dar valor àquilo que importa de verdade, viver e realizar mais, pois cada momento concorre em infinita oportunidade de aprimoramento que pode demorar a se repetir. Mas, sou criatura falha, talvez um pouco menos que umas, um pouco mais que outras, e tudo que posso dizer é que ainda choro de saudades... Que ainda pergunto “Por quê?” e “Por que pessoas como ele se vão?” e não sei se um dia obterei resposta... E que eu lembro com carinho do legado que você deixou. Nada é seguro.

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